Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Coutinho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Coutinho. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de março de 2024

VIAGENS POR ABRIL


 

       Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                                                João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.


Prosseguia o quotidiano dos nossos governantes.

Sua Excelência o Presidente da República inaugurava, no dia 23 de Março, as novas instalações do Hospital Distrital de Cascais.

Por sua vez, Sua Excelência o presidente do conselho recebia, no dia 24 de Março, os primeiros corpos gerentes da nova Associação Nacional da Juventude, eleitos na assembleia geral efectuada na Caparica, que lhe foram apresentar cumprimentos e convidá-lo para inaugurar oportunamente a sede da organização.

Após o 25 de Abril. que terá acontecido a estes jovens?

E em que se converteu a sede da Associação nacional de Juventude?

Por outro lado, no Cinéfilo de 23 de Março de 1974 há uma carta-resposta de Eduardo Prado Coelho a Vasco Pulido Valente:

«É aliás fácil estar de acordo com as ideias do Vasco, porque ele não tem muitas».

No Plenário recomeçou o julgamento dos réus acusados de pertencerem à ARA. O escritor Carlos Coutinho fala nos motivos que o levaram a aderir ao Partido Comunista, o que leva o juiz a interrompê-lo. Dando-lhe dez minutos para responder concretamente às perguntas.

É marcada para Setembro a data de construção da Barragem do Alqueva.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Teremos que assentar num ponto: Portugal de Abril fez a descolonização possível. Porque nos foi imposta pelos movimentos de libertação. Com erros, é certo, mas com a consciência de que não pretendíamos, de maneira nenhuma, ser neo-colonialistas. Se assim não fosse a luta dos povos das colónias teria continuado até limites impossíveis de prever.

«Um grupo de cristãos e não cristãos protestam veementemente contra o silêncio dos bispos portugueses e denunciam este silêncio como claro apoio e cumplicidade na política de exploração colonial praticada pelo Governo fascista português».

Cartaz afixado na capela do Rato em 30 de Dezembro de 1972.

 O tempo em que Sophia escreveu o poema: «Vemos, Ouvimos e lemos, não podemos ignorar».

«Uma Noite naGuerra, segundo o seu autor é uma brevíssima crónica dum momento na agonia do Império, com notícias duma remota cidade do mato moçambicano, incluindo alguns tropas a conspirar e a fundamental presença dum contador de histórias verdadeiras.»

Não ainda em quantidade suficiente, temos um conjunto de poetas e prosadores que nos fazem o possível retrato de uma tragédia que marcou toda uma geração e que ainda revela actuais momentos de revolta e desespero. Diga-se, também: RAIVA!

Dedicatória de Carlos Coutinho neste seu livro:

«Para a Antonieta, minha companheira, que nunca permitiu a destruição deste e doutros escritos, mesmo quando as hipóteses da sua publicação eram nulas, mesmo quando uma incursão da PIDE em nossa casa era provável – como, de resto, acabou por acontecer».

Final de Uma Noite na Guerra:

«Vejo agora que o rancor já se diluiu, mas a inquietação não. É por isso que as horas passam e o sono tarda. É por isso ainda que revolvo nesta madrugada  os cadernos que trouxe de Moçambique cheios  de apontamentos. É por isso também que alguns deles irão provavelmente ser livros».

terça-feira, 17 de novembro de 2015

OS IDOS DE NOVEMBRO DE 1975


17 de Novembro de 1975

Um mar de gente desaguou na Praça do Comércio e tornou-a pequena para tanta gente.
Grande parte não chegou a entrar na Praça.
A concentração foi marcada para o Marquês de Pombal.
A exemplo da manifestação, realizada oito dias antes, e de apoio  ao VI Governo Provisório, esta também foi transmitida directamente pela RTP.
Assim, só o 1º de Maio de 1974, disse o Almirante Rosa Coutinho, Como demonstração de força que foi, esta manifestação deverá trazer as suas consequências, embora eu não saiba quais.
O Diário Popular titulava: A classe operária disse “Não” ao VI Governo.

Carlos Coutinho em O Século:


Otelo Saraiva de Carvalho:


O Apontamento de José Saramago no Diário de Notícias:



Os manifestantes ostentavam ao peito diversos autocolantes.
Este era o que mais se via,

Fontes:
- Acervo pessoal;
- Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira.

sábado, 14 de março de 2015

OS IDOS DE MARÇO DE 1975


14 de Março de 1975

NESTE DIA, há 40 anos, o País surpreendia-se com a notícia de que o Conselho Superior da Revolução, como sua primeira grande decisão, nacionalizava todas as instituições de crédito bancário, com sede em Portugal e Ilhas Adjacentes, com pequenas excepções, atendendo à existência de filiais e bancos estrangeiros e caixas económicas e de crédito agrícola mútuo, que aguardarão lei especial.

General Vasco Gonçalves:

Penso que hoje é um dia histórico para o nosso povo. O 14 de Março fica gravado na história do nosso povo, como uma data que corresponde a um passo muito importante dado na sua libertação, na via do progresso, na via do País dominar os seus próprios recursos. Portanto julgo que hoje é um dia de alegria para todos, menos para aqueles que beneficiavam largamente com o sistema anterior vigente.

 O PPD, sublinha que substituir um capitalismo liberal por um capitalismo de estado não resolve as contradições com que se debate hoje a sociedade portuguesa.

Mário Soares chama-lhe um dia histórico em que se pode assinalar que o capitalismo se afundou.

O economista Eugénio Rosa lembra:

É suficiente dizer, e só a título de exemplo, o que aconteceu até há pouco tempo com um banco. O grupo económico a que ele pertencia criou 15 empresas no mesmo edifício, com um capital social de 3.500 contos, a quem emprestou mais de 3 milhões de contos para que aquelas pudessem jogar em acções especulativas, sem qualquer interesse para satisfação das necessidades populares.

Jornalista Miguel Serras Pereira:

Aquilo que se fará com a estatização da banca é, sem dúvida, bem mais importante do que essa estatização em si mesma.

Economista Maia Cadete:

Era absolutamente necessário extirpar o mal pela raíz. E a raiz estava efectivamente podre. Como é sabido a banca constituía um «reino» reacionário com autonomia dentro de um Portugal já democrático.



Neste mesmo dia, a profª Isabel de Magalhães Colaço, Diogo Freitas do Amaral, Henrique de Barros, Rui Luís Gomes, Teixeira Ribeiro e Azeredo,  civis do estado apresentam a sua renúncia.

Também se fica a conhecer os militares que compõem o Conselho da Revolução:

Pinheiro de Azevedo, Rosa Coutinho, Carlos Fabião, Mendes Dias, Lopes Pires, Pinho Freire, Costa Gomes, Vasco Gonçalves, Otelo saraiva de Carvalho.

Membros da Comissão Coordenadora:

Franco Charais, Canto e Castro, Pereira Pinto, Almada Contreiras, Miguel Judas, Vasco Lourenço, Pinto Soares, Ferreira de Sousa, Sousa e Castro, Pezarat Correia, Marques Júnior, Martins Guerreiro, Ramiro Correia, Costa Neves, Graça Cunha.

Os Bancos reabram amanhã.

QUEBRANDO um silêncio voluntariamente mantido nos últimos meses, o Capitão Salgueiro Maia dá uma entrevista ao jornalista Dinis de Abreu, publicada no Diário Popular.


Salgueiro Maia conta que ao principio da tarde do dia 11, deslocou-se a Tancos para dizer a Spínola que tudo aquilo era irracional e que o momento político não se compadecia com aventureirismos como aqueles que estavam a ser desencadeados.

Quando o viu, Spínola disse-lhe:

- Mas, então, você não está em Lisboa?

- Mas nós somos tudo menos malucos, e não compreendo como é que o meu general se mete numa alhada destas…

Salgueiro Maia fica com a ideia que o general está extraordinariamente mal informado, porque garantia que toda a situação era dele, todas as forças lhe obedeciam e que tinha sido levado àquilo por uma comunicação recebida nessa noite, através de uma lista de elementos a abater por determinada organização política; à cabeça da qual se encontrava com 500 militares e cerca de mil civis, numa operação designada por «Matança da Páscoa».

Salgueiro Maia desabafa a Dinis de Abreu:

Spínola está absolutamente irrecuperável. Na presente situação política, ele era para os seus adeptos um D. Sebastião. Agora, já não há D. Sebastião. É bom não esquecer  que ele foi um dos melhores generais e um dos piores como político.

Editorial de Augusto Abelaira na Vida Mundial:


Fontes:
- Acervo pessoal;
- Os Dias Loucos do PREC de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira;
- Discursos – Vasco Gonçalves, Edição do Autor, Lisboa, 1976

Legenda:
- pormenor da 1ª página do Diário de Lisboa de 14 de Março de 1975;
- páginas centrais do Diário Popular de 14 de Março de 1975.