sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VENEZUELA: OS DIAS SEGUINTES


Após o ataque militar norte-americano para raptar Nicolás Maduro, os dias vão passando sem que verifiquem notórias alterações ao quotidianos dos venezuelanos.

 Ainda não são suficientes – alguma vez o serão? – para tentarmos presenciar grandes alterações.

Acima de tudo, do lado de Donald Trump, está claro que a prioridade não é uma transição democrática, apenas petróleo.

1.

Ontem, num artigo de Ana Brito no Público fica a saber-se que os Estados Unidos  têm a fama de não pensar  no “dia seguinte”

«Do Irão ao Afeganistão, Iraque e Líbia, a história mostra que as intervenções norte-americanas são pouco cuidadosas com o que deixam para trás.
Intervir, destruir, sair: os EUA têm a fama de não pensar no “dia seguinte”
Embora seja debatível, em certas circunstâncias, quais poderiam ser as consequências da inacção dos EUA, é incontornável que boa parte da instabilidade que hoje se vive nessas regiões resulta de vazios de poder criados por intervenções norte-americanas, que têm cimentado, entre muitas nações árabes ou de maioria muçulmana, a reputação dos Estados Unidos como um parceiro em que não se pode confiar.
Em 2016, ainda na Casa Branca, Barack Obama reconheceu, em entrevista à Fox News, que o seu pior erro foi “não planear o dia seguinte” da intervenção na Líbia.»

2.


«Na manhã de 3 de Janeiro passado, o presidente Donald Trump descreveu, num telefonema para a Fox News, a forma como uma força especial dos Estados Unidos da América raptou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher, Cília Flores. Todo contente com o êxito, a eficácia e a rapidez da intervenção, contou: “Assisti como se estivesse a ver um programa de televisão.”

Isto impressionou-me: durante o rapto, as tropas norte-americanas mataram cerca de 40 pessoas, algumas delas civis. E esta resposta de Trump, se por um lado tenta descrever o ambiente da sala montada com ecrãs, onde ele, assessores e generais supervisionaram a operação militar, por outro lado revela também - pela forma efusiva como narrou a situação - a indiferença com que foi assistindo, nesses monitores, a uma sequência de assassinatos… Será que, durante aquelas 2 horas e 28 minutos, Trump celebrava cada vez que via cair um venezuelano?…

Esta desumanização do inimigo é particularmente contraditória quando é supostamente em nome dos Direitos Humanos que os Estados Unidos e a União Europeia perseguem, há anos, o regime de Maduro. E essa hipocrisia foi particularmente notável na reação da União Europeia e de Portugal à operação militar desencadeada por Trump (ao menos, este fugiu a essa hipocrisia e disse claramente que o que quer é controlar o petróleo do país).

(…)

Uma política externa adulta começaria pelo óbvio: o direito internacional ou vale para todos, ou deixa de valer para qualquer um. Se Bruxelas e Lisboa conseguem falar “sem hesitações” quando o infrator é um adversário, também devem conseguir fazê-lo quando o infrator é um aliado. Caso contrário, não é prudência: é dependência - e, no fim, é também vulnerabilidade, como se verá se, receio bem, depois de fazerem voz grossa, acabarem por entregar a Gronelândia a Trump.»

Pedro Tadeu no Diário de Notícias

3.

O governo norte-americano está a considerar oferecer pagamentos diretos aos habitantes da Gronelândia como parte de um plano para incentivar a ilha a separar-se da Dinamarca e a tornar-se território dos Estados Unidos, avança esta quinta-feira, 8 de janeiro, a Reuters.

Segundo fontes da Reuters os valores  discutidos variam entre os 10 mil e os 100 mil dólares (entre cerca de 8500 e 85 mil euros, aproximadamente) por pessoa.

A proposta é vista como uma forma de "comprar" a ilha, que tem cerca de 57 mil habitantes, face à intransigência da Gronelândia e da Dinamarca em negociar o território.

Essa ideia é apenas uma das opções em cima da mesa para a administração Trump, que também está a avaliar a possibilidade de intervenção militar, embora prefira alternativas diplomáticas como a aquisição da ilha ou acordos estratégicos.

"Não queremos a Rússia ou a China como nossos vizinhos. Vamos fazer alguma coisa em relação à Gronelândia quer eles gostem ou não» 

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