Mostrar mensagens com a etiqueta Olhar as Capas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Olhar as Capas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 A Morte Bateu à Porta

Rex Stout

Tradução: Maria Emília Ferros Moura

Capa: A. Pedro

Colecção Vampiro nº 402

Livros do Brasil, Lisboa s/d

O telefone tocou. Voltei-me e atendi.

- Residência de Nero Wolf…

- Daqui Saul, Archie. Estou…

- Um momento. – pouse o auscultador e passei ao hall e de pois à cozinha, só depois me predispondo a escutar.

-Temos companhia. Okay. Dispara.

- Vão ter mais companhia. Fui levado ao tapete. Encontrei a minha adversária. Julie Jaquette. Daria uma semana de salário para saber se você teria sido capaz de resolver a situação. O problema reside parcialmente no facto de Nero Wolfe ser uma celebridade, assim o afirma, mas o problema principal são as orquídea. Se lhes mostrar as orquídeas, está disposto a contar-lhe a contar-lhe tudo sobre Isabel Kerr. A mim não me confessa a ponta de um corno. Nada de nada.

- Bom, bom. Acho que me teria levado uns dez minutos.

- Vá-se lixar. Falei numa semana de salário. Ela…

- One está?

- Numa cabine pública em Christopher Street. A do Tem Little Indians estava ocupada. Está a trabalhar, Fica livre às oito e depois das nove e dez às dez e um quarto.

- Então é simples. Traga-a às nove e dez.

- Simples, uma ova! Ouviu-se um estalido e desligou.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Quadras Populares

Fernando Pessoa

Selecção e introdução: Luísa Freire

Assírio & Alvim, Lisboa, Junho 1999


Cantigas de portugueses

São como barcos no mar —

Vão de uma alma para outra

Com riscos de naufragar.

 

Todos os dias que passam

Sem passares por aqui

São dias que me desgraçam

Por me privarem de ti.


O canário já não canta.
Não canta o canário já.
Aquilo que em ti me encanta
Talvez não me encantará.

A abanar o fogareiro
Ela corou do calor.
Ah, quem a fará corar
De um outro modo melhor!

A tua boca de riso
Parece olhar para a gente
Com um olhar que é preciso
Para saber que se sente.

A tua saia, que é curta,
Deixa-te a perna a mostrar:
Meu coração já se furta
A sentir sem eu pensar.

Ai, os pratos de arroz doce
Com as linhas de canela!
Ai a mão branca que os trouxe!
Ai essa mão ser a dela!

Tenho uma pena que escreve

Aquilo que eu sempre sinta.

Se é mentira, escreve leve.

Se é verdade, não tem tinta.


Saudades, só portugueses

Conseguem senti-las bem,

Porque têm essa palavra

Para dizer que as têm.

Quem lavra julga que lavra
Mas quem lavra é o que acontece...
Não me dás uma palavra
E a palavra não me esquece.


Rosmaninho que me deram,

Rosmaninho que darei,

Todo o mal que me fizeram

Será o bem que eu farei.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

O OUTRO LADO DAS ESTANTES


 O Que a Censura Cortou

José Pedro Castanheira

Prefácio: Francisco Pinto Balsemão

Capa: Rui Guerra

Expresso, Lisboa Abril de 2009

“Politicamente só existe o que o público sabe que existe»

                    António de Oliveira Salazar, 1933

“Sem censura, o salazarismo não duraria um mês”

                     Mário Soares, 1972

terça-feira, 28 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Dicionário de Calão

Albino Lapa

Prefácio: Aquilino Ribeiro

Editorial Presença, Fevereiro de 1974

Chichar – Anotação nos livros escolares, nas entrelinhas ou às margens.

Chicarado – Embriagado. Acostumado a embebedar-se.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Nada do Outro Mundo

Antonio Muñoz Molina

Tradução Cristina Rodriguez e Artur Guerra

Colecção Mil Folhas nº 71

Público, Lisboa Setembro de 2003

Quem pode atrever-se a dizer que conhece Marráquexe se não presenciou a lentidão dos seus crepúsculos do terraço do hotel Savoy? A história que agora tenho de contar tem lá o seu princípio, numa tarde de Setembro, sob os agradáveis toldos do Verão, naquele lugar que parece a coberta de primeira de um privilegiado transatlântico.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Primeiro de Maio

Eça de Queiroz

Nota Prévia: A. Campos Matos

Capa e Ilustrações: João Abel Manta

Edições O Jornal, Dezembro de 1979

E se assim é, o Primeiro de Maio, tão temido, tem de ser marcado com traço de ouro, porque nos mostra maior doçura, maior paz entre os homens – r como outrora, neste dia de renovação primaveril da terra, deveremos, em agradecimento aos deuses, pendurar à nossa porta ramos de giestas em flor.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Petisquinhos de Lisboa

Eduardo Fernades (Esculápio)

Prefácio Carlos Consiglieri

Compendium, Lisboa 1995

O gosto de comer vem desde a imemorial hora em que o nosso antepassado deu conta do paladar e o repetiu.

