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domingo, 4 de fevereiro de 2024

VIAGENS POR ABRIL

                 Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                 João Bénard da Costa

Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.

 

No dia 19 de Março de 2002, o jornalista António Rego Chaves, em 5 pontos, dizia-nos: «Portugal, Lugar de Exílio».

António Guterres, ao fim de seis anos, dizia aos portugueses que não podia governar um pântano e levou-nos para eleições.

Durão Barroso, aliado ao PP de Paulo Portas, ganhou as eleições e a direita disponibilizou-se para governar o país e António Rego Chaves, em fecho de crónica, garantia-nos que não haveria, nos próximos tempos , qualquer Primavera, antes pesadelos – e mais tempo de exílio.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

VIAGENS POR ABRIL


 

                 Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.

                 João Bénard da Costa

 Será um desfilar de histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias, figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação do dia, mês, ano em que aconteceram.

Talvez não tenha sido muito boa a ideia de que para estas Viagens por Abril a escolha tenha recaído num «Tudo ao monte e fé em Deus».

Não foi mesmo.

É sempre tarde quando se chora!...

A escolha recai hoje num depoimento do jornalista António Rego Chaves, num título de crónica que destila toda a angústia e frustração que invadiu muitos de nós : «EM LOUVOR DO 24 de ABRIL»

Porque relembrando Bénard da Costa: «Este não é o dia seguinte do dia que foi ontem.»

terça-feira, 27 de abril de 2021

DE OUTROS REZA A HISTÓRIA


De outros reza a história.

Dos que não se adaptaram.

Dos que lutaram.

Dos que sacrificaram tudo.

Dos que morreram e foram mutilados no combate.

Pela liberdade contra o fascismo.

Eles que não foram a maioria dos portugueses.

 

Eles não foram a maioria dos portugueses.

Fascistas fomos quase todos.

Ou ainda menos.

Como os alemães durante Hitler.

Como os italianos durante Mussolini.

Fascistas fomos quase todos.

Ou ainda menos.

 

António Rego Chaves

Legenda: tempos da «outra senhora», reunião no Coliseu de sindicatos apoiantes da ditadura.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

DE OUTROS REZA A HISTÓRIA


De outros reza a história.
Dos que não se adaptaram.
Dos que lutaram.
Dos que sacrificaram tudo.
Dos que morreram e foram mutilados no combate.
Pela liberdade contra o fascismo.
Eles que não foram a maioria dos portugueses.

Eles não foram a maioria dos portugueses.
Fascistas fomos quase todos.
Ou ainda menos.
Como os alemães durante Hitler.
Como os italianos durante Mussolini.
Fascistas fomos quase todos.
Ou ainda menos.

António Rego Chaves

quinta-feira, 22 de junho de 2017

ÚLTIMO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Morreu-me.

Dizia:
quero
ser Nada.
Como
se
fosse
Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou


Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

terça-feira, 13 de junho de 2017

VIGÉSIMO TERCEIRO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Emudecia.

Dizia:……………
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

sábado, 3 de junho de 2017

VIGÉSIMO SEGUNDO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Chorava.

Dizia:
fiz tudo
errado.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

quarta-feira, 24 de maio de 2017

VIGÉSIMO PRIMEIRO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Enlouquecia.

Dizia: já não existo.
Como se fosse Deus

António Rego Chaves em Três Vezes Deus


Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

segunda-feira, 15 de maio de 2017

VIGÉSIMO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Perdia-se dentro de mim.

Dizia: sou infinito
um infinito de eus.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

quinta-feira, 4 de maio de 2017

DÉCIMO NONO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Marcava no grande
desperta-dor
a última hora.

Dizia: sofrei
e multiplicai-vos!
Adeus.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

sábado, 22 de abril de 2017

DÉCIMO OITAVO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Proibia
a paz entre os amantes.

Dizia: agora agarrem-se
depois esperem o tédio
e no inferno separem-se.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

Legenda: pintura de Van Gogh

quinta-feira, 13 de abril de 2017

DÉCIMO SÉTIMO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Espiava mais um pobre homem
a enterrar a carne da sua carne.

Dizia: não há motivo lógico
para legislar que os pais
não sepultem os filhos. As
excepções confirmam a regra.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

Legenda: imagem Aeon

domingo, 2 de abril de 2017

DÉCIMO SEXTO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Rejeitava
afectos
memória
projectos.

Dizia: aqui só o deserto
Além é para os dejectos.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

sábado, 25 de março de 2017

DÉCIMO QUINTO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Percorria o cemitério
onde milhões de mortos
lhe suplicavam outra vida.

Dizia: tudo está bem assim
tudo começa e tem um fim.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

quinta-feira, 16 de março de 2017

DÉCIMO QUARTO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Maravilhava-se com o feto bicéfalo
e dúzias de dedos peludos de macaco
que se contorcia no ventre de Maria.

Dizia: todo o real é racional.
Como se fosse Deus

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

quarta-feira, 8 de março de 2017

DÉCIMO TERCEIRO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Desprezava o suicidado com estricnina
no tal quarto de hotel em Montmartre.

Dizia: ingénuo
cordeiro português
vieste a Paris
morreste de vez.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus

Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

DÉCIMO SEGUNDO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Julgava ter todo o poder
por isso inventava verdadeiros homens
e falsos deuses
criava mil realidades e dez mil quimeras
isso do bem
isso do mal
o mal do bem
o bem do mal

Dizia: é belo
é perfeito
é frio
é gelado
o mundo.
Como se Fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus


Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

Legenda: The Agony in the Garden de William Blake

sábado, 18 de fevereiro de 2017

DÉCIMO PRIMEIRO POEMA SOBRE A MORTE DE DESUS


Visitava a cidade dizimada pela fome
os velhos moribundos becos imundos
os meninos
destroçados
injustiçados
os meninos
torturados
triturados
pelo cancro.

Dizia: assim foi assim é e assim será.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus


Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

Legenda: fotografia retirada de Pankarta.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

DÉCIMO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Voltava a ser coisa imóvel e fria.

Dizia: tinhas a tua hora marcada.
O amor não é coisa para desperdiçar
com os cegos paralíticos e lázaros.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus


Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou


Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

NONO POEMA SOBRE A MORTE DE DEUS


Gritava para todos todos os transeuntes
que o corpo arruinado podre desfeito
é só túmulo da alma para sempre morta.

Dizia: recorda-te ó recorda-te bem
do dia em que a tua carne for pó.
Do teu medo de morrer não tenho dó.
Como se fosse Deus.

António Rego Chaves em Três Vezes Deus


Nota do editor: o primeiro poema está publicado em Dizendo-me Aqui Estou

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia