terça-feira, 8 de setembro de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 Já não assim muitos os que se lembram da alvorada de Abril, das aventuras e desventuras do nosso caminhar naquele Verão dito quente de 1975, do homem que acreditava no povo e disso vez bandeira e luta.

Chamava-se Vasco Gonçalves.

Este livro é algo de importante para os que esqueceram, para os que não sabem o que foram aqueles mágicos e muito difíceis dias.

O título do livro diz tudo: «Não Pode Haver Neutros», todos aqueles que pensaram, que pensam, que ficar no meio é o espaço ideal para poder ver os dois lados. Também não pode haver sacanas que, então, apareceram em quantidade desmesurada, quando o que se podia era algo diferente:

«Nós também precisamos de aliados nesta revolução; precisamos de pequenos empresários, médios empresários, que compreendam esta revolução, que caminhem ao nosso lado; nós precisamos também de alianças porque isto é uma tarefa muito grande. Mas, repito, a revolução só comporta duas situações: ou se está com ela ou contra ela. Não há tipos que possam dizer «eu sou neutral, não me interessa nada a política.»

Vasco Gonçalces do Discurso da Sorefame, 17 de Maio de 1975.

Naturalmente, nem tudo correu como se esperaria.


Sobre Vasco Gonçalves fica uma opinião do pintor João Abel Manta:

«Conheci o Vasco Gonçalves mal. Ele gostou muito desse cartaz “Povo MFA/MFA Povo”, e quis oferecer-lhe o original. Fui a São Bento, ele disse-me que gostava muito dos meus bonecos, nem era dos meus cartazes, era mais dos meus desenhos. Fui recebido, ofereci-lhe o original e ele ficou muito agradecido. O Vasco Gonçalves parecia-me um daqueles revolucionários dos tempos antigos, já não havia homens daqueles. Irritava-se, exaltava-se. Havia uma honestidade, digamos, estomacal, naquele homem, que não sentia nos outros. Depois, tinha aquele ar. Os outros tinham um ar dúbio. Tinha-lhe uma grande admiração, e ele aparecia nas exposições, pude falar com ele. Fiz um cartaz, em que fui odiado em Portugal por isso, coloquei-o entre o soldado e o camponês. O cartaz foi arrancado por tudo o que é sítio. O Mário Soares ficava histérico quando vis esse cartaz! Também lhe ofereci esse cartaz. Concluindo: tenho uma boa impressão do Vasco Gonçalves».

Sem comentários: