sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO


Somos um país pobre.

Um comboio de depressões caiu sobre nós.

As depressões têm nomes: «Ingrid», «Joseph», «Kristin».

Pobres que somos, desleixados também, vimos pelas televisões meio país, ou mais, ficar destruído, inundado, sem electricidade, sem comunicações, sem abastecimento de água, sem supermercados ou mercearias e, até agora, seis mortes, muitos feridos atendidos nos hospitais e centros de saúde com "cirurgias e consultas adiadas" e "vacinas em risco de ir para o lixo" um rasto de destruição, um cenário de uma qualquer guerra.

Este pobre país são 4 ou 5 cidades no litoral.

O resto não existe, é um esquecimento, um país à beira da resignação, sem largar um grito.

Um governo fraquíssimo, em que os ministros, os secretários de estado desaparecem, ninguém os vê e não atendem telefones dos autarcas em desespero.

O primeiro-ministro, um rural de Espinho, como lhe chamou Marcelo Rebelo de Sousa, aparece, sem soluções, uma enorme cara de enterro, entremeada com o habitual sorriso cínico, acaba por decretar «estado de calamidade», mas não para todas as autarquias atingidas, Alcácer do Sal, completamente inundada, é um gritante exemplo.

E sempre que uma tragédia acontece, sejam incêndios, apagões, inundações, o que for, bate-se à porta da Europa, que sim senhor…iremos prestar ajuda… e a Van der Leyn a manifestar a Luís Montenegro “a mais profunda solidariedade pelos mortos e danos das tempestades” e que a Comissão Europeia está pronta para apoiar a recuperação…

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