Se a mão talhou o homem, a boca fez os sabores – os sentidos do gosto, em cada época do ano e ao longo do fluir da vida.

Talvez desde sempre, o comer fora um acto colectivo, quando mesmo não partilhado ou sublimado no silêncio de recordações. Saber repetir qual sabor, o travo único, o instante suspenso, o efémero da diferença que agita o subconsciente em regresso emotivo.

Aliás o percurso do homem é, em grande parte, identificado com o comer. Sem cairmos em determinismos fáceis – mas no sentido de partir de um dado momento -, um dos grandes saltos qualitativos da humanidade dá-se, depois do domínio do fogo, quando se estratifica a família  e se originou o Estado. Este processo inclui inevitavelmente a comida – na quantidade (nos excedentes em poder de unas), na qualidade e na diversidade.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS

Ansel Adams

Direcão: Henrique Monteiro

Colecção Mestres da Fotografia

Edição: Expresso, Lisboa 2008

 Às vezes parece que chego aos lugares que Deus deixou preparados para que alguém os retratasse.

terça-feira, 21 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS

Fragmento e Enigma

José Antunes Ribeiro

Capa: António Pimentel

Colecção Imagem do Corpo nº 30

Ulmeiro, Lisboa Novembro de 1985

Quem saberá toda a verdade de ti? E o que é a verdade? Falavas da mentira com grande ênfase. E o que é a mentira? Será o contrário da verdade?? Dizia o velho sábio: a verdade é o contrário da não-verdade. Tu disseste: prefiro o contrário de quase tudo. Eu disse: eis aqui uma pessoa sensata.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Poetas Húngaros

Antologia

 Organização, Prefácio e Notas: Zoltán Rózsa

Capa: Vitorino Martins

Moraes Editores, Lisboa, 1983

 

Como era ela, loira…

 

Eu já não sei como era loira ela,

mas sei que os campos, esses, loiros são

no pleno Verão, numa espiga amarela;

e assim a vejo, loira como o pão.

 

Já não sei do azul dos olhos dela,

mas abrem-se, porém, no Outono, os céus,

e de novo a cor dos olhos se revela

quando Setembro finda e diz adeus.

 

E já não sei também da voz de seda e bela;

mas vem a Primavera sussurrante

e a quente voz de Ana fala, apela

de outra Primavera tão distante.

Gyula Juhász


(Tradução literal de Zoltán Rózsa

 versão de Predo Tamen)

sexta-feira, 17 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Meia Noite Trágica

Rex Stout

Tradução L. de Almeida Campos

Colecção Vampiro nº 436

Livros do Brasil, lisboa s/d

Soltei um resmungo. Não podia estar a repudiar a minha memória incomparável.

-Está a sugerir – perguntou ele – que jogos de palavras não devem ser permitidos nas nossas conversas privadas? Por qualquer um de nós?

- Não senhor.

Wolfe bufou.

- É melhor que não o faça. Não nos aguentaríamos uma semana.

Tocou a campainha para mandar vir cerveja.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Seara Nova

Nº 1775/Julho 2026

Director: João Luiz Madeira Lopes

Capa: Óleo sobre tela de Artur Bual

Seara Nova Editores, Lisboa Julho de 2026

E, todavia, vale a pena ter um Tribunal Constitucional. Não porque seja o tribunal dos direitos que imaginámos, mas pelo que ele verdadeiramente é: o Guardião da integridade objectiva da Constituição, um árbitro que impede que a maioria do momento disponha livremente do pacto de abril. Num tempo em que, por toda a parte, se elegem democraticamente os que corroem a democracia por dentro, ter um órgão que vincula o poder ao texto fundamental, que barra o arbítrio e obriga à fundamentação, não é supérfluo, é uma defesa importante.

Mariana Canotilho

quarta-feira, 15 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Man Ray

Direcão: Henrique Monteiro

Colecção Mestres da Fotografia

Edição: Expresso, Lisboa 2008

 «A fotografia é uma maravilhosa descoberta dos pormenores que, sem ela. A nossa retina nunca poderia registar».

terça-feira, 14 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Livro de Poemas

António Lobo Antunes

Prefácio: Vitorino Salomé

Capa: Rui Garrido

Publicações Dom Quixote, Lisboa, Junho de 2026


Este Fio de Ouro

 

Este fio de oiro ao pescoço

É sinal de que me amas

Mesmo que queira não posso

Ir atirar-me a um poço

Só porque tu não me chamas.

Se chamares talvez eu venha

Ou talvez fique parada

Que o amor é um perde-ganha

E por mais sorte que eu tenha

Ainda não ganhei nada.

