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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

MEIA HORA É NADA

meia hora é nada

se medirmos o momento que percorre

um homem enforcado sem razão

 

meia hora é talvez um infinito

se atendermos que existem orações

gurdadas no vazio de uma cela

 

meia hora é mesmo meia hora

se especar os olhos no relógio

e ficar esperando divagando

com os cabelos de marília entre os meus dedos

com os lábios de Marília arrefecidos

pelo medo de perder a camioneta

ainda que ao meu lado

divagando

 

Paulo da Cunha Leão

sábado, 4 de junho de 2011

O ÚNICO DEFEITO DO SISTEMA


não são precisos poemas necessários:
na minha terra o povo vive bem;
instrução não falta       e se faltar também
se inventam novos tachos mas o povo não morre à fome.
Por favor      senhor poeta
(ordeno!) afaste-se    e consigo      numa mala
leve para longe os poemas necessários.
Se pesarem demasiado não se esqueça
que nesta terra existem recoveiros
mas
senhor poeta          não se esqueça deles
nos bancos
e sobretudo não entorne do comboio
os poemas necessários para o campo
… mas também o melhor é não deixar
os seus poemas esquecidos na cidade:
É que o povo é curiosos        sabe?
… é o único defeito do sistema…

Paulo da Cunha Leão, 1966