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sexta-feira, 24 de abril de 2026

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


De 22 de Abril e até 30 de Junho, de sexta a domingo, das 10h às 18 horas, com entrada gratuita, nos Pavilhões da Mitra, espaço da Santa Casa, a exposição “Armas de Papel – Imprensa e Publicações Clandestinas (1926-1974)” . Esta mostra do arquivo da Associação Cultural Ephemera cobre todo o período da ditadura e todas as correntes políticas e ideológicas perseguidas, como o republicanismo democrático, o anarquismo, o comunismo, o socialismo, o catolicismo progressista ou o esquerdismo.

A exposição revela a comunicação clandestina na luta contra o regime através de uma coleção com origem em doações e aquisições, quer de instituições, quer de pessoas individuais, algumas das quais tiveram um papel relevante na própria produção e distribuição de materiais clandestinos. Presentes na Mitra estão documentos do espólio de Carlos da Fonseca (doados pela Fundação Gulbenkian), de Francisco Martins Rodrigues, de José Miguel Carvalho, de José Pacheco Pereira, aquisições de coleções do Avante!, entre outros.

Armas de Papel também é um livro que José Pacheco Pereira publicou, em Março de 2013 na Temas e Debates/Círculo de Leitores.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


As fotografias de Mário Varela Gomes que enchem este álbum sobre o 25 de Abril, são extraordinárias e, indelevelmente, marcam um dia único.

Neste outro olhar pelo livro, reproduzimos uma dessas extraordinárias fotografias.

Um dos milhares manifestantes que olharam o tempo do capitão Salgueiro Maia na persistência pela rendição de Marcelo Caetano, encontrou outro sítio para olhar os acontecimentos daquele dia histórico, um candeeiro de iluminação pública do Largo do Carmo.  

OLHAR AS CAPAS


Memória de Abril – 50 Anos Depois

Luís Miguel Ferro Pereira

José Morais Arnaud

Mário Varela Gomes

Fotografias: Mário Varela Gomes

Edição: Câmara Municipal de Lila Velha de Ródão, 2024

É comum comentar-se, a propósito de certos acontecimentos, de que alguém esteve no sítio certo e à hora certa ou, pelo contrário, no local errado a à hora errada.

O 25 de Abril de 1974 tem, para mim, ganho maior importância e significado, com cada ano que passas, e não só por acreditar que estive no sítio certo como à hora certa.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

OLHAR AS CAPAS


 25 de Abril: No Princípio Era o Verbo

Manuel S. Fonseca

Ilustrações: Nuno Saraiva

Capa: Ilídio J.B. Vasco

Guerra e Paz Editores, Lisboa, Março de 2024

O 25 de Abril foi catarse e foi delírio. Nesse dia, Portugal viveu um dos seus dias mais felizes, senão o mais feliz de todo o século XX. Num dia de amor à primeira vista, em que o povo beijou a boca dos seus soldados, e fez jardins de cravos na ponta das espingardas, de alguma forma exorcizando a céptica e inelutável máxima do ditador Mao Tsé-Tung, nesse dia de amor à primeira vista esboroou-se o regime de partido único (ou de partido nenhum, na verdade) que acinzentava o país e bloqueava a liberdade: liberdade de ler, de falar, de viajar até, liberdade de rompermos com uma imposta e impostora solidão, tão orgulhosa como patética. Um sobressaltado Salazar deu, nesse dia, uma desconfortável volta no seu túmulo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

O OUTRO LADO DAS CAPAS

Chegámos ao derradeiro volume da colecção sobre o 25 de Abril que o Público, durante 10 meses andou a publicar.

Chama-se OÚltimo Dia da PIDE (26 de Abril no Porto).

