quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

OLHAR AS CAPAS


 25 de Abril: No Princípio Era o Verbo

Manuel S. Fonseca

Ilustrações: Nuno Saraiva

Capa: Ilídio J.B. Vasco

Guerra e Paz Editores, Lisboa, Março de 2024

O 25 de Abril foi catarse e foi delírio. Nesse dia, Portugal viveu um dos seus dias mais felizes, senão o mais feliz de todo o século XX. Num dia de amor à primeira vista, em que o povo beijou a boca dos seus soldados, e fez jardins de cravos na ponta das espingardas, de alguma forma exorcizando a céptica e inelutável máxima do ditador Mao Tsé-Tung, nesse dia de amor à primeira vista esboroou-se o regime de partido único (ou de partido nenhum, na verdade) que acinzentava o país e bloqueava a liberdade: liberdade de ler, de falar, de viajar até, liberdade de rompermos com uma imposta e impostora solidão, tão orgulhosa como patética. Um sobressaltado Salazar deu, nesse dia, uma desconfortável volta no seu túmulo.

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