A Solidão do Manager
Manuel Vásquez
Montalbán
Tradução:
António José Massano
Capa: Rui
Rodrigues
Quetzal
Editores, Lisboa, Outubro de 2025
- A estas horas! Algum incêndio?
- Um pato guisado.
- O quê?
- Fiz um pato guisado.
O bicho não é muito grande,
Mas não vou comê-lo sozinho.
- São duas da manhã!
- Um pato guisado
- Um pato de pouca idade?
- Um patinho.
- De confiança?
- De absoluta confiança.
- Vai abrindo as garrafas de vinho que eu já lá vou
ter.
Ou Carvalho regressou a sua casa com excessiva
lentidão, ou o gestor correu empurrado pelo fresco húmido e pela ressurreição
do apetite, a verdade é que, quando se juntaram, Carvalho não tinha tido tempo
de abrir a garrafa de Montecillo. Fuster deixou em cima da mesa da cozinha um
cestinho de que era portador, cheio de frutos secos de Villores, de mel por
refinar de Villores e de uns estranhos biscoitos pertencentes à família cultural
dos biscoitos secos populares em cuja composição entram necessariamente o ovo e
a amêndoa.
- Estes biscoitos foram feitos pela minha cunhada. São
de Villores.
-Era o que eu termia.
- Depois do pato, nada melhor que umas avelãs com mel
e um biscoito para acbar de empapar o guisado no estômago.

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