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sexta-feira, 12 de junho de 2026

VELHOS RECORTES


 O tempo das grandes festas, nas cidades e vilas.

O mês dos perfumes mágicos. Intensos. Sardinhas assadas, manjericos, sardinheiras, Jacarandás, “meu limão, meu limoeiro, meu pé, meu pé de jacarandá”. Cheira a fruta madura quando é Verão. O solstício que se aproxima. Os dias mais longos, as noites sem tamanho.

Lisboa 1992.

Faz-me festas em Lisboa. O que eles riram.

Nunca como nesse ano a sensação de que foram as mais inesquecíveis. Talvez não tenham sido as melhores sardinhas, a melhor sangria,mas tudo foi diferente, marcado nos dias e nas noites, nos acasos. O Ateneu Comercial, a orquestra Latina de Roberto Pia.

A menina dança?

sábado, 16 de maio de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Pé ante pé, estamos a chegar aos Santos Populares.

Tempo de festa, tempo de fogueiras, tempo de cheiros: bailaricos, sardinhas assadas, iscas, bifanas, manjericos, caldo verde, sangrias, cheiro e mais cheiros.

Lisboa já tem Sol mas cheira a Lua
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro elétrico da rua
Faz coro com as chinelas da Ribeira

Se chove cheira a terra prometida
Procissões têm o cheiro a rosmaninho
Nas tascas da viela mais escondidas
Cheira a iscas com elas e a vinho

Um cravo numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de flores e de mar

Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é verão

Nos lábios tem um cheiro de um sorriso
Manjerico tem cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas

Um cravo numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de flores e de mar


Comprei ontem o primeiro manjerico no Pingo Doce.

Custou-me 1,29 euros, vaso de plástico, folha grossa.


Há uns anos, também no Pingo Doce, o majerico custou-me 0,95 euros.

Mas a guerra faz aumentar tudo, tudo, tudo.

Em outros tempos, o Largo de Camões, o Martim Moniz, o Rossio, enchiam-se de pequenas barracas com montanhas de manjericos em prateleiras. Pediam um preço, o freguês virava costas e elas marchavam atrás e em cada passo desciam o preço.

Hoje, os manjericos vendem-se no Pingo Doce, não sei se em mais alguma grande superfície. Também os encontramos nas floristas, mas pedem em balúrdio.

Cheguei a comprar sementes de manjerico, mas não deram em nada.

Dum velho Fugas do Público, deixo-vos cuidados a ter com os manjericos.



domingo, 23 de junho de 2024

OS CHEIROS QUE ANDAM MISTURADOS NUMA NOITE DE JUNHO...


O Camus explica na peça que para evitar mal-entendidos é preciso não usar artifício. «Se o homem quiser que o reconheçam, diga simplesmente quem é.» – Isso era bom, era. Mas nunca ninguém nos reconhece. Mesmo quando dizemos quem somos. Sobretudo quando dizemos quem somos. Tu próprio, Henrique… desconfiaste, descreste de um amor que se te oferecia em bloco…

Ferveu. Thermos. Copo. Frasco. Colher de chá. Tudo na bandejinha. Permanente, esta interrogação. Não me agarro a certezas. Estou sempre pronta a rever as minhas ideias. Mas não me integro em nenhum meio. Não lhes pertenço. Porquê? A sensação, por vezes, de me desintegrar… Oh, Henrique…»

 - pronto. A bandejinha. Afasta o candeeiro.

– Lá fora, apagaste a luz, amor?

– Apaguei.

– E fechaste o gás, meu amor?

– Sim, fechei.

- Mas há uma porta que range… Tinha de ser…

– Eu vou fechá-la, amor, eu vou já ver. – Era a porta da varanda. Abri-a de par em par. A fresca noite entrou. É noite. É Junho, amor, e estamos vivos. E não estamos sozinhos. Oh, esta alegria de não estarmos sós.

Isabel da Nóbrega em Viver Com os Outros

Legenda: Arraial da Academia de Santo Amaro, fotografia de Inês Leote copiada do Mensagem de Lisboa.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

POR JUNHO EM FINALMENTES


 Para além de Dezembro – o mais maravilhoso tempo do mundo – o mês de que mais gosto é Junho. O mês das grandes festas populares em todas as cidades do país. O tempo de perfumes mágicos, o perfume dos manjericos das sardinheiras em flor, de sardinhas assadas, de bifanas de porco fritas. E toneladas de jarros de sangria.

