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segunda-feira, 14 de abril de 2025

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

TALVEZ NO PRÓXIMO ANO SEJA UM FUTEBOLISTA



Bob Dylan continua a borrifar-se para o facto de ter de dizer qualquer coisa sobre o facto de ser Prémio Nobel da Literatura.

Tal como escreveu, a págs. 13, em Crónicas:

…e não sentia necessidade de explicar o que quer que fosse a ninguém.

José Mário Silva escrevia no último Expresso:

Para muitos, o novo rumo escolhido representa uma vulgarização inaceitável do mais prestigiado dos prémios e uma cedência ao relativismo cultural, que vem abolindo as tradicionais distinções entre alta e baixa cultura, arte erudita e popular.

Mas o tsunami que gerou a nomeação ainda não deixou de fornecer as mais diversas opiniões, sejam a favor ou contra a nomeação.

Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura em 2010, gosta de Bob Dylan, mas não concorda com a sua nomeação para o Nobel.

A cultura tende a converter-se em espectáculo e aquilo que se apresenta como uma democratização cultural não é mais do que "banalização do frívolo e este prémio foi um equívoco. E perguntou se, para promover ainda mais o Nobel, no próximo ano o vão dar a um futebolista. Na sua opinião, O prémio deveria distinguir uma grande obra que tenha marcado um tempo, ou a obra de um autor até aí pouco conhecido mas que mereça esse reconhecimento, e não o espectáculo de um grande cantor.
Talvez no próximo ano a Academia Sueca dê o prémio a um futebolista.

A poetisa Maria do Rosário Pedreira também não está de acordo com Dylan Nobel da Literatura e escreveu no seu Horas Extraordinárias:

Chamem-me bota-de-elástico. Não me importo. Eu, que por acaso até escrevo letras para canções e fados, não concordei com a escolha de Bob Dylan no passado dia 13. Por muito belas e profundas que sejam as suas canções, são isso mesmo, canções: texto + música (e ainda interpretação). Não creio que o texto sem a música se aguente e estou convencida de que, se Dylan nunca tivesse cantado os seus textos (poemas, para quem prefira), não teria ascendido à condição de poeta respeitável e nobelizável. A poesia de outros que foram anteriormente premiados – Seamus Heaney, Brodsky, Eliot, Quasimodo, Neruda, só para citar alguns – tem uma música intrínseca, diferente de caso para caso, que não precisa de nenhuma outra música para o texto brilhar. Ter a bengala de outra arte – a música, o cinema – para valorizar um texto é, de algum modo, diferente de se ser puramente escritor. Chamem-me chata. Não me importo.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

SARAMAGUEANDO


Ainda há dias recordámos, aqui, os Livros da RTP, publicados na década de 70 e o papel que tiveram na divulgação do livro e do gosto pela leitura

A RTP leva, agora, a cabo uma ideia similar.

Chama-se Colecção Essencial - Livros RTP e o Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago será o primeiro livro com prefácio do seu amigo e editor Zeferino Coelho.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve na apresentação dos novos Livros RTP e teceu elogios à iniciativa que pretende promover o gosto pela leitura através de alguns dos autores mais relevantes do século XX. "O livro e a leitura eram, foram e são factores essenciais de educação e cultura, desenvolvimento humano, mudança social e política", afirmou aos presentes, acrescentando que o primeiro volume da coleção é uma "obra notável" de Saramago.

Cada volume custa 10 euros.

Os próximos volumes serão A Guerra do Mundo de Mario Vargas Llosa, lançamento previsto para 17 de Maio e Jerusalém de Mia Couto, lançamento previsto para 7 de Junho.

Aqui, fizemos uma releitura de Ensaio Sobre a Cegueira.

O livro que tem como epígrafe:

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

OLHAR AS CAPAS


Conversa na Catedral

Mario Vargas Llosa
Tradução: José Teixeira de Aguilar
Capa: estúdios P.E.A.
Colecção Século XX nº 111
Publicações Europa-América, Lisboa Junho de 1972

Não há jornalistas abstémios, Zavalita. A pinga inspira, convence-te disso.

terça-feira, 15 de maio de 2012

CARLOS FUENTES (1928-2012)


Aos 83 anos, morreu hoje na Cidade do México o escritor mexicano Carlos Fuentes.

Nos últimos dias a morte tem invadido os corredores da casa, e levado quem tanto  nos ajudou a olhar a vida, a olhar as gentes, a olhar o mundo: Antonio Tabucchi, Fernando Lopes, Miguel Portas Bernardo Sassetti, agora Carlos Fuentes.

