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domingo, 15 de fevereiro de 2026

À CONVERSA

No Ípsilon, semanário do Público de 6 de Fevereiro, Màrio Laginha, dá uma entrevista muito interessante. 

Aqui fica um pedaço da conversa que manteve com Sérgio C. Andrade: 

Voltando um pouco atrás: foi agora desafiado a abordar Mozart, depois de o ter feito já com Bach. Qual deles prefere?

É uma resposta facílima: Bach. Mesmo se também adoro Mozart. O seu talento para compor era um absurdo de facilidade. Uma pessoa vê isso quando ouve algumas sonatas e outras coisas do seu reportório, mas também percebe que aquilo era a música pop da época: melodias bastante simples, sempre tudo bem orquestrado, podia-se dançar, eventualmente. Era uma música que comunicava com muita facilidade. O Mozart soa-me sempre a festa, a salão... É claro que o Requiem é outro universo. Já o Bach remete-me para uma ideia de divino. E isto, dito por um ateu, não tem menos força. Oiço aquela música e muitas vezes penso: “Se Deus existe, ele passou por aqui”. Bach eleva-nos sempre, e isso é fascinante. Um dia destes, estava a falar disso com o Pedro [Burmester]: “O Bach é uma música que nunca, nunca, nunca me/nos cansa”.

E Beethoven? Já o abordou na sua música?

Dessa forma, não. Considero-me um músico de jazz. Também tirei o curso de piano, mas não sou daqueles pianistas que viram imenso reportório. Temos de fazer opções, e a minha foi tomada aos 20 e poucos anos. Não queria ser um intérprete de música clássica. Mas há tanta música maravilhosa e, de vez em quando, arranjo um pretexto, e um deles é tocar com o Pedro aquele reportório, que é sempre uma experiência especial.

E Keith Jarrett?

Keith Jarrett, agora oiço menos do que as pessoas possam imaginar. Quando comecei, não fazia mais nada: ou estudava piano ou ouvia Keith Jarrett. Não era jazz, era Keith Jarrett. Isso, entretanto, mudou. Vou contar uma história passada com um guitarrista que sempre adorei, e que morreu há poucos dias [18 de Janeiro], o Ralph Towner [1940-2026], que gravou muito para a ECM, e com quem toquei no disco da Maria João Fábula [1996], para o qual também compus. Estivemos cinco dias em estúdio, também havia o Ricardo Rocha com a guitarra portuguesa, o Manu Katché, na bateria, o Kay Eckhardt, no baixo... Era uma banda incrível. Gravámos o disco em Colónia [na Alemanha], correu incrivelmente e, depois, até tivemos um convite para o importante Festival de Jazz de Berlim. Decidimos, na altura, lançar o barro à parede e convidar o Ralph Towner, uma supervedeta que tinha mais que fazer, a tocar connosco, e ele veio, em dois concertos. Neles, havia um momento em que eu ficava a tocar a solo. No final do primeiro dia, o Ralph veio ter comigo e disse: “O teu solo foi incrível!”. Fiquei nas nuvens. No dia a seguir, voltei a fazer o solo, mesmo se não foi igual. Ele voltou a vir ter comigo: “Gostei muito. Mas tem cuidado, percebe-se muito bem a influência do Keith Jarrett. Tens sempre de ser tu, porque as pessoas querem ouvir o original, não uma imitação”. Eu tinha 30 e tal anos. De vez em quando, nos meus solos, as influências eram tão óbvias... Mas o que o Ralph Towner me disse foi importante, e acho que aprendi a lição.

segunda-feira, 31 de março de 2025

À CONVERSA


  Entrevista de Verão no Público de 23 de Julho de 2024 de Anabela Mota Ribeiro, jornalista e escritora – “sente-se a escrever”, foi o melhor conselho que lhe deram na vida.

Perguntaram-lhe:

- Qual foi o último filme que viu? E qual foi o último de que gostou?

Respondeu:

- Sunset Boulevard, de Billy Wilder. Foi num contexto profissional, na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, e ouvi os contributos da Adriana Molder e da Patrícia Portela. Os filmes ficam outros quando são comentados e contaminados por outros olhares, e nós somos outros quando voltamos a um clássico.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

À CONVERSA


 Permanece fiel às antigas amizades?

Tenho poucos amigos. Mas os dois ou três que tenho, a ele sou fiel. É o caso, por exemplo, do João Pulido Valente.

E aos ideais da sua juventude?

De um modo geral, sim.

E de um modo geral?

Deixei de acreditar em muita coisa em que acreditava.

Por exemplo?

Sei lá… Sei lá… No Estaline, por exemplo.

O que é envelhecer?

É sentir-se uma dor no peito e supor-se, só por isso, que se tem um cancro.

