Cartas a António de Azevedo Castelo Branco
Prefácio e notas de
Adolfo Casais Monteiro
Antero de Quental
Edições Signo,
Lisboa, Abril de 1942
A tua carta veio-me encontrar prostado sobre o leito dos
antigos abatimentos, tão desgostoso e desalentado como se fosse a primeira vez
que descobrisse no mundo misérias e tristezas e, sobre tudo, o seu grande vazio
moral. Como custam a arrancar as últimas penas das asas da loucura ideal! Sabes
como sou apreensivo, quasi até à mania. O mais pequeno sopro de desgosto
levanta-me no espírito e encastela-me na alma um mundo de nuvens, de
preocupações, de dúvidas, que n~ºao é possível mais ver um palmo de céu…

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