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domingo, 15 de maio de 2022

DEVIA OLHAR O REI

Devia olhar o rei
Mas foi o escravo que chegou
Para me semear o corpo de erva rasteira

Devia sentar-me na cadeira ao lado do rei
Mas foi no chão que deixei a marca do meu corpo

Penteei-me para o rei
Mas foi ao escravo que dei as tranças do meu cabelo

O escravo era novo
Tinha um corpo perfeito
As mãos feitas para a taça dos meus seios

Devia olhar o rei
Mas baixei a cabeça
Doce terna
Diante do escravo.

Ana Paula Tavares

sábado, 4 de maio de 2013

POSTAIS SEM SELO


Tenho um amigo à sombra do qual gosto de me deitar (é assim que os Cokwe consideram os amigos-árvores à sombra das quais nos podemos deitar), que divide o mundo em pessoas e seres: as pessoas vivem, os seres são.

Ana Paula Tavares em A Cabeça de Salomé