sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

OLHAR AS CAPAS


A Solidão do Manager

Manuel Vásquez Montalbán

Tradução: António José Massano

Capa: Rui Rodrigues

Quetzal Editores, Lisboa, Outubro de 2025

- A estas horas! Algum incêndio?

- Um pato guisado.

- O quê?

- Fiz um pato guisado.

O bicho não é muito grande,

Mas não vou comê-lo sozinho.

- São duas da manhã!

- Um pato guisado

- Um pato de pouca idade?

- Um patinho.

- De confiança?

- De absoluta confiança.

- Vai abrindo as garrafas de vinho que eu já lá vou ter.

Ou Carvalho regressou a sua casa com excessiva lentidão, ou o gestor correu empurrado pelo fresco húmido e pela ressurreição do apetite, a verdade é que, quando se juntaram, Carvalho não tinha tido tempo de abrir a garrafa de Montecillo. Fuster deixou em cima da mesa da cozinha um cestinho de que era portador, cheio de frutos secos de Villores, de mel por refinar de Villores e de uns estranhos biscoitos pertencentes à família cultural dos biscoitos secos populares em cuja composição entram necessariamente o ovo e a amêndoa.

- Estes biscoitos foram feitos pela minha cunhada. São de Villores.

-Era o que eu termia.

- Depois do pato, nada melhor que umas avelãs com mel e um biscoito para acbar de empapar o guisado no estômago.

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