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domingo, 22 de setembro de 2024

OLHAR AS CAPAS


Sermão Sobre a Paz

Padre António Vieira

Prefácio e notas : António Sérgio

Colecção Textos Literários

Editora Seara Nova, Lisboa, 1938

A paz é uma concórdia recíproca e relativa; e tudo aquilo que é recíproco e relativo, em faltando e se perdendo de uma parte, necessariamente falta e se perde também da outra.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

OLHAR AS CAPAS

Sermão de Santo António aos Peixes

Padre António Vieira

Prefácio e Notas de Rodrigues Lapa

Colecção Textos Literários

Editora Seara Nova, Lisboa 1940

Vós, diz Cristo, sois o sal da terra; e chama-lhe sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes, senso verdadeira a doutrina que lhe dão, a não querem receber.

quarta-feira, 6 de março de 2024

OLHAR AS CAPAS


Cartas

Padre António Vieira

Selecção e Notas: Mário Gonçalves Viana

Colecção Portugal nº 20

Domingos Barreira, Editor, Porto s/d

… não tenho a quem a minha presença faça falta, nem a minha ausência saudades. Agora me parece que começo a viver, porque vivo com privilégios de morto.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

O QUERER E O PODER

Frases de um texto de Gonçalo M. Tavares publicado na Granta nº 2: Breves Notas Sobre o Poder:

«Gosto da ideia de alguém chegar à cabeça de outro, bater três vezes antes de entrar e depois dizer: por favor, um texto sobre o poder.

Há os homens fortes nos dias mansos, e há os homens fortes nos dias fortes.

O dia médio é manso ou o dia médio assusta, exige, põe problemas, ataca? Eis uma das questões.

De novo. O mundo não é assim tão complicado: levantas os olhos, baixas os olhos, esticas o braço, és tocado.

A um milímetro do forte poder, a fraca fraqueza.

A força está, em potência, em todo lado ao mesmo tempo, tal como Deus.

E a fraqueza está também em todo o lado ao mesmo tempo, tal como Deus.»

Na contracapa da revista, uma citação do Padre António Vieira:

«O querer, e o poder, se divididos são nada, juntos, e unidos são tudo. O querer sem o poder é fraco, o poder sem o querer é ocioso, e deste modo divididos são nada. Pelo contrário o querer com o poder é eficaz, o poder com o querer é activo, e deste modo juntos, e unidos são tudo.» 

domingo, 9 de fevereiro de 2020

OLHAR AS CAPAS


Inquisição e Cristãos-Novos
António José Saraiva
Capa: Armando Alves
Colecção Civilização Portuguesa nº 2
Editorial Inova, Porto, Fevereiro 1969

A vitória da Inquisição sobre os Cristãos-novos e os Jesuítas, em 1861, de modo algum destruiu o verme roedor que no espírito de um sector cada vez mais vasto do grupo dirigente a reduzia a uma carcaça sobrevivente e sem substância. É um fenómeno quase fascinante, embora mito recorrente, esta exibição soberba de um poder ilimitado, este recrudescimento do terror dos autos-de-fé, bem nutridos de vítimas durante o reinado de D. João V, esse respeito atemorizado e subserviente que inspirava o pretensamente Santo Tribunal, tanto no Rei, como nos súbditos, ao mesmo tempo que, nos gabinetes dos poderosos, nas celas dos conventos e mesmo no confessionário régio, se desprezava e odiava, a um tempo, este anacronismo bárbaro, a propósito do qual o padre António Vieira dizia que Portugal estava mais atrasado que os índios selvagens do Brasil.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

POSTAIS SEM SELO


Entre todas as injustiças, nenhumas clamam tanto ao Céu como as que tiram a liberdade aos que nasceram livres e as que não pagam o suor aos que trabalham.

Padre António Vieira 

domingo, 1 de agosto de 2010

ESCREVER: UM ACTO SOLITÁRIO


Exemplar do nº 43, da revista “Ler”, referente ao Verão/Outono de 1998 , e em que o "Círculo de Leitores" saúda José Saramago pelo Prémio Nobel da Literatura.

Francisco José Viegas assina o prefácio, e a abrir escreve:

“Antes de mais: este prémio é para Saramago. Não é um prémio para a literatura portuguesa. Convém reafirmá-lo: é para José Saramago, para o autor de “Memorial do Convento”, “Levantado do Chão”, “Viagem a Portugal”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio sobre a Cegueira”, ou “Todos os Nomes”. O trabalho de um escritor é um acto solitário. Nele se defrontam os demónios pessoais, a fé e a falta de fé, o destino individual e o mundo que passa pelas suas páginas.”

As primeiras páginas da “Ler”, são preenchidas com fotografias de José Saramago e afirmações suas em entrevistas, e publicadas em diversos órgãos de comunicação. Assim:


“Eu sei que aquilo que eu escrevo já foi escrito antes, como tudo o que hoje fazemos, salvo raras excepções, já foi feito há muito tempo, antes de nós. Tudo é assim na vida, na literatura tambén"– “Ler”, 1989

“Sou favorecido porque tive uma espécie de adolescência prolongada. Entrei pela vida adulta como se tivesse conservado um ar de adolescente. Isso traduz-se, também, numa certa forma de olhar. Olho as coisas como se os meus olhos não estivessem habituados a isso.” – “Ler”, 1989

“Para se ser ateu como eu sou, deve ser preciso um alto grau de religiosidade. Pode pensar-se que, como não crente, não tenho direito nenhum de me apaixonar por uma figura como a de Jesus Cristo. Não estou de acordo. Qualquer escritor, todo o escritor, deveria, um dia confrontar-se com a figura de Jesus Cristo.” – “Ler”, 1991

“Quais são os meus autores preferidos? Montaigne, Cervantes, o Padre António Vieira, Gogol e Kafka”
– “ABC”. 1998


“Quero recordar que se tivesse morrido aos sessenta anos, não tinha escrito nada. Quero que os jovens saibam que nós, velhos, estamos aqui para trabalhar.” – “El País”, 1998