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terça-feira, 2 de abril de 2019

OLHAR AS CAPAS


Crónica dos Pobres Amantes

Vasco Pratolini
Tradução e prefácio: José Blanc de Portugal
Capa: António Garcia
Editora Ulisseia, Lisboa, 1954

- O Ugo deve estar com uma febre de cavalo para não se lembrar que Maciste me contou tudo! Lembre-lhe que o Partido não é qualquer menina para se fiar em aparências; só julga um camarada quando há provas, tal e qual como um tribunal – dizia-o tomando-lhe o braço paternalmente – e quando o Partido condena um comunista pode ele envelhecer tanto como Matusalém, é como se tivesse perdido a cara: ninguém o conhece mais.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Um Herói do Nosso Tempo

Vasco  Pratolini
Tradução: Luís Manuel Naia
Colecção Encontro nº 7
Editora Arcádia, Lisboa s/d

Digamos, francamente: sentia medo. Estava só, no quarto, estudando uma vez mais o plano para o dia seguinte, mas o meu pensamento fugia sempre para ti. Tinha medo, repito. Sim, medo de morrer. Era a primeira vez que pensava nisto seriamente. Talvez porque desta vez as possibilidades que tinha de sair com vida eram poucas. O êxito da acção dependia de mim: teria de colocar a bomba na janela e acender a mecha. Logo que a bomba rebentasse, atacávamos o edifício, para retirara antes dos reforços alemães. Entretanto, o menos que podia acontecer-me era ficar entre dois fogos. No dia seguinte tudo decorreu bem, mas naquele momento a empresa podia redundar em desastre e os alemães poderiam apanhar-me com a bomba nas mãos. A escuridão do quarto perturbava-me, mas não queria acender a luz, a fim de procurar dormir para me levantar no dia seguinte com os nervos em perfeita ordem. Surpreendia-me a querer adivinhar que reacção seria a tua se me matassem; não digo naquele momento, mas depois da libertação, para todo o resto da vida. Era um sentimento egoísta; não conseguia imaginar-te sem mim, como tão-pouco podia imaginar-me sem ti. 

terça-feira, 12 de maio de 2015

OLHAR AS CAPAS


As Raparigas de Sanfrediano

Vasco Pratolini
Tradução de João Terra
Capa de Bernardo Marques
Colecção Miniatura nº 66
Livros do Brasil, Lisboa, s/d

Sanfrediano é a pequena república das trabalhadoras ao domicílio: são manipuladoras de palha, costureiras de alfaiate, engomadeiras, palheireiras de cadeiras, que da sua fadiga, nas horas roubadas aos cuidados da casa, tiram o complemento de que necessita uma família, quase sempre numerosa, à qual o trabalho do chefe fornece, quando fornece, o pão e o conduto.
Esta gente de Sanfrediano, que representa a parte mais plebeia e mais vivaz dos florentinos, é a única que conserva autêntico o espírito de um povo que até da própria grosseria soube tirar graça e do seu génio, de verdade, uma perpétua impertinência. Os sanfredianos são sentimentais e cruéis ao mesmo tempo; a sua ideia de justiça é figurada pelas vestes do inimigo penduradas num candeeiro; e a sua imagem do paraíso, exemplificada num provérbio, é poética e vulgar: um lugar utópico onde há abundância de milho e penúria de aves.