Publicado em Outubro de 1974, O Último Dia da PIDE: 26 de Abril no Porto reúne um conjunto de fotografias de António Amorim, obtidas logo após o 25 de Abril. «As imagens da PIDE-DGS no Porto estão indissoluvelmente ligadas a tantos vivos e mortos que ali foram torturados. E será com a trágica recordação dessas imagens que o povo português saberá dizer não ao fascismo. O fascismo não voltará a Portugal. O fascismo não passará», escreve Raul Castro no prefácio do livro, que conta ainda com poemas de Orlando da Costa, Luís Veiga Leitão, Egito Gonçalves, Fernando J. B. Martinho, Fernando Assis Pacheco, João Rui de Sousa, Daniel Filipe, Papiano Carlos e Luísa Ducla Soares, e depoimentos de ex-presos políticos.

Há quem não saiba o que foi o 25 de Abril, há quem não saiba o que foi a Pide.

Esta Colecção ajuda a que se possa voltar a um tempo de desespero, depois a um tempo em que a esperança percorreu as ruas e praças do país.

O que éramos?

O poeta Fernando Assis Pacheco, no poema A Minha Geração, escrito em 1963, recorda o que foi esse tempo:


A minha geração é de esperança,

de trabalho e esperança, e de canções difíceis.

A minha geração escreve poemas

com o mesmo suor que ao calceteiro

corre da fronte, quando martela a rua.

 

Não deveis enganar-vos: cada verso

tem um selo fraterno caminhando

para a branca cidade sob o sol.


OLHAR AS CAPAS


O Último Dia da Pide (26 de Abril no Porto)

Prefácio: Raul Castro

Edição do Movimento Democrático no Porto

Colecção 25 de Abril Os Dias da Revolução nº 9

Edição fac-simile A Bela e o Monstro/Rapsódia Final/Jornal Público, Lisboa Agosto de 2025

 Naquele sinistro casarão, que faz esquina da Rua do Heroísmo com o Largo de Soares dos Reis (agora Largo de Catarina Eufêmia), e onde muitas pessoas mudavam de passeio para se afastarem da sua proximidade, funcionou, durante longos anos, a Delegação no Porto da PIDE, a que Marcelo Caetano, numa mera mudança de designação, passou a chamar DGS. A PfDE-DGS do Porto tinha duas entradas : uma pelo Largo de Soares dos Reis, com escadas de passadeira e contínuos fardados, era a entrada para «inglês ver», a entrada «oficial», onde eram atendidos os que ali eram chamados ou iam tratar de qualquer problema de passaportes, nomeadamente os estrangeiros; a outra era a face real da PIDE, na Rua do Heroísmo (e nunca o nome de uma rua foi tanto o símbolo dos que lá entravam e conseguiam resistir às torturas), um portão de ferro, com uma pequena porta de entrada, a dois palmos do chão, que só se abria para deixar entrar os presos ou os seus familiares, que os iam visitar, e que estabelecia contacto com o átrio de acesso às prisões (celas, quartos e salas) e ao curto lanço de escadas de acesso, pelo lado real, do edifício onde funcionavam todos os departamentos da PIDE-DGS, desde as salas de escuta telefónica e gravações, até aos gabinetes dos chefes, inspectores e director, e àqueles, no último andar, onde os presos eram interrogados e torturados. Quem entrava pela escada de passadeira do Largo de Soares dos Reis, e assim não passava desta parte do edifício, nunca podia fazer ideia de tudo aquilo que constituía a verdadeira PIDE, e que estava para lá daquela fachada. Esta série de fotografias da Delegação no Porto da PIDE-DGS, obtidas logo após o 25 de Abril, desde a complicada aparelhagem de escuta telefónica e gravação, os montes de livros apreendidos, as pastas de processos individuais, que vão até ao número 53067, o enorme ficheiro de 80 gavetas, o parlatório das visitas, o arsenal de armas amontoadas, o luxo do gabinete do director contrastando com a pobreza rudimentar das saias dos presos, até aos relatórios, meio calcinados, de gravações telefónicas, o envelope apreendido duma carta, agentes da PIDE-DGS ocultando as caras, já conduzidos sob prisão, a alegria da saída dos presos e a essa extraordinária imagem de um soldado erguendo um ramo de cravos no meio da alegria de milhares de populares, que, até à hora da rendição da PIDE, apoiaram as Forças Armadas, estando sempre a seu lado, constituem imagens que se não podem esquecer. Sem serem tudo o que era a sede da PIDE no Porto — basta lembrar a falta de fotografias das celas subterrâneas onde os presos, às escuras ou com a escassa luz dos estreitos postigos gradeados à altura das pernas de quem passava na Rua do Heroísmo, cumpriam longos períodos da chamada incomunicabilidade, com um balde a substituir as funções de retrete, constituem, porém, um primeiro documentário sobre as instalações da PIDE-DGS que ilustra os brutais e maquiavélicos métodos de actuação desta polícia do fascismo português, que foi um dos seus órgãos fundamentais para a implantação e a sobrevivência do regime de domínio violento das mais reaccionárias camadas do grande capital monopolista sobre o povo português, durante quarenta e oito anos.

