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segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

OLHAR AS CAPAS


Gorki Por Ele Próprio

Nina Gourfinkel

Tradução: Jaime Brasil

Colecção Escritores de Sempre nº 1

Portugália Editora, Lisboa, Dezembro de 1964

Para mim não há outra ideia além do homem. O homem e o homem só é, na minha opinião, o criador de todas as coisas e de todas as ideias, é ele que realiza milagres e, no futuro, será senhor de todas as forças da natureza. O que há de mais belo no nosso mundo foi criado pelo trabalho e a mão inteligente do homem; a história da arte, das ciências, da técnica ensina-nos que todos os nossos pensamentos, todas as nossas ideias emanam do método do trabalho. O pensamento é posterior ao feito. «Inclino-me» perante o homem, porque não sinto nem vejo nada na terra estranho às materializações da sua razão, da sua imaginação, do seu espírito inventivo. Deus foi uma invenção do homem, tal como a fotografia, com a diferença de que esta fixa os traços do que existe realmente, enquanto que Deus é uma foto da ideia que o homem faz de um ser que quer – e pode – ser omnisciente, omnipotente e perfeitamente justo.

E se é preciso absolutamente falar de «sagrado», digamos que só há de sagrado o descontentamento que o homem sente por si próprio e a sua aspiração de se tornar melhor; sagrado é o seu ódio pelas velharias de uma existência de que ele próprio é responsável; sagrado o seu desejo de aniquilar na terra a inveja, a ambição, os crimes, as doenças, as guerras e toda a inimizade entre os homens; sagrado é o seu trabalho.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

CONVERSANDO

O telemóvel deixou de ser uma necessidade. Tornou-se um vício.

Poderá uma criança criar gosto pela leitura de não vê os pais a lerem, antes os vê de telemóvel na mão?

Dizem que está em discussão o não permitirem que as crianças levem os telemóveis para a escola.

Encarregados de educação e diretores de escolas entendem que o uso dos telemóveis nas escolas não deve ser proibido. No entanto, defendem que sejam criadas regras de utilização.

Vai ser uma luta titânica.

Máximo Gorki sobre os livros:

«Lia-os no alpendre onde guardávamos a lenha ou num sótão e sem conforto. Alguma vezes se o livro me interessava ou se tinha de o devolver ao dono, levantava-me de noite e lia à luz da vela. A dona da casa desconfiando do que eu fazia todas as noites media e marcava a vela. No dia seguinte de manhã, se esta ultrapassava a medida que marcara, ia para a cozinha e gritava furiosamente. Isto amargurava-me, mas o meu desejo de ler, era mais forte do que eu próprio.»

terça-feira, 1 de maio de 2018

POSTAIS SEM SELO



Nasce um novo sol no coração do Ho­mem.

