Marco
Rubio, Secretário de Estado da presidência de Donald Trump, nasceu em Miami,
filho de cubanos que, depois da chegada de Fidel de Castro, refugiaram-se em
Miami.
Anticomunista
primário, há longo tempo que tem em marcha a ideia, o sonho, em que toda a América
Latina preste vassalagem a Trump, o velho regresso ao enorme quintal dos
Estados Unidos.
A
Venezuela foi o primeiro passo, mas já foram deixados avisos à Colômbia, ao
México, a Cuba, ao Brasil.
1.
Donald Trump
assumiu que os Estados Unidos estão "preparados" para um segundo
ataque à Venezuela, caso a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, deixe
de colaborar com as autoridades norte-americanas.
2.
Um jornal de
Hong Kong referiu esta terça-feira, 6 de janeiro, que a tomada do controlo
político da Venezuela pelos Estado Unidos poderá comprometer infraestruturas
sensíveis da China no país sul-americano, incluindo estações de rastreio de
satélites e ativos no sector petrolífero.
No entanto, o
secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou no domingo que Washington não
permitirá que “inimigos dos EUA controlem esses recursos”, numa referência
direta à China e à Rússia.
A China é também o maior investidor estrangeiro na Venezuela e um dos
principais compradores do seu petróleo, de acordo com o jornal.
3.
A líder da
oposição da Venezuela, María Corina Machado, agradeceu ao presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, pelas "acções valentes" que levaram à
captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro. São "um enorme passo
para a humanidade, para a liberdade e para a dignidade humana".
Jornais
norte-americanos alimentam a ideia de que Corina caiu em trumpalhada
desgraça no dia em que não recusou o Nobel da Paz e não declarou que
o prémio deveria ter sido atribuído a Donald Trump.
Talvez um dia se
saiba das verdadeiras razões que levaram o Comité norueguês a atribuir a Maria
Corina Machado o Nobel da Paz.
4.
"Cerca de 200 dos nossos melhores
norte-americanos entraram no centro de Caracas, onde aparentemente os sistemas
de defesa aérea russos não funcionaram muito bem, capturaram um indivíduo
procurado pelas autoridades norte-americanas com apoio das nossas agências de
segurança, sem que nenhuma morte tenha ocorrido" entre os militares dos EUA, disse
Hegseth, citado pela agência de notícias Europa Press.
Donald Trump
garante que controla a Venezuela, mas, em Caracas, ontem tomou posse um novo
Parlamento alinhado quase a 100% com Maduro e a antiga vice do agora
prisioneiro dos EUA prestou juramento enquanto presidente interina. Com esta
indefinição, e Delcy Rodríguez aos comandos do país, a diáspora venezuelana que
celebrou a queda de Nicolás Maduro aguarda agora um sinal para saber se pode
regressar a casa.
5.
Nas ruas de
Caracas vive-se uma enorme indefinição.
"Nestas circunstâncias, ninguém vai correr para
casa", explicou à agência AFP
Ligia Bolivar, socióloga venezuelana e ativista de direitos humanos que vive na
Colômbia desde 2019."Não houve mudança de regime na Venezuela, não há
transição", disse, contrariando a tese de um diplomata
norte-americano, que descreveu "um novo amanhecer".
Para alguns dos
oito milhões de venezuelanos que fugiram do país ao longo da última década de
ruína económica e repressão, a alegria de ver Maduro ser levado a um tribunal
de Nova Iorque foi temperada pelo conhecimento de que o regime aguentou o
choque de perder o líder.
6.
A escalada
militar dos EUA contra o regime chavista, que culminou na captura de
Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, na madrugada de sábado,
levou Caracas, nos últimos meses, a adotar uma série de medidas para
reforçar a segurança pessoal do então chefe de Estado. A mais emblemática delas
foi a ampliação do papel de guarda-costas cubanos em sua equipe mais
próxima, em meio ao temor de que pudesse ser traído pelos seus compatriotas.
Além de ter designado mais oficiais de contra-espionagem
de Havana para as forças armadas venezuelanas. Agora, de acordo com
os governos da Venezuela e de Cuba, 32 militares cubanos foram mortos
durante a operação americana. Os mortos registados eram membros das
forças armadas e serviços secretos.
Quanto a uma
intervenção em Cuba, Donald Trump referiu que não seria necessário, pois
"o país cairá por conta própria".
No
entanto, não descarta uma intervenção na Colômbia e descreve o
Presidente, Gustavo Petro, como um "homem doente" e
narcotraficante. Petro negou as acusações, alertando Trump para não o
difamar.
7.
Antes da invasão
da Venezuela o consumo de pizzas no Pentágono deu o sinal que algo iria
aconrecer.
A
"Pentagon Pizza Index" é uma teoria que sugere que um aumento nas
encomendas de pizza pode indicar o lançamento de operações militares de grandes
proporções nos EUA. Embora não tenha fundamento científico, é baseada na lógica
de que os funcionários do Pentágono trabalham até mais tarde nessas situações
e, por isso, fazem mais encomendas.
8.
As Nações Unidas
manifestaram, nesta terça-feira, uma profunda preocupação com a dramática
operação dos Estados Unidos na Venezuela, alertando para o facto de esta ter
claramente "minado um princípio fundamental do direito internacional".
"Os Estados não devem ameaçar ou usar a força
contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer
Estado", disse Ravina
Shamdasani, porta-voz do gabinete dos direitos da ONU, aos jornalistas em
Genebra.
9.
Donald Trump
avisa que a Gronelândia é fundamental para a segurança dos Estados Unidos.
«Trump quer comprar a Gronelândia e a Dinamarca já
vendeu território aos EUA no passado
Como se lê esta quarta-feira no Live Blog do jornal Sermitsiaq,
um dos dois jornais da Gronelândia, o Presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, está a discutir as opções para anexar a Gronelândia, “um importante
objectivo de política externa” dos EUA e uma “prioridade de segurança
nacional”. A hipótese da intervenção militar não
está posta de parte, mas a preferência parece ser, de acordo com uma fonte da
Administração norte-americana, a aquisição do território que se fosse um país
independente seria o 12.º maior em área do mundo. E 50 vezes o tamanho da
Dinamarca.
O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, garantiu, citado
pelo Guardian, no fim-de-semana, que “não há qualquer razão para entrar em
pânico ou para ficar preocupado”. A Gronelândia “não está para venda e o nosso
futuro não se decide por publicações nas redes sociais”.
António
Rodrigues no Público
10
«Quando tudo se desmorona à nossa frente e teimamos em
fazer de conta que não vemos, há sempre Martin Niemöller* para recordar onde
tudo acaba quando julgamos que nunca chegará a nossa vez. Adaptando o que ele
disse, depois de libertado, ao que Trump está a fazer com o mundo: primeiro
bombardeou o Irão, achámos muito bem, porque podiam ter um projeto nuclear.
Depois, bombardeou a Nigéria para proteger os cristãos, não protestámos, porque
somos cristãos. Quando invadiu a Venezuela, reagimos com cautelas, porque o
regime era uma ditadura. E depois, quando se voltar de novo para a Gronelândia,
vamos entregar a ilha, porque não podemos ficar sem aliado. E, se ele um dia
quiser os Açores, podemos protestar à vontade, porque já não haverá ninguém
para nos ouvir.»
Paulo Baldaia no Expresso.

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