 (Do Prefácio de 

sexta-feira, 25 de julho de 2025

OLHAR AS CAPAS


 25 de Abril: Imagens

Manuel S. Fonseca, Osório Mateus, Jorge Molder

Rui Simões, José Manuel Costa, João Lopes, Luís de Pina

José de Matos-Cruz

Capa: João Botelho

Edição da Cinemateca Portuguesa, Lisboa, Abril de 1984

Colecção 25 de Abril Os Dias da Revolução nº 9

Edição fac-simile A Bela e o Monstro/Rapsódia Final/Jornal Público, Lisboa Julho de 2025.

Teria sido preciso que um homem de génio tocasse as imagens da Revolução de Abril para que, de mero documento de um processo político, se transcendessem em saga, para que os factos se aproximassem da lenda. Mas, pensando bem, para que há-de um homem de génio tocar um tempo e uma história sem heróis?

sexta-feira, 27 de junho de 2025

O OUTRO LADO DAS CAPAS

Estamos perante o 8º volume sobre o 25 de Abril de que o Público, desde 25 de Novembro de 2024, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, anda a publicar, e que terminará com o último volume a sair a 25 de Agosto.

Documentos notáveis que fazem lembrar memórias a uns e ensinam outros para que possam ficar com uma qualquer ideia do que foi essa data histórica.

Histórias e acontecimentos vários da queda do mais antigo regime ditatorial da Europa.

OLHAR AS CAPAS


25 de Abril: Documento

Coordenação:

Afonso Praça

Albertino Antunes

António Amorim

Cesário Borga

Fernando Cascais

Capa: Carlos Rafael

Colecção 25 de Abril Os Dias da Revolução nº 8

CasaViva Editora

Edição fac-simile A Bela e o Monstro/Rapsódia Final/Jornal Público, Lisboa Junho de 2025.

Não se pretende com este livro conseguir mais do que um simples repositório de factos e documentos que caracterizaram o 25 de Abril e os primeiros dias da vida da Junta de Salvação Nacional e de liberdade do povo português. Análises que só poderiam ser imprecisas e precipitadas tão frescos estão ainda os acontecimentos, não se encontram nas páginas que se seguem. Quando muito, apontam-se algumas das mais notórias implicações das medidas já tomadas e do renascer deste País para a democracia. 

domingo, 15 de junho de 2025

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


Há gente que nunca desiste. É impossível desistir. Sempre.

Abriu a 24 de Maio fechará portas a 24 de Agosto. Uma exposição com fotografia do 25 de Abril, no Parque Empresarial da Mutela (em frente à antiga Lisnave) | de 5ª feira a domingo das 11h às 19h.

