quinta-feira, 13 de agosto de 2026

APOCALIPSE

Enquanto o sol arrefece

Aproveitemos o tempo,

Pois nem sempre o que acontece

Muda o sentido do vento.

 

Abraçamos – de mãos postas –

A esperança da redenção,

Mas se há vento pelas costas

Mudamos de direcção…

 

Espada de ferro temperado

As limalhas no cinzeiro,

Como o vento moderado

Pode atrasar um veleiro…

 

A Terra tem duração,

Como embalagem perdida,

O nosso mundo é balão

Ameaçando descida…

 

Não te detenhas e esquece

O peso desta ameaça,

Enquanto o sol arrefece,

Fica no tempo que passa!

             Lisboa, 24 de Janeiro de 1997

Henrique Segurado em Resumo: a poesia em 2012

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

POSTAIS SEM SELO


Um livreiro é alguém que tem de ser um bom leitor antes de tudo, tem de ter alguma cultura e sabendo que é uma profissão para empobrecer alegremente. É alguém que acredita que um mundo sem livros seria um mundo muito mais pobre.

José Antunes Ribeiro

Legenda: cena do filme What´s New Pussycat? De Clive e Donner, 1965, com Woody Allen e Romy Schneider.

AO CAIR DO PANO

 

Tanta gente para, ao longo do país, olharem a lua tapar o sol.

A Maria Judite de Carvalho, num dos seus livros, diz: «Todos estamos sozinhos, Mariana; Sozinhos e muita gente à nossa volta. Tanta gente, Mariana! E ninguém vai fazer nada por nós. Ninguém pode. Ninguém queria, se pudesse. Nem uma esperança.».

As televisões, com a mediocridade, a banalidade habituais, com que abordam tudo o que tocam, ocuparam todo o tempo, do antes e do depois, do eclipse do sol.

cmtv colocou em «alerta»: «o eclipse está a fascinar os portugueses».

Algures, um português diz ao repórter: «a graça disto, deixa um gajo maravilhado!»

O primeiro-ministro, ainda antes do eclipse, afirmou, em Cascais, aos jornalistas:

«O governo trabalha todos os dias, 24 horas por dia, sete dias por semana", deixando ainda um pedido, uma reflexão à comunicação social sobre as suas prioridades.

E, ternamente, voltei a ouvir falar de Rio de Onor, uma aldeia com 43 habitantes, que recebeu centenas de visitantes, pois era aí que o eclipse se mostraria a 100%.

À LUPA

«Além de ser uma notícia com carga emocional positiva, é um fenómeno irrepetível para muitos de nós, pelo menos em Portugal: o último (total) foi em 1912- e o próximo será em 2144. A excepção são os caçadores de eclipses, que andam pelo mundo à procura de ver a Lua ensombrar o Sol: alguns podem ficar-se apenas pela Península Ibérica (caçadores parciais) e terão a sorte de poder assistir a três entre 2026 e 2028 — e temos alguns desses nesta redacção.

A corrida aos óculos, que a 24 horas do eclipse surgiam à venda com preços que iam dos 10 aos 100 euros em plataformas de revenda online, comprova que há um certo fascínio na escassez e que fenómenos destes são imperdíveis.

Logo à tarde, haverá milhares, quiçá milhões, de telemóveis apontados ao céu. Teremos apenas 20 segundos, um minuto ou quase dois de eclipse total, consoante o sítio onde estivermos. Numa altura em que fotografamos tudo aquilo que receamos esquecer, do mais banal prato de comida ao nascimento de um filho, deixo-vos um dilema muito contemporâneo: quanto desse (breve) tempo queremos passar a olhar para um ecrã?»

Do editorial de Sónia Sapage  no Público de hoje

CRONICANDO POR AÍ

 

Writer's block issues out of fear

– but of what?

Dawn Raffel,

The Truth about Writer’s Block

«Li no Público um conjunto de testemunhos de reformados que escolheram (puderam escolher) continuar ativos profissionalmente. Impressionou-me a declaração de um deles sobre o que sentia quando estava inativo: “Acordava de manhã e não via qualquer sentido em começar o dia.”