É de arrepiar.

O impacto dos seus primeiros romances -projetaram-no como um dos principais actores da literatura latino-americana.
À semelhança de outros intelectuais seus contemporâneos, de Gabriel García Márquez a Mario Vargas Llosa ou Julio Cortázar, Fuentes nunca pôs de lado o compromisso político e social.

Carlos Fuentes foi o mais ‘infeliz’ dos três grandes nomes do 'boom' da literatura latino-americana: Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e ele”,
diz Manuel Alberto Valente, seu editor em Portugal.

Só que os outros dois ganharam o Prémio Nobel. Do Fuentes falava-se sempre que podia ser um candidato ao Nobel mas infelizmente não o teve. Manuel Valente lembra que, também em termos de vendas, foi sempre um autor menos lido do que os outros, Márquez e Llosa. “Pelo menos em Portugal nunca teve um grande sucesso de público. Mas é um autor extremamente importante e o facto de ter tido sempre menos sucesso que os outros dois pode explicar-se por ser o mais político dos três. A obra dele é muito o espelho do México e das suas vicissitudes políticas. É um autor muito marcado ideologicamente e isso talvez tenha contribuído para que não tenha sido um autor tão popular. Mas é indiscutivelmente um dos grandes nomes da literatura latino-americana e da literatura mundial.Em 1955, fundou com Octávio Paz e Emmanuel Carballo, a Revista Mexicana de Literatura. Era um homem de esquerda, membro do Partido Comunista, próximo de Fidel Castro antes de se afastar depois da prisão (1971) do poeta cubano Ernesto Padilla.

Num ensaio da revista Tiempo Mexicano, de 1972, escreveu: O que um escritor pode fazer politicamente deve fazê-lo também como cidadão. Num país como o nosso, o escritor, o intelectual, não pode alhear-se da luta pela mudança política que, em última instância, supõe também uma transformação cultural.

Fonte: jornal Público.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

POSTAIS SEM SELO


A literatura não diz nada aos seres humanos satisfeitos com a sua sorte, a quem agrada a vida tal como a vivem. Ela é o alimento de espíritos indóceis e propagadora de inconformismo, um refúgio para aqueles a quem sobra ou falta algo, na vida, para ser infeliz, para não se sentir incompleto, sem realizar as suas aspirações. Sair a cavalgar junto do esquálido Rocinante e do seu desgovernado ginete pelos descampados de La Mancha, percorrer os mares atrás da baleia branca com o capitão Ahab, engolirmos o arsénico com Enmma Bovary ou transformarmo-nos num insecto com Gregor Samsa é uma maneira astuta que inventámos com o fim de nos desagravarmos a nós próprios das ofensas e imposições desta vida injusta que nos obriga a ser sempre os mesmos, quando queríamos ser muitos, tantos quantos seriam necessários para aplacar os ardentes desejos de que estamos possuídos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

LLOSA, PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA


Mario Vargas Llosa, o eterno candidato, é o Prémio Nobel da Literatura de 2010.

O escritor, de 74 anos, foi distinguido "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos", justifica a Academia.

A agradável memória de um Verão de 1973 em que me maravilhei com a leitura de “Conversa ma Catedral” de Mario Vargas Llosa. 

Ficou-me a leve impressão de que Vargas não repetiria outro livro como aquele. Estava certo, mas é apenas uma opinião minha, nada mais.

“Da porta de “La Cronica”, Santiago contempla a Avenida Tacna, sem amor: automóveis, edifícios desiguais e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos a flutuar na neblina, o meio-dia cinzento. Em que altura se tinha fodido o Perú?”

Não sei se já está nos escaparates das livrarias, mas tenho muita curiosuidade em ler “A Tia Julia e o Escrevidor” de Mario Vargas Losa, um livro autobiográfico com as aventuras e desventuras do seu casamento com uma ex-tia por afinidade.

Tempo para lamentar que ainda não foi este ano que Philip Roth ganhou o Prémio Nobel da Literatura. 

Mais um dos muitos “esquecimentos” da Academia.

Possivelmente Roth morrerá sem ver esse reconhecimento por parte da Academia. 

Mas tem o reconhecimento dos seus muitos milhões de leitores espalhados pelo mundo.
Philip Roth: uma obra simplesmente notável!

O Nobel que vá pr'o inferno!