segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

OLHAR AS CAPAS


Crítica. I

Livraria Latina Editora, Porto, 1942

A crítica deve ser um sacerdócio, dizia eu. Podem acusar-me do que quiserem. Creio que ninguém porá em dúvida, contudo, que a crítica que procurei realizar durante três anos no DIÁRIO DE LISBOA não tenha tido a gravidade de um sacerdócio. É certo que muito ficou por fazer. Mas o melhor que havia para fazer e dizer não podia ser feito nem dito. Um jornal exerce sobre os seus colaboradores uma censura mais pesada que nenhuma outra, pois que não se baseia em doutrinas nem em finalidades de interesse colectivo, senão apenas em «camaradagem» e «conveniências». Muito tive de sofrer por causa desta falsa concepção de «camaradagem» e desta triste noção de «conveniências.

Apesar disto, algumas verdades pude dizer. Porque as disse, há em Portugal quem mo não perdoe.

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