Enquanto reformado, e com um título que evoca festas e prazeres (“jubilado”), confronto-me com o meu próprio projeto ideal, que toda a vida concebi para esta situação, e com os múltiplos sentidos que se abrem ao começar o dia. E existe, felizmente desde há pouco tempo, um elo que falta nesta corrente, um propósito que me é concedido ou negado com uma arbitrariedade que nega qualquer sentido: a escrita da poesia.

Eu sempre pensei que a escrita literária viria preencher toda a minha necessidade de atividade plena e de sentido para os dias. E assim foi, no princípio. Mas, depois de oito anos passados fora de funções oficiais, e com quatro livros entretanto publicados, encontrei-me de repente com o chamado “bloqueio da escrita” e recordei a lição de Rilke (“pergunte a si próprio, no íntimo da sua noite, se conseguiria viver sem escrever poesia”) e o exemplo do meu amigo Nuno Júdice, todos os dias trabalhando na sua luta com as palavras. E interroguei-me, com algum susto, sobre o sentido de algo que preenchera tanto a minha vida e os meus projetos.

Nada há mais solitário do que escrever. Blanchot dizia que era como uma experiência da morte, mas não é preciso ser tão radical para reconhecer que este ofício implica uma solidão radical, que pode ser “jubilosa” ou hostil, conforme os acasos da nossa mente (havia uma canção chamada The Windmills of Your Mind, lembram-se?) e a nossa mente encanta-se com coisas que nos parecem absurdas e é capaz de desanimar nas mais felizes conjunturas. Um verdadeiro catavento...

Não sei que interesse poderá ter para os meus leitores esta confissão pessoal, que posso ainda enfeitar com pedantes citações, recordando que Aristóteles, na sua Metafísica, estabelece que “toda a potência é ao mesmo tempo impotência, pois supõe a potência de não passar ao ato”, o que muito bem Melville representou no seu Bartleby: podemos “preferir não fazer”. Mas essa preferência, neste caso, não vem da nossa vontade esclarecida, do nosso ego: vem de forças obscuras que trabalham o nosso inconsciente, o nosso id, e que só o dr. Freud nos saberia explicar.

O vazio do reformado é um encontro em forma simplificada com esse vazio em que ousa mover-se a escrita e a poesia. Vazio que permitiria à poesia, nos termos de Agamben, realizar “uma operação na linguagem que desativa e desliga as suas funções comunicativas e informativas para as abrir a um novo uso possível”; ou, nos termos de Espinoza, “o ponto em que a língua, ao desativar as suas funções utilitárias, repousa em si mesma e contempla a sua potência de dizer”.

Então será só a poesia que me faz esperar em silêncio, no meio de toda esta jubilação, procurando apenas o melhor momento para fazer a sua entrada.»

Luís Filipe Castro Mendes, crónica no Diário de Notícias

QUOTIDIANOS

Discussão entre vendedores de louro prensado na Baixa de Lisboa, acaba com homem a puxar de pistola e atirar contra rival. Falhou o alvo, mas acertou numa mulher sueca que estava a comprar pastéis de nata.

SUBLINHADOS SARAMAGUIANOS


Um velho recorte de uma crónica de António Guerreiro publicada no Público de

10 de Setembro de 2021

DE UMA PARAGEM A OUTRA

Quando me sentei na mesma mesa de café

em que o pessoa tomava café, no martinho da arcada,

e o eléctrico que passava era oi mesmo

que ele apanhava para ir trabalhar, tinha

uma dúvida se não tivesse com ele algum papel

para escrever o poema que tinha na cabeça,

conseguiria escrevê-lo no bilhete, parindo

do princípio de que se consegue meter num bilhete

de eléctrico, uma ode, mesmo que não seja

tão triunfal como a outra? E apanhei o mesmo

eléctrico que ele, embora não tivesse

a certeza de que me estava a sentar

no mesmo banco em que ele se sentava,

e comecei a escrever nas costas do bilhete

uma ode inteira:

Um poema não precisa

de caber num bilhete, se um bilhete

nos levar para o poema.

