Luís Carandell, jornalista e escritor catalão disse um dia «Que melhor destino pode ter um bom poema do que ser cantado».
Alain
Oulman musicou poemas dos melhores poetas portugueses.
Sabia
que Alexandre O’ Neill era um enorme poeta e persegui-o para que lhe arranjasse
um poema a que emprestasse a sua música. Demorou o seu tempo mas O’ Neill
também entendeu que Oulman érea um grande amigo, um grande músico e num bom
qualquer dia saiu-se com Gaivota.
E
aí temos um lindíssimo poema, uma lindíssima música a que a grande Amália
Rodrigues deu a sua melhor voz e interpretação, ah! aquele se uma gaivota
viesse trazer-me o céu de Lisboa no desenho que fizesse…
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro
dos sete mares andarilho
fosse, quem sabe, o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
ao meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor, na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

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