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sábado, 28 de janeiro de 2023

MÚSICA PELA MANHÃ

Numa entrevista à agência Associated Press, no início desta semana, o Papa Francisco declarou que «ser homossexual pode ser pecado, mas não é crime».

Crime e Pecado.

É provável que há quem fique um tanto ou quanto à nora com a afirmação do Papa, que tem sido visto como um Papa de vistas largas. Mas também se sabe que pelo Vaticano ainda passeiam uma série de mentalidades completamente retrógradas, autênticos velhos do Restelo como se diria por aqui.

Há uma canção do Chico, a que Ney Matogrosso deu uma interpretação deliciosamente provocante, em que se declara que não existe pecado no lado de baixo do Equador Equador.

É para lá que vanos!

Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado safado debaixo do teu cobertor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me usa, me abusa, lambuza
Que a tua cafuza
Não pode esperar

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me esgota, me bota na mesa
Que a tua holandesa
Não pode esperar

Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado, rasgado, suado a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é missão de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou embaixador

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me usa, me abusa, lambuza
Que a tua cafuza
Não pode esperar

Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me esgota, me bota na mesa
Que a tua holandesa
Não pode esperar


quinta-feira, 16 de maio de 2013

BARCO NEGRO





Quando aqui  falei do Barco Negro cantado pela Amália, arrastei o pé para dizer que a versão do Ney Matogrosso, que faz parte dum bonito disco que comprei na Discoteca Melodia, é um assombro.

Sempre fui fã de Ney e as coisas passaram a ter outra dimensão quando o vi, ao vivo, no Coliseu.

Barco Negro tem letra de David Mourão Ferreira e música do brasileiro Caco Velho.

Barco Negro

De manhã, que medo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia.
Mas logo os teus olhos disseram que não!
E o sol penetrou no meu coração.

Vi depois numa rocha uma cruz
e o teu barco negro dançava na luz...
Vi teu braço acenando entre as velas já soltas...
Dizem as velhas da praia que não voltas.

São loucas... são loucas!

Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo.

No vento que lança areia nos vidros,
na água que canta no fogo mortiço,
no calor do leito dos bancos vazios,
dentro do meu peito estás sempre comigo.

Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo.



A música de Caco Velho foi composta para um poema de Piratini com o título Mãe Preta, uma canção de denúncia da escravatura que, tanto quanto me disseram, Salazar proibiu que passasse na rádio.

Fica aqui a letra original de Piratini e a interpretação de Dulce Pontes:



 Mãe Preta

Pele encarquilhada carapinha branca
Gandôla de renda caindo na anca
Embalando o berço do filho do sinhô
Que há pouco tempo a sinhá ganhou

Era assim que mãe preta fazia
criava todo o branco com muita alegria
Porém lá na sanzala o seu pretinho apanhava
Mãe preta mais uma lágrima enxugava

Mãe preta, mãe preta

Enquanto a chibata batia no seu amor
Mãe preta embalava o filho branco do sinhô.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

BARCO NEGRO


Barco Negro.
Há muitos e muitos anos que conheço este fado de Amália Rodrigues.
Gosto muito de o ouvir.
Só mais tarde vim a saber, que o bonito poema é da autoria de David-Mourão Ferreira.
Vim depois a encontrar a versão de Ney Matogrosso num disco LP que dá pelo nome de Sujeito Estranho.
A capa desse disco encontram-na no post seguinte.
Gosto muito de Amália, mas, permitam-me o desplante: a versão de Ney é um assombro.
Tentei encontrar essa interpretação, para a colocar aqui, mas das que estão pelo You Tube, nenhuma é a disco.
As que ouvi não me parecem nada felizes razão porque vos deixo a da Amália.
Por isso escolhi Amália.

Barco Negro

Poema: David-Mourão Ferreira
Música: Caco Velho

De manhã temendo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia,
mas logo os teus olhos disseram que não
e o sol penetrou no meu coração. 
 
Vi depois, numa rocha, uma cruz,
e o teu barco negro dançava na luz;
vi teu braço acenando, entre as velas já soltas.
Dizem as velhas da praia que não voltas...
São loucas! São loucas!  -  
 
Eu sei, meu amor,
que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor
me diz que estás sempre comigo. 
 
No vento que lança
areia nos vidros,
na água que canta,
no fogo mortiço,
no calor do leito,
nos bancos vazios,
dentro do meu peito
estás sempre comigo.