Na realidade,

a ode coube no bilhete, só não sei

se o bilhete chegou para me levar

onde eu queria.


Nuno Júdice em Primeiro Poema

terça-feira, 11 de agosto de 2026

POSTAIS SEM SELO



 

Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas.

Sérgio Godinho

Legenda: pintura de Georg Schrimpf

TRUMPALHADAS

Soube-se agora.

Donald Trump, o presidente do país mais poderoso do mundo, depois da cimeira da NATO, no mês passado, saiu de Ancara num avião secreto, numa operação simulada e desencadeada por uma alegada ameaça de assassinato por parte do Irão, avança o The Washington Post.

De acordo com informações avançadas pelo jornal norte-americano, a operação envolveu três aeronaves diferentes. Donald Trump embarcou em Ancara, para seguir para Mildenhall, no Reino Unido, num primeiro momento e diante das câmaras, no avião Air Force One, tendo depois sido transportado para uma outra aeronave militar secreta - um Boeing 757. O presidente dos EUA foi levado até à aeronave num camião de catering, geralmente utilizado para transporte e serviços de alimentação.

Ao mesmo tempo, jornalistas e funcionários da Casa Branca também embarcaram no Air Force One, acreditando que Donald Trump estava a bordo. Relatos apontam que os passageiros foram previamente instruídos a baixar as persianas das janelas. Depois de chegar a Mildenhall, como previsto, os fotógrafos registaram imagens de Trump a desembarcar do avião presidencial, sugerindo que reembarcou no Air Force One fora da vista do grupo de jornalistas que pensavam estar a viajar com ele. Em declarações aos jornalistas, Trump referiu a ameaça iraniana, mas não mencionou a troca de aviões.

Após a breve visita à base em Mildenhall, Trump embarcou no novo Air Force One para seguir viagem até Washington.

Quando questionado sobre as ameaças do Irão, Trump respondeu: "Bem, recebo ameaças a toda a hora. Sou o número um na lista deles, antes de vocês", disse.

Com Donald Trump tudo pode acontecer!

VISITAS À LOJA FRENESI


José Afonso

org. e pref. José Viale Moutinho
capa de Sousa Pereira s/ fotog. de Viseu Caldeira

 

Porto, 1972

Livraria Paisagem

1.ª edição

200 mm x 125 mm

128 págs.

exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível

35,00 eur (IVA e portes incluídos)

 

Reunião de notas críticas e de textos de apoio à edição dalguns discos de Zeca Afonso, em que avultam os nomes de Urbano Tavares Rodrigues, Fernando Assis Pacheco, Bernardo Santareno, António Cabral, etc. O compilador, José Viale Moutinho, completa o volume acrescentando-lhe uma longa antologia de poemas para as canções e uma dezena de inéditos. Daqui, o poema «Fui à Beira do Mar» (que veio, posteriormente, a surgir cantado no disco Eu Vou Ser Como a Toupeira, tendo sido substituído o termo «arfar» por «lavrar»)

 

«Fui à beira do mar

Ver o que lá havia

Ouvi alguém cantar

Que ao longe me dizia

 

Ó cantador alegre

Que é da tua alegria

Tens tanto para andar

E a noite está tão fria

 

Desde então a arfar

No meu peito a alegria

Ouço alguém a bradar

Aproveita que é dia

 

Sentei-me a descansar

Enquanto amanhecia

Entre o céu e o mar

Uma proa rompia

 

Desde então a bater

No meu peito em segredo

Sinto uma voz dizer

Teima, teima sem medo»

 

pedidos para:
pcd.frenesi@gmail.com
telemóvel: 919 746 089   [chamada para rede móvel nacional]

Este livro de José Afonso encontra-se na Biblioteca da Casa desde Setembro de 1972 e foi comprado na Livraria Opinião de saudosa memória, agora num tempo em que as livrarias já quase desapareceram da cidade.

SÍTIOS POR ONDE ELES ANDARAM


CASA DAS IMAGENS LAURO ANTÓNIO

Rua da Velha Alfândega, N. 8.

