Após
o ataque militar norte-americano para raptar Nicolás Maduro, os dias vão
passando sem que verifiquem notórias alterações ao quotidianos dos
venezuelanos.
Ainda não são suficientes – alguma vez o
serão? – para tentarmos presenciar grandes alterações.
Acima
de tudo, do lado de Donald Trump, está claro que a prioridade não é uma
transição democrática, apenas petróleo.
1.
Ontem, num artigo de Ana Brito no Público fica a saber-se que os Estados Unidos têm a fama de não pensar no “dia seguinte”
«Do Irão ao Afeganistão, Iraque e Líbia, a história mostra que as intervenções
norte-americanas são pouco cuidadosas com o que deixam para trás.
Intervir, destruir, sair: os EUA têm a fama de não pensar no “dia seguinte”
Embora seja debatível, em certas circunstâncias, quais poderiam ser as
consequências da inacção dos EUA, é incontornável que boa parte da
instabilidade que hoje se vive nessas regiões resulta de vazios de poder
criados por intervenções norte-americanas, que têm cimentado, entre muitas
nações árabes ou de maioria muçulmana, a reputação dos Estados Unidos como um
parceiro em que não se pode confiar.
Em 2016, ainda na Casa Branca, Barack Obama reconheceu, em entrevista à Fox
News, que o seu pior erro foi “não planear o dia seguinte” da intervenção na
Líbia.»
2.
«Na manhã de 3 de Janeiro passado, o presidente Donald Trump descreveu, num
telefonema para a Fox News, a forma como uma força especial dos Estados Unidos
da América raptou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher, Cília
Flores. Todo contente com o êxito, a eficácia e a rapidez da intervenção,
contou: “Assisti como se estivesse a ver um programa de televisão.”
Isto
impressionou-me: durante o rapto, as tropas norte-americanas mataram cerca de
40 pessoas, algumas delas civis. E esta resposta de Trump, se por um lado tenta
descrever o ambiente da sala montada com ecrãs, onde ele, assessores e generais
supervisionaram a operação militar, por outro lado revela também - pela forma
efusiva como narrou a situação - a indiferença com que foi assistindo, nesses
monitores, a uma sequência de assassinatos… Será que, durante aquelas 2 horas e
28 minutos, Trump celebrava cada vez que via cair um venezuelano?…
Esta
desumanização do inimigo é particularmente contraditória quando é supostamente
em nome dos Direitos Humanos que os Estados Unidos e a União Europeia
perseguem, há anos, o regime de Maduro. E essa hipocrisia foi particularmente
notável na reação da União Europeia e de Portugal à operação militar
desencadeada por Trump (ao menos, este fugiu a essa hipocrisia e disse
claramente que o que quer é controlar o petróleo do país).
(…)
Uma
política externa adulta começaria pelo óbvio: o direito internacional ou vale
para todos, ou deixa de valer para qualquer um. Se Bruxelas e Lisboa conseguem
falar “sem hesitações” quando o infrator é um adversário, também devem
conseguir fazê-lo quando o infrator é um aliado. Caso contrário, não é
prudência: é dependência - e, no fim, é também vulnerabilidade, como se verá
se, receio bem, depois de fazerem voz grossa, acabarem por entregar a
Gronelândia a Trump.»
Pedro
Tadeu no Diário de Notícias
3.
O
governo norte-americano está a considerar oferecer pagamentos diretos aos
habitantes da Gronelândia como parte de um plano para incentivar a ilha a
separar-se da Dinamarca e a tornar-se território dos Estados Unidos, avança
esta quinta-feira, 8 de janeiro, a Reuters.
Segundo
fontes da Reuters os valores discutidos
variam entre os 10 mil e os 100 mil dólares (entre cerca de 8500 e 85 mil
euros, aproximadamente) por pessoa.
A
proposta é vista como uma forma de "comprar" a ilha, que tem cerca de
57 mil habitantes, face à intransigência da Gronelândia e da Dinamarca em
negociar o território.
Essa
ideia é apenas uma das opções em cima da mesa para a administração Trump, que
também está a avaliar a possibilidade de intervenção militar, embora prefira
alternativas diplomáticas como a aquisição da ilha ou acordos estratégicos.
"Não
queremos a Rússia ou a China como nossos vizinhos. Vamos fazer alguma coisa em
relação à Gronelândia quer eles gostem ou não»

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