Somos um país pobre.
Um
comboio de depressões caiu sobre nós.
As
depressões têm nomes: «Ingrid», «Joseph», «Kristin».
Pobres
que somos, desleixados também, vimos pelas televisões meio país, ou mais, ficar
destruído, inundado, sem electricidade, sem comunicações, sem abastecimento de
água, sem supermercados ou mercearias e, até agora, seis mortes, muitos feridos
atendidos nos hospitais e centros de saúde com "cirurgias e consultas
adiadas" e "vacinas em risco de ir para o lixo" um rasto de destruição, um cenário de uma qualquer guerra.
Este
pobre país são 4 ou 5 cidades no litoral.
O
resto não existe, é um esquecimento, um país à beira da resignação, sem largar
um grito.
Um
governo fraquíssimo, em que os ministros, os secretários de estado desaparecem,
ninguém os vê e não atendem telefones dos autarcas em desespero.
O
primeiro-ministro, um rural de Espinho, como lhe chamou Marcelo Rebelo de
Sousa, aparece, sem soluções, uma enorme cara de enterro, entremeada com o
habitual sorriso cínico, acaba por decretar «estado de calamidade», mas não
para todas as autarquias atingidas, Alcácer do Sal, completamente inundada, é
um gritante exemplo.
E
sempre que uma tragédia acontece, sejam incêndios, apagões, inundações, o que for, bate-se
à porta da Europa, que sim senhor…iremos prestar ajuda… e a Van der Leyn a
manifestar a Luís Montenegro “a mais profunda solidariedade pelos mortos e
danos das tempestades” e que a Comissão Europeia está pronta para apoiar a
recuperação…

Sem comentários:
Enviar um comentário