Serge Tréfaut, curador da exposição, explica:


                                              Para Margarida Medeiros, in memoriam

Venham mais cinco foi uma ideia que surgiu no Verão de 1993, quando Margarida Medeiros e Ana Soromenho me desafiaram para produzir uma grande exposição com as imagens dos fotógrafos estrangeiros que haviam retratado o processo revolucionário português. No ano seguinte seria comemorado o vigésimo aniversário do 25 de Abril.

Eu acabara de organizar O Mês da Fotografia, um conjunto de exposições, que incluíam Trabalho, de Sebastião Salgado, e a colectiva Magnum no Leste. Estava em diálogo com alguns dos autores que queríamos contactar. Margarida e eu rumámos a Paris e mergulhámos nos arquivos das grandes agências internacionais, vasculhando milhares de provas de contacto.

Para nossa tristeza, a exposição não se pôde fazer em 1994.  Não era politicamente oportuna. Em 1999, transformei o desejo da mostra no meu primeiro documentário, Outro País, que aborda quase o mesmo tema. Participaram Sebastião e Lélia Salgado, Guy Le Querrec, Jean Gaumy e Dominique Issermann, entre outros.

Apesar da existência do filme, ao longo de três décadas, nunca desistimos da exposição. Margarida e eu reescrevemos várias vezes a proposta. Finalmente, em 2023, graças à insistência de uma amiga comum, a jornalista Kathleen Gomes, conseguimos que a Comissão Comemorativa do Cinquentenário do 25 de Abril advogasse em nosso favor junto do Ministério da Cultura. De repente, a porta se abriu.

Três décadas depois, muitos dos arquivos tinham mudado de mãos, alguns tinham desaparecido. Nem todos os fotógrafos continuavam vivos.

Três décadas depois, a exposição vai abrir as suas portas.  Entre o início da nossa pesquisa, no Outono de 1993, em Paris, e o seu recente desaparecimento, Margarida tinha se transformado numa das maiores especialistas de fotografia em Portugal, autora de livros de referência, curadora de exposições e responsável pela formação de várias gerações de estudantes. Esta exposição nasceu da nossa amizade.

Portugal no centro do mundo

Entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, Portugal foi manchete quase diária de toda a imprensa internacional. Nunca nada de semelhante acontecera ou viria a acontecer no país, por um período tão largo de tempo.

O fim abrupto de uma ditadura de 48 anos, o início da democratização que parecia seguir por caminhos inesperados, as dúvidas a respeito do processo de independência de grandes países africanos, tudo fazia com que o mundo inteiro voltasse os olhos para Portugal. De um dia para o outro aterraram em Lisboa fotógrafos das maiores agências internacionais, jovens e veteranos, que captaram imagens por todo o país, acompanhando a sucessão vertiginosa dos acontecimentos.

Muitos vieram em missões de curta duração, outros instalaram-se vários meses para perceber e retratar o que se passava. Quase tudo era surpreendente para os estrangeiros: a situação política inédita num país europeu, o quotidiano dos portugueses, a forma como a política entrava na vida da população. Eram fotógrafos experientes. Tinham um olhar incisivo, procuravam imagens para as capas das revistas de maior tiragem, mas também revelavam empatia, encantamento e genuíno interesse antropológico. Durante cerca de um ano e meio fotografaram tudo.

A galeria de imagens começa no final de Abril, quando o golpe de Estado do Movimento das Forças Armadas se transforma em revolução, com as ruas cheias de uma população a quem fora pedido para ficar em casa, e que, pelo contrário, subia para cima dos tanques, entregava café e flores aos soldados, gritava e chorava de alegria. Seguem-se imagens da detenção dos agentes da PIDE (prémio World Press Photo 1974, de Henri Bureau), mas também fotografias de cravos nas espingardas que transmitiram ao mundo esse novo conceito: a revolução dos cravos.

Muitos fotógrafos estavam na tomada da PIDE/DGS, na chegada dos exilados políticos e na irrepetível manifestação do primeiro de Maio de 1974, com soldados e marinheiros abraçados a uma população feliz como nunca fora.