E a morte, o que é?

Uma fuga definitiva a todas as chatices.

E a vida?

Raros bons momentos intercalados numa grande chatice.

Alexandre O’Neill em O Ponto de 4 de Fevereiro de 1982, à conversa com Baptista-Bastos, entrevista incluída em Diz-lhe Que Estás Ocupado.

Legenda: desenho original de André Carrilho

domingo, 29 de dezembro de 2024

À CONVERSA

- Escreve à mão ou à máquina?

- À mão. Aos 93 anos, continuo a ter uma caligrafia que, como grafólogo, considero a de uma pessoa de 50. Tenho uma caligrafia muito firme, muito direita: não arranhada pelos nervos ou pelas trepidações dos fenómenos vasculares. É, até certo ponto, artística, à maneira da caligrafia inglesa.

Entrevista de Juan Filloy a Mempo Giardinelli, copiado de Bicho Ruim

quinta-feira, 7 de março de 2019

À CONVERSA


Perguntaram-lhe:

Assume-se como um homem de esquerda, foi preso político antes do 25 de Abril de 1974, foi militante de um partido político. Nestes anos que levamos de democracia a sua visão da sociedade alterou-se?

Respondeu:

A sociedade alterou-se muito. Hoje vivemos um pouco num mundo de ficção científica; o mundo em 2010 não tem nada que ver com o mundo da minha juventude. As certezas que na altura tinha, um pouco próprias da teimosia juvenil que se interroga pouco, mas também porque o mundo parecia ter uma configuração completamente diferente e os acontecimentos pareciam dar razão à minha visão do mundo, acabaram por demonstrar que nem sempre era assim. Penso que a diferença entre esquerda e direita faz cada vez mais sentido, faz todo o sentido. Não se trata de quem se senta à direita do rei, mas da distinção entre esquerda e direita, em que à primeira estão associados os movimentos de transformação que querem melhorar a vida de todos e à segunda respeitam aqueles que querem perpetuar a exploração de uns por outros e a humilhação, o poder do dinheiro, dos exércitos. Há ao longo da História uma distinção muitíssimo clara entre as duas. A direita funciona naturalmente através do preconceito; a direita está naturalmente ao lado dos mais fortes; a direita está naturalmente contra as mudanças. Por mais que se arvorem em direita moderna, quando chega a hora dos grandes confrontos e das grandes decisões a direita está sempre do lado errado da História, pelo lado dos maus instintos. Quando digo isto não quero dizer que as pessoas tenham maus instintos; há pessoas de direita que são excelentes pessoas. Refiro-me à inserção social, à inserção na História e a direita representa o lado histórico dos maus instintos. É, por exemplo, o lado de quem, durante todo o século XIX esteve contra a liberdade de expressão, contra a liberdade de reunião, contra a liberdade de imprensa, contra a liberdade sindical. Esse é o lado da direita.

Entrevista de Mário de Carvalho feita por Ana Goulart e publicada na Seara Nova nº 1712, Verão de 2010.

Legenda: Mário de Carvalho

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

À CONVERSA


Mas, descontada a terminologia, foi sempre mantendo uma atitude crítica em relação ao modo como a literatura se foi tornando indistinguível de outros produtos de consumo. E saberá do que fala, uma vez que foi técnico de publicidade.

A grande tragédia da minha vida foi ser publicitário. Digo isto muito seriamente. Uma vida que fui obrigado a viver de forma...

Esquizofrénica?
           
Exactamente, a palavra é essa. Nessa altura, a publicidade era vista pelos bem pensantes como um trabalho quase de prostituição. O facto é que não consegui arranjar emprego com o curso de Direito, e também não me interessava muito ser advogado. E na função pública estava proibido de trabalhar por razões políticas. Eu achava que um dia poderia ir para a diplomacia. Via o Saint-John Perse, esses tipos, o Paul Claudel, e achava que era o que me convinha. Sentava-me a uma secretária e tinha tempo para fazer versos. Não fazia mais nada, só versos, e andava com uma faixa ao peito. É ridículo, mas é verdade que pensava nisto. Também podia ter ido para Medicina. E se calhar devia ter ido. Houve um professor que insistiu muito comigo, mas acabei por ir para Direito. Sempre com a expectativa de que um dia o Salazar ia morrer – caía de uma cadeira qualquer –, e depois havia liberdade e eu podia ir para a diplomacia.

Entrevista de Luís Miguel Queirós a Armando Silva Carvalho em Público 1 de Junho de 2017

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

À CONVERSA


Perguntaram-lhe:

Quer dar um exemplo que o tenha surpreendido?

