Nunca soube o teu nome.
Entraste numa tarde,
por engano, a perguntar se
eu era outra pessoa -
um sol que de repente acrescentava
cal aos muros,
um incêndio capaz de
devorar o coração do mundo.
Não te menti; levantei-me e
fui levar-te à porta certa
como um veleiro arrasta os
sonhos para o mar; mas,
antes de te deixar,
disse-te ainda que nessa tarde
bem teria gostado de chamar-me
outra coisa - ou
de ser gato, para poder ter
mais do que uma vida.
Maria do Rosário Pedreira em Poesia Reunida
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