terça-feira, 9 de junho de 2026

NUM BOSQUE QUE DAS NINFAS SE HABITAVA

Num bosque que das ninfas se habitava,

Sibela, ninfa linda, andava um dia;

E, subida em uma árvore sombria,

as amarelas flores apanhava.

 

Cupido, que ali sempre costumava

a vir passar a sesta à sombra fria,

em um ramo o arco e setas que trazia,

antes que adormecesse, pendurava.

 

A ninfa, como idóneo tempo vira

para tamanha empresa, não dilata,

mas com as armas foge ao Moço esquivo.

 

As setas traz nos olhos, com que tira.

Ó pastores! fugi, que a todos mata,

senão a mim, que de matar-me vivo.


Luís de Camões em Sonetos

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