Respondeu:

Nos meus 18 anos, eu tinha aquela perceção de que os guerrilheiros que estavam a fazer a luta de libertação eram deuses, infalíveis – depois descobriu-se que não era tanto assim. Uma vez, um desses deuses sentou-se ao meu lado, tirou um bloco do bolso e começou a tirar notas. Eu pensei que ele estava escrevendo aí coisas fundamentais. Quando espreitei, dizia assim: «Comprar pasta de dentes.»

Mia Couto entrevistado por Filipa Melo, revista Ler, Primavera 2018

domingo, 18 de março de 2018

À CONVERSA


Entrevista de Bruno Vieira Amaral a Ricardo Araújo Pereira, publicada na revista Ler nº 148, Inverno de 2018.
Foi-lhe perguntado:
Em comparação com a era das redes sociais em que vivemos, pensa que vamos olhar para o boom da blogosfera (para o qual, no sosso país, também contribuíram os gato Fedorento) como uma idade de ouro da internet ou já eran visíveis aí os defeitos que agora mais facilmente detetamos no Facebook?
A resposta de Ricardo Araújo Pereira:


Legenda: ilustração de Pedro Vieira para a citada entrevista.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

À CONVERSA


Luís Miguel Cintra para José Tolentino Mendonça:

Olha, no final da missa, quando dizes “ide em paz e que o Senhor vos acompanhe” devias antes dizer “ide em paz mesmo que ninguém vos acompanhe.”

Comentário de Tolentino Mendonça:

Pode parecer um paradoxo, mas a oração torna-se mais vital quando tocamos o silêncio de Deus, quando os nossos pés tocam a orla da sua ausência.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

À CONVERSA


Perguntaram-lhe:

Gostas de futebol?

Respondeu:

Gosto imenso de futebol. Mas ainda gosto mais do Benfica. Sou assim desde que nasci, acho que já nasci do Benfica. Eu sou sócia do Benfica, os meus netos são sócios do Benfica, o meu filho é sócio do Benfica. É tudo. Na minha família, de um lado ou de outro, por acaso era tudo do Benfica. Apaixonadamente. Sou uma apaixonada muito grande.

Maria Teresa Horta, entrevistada por Ana Sousa Dias e publicada no Diário de Notícias

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

À CONVERSA


JL - O Alberto Seixas Santos tem um belo texto sobre ti no catálogo da Cinemateca, no qual afirma: «O mundo de Fernando Lopes não é alegre».

FL – Nem podia ser. Se pensares no que foi a minha vida… Fui salvo in e xtremis aos 4 anos de idade…

JL – Porque a tua mãe se piorou do teu pai e trouxe-te com ela.

FL – Foi. E eu sempre tenho tentado sobreviver a desgraças. A minha força, se calhar, é essa. Não vou ter nunca condições para poder fazer musicais, que era o sonho da minha vida. E era porque quando vim para Lisboa, aos 14 anos, trabalhar como paquete da empresa Durand Garcia & Companhia, aqui neste edifício onde estamos, o do Restaurante Comodoro, no Largo D. João da Câmara, era pelo sonho que eu me salvava. Indo ao São Luiz ver filmes musicais da MGM. Daí que haja cineastas que eu adore, como o  Vincente Minelli (1906-86). Parece esquisito, num tipo como eu que nunca faz nada disso, mas nessa altura o sonho compensava-me do mundo nada alegre em que vivia, à boleia nos eléctricos, a fugir à polícia, inso às sessões duplas do cinema. O Seixas tem razão: o meu mundo não é alegre. Mas ter sobrevivido a isto tudo é um bom sinal de vida. Ou seja: se tu combates, se tu te bates até ao fim, talvez consigas modificar alguma coisa. Às vezes não consegues, outras consegues, mas nunca te podes deixar ir abaixo.

Fernando Lopes entrevistado por Rodrigues da Silva, Jl 3 de Abril de 2002

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

À CONVERSA


Perguntaram-lhe:

Como disse, o Mário também acabou por ser preso. Que marcas é que isso lhe deixou?

Respondeu:

Ao fim e ao cabo, o que eu fazia era participar em reuniões, distribuir papeis, entrar em discussões. Era perfeitamente banal. Mas encontrei na cadeia muitos bons amigos, e isso é que me ficou. Há um ruído que nunca mais se esquece na vida. Sabe qual é? É o barulho das grades de ferro a fecharem-se. Da fechadura. Ficamos com isso na cabeça para sempre.

Mário de Carvalho

sábado, 5 de março de 2016

À CONVERSA


Perguntaram-lhe:

A paixão pelo Benfica foi-lhe passada pelo seu pai...?

