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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

MESAS DE CAFÉ

                    À memória do José Carlos González 

               e do José Sebag

 

Foram tantas que a memória

latejando ao recordá-las

mal consegue desenhar

as cores às suas formas.

 

Eram feitas de amizade,

de solidão, quantas vezes,

afáveis por natureza

à espera de quem chegasse.

 

E sabiam ler os livros

que sobr’ elas se sonhavam

que um dia seriam escritos

com ilusões    sem palavras.

 

Pois da sua clientela

aqueles que mais amavam

eram apales poetas

norteados por miragens.

 

E restarão pelos tampos

marcas de encontros marcados

quando um amor rutilava

e um outro apagava a chama.

 

Foram tantas: a lembrança

delas penetra no peito

como gume que, matando

embora, cause deleite.

 

António Salvado em Essa História

sábado, 19 de julho de 2025

POEMAS AUTOGRAFADOS


Encontrei, num vão de escada aqui no bairro, os poemas que António Salvado publicou na Colecção Poetas de Hoje da Portugália Editora, e que não faziam parte da Biblioteca da Casa.

Acontece que se trata de uma republicação que desconhecia por completo, de que não consegui grandes pormenores e que tencionava recuperar os volumes da Colecção Poetas de Hoje.

A capa é a versão de João Câmara Leme mas, agora, trabalhada por Henrique Cayatte.

Deixo-vos alguns informes que o editor colocou na edição, mas esqueceram-se de colocar o número do volume da Colecção Poetas de Hoje.

Nas diversas notas biográficas de António Salvado que colocaram no livro, nas notas biográficas consultadas na net, não consegui encontrar Essa História na Bibliografia.

Não deixa de ser estranho.

Este é o poema que o autor escolheu para autógrafo da edição:

 

Essa História

 

Humilde estória aos poucos confessada,

desdenhando o suborno

de qualquer casual     conformidade,

dum ilusório porto –

seguiu rotas infrenes, os capítulos

narrados com vivaz infrenes, os capítulos

narrados com vivaz desenvoltura

por vezes quão difíceis

no seu teor bebido

nos ardis que surgiam no percurso.

 

Mas uma voz sincera

que nem turbilhão de tempestade

diminuía e era

na singela    firmeza    como a erva

que após logo pousio    rompe e cresce,

só assim foi tecida

em paz (encapelada    porém avançando)

em combates molestos ou benignos,

em dimensões de rápidos limites,

essa estória que minha    encasa em tantos

domingo, 13 de julho de 2025

OLHAR AS CAPAS


Essa História

António Salvado

Capa: Henrique Cayatte sobre versão de João da Câmara Leme

Colecção Poetas de Hoje

Portugália Editora Junho de 2008

 

É Então

 

A vinda do crepúsculo

nunca sabe que a sombra

surgirá como seu véu

tecido pelos astros

a encurtarem    dóceis

a entre nós distância

e o ignoto infinito.

É Então que se vê

o que as estrelas dizem:

que o infinito tem

a extensão do amor.