Perder sim sei o que é

E no entanto estou aqui.

Vou continuando de pé

Mesmo que a vida me dê

Razões para fugir de ti.

Este fio de oiro afinal

Não é um sinal nenhum

Por meu bem ou por meu mal

Não sou pitada de sal

Que tu tomes em jejum.

E portanto meu amigo

Decide a tua vidinha:

Se és homem fica comigo

E se não ficares te digo

Que me sinto bem sozinha. 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Somos Livros

 Nº 43 - Verão de 2026

Revista da Bertrand Livreiros

Periodicidade: Trianual.

Revista gratuita

Ultimamente estamos a apanhar com um tsunami Valter Hugo Mãe.

Entrevistas numa série de jornais de que não anotei as procedências, as datas.

Alguma coisa me está a falhar… mas também nunca li qualquer livro de Hugo Mãe…

No mesmo número da revista um outro rapaz aparece: Francisco José Viegas. Também surge por todo o lado, é director da revista Ler do Círculo de Leitores, editor da Quetzal, escreve uns postais no Correio da Manhã, também assessor cultural do Presidente José António Seguro.

Faz uma abordagem ao livro do escritor australiano Geral Murnane e o seu livro As Planícies, publicado pela Relógio D’Água.

Sobre o escritor:

«Não vê televisão. Nunca andou de avião. Nunca saiu da Austrália. Não vê cinema. Escreve à mão e usa uma velha Monarch com mais de 60 anos».

sexta-feira, 10 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Duplo Crime na Rádio

Rex Stout

Tradução: L. de Almeida Campos

Colecção Vampiro nº 409

Livros do Brasil, Lisboa s/d

Pela terceira vez voltei a verificar as somas e subtracções finais da primeira página do impresso Modelo 1040, para ficar com a certeza de não me ter enganado. Depois rodei a cadeira de modo a ficar para Nero Wolf, que se encontrava sentado em frente da secretária, situada à direita da minha, a ler um livro de poemas da autoria de um tipo chamado Van Doren, Mark Van Doren. Por isso pensei que também eu poderia  utilizar uma palavra poética.

- É desolador – pronunciei.

Ele não deu qualquer sinal de ter ouvido.

- Desolador – repeti. – Se é que a palavra significa aquilo que julgo. Desolador!

Os olhos dele não se ergueram da página, mas Wolfe murmurou:

- O que é desolador?

- Os números. – Debrucei-me para fazer deslizar sobre o tampo de madeira encerada da sua secretária o Modelo 1040.

-Hoje é o dia treze de Março. Quatro mil trezentos e doze dólares e sessenta e oito cêntimos, a acrescentar às quatro prestações trimestrais já pagas. Depois temos ainda que mandar o 1040-ES referente a 1948, juntamente com um cheque de dez mil dólares. – Fiz estalar os dedos atrás da minha cabeça e perguntei sombriamente: - Desolador ou não?

Wolfe perguntou qual era o saldo da conta bancária e eu disse-lho.

terça-feira, 7 de julho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Robert Doisneau

Direcão: Henrique Monteiro

Colecção Mestres da Fotografia

Edição: Expresso, Lisboa 2008

 «Penso que o papel do fotógrafo é o de um observador privilegiado, que pode entrar em todos os sítios.»

terça-feira, 30 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS


Cartas a António de Azevedo Castelo Branco

Prefácio e notas de Adolfo Casais Monteiro

Antero de Quental

Edições Signo, Lisboa, Abril de 1942

A tua carta veio-me encontrar prostado sobre o leito dos antigos abatimentos, tão desgostoso e desalentado como se fosse a primeira vez que descobrisse no mundo misérias e tristezas e, sobre tudo, o seu grande vazio moral. Como custam a arrancar as últimas penas das asas da loucura ideal! Sabes como sou apreensivo, quasi até à mania. O mais pequeno sopro de desgosto levanta-me no espírito e encastela-me na alma um mundo de nuvens, de preocupações, de dúvidas, que n~ºao é possível mais ver um palmo de céu…

segunda-feira, 29 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Don McCullin

Direcão: Henrique Monteiro

Colecção Mestres da Fotografia

Edição: Expresso, Lisboa 2008

Não gosto que me digam que sou um fotógrafo de guerra. Sou, simplesmente, um fotógrafo.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Francis Ford Coppola

Stéphane Delorme

Consultoria: Mário Augusto

Colecção Grandes Realizadores nº 7

Edição do jornal Público s/d

 

Podemos ficar parados no tempo.

Podemos ficar além do tempo.

Podemos ficar à frente do tempo.

Mas não podemos ficar sem tempo.

(…)

O tempo não espera por ninguém.

(Poema de Francis Ford Coppola tirado do seu Diário (18.09.1991).