25
de Abril: No Princípio Era o Verbo
Manuel S. Fonseca
Ilustrações: Nuno Saraiva
Capa: Ilídio J.B. Vasco
Guerra e Paz Editores, Lisboa, Março
de 2024
O 25 de Abril foi catarse e foi delírio. Nesse dia, Portugal viveu um
dos seus dias mais felizes, senão o mais feliz de todo o século XX. Num dia de
amor à primeira vista, em que o povo beijou a boca dos seus soldados, e fez
jardins de cravos na ponta das espingardas, de alguma forma exorcizando a céptica
e inelutável máxima do ditador Mao Tsé-Tung, nesse dia de amor à primeira vista
esboroou-se o regime de partido único (ou de partido nenhum, na verdade) que
acinzentava o país e bloqueava a liberdade: liberdade de ler, de falar, de
viajar até, liberdade de rompermos com uma imposta e impostora solidão, tão
orgulhosa como patética. Um sobressaltado Salazar deu, nesse dia, uma
desconfortável volta no seu túmulo.
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