Crítica. I
Livraria Latina
Editora, Porto, 1942
A crítica deve ser um sacerdócio, dizia eu. Podem
acusar-me do que quiserem. Creio que ninguém porá em dúvida, contudo, que a
crítica que procurei realizar durante três anos no DIÁRIO DE LISBOA não tenha
tido a gravidade de um sacerdócio. É certo que muito ficou por fazer. Mas o
melhor que havia para fazer e dizer não podia ser feito nem dito. Um jornal
exerce sobre os seus colaboradores uma censura mais pesada que nenhuma outra,
pois que não se baseia em doutrinas nem em finalidades de interesse colectivo,
senão apenas em «camaradagem» e «conveniências». Muito tive de sofrer por causa
desta falsa concepção de «camaradagem» e desta triste noção de «conveniências.
Apesar disto, algumas verdades pude dizer. Porque as disse, há em Portugal quem mo não perdoe.

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