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terça-feira, 3 de setembro de 2024

POSTAIS SEM SELO


A função do amor é fabricar o desconhecido.

E.E. Cummings

Fotografia de Luís Eme 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

OLHAR AS CAPAS


Contos de Encantar

E. E. Cummings

Tradução e prefácio: Hélia Correia

Capa e ilustrações: Rachel Caiano

Ponto de Fuga, Lisboa, Maio de 2018

Era uma vez uma casa que se apaixonou por um pássaro.

Era uma casa alta e vazia e tinha numerosas janelas. Não vivia lá ninguém porque ela ficava no cimo de um monte muito elevado, distante de tudo, sem ninguém com quem brincar a não ser a manhã e ninguém com quem conversar a não ser o pôr do sol e ninguém com quem falar dos seus assuntos a não ser o crepúsculo. Claro que havia a tarde; mas a tarde raramente se aproximava da casa porque estava demasiado ocupada a pôr a lua na cama. E também havia a noite; mas do que a noite gostava era de passear e passear por entre todo o brilho e as graciosas espécies de flores a que vocês e eu chamamos «estrelas» porque não sabemos o que realmente possam ser. Por isso, com exceção dos três amigos – manhã, o pôr do sol e o crepúsculo – essa casa alta e vazia com numerosas janelas que ficava no cimo de um monte elevado estava completamente só.

domingo, 26 de julho de 2020

POSTAIS SEM SELO


A minha especialidade é viver.

E.E. Cummings

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ALGURES AONDE EU NUNCA VIAJEI


algures aonde eu nunca viajei, alegremente além de
qualquer experiência, os teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frouxo há coisas que me prendem,
ou que não posso tocar de tão próximas que estão

o teu mínimo olhar há-de facilmente desprender-me
embora eu me tenha cerrado como dedos,
tu sempre me abres pétala a pétala como abre a Primavera
(tocando hábil, misteriosamente) a primeira rosa

mas se teu desejo for encerrar-me, eu e
minha vida fecharemos em beleza, de repente,
como quando o coração desta flor imagina
a neve em tudo cuidadosa descendo:

nada do que existe para ser sentido neste mundo iguala
o poder da tua extrema fragilidade: cuja textura
me submete com a cor dos seus domínios,
representando a morte e para sempre em cada alento

(eu não sei o que é que há em ti que fecha
e abre; apenas alguma coisa em mim entende
a voz dos teus olhos mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem tão finas mãos


Tradução de Jorge Fazenda Lourenço, tirado de uma agenda da Assírio &Alvim