Guardo da infância as quentes noites de Verão, lembro a miudagem a correr nas ruas, e as pessoas vinham para a porta da rua conversar, outras ficavam à janela, as pessoas conheciam-se, falavam, por vezes zangavam-se, outros iam para os jardins, ficavam pelos bancos ou bebiam cervejas e capilés nas leitarias do bairro.

A televisão viria a destruir o feliz convívio das gentes simples do meu bairro. As pessoas fecharam-se nas casas. E passámos a não saber nada uns dos outros, como numa peça de teatro de Peter Handke.

 Por Junho havia os bailes dos Santos Populares abrilhantados por conjuntos apenas com instrumentos de cordas. Hoje colocam por lá uns DJs que apenas têm por missão fazerem barulho.

«Pelos Santos Populares organizavam-se bailes de rua «abrilhantados» (era assim que se dizia) por agrupamentos musicais de corda: banjos e bandolins, violas. Chamavam-lhes «trupes-jazz», e tocavam as canções da época: sambas e boleros, e alguns tangos. Mas começavam sempre por valsas. Eu ficava-me por ali, feito tolo, a observar os dançarinos. Bem gostaria de me recostar a uma rapariga, e sentir o perfume do seu corpo, mas não sabia dançar, e era melhor estar parado do que fazer figura de tolo ainda maior.»

Baptista-Bastos em A Bolsa da Avó Palhaça

 Agora, ao passar os olhos por algumas das páginas de Viver com os Outros, reparo que Isabel da Nóbrega também reteve essa imagem das gentes sentadas à porta de casa, nas quentes noites de Junho, que foi o mês em que nasceu, e talvez por isso tenha escolhido um jantar,numa noite de Junho, para enredo de Viver Com Os Outros. :

 «Descobríamos que aquelas pessoas sentadas nos degraus de pedra, à porta de casa, os garotos na borda do passeio, os homens em mangas de camisa ou casacos de pijama, junto ao muro, quase não falando, recebendo a noite morna e o luar tal como os cedros e as olaias e as tílias do parque, estavam a ser felizes e não o sabiam.

 Os cheiros que andam misturados numa noite de Junho, mesmo na cidade, basta que se encontre um parque próximo. E também o cheiro do manjerico, ali no nicho, por entre as outras plantas, sobre o qual pousei instintivamente a palma da mão quando a Ana me arrastou para aqui.»

 

segunda-feira, 12 de junho de 2023

POSTAIS SEM SELO

Já me referi há tempos a um casal de estrangeiros que veio pela segunda vez a Lisboa e se mostrou espantado ao dar com uma cidade triste. Julgavam-na a cidade mais alegre do mundo porque tinham por cá passado, da primeira vez, em noite de marchas populares.

Maria Judite de Carvalho em Este Tempo

quinta-feira, 9 de junho de 2016

QUOTIDIANOS


Cálculos feitos mostram que durante os Santos populares comem-se 13 sardinhas por segundo.
Há dias, as notícias diziam-nos que a sardinha estaria a 2,19 euros por quilo.
Segundo a Lusa, nos arraiais de Lisboa cada sardinha está a ser vendida entre 1,50 e 2,50 euros.

Legenda: desenho de Diogo Matos

terça-feira, 30 de junho de 2015

JUNHO QUE FINDA


Junho que chega ao fim, o mês dos perfumes mágicos, intensos: sardinhas assadas, manjericos, sardinheiras em flor.
Guardo da infância as quentes noites de Verão, lembro a miudagem a correr nas raus, o trânsito automóvel, as gentes vinham para a porta da rua conversar, outras ficavam à janela, as pessoas conheciam-se, falavam, por vezes zangavam-se era quase nulo. Noites havia em que subíamos até ao jardim da Praceta António Sardinha, na Penha de França, e havia outras gentes espalhadas pelos bancos, sentados na relva, bebendo cervejas e capilés nas leitarias do bairro.
A televisão viria a destruir o feliz convívio das gentes simples do meu bairro.
Agora, ao passar os olhos por algumas das páginas de Viver com os Outros, reparo que Isabel da Nóbrega também reteve essa imagem das gentes sentadas à porta de casa, nas quentes noites de Junho, que foi o mês em que nasceu, e talvez por isso tenha escolhido um jantar,numa noite de Junho, para enredo de Viver Com Os Outros. 

Descobríamos que aquelas pessoas sentadas nos degraus de pedra, à porta de casa, os garotos na borda do passeio, os homens em mangas de camisa ou casacos de pijama, junto ao muro, quase não falando, recebendo a noite morna e o luar tal como os cedros e as olaias e as tílias do parque, estavam a ser felizes e não o sabiam.

Os cheiros que andam misturados numa noite de Junho, mesmo na cidade, basta que se encontre um parque próximo. E também o cheiro do manjerico, ali no nicho, por entre as outras plantas, sobre o qual pousei instintivamente a palma da mão quando a Ana me arrastou para aqui.


Legenda: pintura de Pierre-August Renoir

domingo, 29 de junho de 2014

PORQUE HOJE É DOMINGO


Hoje é Dia de São Pedro.
Por este ano, acabaram os Santos Populares.
Como diz a canção: Santo António já se acabou, o São Pedro está-se a acabar e eu nunca entendi muito bem porque se um acabou , outra está a acabar, ainda se vai buscar o São João, que no meio está e também já acabou.
Questões de rima, possivelmente.
Pouco importa.
Agora estamos no Verão, de repente verificaremos que Setembro já se aproxima e que, tudo num grande galope, estaremos de novo no Natal.
Bom domingo!

São João santo Bonito,
Bem bonito que ele é. Bem bonito que ele é
Com os seus caracóis de oiro,
E seu cordeirinho ao pé. E seu cordeirinho ao pé
Não há nenhum assim, pelo menos para mim
Nem mesmo São José.

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão para eu brincar.

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão para eu brincar.

São João vem ver as moças
Que bonitas que elas são, que bonitas que elas são.
São ainda mais bonitas
Na noite de São João, na noite de São João.
Não estavam só rapazes
Mais uma luz além.

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão para eu brincar.


quinta-feira, 12 de junho de 2014

CHEIRA A LISBOA



Lisboa, Marchas Populares.



Estas são duas versões de Cheira a Lisboa pela Amália Rodrigues: uma acompanhada com guitarras
outra com orquestra.
Mas quando andava no You Tube à procura da canção encontrei esta versão e... não consegui resistir.
Desculpem!...

domingo, 11 de maio de 2014

PORQUE HOJE É DOMINGO


Ei-los que voltam.
Em cada dia que passa não há nada que não sofra um aumento.
Curiosamente, de há uns quatro ou três anos para cá, os manjericos que o Pingo Doce põe à venda, mantêm o mesmo preço: 99 cêntimos.
Claro que não têm nada a ver com os manjericos mais copados que se vendem, por exemplo, nas floristas do Rossio
Noutros tempos havia bancadas de vendas de manjericos na Praça de Camões, no Martim Moniz mas até nisto as grandes superficies mataram um negócio.
Bom, o primeiro manjerico deste ano, já cá mora.
Seguir-se-ão outros, porque gosto de os espalhar pela casa porque a envolvem num cheiro maravilhoso de que gosto muito.
Apareceram os manjericos, já vi as primeiras cerejas, caras mas não resisti, e os dias vão ser um corrupio e, sem darmos muito por isso, chegam os Santos Populares, depois será o Verão e nos findares de Setembro, os comerciantes começam a dizer-nos que o Natal está à mão de semear.
Bom domingo.

domingo, 30 de junho de 2013

ANÚNCIOS DAS FESTAS DE LISBOA



Acabaram as Festas dos Santos Populares.
Para o ano haverá mais.
Esperemos bem que sim.
Gosto destes dois anúncios que patrocinaram as Festas da Cidade de Lisboa.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

UM CRAVEIRO NUMA ÁGUA FURTADA...


Já me referi há tempos a um casal de estrangeiros que veio pela segunda vez a Lisboa e se mostrou espantado ao dar com uma cidade triste. Julgavam-na a cidade mais alegre do mundo porque tinham por cá passado, da primeira vez, em noite de marchas populares.

Maria Judite de carvalho em Este Tempo

Legenda: imagem do Diário de Notícias.