Nos meses que se seguiram, quando tudo podia acontecer e a surpresa era a regra do quotidiano, os fotógrafos seguiram as ocupações de fábricas, as nacionalizações, a Reforma Agrária, as Campanhas de Dinamização Cultural promovidas pelo MFA, o surgimento dos partidos políticos, as campanhas eleitorais para a Assembleia Constituinte.

Os mesmos fotógrafos voaram para Angola e Moçambique, procurando retratar o processo de descolonização e o regresso massivo de portugueses que viviam em África.

A partir da segunda metade de 1975 transmitiram para o mundo imagens de um país dividido, com ataques às sedes do Partido Comunista e a outros movimentos de esquerda. Seguiram as ocupações do Jornal República e da Rádio Renascença, bem como a politização crescente da igreja católica. Retrataram, finalmente, as tensões no exército, o conflito militar latente no 25 de Novembro e o sentimento de orfandade de alguns militares na base de Tancos.

Depois do 25 de Novembro, os fotógrafos estrangeiros deixam gradualmente o país. Alguns tornam-se estrelas maiores do mundo da fotografia. Portugal terá sido um balão de ensaio, onde puderam provar que tinham a distância e a sabedoria para sintetizar em imagens um processo extremamente complexo.

Neste catálogo, tal como na exposição, as fotografias não surgem sempre de forma cronológica. São agrupadas por temas e também se articulam numa narrativa dramática, onde duas imagens de momentos diferentes podem estar lado a lado por contraste, estabelecendo choques e pontes.

Após 50 anos, alguns arquivos desapareceram. Por esta razão, em casos excecionais, quando não houve acesso a negativos nem a provas em papel, decidiu-se reproduzir imagens publicadas em livros. À data de hoje é única forma de partilhar imagens únicas, de um período decisivo da história de Portugal.

Venham mais cinco

É o título de uma célebre canção de José Afonso, escolhida pelos militares do MFA para ser tocada no Rádio Renascença na madrugada de 25 de Abril de 1974, como senha do início do golpe militar. Mas, dois dias antes, perceberam que a canção estava numa lista negra e não poderia ser transmitida sem levantar suspeitas. Decide-se então usar outro tema de José Afonso, Grândola (não proibido), para sinalizar o início do golpe. Ao escolher Venham mais cinco como título desta exposição, prestamos homenagem à grandeza única de José Afonso e ficamos à espera de mais cinco revoluções.

                                       

 

Tomem nota que, nos sábados e domingos que ainda faltam, existirá visitas guiadas à exposição:

21 junho, sábado, 17h - Manuel Martins Guerreiro Nuno Santos Silva com Luisa Tiago de Oliveira  
28 junho, sábado, 17h - José Neves,  Manuel Begonha com Luisa Tiago de Oliveira   
05 de julho, sábado, 17h - Fernando Rosas, Sónia Vespeira de Almeida com Luisa Tiago de Oliveira 
12 de julho, sábado, 17h - Ana Luísa Rodrigues, Irene Pimentel com Luisa Tiago de Oliveira 
19 de julho, sábado, 17h - Jacinto Godinho José Pacheco Pereira com Luisa Tiago de Oliveira.  

As inscrições nas visitas comentadas devem ser feitas através do email: venhammaiscinco1974@gmail.com

sábado, 31 de maio de 2025

OLHAR AS CAPAS


Portugal: Um Ano de Revolução

Coordenação: Espiga Pinto, Rogério Ribeiro

Introdução: José Saramago

Colecção 25 de Abril Os Dias da Revolução nº 7

Edição fac-simile A Bela e o Monstro/Rapsódia Final/Jornal Público, Lisboa Maio de 2025.