Respondeu:

Foi. Tenho amigos que são benfiquistas e os filhos sportinguistas, ou vice-versa, mas para mim isso são modernidades. À antiga, o pai tinha o cuidado de instilar no filho, logo de pequenino, a paixão e o gozo de pertencer a um clube. Aquilo era parte da família. E estou grato ao meu pai por isso, acho que ele fez muito bem. O Benfica tem-me dado grandes satisfações.

Mário Zambujal, de uma entrevista ao Mais Futebol.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

À CONVERSA


Mário Lúcio Sousa é ministro da Cultura de Cabo Verde mas não o impediu de continuar a dedicar-se à música e à literatura. Veio a Portugal receber o prémio literário Miguel Torga, pelo romance Biografia do Língua.
Foi entrevistado par o Público por Carlos Vaz Marques.

Foi-lhe perguntado.

Vai terminar o seu mandato quando?

Respondeu:

Em Março do próximo ano. Entrei para ficar menos tempo, mas não deu para sair antes. Não tenho o desapego de tudo, ninguém tem. Quem me dera. Mas pratica-se, e ajuda. Considero-me um homem feliz porque tenho as minhas angústias. E por saber reconhecê-las.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

À CONVERSA...


F. Scott Fitzgerald:

- Sabes, Ernest, os ricos são diferentes de nós.

Ernest Hemingway:

- Sim , eu sei. Têm mais dinheiro do que nós.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

À CONVERSA...


Perguntaram-lhe:

Deu numerosos concertos em Portugal ao longo dos últimos 25 anos. Há algo de que goste particularmente de fazer por cá além de dar concertos?

Respondeu:

Gosto de andar em Lisboa. É uma cidade boa para fazer exercício – sou um homem velho, preciso de praticar. Sou fã dos azulejos, adoro o Museu nacional do Azulejo e tenho alguns livros sobre o assunto. Já conheço alguns donos de restaurantes e vou sempre ao British Bar no cais do Sodré porque não é um sítio britânico de todo. O velhote que engraxava os sapatos à porta já morreu, infelizmente. Fiquei satisfeito porque, da última vez que lá estive, um dos veteranos do sítio chegou-se à minha mesa e perguntou: “Você já vem cá há muito tempo, não vem?” Soube muito bem


Lloyd Cole, entrevista ao Expresso.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

À CONVERSA


João Luís Barreto GuimarãesTenho o livro Lugares Comuns (2000) que é todo passado à mesa do café. O café é uma metáfora do mundo, é uma segunda casa.
Jorge Sousa BragaOs cafés: quanto mais rascas, melhor. Quanto mais barulho, melhor. O café onde se ouve falar a dona Ricardina, não funciona.

Entrevista no Público, 10 de Fevereiro de 2013.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

À CONVERSA...


Perguntaram-lhe:

Será, imagino, fácil perder a fé quando se passou por situações extremas.

Respondeu:

Exige muita força. Mas, quando vemos que é nos países desfavorecidos que a religião tem mais peso, pensamos no modo como a miséria humana é atraída de um modo automático  e destruidor pela religião.
A política não é uma religião, a não ser uma religião em si mesma. Acr4ditamos em nós mesmos e há muito pouca poesia na política. E muito menos amor pelo próximo.
No comunismo é irrealizável. É magnífico mas é impossível. Jesus era um bom comunista. O melhor de todos. Mas é uma utopia. Há sempre o momento em que precisamos das coisas materiais. Talvez um dia os homens se possam amar, mas parece-me improvável.
A piedade é repugnante. O que falta é um olhar desinteressado, mas apaixonado, sobre os outros. Estamos a regredir. Estamos a chegar a um estado de barbárie onde todos matam todos. Onde os accionistas matam os empregados. Vivemos numa época muito perigosa.

Juliette Gréco, numa entrevista ao Público.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

À CONVERSA


Perguntaram-lhe:

A forma como as pessoas tratam a memória sobre a repressão política em Portugal é diferente?

Rspondeu:

Aqui é absolutamente ignorada! Nós tivemos a ditadura mais longa da Europa Ocidental, no século XX, e o edifício da polícia política é um condomínio de luxo, hoje em dia! Isto mostra o que é o nosso tratamento da memória... Nos programas lectivos de História, pouco ou nada se fala sobre o Estado Novo e a repressão. O estudo da memória em Portugal é muito parco e quase inexistente. É claro que existem pessoas a investigar e a escrever e isso é importantíssimo – quem decide a História não é só quem a viveu, mas também quem a estuda a seguir. Mas Portugal trata muito mal a sua memória.

João Pina, fotojornalista ao I.

domingo, 2 de setembro de 2012

À CONVERSA...


Perguntaram-lhe:

Nas suas composições o que é mais importante?

Respondeu:

Para mim é mais importante saber o que não quero, do que saber o que quero.