SANTOS POPULARES

Pelos Santos Populares organizavam-se bailes de rua «abrilhantados» (era assim que se dizia) por agrupamentos musicais de corda: banjos e bandolins, violas. Chamavam-lhes «trupes-jazz», e tocavam as canções da época: sambas e boleros, e alguns tangos. Mas começavam sempre por valsas. Eu ficava-me por ali, feito tolo, a observar os dançarinos. Bem gostaria de me recostar a uma rapariga, e sentir o perfume do seu corpo, mas não sabia dançar, e era melhor estar parado do que fazer figura de tolo ainda maior.

Baptista-Bastos em A Bolsa da Avó Palhaça, ilustrações de Mónica Cid, Oficina do Livro, Lisboa Novembro de 2007.

sábado, 30 de junho de 2012

CHEIRA BEM


O findar das festas.
Já começou o solstício, os dias longos, as noites quentes, o vermelho das cerejas, cheiros a sardinheiras e manjericos.
Sabemos agora em que medida merecemos a vida, tal como queria Ruy Belo, que tanto amava o Verão.

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Se estiver por Lisboa não pode deixar de, pelas 22,00 horas, dar um salto à Alameda D. Afonso Henriques e assistir ao concerto de Milton Nascimento.

É o fim da programação das Festas de Lisboa que, durante Junho, foram acontecendo pela cidade.

Milton Nascimento será acompanhado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa e tem, como convidados especiais, Ana Moura, António Zambujo e Carminho.

Milton Nascimento, apesar dos seus 70 anos, é sempre Milton Nascimento.

Tal como disse Caetano Veloso:

O falsete de Milton Nascimento é uma dos mais belos sons produzidos pela espécie humana hoje sobre a Terra.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

COMO MANDA A TRADIÇÃO


Toda uma vida ouvi dizer que os manjericos não se cheiram directamente porque murcham. Deve colocar-se a mão sobre as folhas e então sentir o perfume.
Há dias li numa revista que isso é uma treta como outra qualquer.
O mito pode ter nascido pelo facto de os manjericos serem muito sensíveis e morrerem com muita facilidade.
Mas, com alguma maldade, adiantam que os manjericos dão-se mal com os bafos de álcool, cebola ou alho.
Por mim não vou arriscar e seguirei a velha tradição: os manjericos não se cheiram!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

SANTOS POPULARES DE OUTROS TEMPOS


Na sua edição de 25 de Junho de 1899, o “Diário de Notícias”, dava conta de como tinham sido, em Lisboa, os festejos da noite de São João.

Uma prosa deliciosa.
Manteve-se a ortografia da época, que fala de idas às hortas, canto de rouxinóis e de melros, petiscos à portuguesa, o sol a dourar o cume das árvores, gemidos de guitarras.

 O repórter não fala de vinho mas, calcula-se, que tenha corrido em abundância, enquanto as senhoras se ficaram, possivelmente, por capilés e salsaparrilhas.

O Santo Precursor quis offertar-nos hontem um dia delicioso, cheio de sol, de luz, de amoor… As ruas regorgitaram de transeuntes, a Avenida, S. Pedro de Alcantar, Algés, Campo Grande, emfim, todos os sítios onde se podia passear, estiveram animadíssimos, vendo-se numerosos grupos de pessoas em que as “toilettes” claras das damas se combinavam graciosamente com os “cheviotes” de tons brancos dos cavalheiros e os vestidinhos brancos dos bebés. Muitas famílias aproveitaram também o dia para irem para o campo em alegres caravanas, e o movimento nas linhas férreas das proximidades da capital foi de mais de 20.ooo passageiros. O elemento popular divertiu-se, indo para as hortas gosar nas frescas sombras o dia santificado, entre o gorgeio dos rouxinoes e o canto alegre dos melros e uns belos pitéus cozinhados genuinamente à portugueza, n’um meio calmo e campesino. E emquanto o sol resplendente dourava o cume das árvores e dos montes circunvizinhos, o espírito popular espraiava-se muitas vezes ao som dolente da guitarra no genuíno fado tradicional.”

Legenda: “Bal au Moulin de la Galette”, pintura de Pierre-Auguste Renoir

sábado, 12 de junho de 2010

BAILES DA VIDA


Santos Populares.
Outros Bailes da Vida.
Cheira a Lisboa.
Mas os arraiais já não são o que eram. Nada já é como era...
Há dias estive na Bica, não havia conjunto, um rapaz cantava, um qualquer aparelho fazia o resto, não havia sardinhas, apenas farturas e muita, mesmo muita cerveja. Uma grande quantidade de jovens que ali estavam mais para se embebedarem do que para Bailes da Vida.