Vejamos agora o nosso próprio rosto nestes mil rostos fixados em instantes que são os primeiros da nova história portuguesa. Vejamos os soldados, os operários, os camponeses, as gentes das cidades e dos campos, ouçamos as gargantas abertas os gritos da Revolução. Vejamos o trabalho e a construção de tudo. Vejamos o ondular das bandeiras, os braços erguidos no ar, a força dos punhos, o cântico das imagens sobre a memória dos sons gigantescos das grandes caminhadas, É este o Povo Português enfim recolhendo e frutificando a herança dos oito séculos. Agora são as nossas verdadeiras Descobertas: este ser enfim o que tanto procurámos – Portugal.

Do texto de José Saramago

domingo, 27 de abril de 2025

À LUPA


 Livraria Bertrand no Centro Comercial do Campo Pequeno.

Estava a olhar para os escaparates.

Uma gentil moça aproximou-se com um sorridente «posso ajudá-lo?»

O livro que ele queria era «O 25 de Abril que Novembro Traiu» de Manuel Duran Clemente.

Há umas semanas falhara o lançamento do livro na Voz do Operário.

A moça não conhecia nem livro nem autor.

- Vou ali ao computador para ver se temos.

Após procura, novamente sorridente, disse: 

- Ah! não recebemos livros dessa editora…

sábado, 26 de abril de 2025

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Com o 25 de Abril, já conquistada a liberdade, as inscrições murais multiplicaram-se, verificando-se uma extrema diversidade de directrizes e de opiniões. Dir-se-ia até que a imprensa mural, por esse Portugal fora, se revitalizou intensamente.

Olhem-se as fotografias constantes de mais um livro que o Público vem publicando, mensalmente, sobre o 25 de Abril.

Reproduzo esta.

Pela simplicidade, pelo apoio que, então, terá dado  a quem àquela porta bateu.

OLHAR AS CAPAS


As Paredes Em Liberdade

Capa: Fernando Felgueiras e Amélia

Fotografias: José Marques

Colecção 25 de Abril Os Dias da Revolução nº 6

Edição fac-simile A Bela e o Monstro/Rapsódia Final/Jornal Público, Lisboa Abril de 2025.

Ao longo de 48 anos, as paredes e os muros fizeram parte da imprensa clandestina portuguesa. Na calada da noite, arriscando a integridade física, mãos anónimas redigiam apressadamente a palavra de ordem, a crítica, o ataque antifascista

Foi assim que as nossas paredes e os nossos muros passaram a ser um reflexo vivo da nossa consciência política, do nosso inconformismo, da nossa ânsia de liberdade em plena opressão.

terça-feira, 25 de março de 2025

O OUTRO LADO DAS CAPAS

As primeiras horas.

O primeiro dia.

Tudo o que aconteceu num estúdio de rádio, que passou a ser a Emissora da Liberdade.

«A seu pedido, é hoje o Joaquim Furtado quem tem o original do primeiro comunicado do Movimento. Pediu-o ao major Campos Moura, com tanto interesse e emoção, que ele deu-lho. A única condição posta foi do Furtado ter que passar à máquina uma cópia, que está em poder do major.»

Este livro é o volume nº 5 da colecção que o Público tem vindo a publicar todos os dias 25 de cada mês (cada volume custa 11,90 euros).

Como se tem vindo repetir: Rigorosamente a não perder! 

OLHAR AS CAPAS


 

Aqui Emissora da Liberdade

Matos Maia

Capa: João Viegas

Colecção 25 de Abril Os Dias da Revolução nº 5

Edição fac-simile A Bela e o Monstro/Rapsódia Final/Jornal Público, Lisboa Março de 2025

                                          «Que o poema seja microfone e fale

                                          uma noite destas de repente às três e tal

                                          para que lua estoire e o sono estale

                                          e a gente acorde finalmente em Portugal»

                                                                                      Manuel Alegre

 

E foi assim

O poema fez-se microfone.

E o microfone falou, de repente

Não às três e tal, como previa o poema.

Mas às quatro e vinte e seis.

