Desde
Mar-a-Lago, Trump voltou a lembrar ao mundo que a invasão da Venezuela tinha, acima de tudo,
a ver com petróleo, dinheiro, lucros e, consequentemente, prender o ditador
Maduro e fazer o julgamento e condenação do personagem na América, como traficante de droga e terrorista.
A democracia e o povo venezuelano ficarão para mais tarde ou… para nunca.
Nicolás Maduro era um ditador e o seu regime era ilegítimo e brutal e fez a vida dos seus cidadãos muitíssimo pior do que era antes.
Tudo bem, mas isso não valida a invasão da Venezuela, contudo, mas esse é o sinal que os Estados Unidos não estão muito preocupados com o cumprimento do direito internacional e o exemplo do que poderá acontecer a outros líderes se, por uma razão ou outra, desagradarem à Administração Trump, por outras palavras: fazer regressar toda a América Latina à sua quinta de outras eras.
Donald Trump “não faz jogos” e que quando diz que quer alguma coisa “tem de ser levado a sério”, disse este sábado o secretário de Estado Marco Rubio.
Como se fosse um filme, Trump assitiu à “espectacular» intervenção dos militares americanos na captura de Maduro que, segundo o presidente, "não podia ser realizado por mais nenhuma nação que não os Estados Unidos".
Questionado sobre o dia seguinte, ou seja, sobre quem vai assumir o poder depois de Maduro, Trump disse: os Estados Unidos vão governar a Venezuela “até haver uma transição adequada, segura e séria” e as empresas norte-americanas vão também tomar as instalações petrolíferas. “Fomos nós que construímos essa indústria”, que “nos foi roubada pelo regime socialista como se fôssemos bebé,»
"Saiu um ditador e entrou um invasor", resumiu ao Público o
investigador no Centro de Estudos Internacionais do ISCTE Marcelo Moriconi. «O que se ouviu de Trump e Rubio foi uma narrativa totalmente incoerente e
fabricada para justificar a decisão de intervir num país para ficar com os seus
recursos naturais».
Marcelo
Moriconi acredita que a Venezuela corre o risco de vir a ser "ingovernável
nos próximos anos ou décadas" devido à inevitável luta armada entre
facções internas pelo poder.
Venha
o diabo e escolha, diria a minha avó.
Nicolás Maduro cai não depois de uma revolta popular ou de uma implosão interna do regime, mas pela mão directa dos Estados Unidos, após quase uma década de pressão económica, diplomática e militar.
É provável que Trump, e os seus sequazes bélicos e económicos, não saiba como vão ser os dias seguintes na Venezuela, mas já sabe de sabedoria certa que não dará espaço político a Maria Carolina Machado “ é uma senhora simpática mas pouco mais do que isso” .
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