Lisboa já tem Sol mas cheira a Lua
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro eléctrico da rua
Faz coro com as chinelas da Ribeira

Se chove cheira a terra prometida
Procissões têm o cheiro a rosmaninho
Nas tascas da viela mais escondida
Cheira a iscas com elas e a vinho

Um craveiro numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar

Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é Verão

Teus lábios têm o cheiro de um sorriso
Manjerico tem o cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas



segunda-feira, 31 de maio de 2010

JUNHO POPULAR JUNHO

Amanhã começa Junho.

Junho calmoso, ano formoso.

O 6º mês do ano. Tem 30 dias.

Durante Junho o dia aumenta 8 minutos.

No dia 1 o Sol nasce às 05h 14m e o Ocaso verifica-se às 19h 56m.

No dia 30 o Sol nasce às 05h 15m e o Ocaso.

As mulheres nascidas em Junho são morenas, caprichosas, um pouco difíceis de aturar; apaixonadas, ardentes por prazer, são às vezes incompreensíveis. O seu aspecto distraído não as impede de apreciar o lado positivo da vida, pois são trabalhadores, capazes de actos energéticos.

Os homens têm uma inteligência viva e inclinada para as coisas belas; dão demasiada importância aos aspectos emotivos da vida, amam o conforto, os prazeres diversos, e, por contraste frequente, têm o instinto da economia. Mais positivos que activos, quando conseguem vencer a sua indolência natural, são pacientes. Só raramente enriquecem.

Os gémeos são de pessoas de confiança e estima. Prósperos em bens materiais. A aventura é uma constante nas suas vidas.

Incensos: alecrim e jasmim

Pedra: Ágata

Metal: Platina

Cor: Amarela

Na horta continuam as regas de manhã e à tarde. Nos canteiros semeiam-se agriões, coentros, erva -cidreira, espinafres, salsa segurelha, tominho. Colher a batata de Fevereiro. Continua a sementeira para feijão em verde. Plantar pimentos e tomates. Apanhar as cerejas. Extrair o mel.

No jardim semeiam-se begónias, gipsófilas, lembra-te-de-mim, miosótis, não-me-esqueças.
Junho é o mês dos perfumes mágicos. Intensos. Sardinhas assadas, manjericos, sardinheiras em flor. Santos Populares. Cheira bem. O solsticio de Verão. Os dias cada vez mais longos.

Diz-se que no São João a sardinha pinga no pão mas, hoje em dia. é apenas um dito de outros tempos.

Os pescadores queixam-se de que os preços a que vendem a sardinha não paga o gasóleo. Mas ao consumidor chega cada vez mais caro. Trezentos por cento é quanto a sardinha sobe, entre o preço de licitação na lota e o valor que o consumidor paga.

Números de 2008 mostravam que:

Preço na lota: 1,50 euros
Armazém da doca: 3,00 euros

Vendedor grossista: 4,00 euros

Vendedor mercado: 5,00 euros

Preço dose no restaurante: 7,00 euros

A 21 de Junho dá-se o solstício de Junho que determina o começo do Verão.

Há um verso de Eugénio d’Andrade que diz: "Quase se vê daqui, o Verão."

Eugénio d’Andrade morreu a 13 de Junho de 2005. 

Tinha 82 anos.

sábado, 29 de maio de 2010

QUADRAS PARA A FESTA

A Sara pediu-me umas quadras para colocar nos manjericos que vão ser vendidos na Festa dos Santos Populares dão Jardim de Infância onde trabalham.
Saíram assim:

Nosso colégio tem nome
de Santo maravilhoso
o nome dele é António
Santo António Milagroso

Nesta época popular
Santo António vem dançar
trás calçada a chinelinha
para assim, não escorregar

Oferecemos um manjerico
tão verdinho e tão cheiroso
e uma sardinha assada
de cheirinho apetitoso

Pardais trazei no bico
lembrança ao nosso Santo
folhinhas de manjerico
cheirinho que gosta tanto

Um arraial de verdade
nesta época de ensejo
acalma a nossa cidade
a brisa do rio Tejo

Legenda: imagem tirada daquiI