No tempo em que o futebol era mesmo futebol, e não a trapalhada dos dias que vão correndo, havia quem desse futebol, dissesse que era dos mais belos espectáculos do mundo.
Um desses intérpretes chamou-se Chalana, um tipo
franzino que num leve dançar, muitas vezes, sem tocar na bola, desviava os adversários, criava
jogadas e metia golos de levantar estádios.
Deixou-nos em Agosto do ano de 2022, mas eu ainda
estou nas tardes de domingo, no alto do 3º anel, a ver os dribles dançantes
daquele que José Neves de Sousa, sportinguista e jornalista do Diário de lisboa, aos primeiros olhares,
não teve qualquer dúvida em chamá-lo
«pequeno genial», que aos 17 anos começou a jogar na primeira equipa do
Benfica.
«O que se poderá dizer mais sobre
Fernando Chalana que ainda não tinha sido dito»?, perguntou a
jornalista Leonor Pinhão, na hora da sua morte.
Genial futebolista, de uma humildade completamente
desconcertante, que depois do campeonato europeu de 1984, foi contratado pelo
Bordéus por 220 mil contos, dinheiro que o presidente Fernando Martins, o pedreiro,
aproveitou para fechar o terceiro anel do Estádio da Luz, promessa eleitoral que
talvez não tivesse concretizado se não fosse a cedência do Chalana ao Bordéus
Por mim, ainda não saí da bancada do 3º anel a ver os
dribles dançantes daquele miúdo que adorava o Benfica e, nos tempos livres,
criava pombos-correios tal, como José Torres, outro benfiquista.