Dum dia que já é célebre.

E é festa.

25 de Abril de 1974.

A lua estoirou.

O sono estalou.

E a gente, finalmente, acordou em Portugal.

O microfone foi o nosso,

O microfone foi o do Rádio Clube Português – a emissora da liberdade.

Palavra e acção proibidas e reprimidas durante dezenas e dezenas de anos.

Nem Manuel Alegre, nem Rádio Clube Português, nem nós , pensámos vez alguma que tal acontecesse.

Que o microfone fosse poema.

Que o microfone falasse.

E acordasse a gente em Portugal.

Mas aconteceu!

A lua estoirou e o sono estalou.

Lua que nunca mais estará encoberta.

Sono a que um povo nunca mais será obrigado.

Porque foi.

O que foi.

Como foi.

Palavras.

Depoimentos.

Verdades.

Fotos.

Tudo do posto de comando do Movimento das Forças Armadas.

Do Rádio Clube Português.

Da emissora da liberdade.

Foi daqui que o país soube.

Foi daqui que a alegrai, a angústia, o desespero, a verdade, as lágrimas saíram para as ruas.

E tomaram de assalto cidades e vilas.

Invadindo casas, penetraram no sono e na dúvida de milhares de portugueses.

Como?

Tudo está nas páginas que se seguem.

 

Matos Maia

domingo, 2 de março de 2025

OLHARES


 «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os Estados Sociais, os Estados Corporativos e o estado a que isto chegou. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem não quiser sair, fica aqui!».

Salgueiro Maia, palavras ditas aos militares, na noite de 24 de Abril de 1974, que, desde a parada da Escola Prática de Artilharia, iam, com destino a Lisboa, para derrubar a ditadura.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Naquele tempo, se houvesse a iniciativa que agora nos acompanha, «Aqui, posto de Comando do Movimento das Forças Armadas», esta seria a frase do ano de 1974.

Mesmo para aqueles que quotidianamente vão dizendo nos transportes públicos, nas filas das caixas: «o que nos faz falta é um outro Salazar!...»


Esta colecção que, meritoriamente, o jornal Público, todos os dias 25 de cada mês, nos tem vindo a presentear (cada volume custa 11,90 euros), conhece, neste Fevereiro o seu número 4.

Rigorosamente a não perder!

Legenda: pormenor de uma das fotografias tirada da pág.13 da Documentação Fotográfica. Numa qualquer pausa do dia glorioso, um militar lê o «República» dando conta dos últimos acontecimentos.

OLHAR AS CAPAS


Portugal: Ano Um da Revolução

Josué da Silva

Fotografias: José Tavares, Álvaro Tavares, José Teixeira

Capa. Rodil Garcia

Colecção: 25 de Abril, Os Dias da Revolução nº 4

Edição Fac-simile Edições Dâgá, Lda/Jornal Público, Lisboa, Fevereiro de 2025

Magazinesco, folhetinesco – mas de jornalismo vivo, autêntico e verdadeiramente informativo, nada. Como se ao povo português não lhe interessasse os seus problemas, que não eram poucos, nem faltos de profunda gravidade. Era, no entanto, desta forma… informe, que sobrevivia a Imprensa nacional, desde há quase cinquenta anos. Até àquela madrugada…

sábado, 25 de janeiro de 2025

O OUTRO LADO DAS CAPAS

O livro que o Público de hoje publica, pelo preço de 11,90 euros, integrado na colecção «25 de Abril: os dias da Revolução  é um documento notável.

Um longo desfile de fotografias que se estendem desde o 5 de Outubro de 1910 a 1 de Maio de 1974.

Cerca de 500 documentos fotográficos, e alguns mais que, no livro, por necessidade editorial se suprimiram, fizeram parte de uma exposição fotográfica que esteve, durante cerca de um mês, patente ao público, em Lisboa, aquando das comemorações do 25 de Abril realizadas em 1977.