Máximo Gorki

domingo, 22 de abril de 2018

ENCONTREI GENTE QUE SÓ CONHECIA DOS ROMANCES DE GORKI


Na Faculdade, pois, a política ilegal e meio-legal: eleições para delegados ao Senado Universi­tário (pela última vez), assembleias para a criação de uma Associação de Estudantes, que não havia e continuou a não haver, protestos contra a expulsão do Prof. Rodrigues Lapa. Ali conheci, enfim, aque­la que seria a minha companheira para sempre, nos bons e nos maus momentos. E nos péssimos também. Como o da grave doença revelada dezoito dias depois do nosso casamento (sangue no chão de tanta felicidade) e que durou três longuíssimos anos. Ela mantinha a casa, ela me inventava a es­perança. Misteriosamente. Alegremente, se assim se pode dizer. Coração mais cabeça e muita dedica­ção, eis de onde vêm os milagres.
 Mas voltando ainda à Faculdade. Não sabia on­de começava e onde acabava o amor, a luta pela li­berdade e pela transformação do mundo, a criação poética. Engolia o Altolaguirre, o Emilio Prados, o Lorca muito menos (nunca soube explicar isto, te­nha embora um poema que parece inspiradíssimo num dele mas não é: desconhecia ainda o belíssimo «eran las cinco en punto de la tarde»), o Rafael Alberti, mais que todos talvez. Sonhava declamar, como ele, um grande poema na frente de combate. A minha convicção era que versos de tal modo declamados (mas tinham de ser bons, era o que já pensava) fariam recuar os tanques do inimigo, quebrar grades de cadeias, erguer bandeiras com multidões de esfarrapados atrás delas. Armazenar os explosivos. Pegar fogo ao rastilho. Vieram-me dizer: «Foste falado nos interrogatórios desta noite. Põe-te a andar».
 Desapareci de Lisboa até serem libertados os in­terrogados dessa noite, meti-me no Alentejo, en­contrei gente que só conhecia dos romances de Gorki. Tratavam-me como um irmão, davam-me a chave da própria casa, «para se precisares, de noite». E não eram operários nem rurais. Um tra­balhava numa farmácia, outro nos Caminhos de Ferro, outro num escritório. Chamava-se este Mar­quês. Por meu intermédio entrou na actividade clandestina e, quem o suporia então?, seria morto anos mais tarde nas torturas da PIDE.
 Quantas horas tinha cada dia? Quantos éramos ao todo? Impossível sabê-lo. Sabíamos, sim, que a situação portuguesa não se podia suportar (e trinta e muitos anos mais a suportámos), que ela se in­tegrava, numa situação internacional a nossos olhos de leitura fácil, que obrigava a tomar e a fa­zer tomar partido. E que a única esperança brilha­va, muito longe, nesta frase do autor de Tomás Gordeiev. «Nasce um novo sol no coração do Ho­mem». Frase que forçosamente se confundia, para muitos de nós, com um país imenso, onde houvera a maior Revolução do nosso tempo, raivosamente defendido de múltiplas e simultâneas tentativas de invasão, heroicamente resistindo à fome, à neve, à falta de quadros superiores: «Proletários de todos os países, uni-vos!» País sobre o qual muito líamos e falávamos, sobre o qual afinal pouco sabíamos e era, seria o centro de tudo durante muitos anos.
 Ou se mudava o Homem, ou não se mudava nada. Era o que pensava então, é o que penso ho­je. Os versos do meu livro Poemas (36 a 38) disto falavam, os de Terceira Idade (82), também. E o mais que escrevi. Escrever é outra coisa («uma coi­sa é ver, outra pintar», Picasso), mas relaciona-se com tudo.

Mário Dionísio em Autobiografia

Legenda: Máximo Gorki

quarta-feira, 25 de abril de 2012

OLHAR AS CAPAS



A Mãe

Maximo Gorki
Versão Serafim Ferreira
Capa Carlos Santos
Editorial Início, Lisboa Maio 1970

Virá o tempo em que os homens terão admiração uns pelos outros, em que cada um escutará a voz do seu semelhante como se fosse música. Haverá na terra homens importantes e grandes pela sua liberdade, de coração aberto e purificado de qualquer ambição ou interesse. A vida passará a ser nessa altura um culto prestado ao homem. A sua imagem será exaltada, porque para os homens livres todas as formas de cultura são acessíveis. Viveremos na liberdade e na igualdade, na busca da beleza. E os melhores serão aqueles que mais souberem abarcar o mundo no seu próprio coração, que mais o amarem! Ora por uma vida assim estou disposto a tudo. Arrancaria a mim mesmo o coração, pisá-lo-ia com os pés…

Nota do editor:
Durante o mês de Abril, irei apresentando uma série de livros que me acompanharam durante os tempos da ditadura.
Livros que, por isto ou por aquilo, ajudaram a formar uma consciência cultural e política.
A sua aparição não obedece a algum critério, e, naturalmente, muitos livros e autores irão ficar de fora.