2900-660- Setúbal

Telefone: 969754116

 

«A Casa das Imagens Lauro António – Biblioteca, Mediateca e Arquivo, inaugurada a 8 de maio de 2021, reúne o acervo doado pelo cineasta e crítico de cinema Lauro António à cidade de Setúbal.

A Câmara Municipal de Setúbal adquiriu e adaptou um edifício da Baixa, com uma localização privilegiada, para consulta e fruição pública de todos os que nos visitam e têm interesse pela sétima arte.

Tem por missão a recolha, proteção, preservação, conservação, divulgação e dinamização do património audiovisual, promovendo em permanência a construção do conhecimento sobre a sua história, atualidade e futuro.

Neste espaço cultural reúne-se um acervo relacionado com a imagem – com publicações de cinema, audiovisuais e televisão, assim como de banda desenhada e cartoons, revistas especializadas de cinema, DVD, cartazes, documentação e arquivo pessoal de Lauro António reunido durante uma vida.

Na Casa das Imagens encontra-se uma biblioteca especializada na temática da imagem, com foco especial no cinema, e uma sala de audiovisuais, que alberga mais de 3500 filmes.

Afirma-se como espaço de fruição do cinema e do audiovisual, nas suas múltiplas vertentes, promovendo exposições temporárias, ciclos de cinema temáticos, tertúlias com atores, realizadores e outras atividades em torno do cinema, da imagem e do audiovisual, para diferentes públicos.»

«Quando tomei a iniciativa de propor à Câmara Municipal de Setúbal a oferta da minha biblioteca e de grande parte do recheio da minha casa particular, muitos me perguntaram porquê Setúbla?

Desde logo por ser terra de que sempre gostei (..) mas estou ligado a Setúbal por uma série de efemérides, desde o facto de ter sido um dos fundadores, juntamente com o Manuel Costa e Silva, do Festival Internacional de Cinema de Tróia, até à encenação de uma peça minha “A Encenação”, no TAS, a convite do saudoso Carlos César, ainda no velho Luisa Todi»

Lauro António, 18 de Agosto de 2020

NOTÍCIAS DO CIRCO

«Tem sido uma verdadeira corrida aos óculos de sol para poder observar em segurança o eclipse solar desta quarta-feira. Nas últimas semanas, têm sido muitos os portugueses que procuraram óculos de sol nas farmácias e óticas, primeiro os gratuitos, disponibilizados pela Ciência Viva - e que esgotaram no final da semana passada, mesmo após reposição de ‘stock’ - e posteriormente os de venda, com preços a rondar 3 euros por unidade, que têm esgotado em vários estabelecimentos.»

Correio da Manhã

FADO ALEXANDRINO

Amanhã chegaste a minha vida

e disseste bom dia e era noite lá fora

puseste-me na mesa o prato da comida

acenaste-me adeus e não te foste embora.

 

E como era manhã vestiste o meu pijama

Tomaste um comprimido para dormir acordada

como era hora de almoço chamaste-me para a cama

como era hora da ceia bebeste-me ensonada.

 

E quando temos frio aquecemos à lua

as mãos que penduramos na corda de secar

quanto mais roupa trazes mais eu te sinto nua

e quanto mais te calas mais te sinto cantar.

 

António Lobo Antunes em Livro de Poemas

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

À LUPA

 «Em 15 anos, as piscinas na Charneca de Caparica quase duplicaram. A análise feita pelo PÚBLICO mostra que, entre 2011 e 2026, o número desses equipamentos passou de 1786 para 3469 nesta zona de Almada, que foi aquela em que o consumo de água mais subiu em 2026, o ano em que o concelho tem tido cortes no abastecimento. Não foram só estas infra-estruturas que aumentaram: há mais habitantes, licenciamentos para nova construção e edifícios concluídos.»

Público, 10 de Agosto

E o mar ali tão perto!...

FINDA

A conclusão de tudo é só a morte
e não há mais epílogo nem finda.
Não se termina o verso nem o curso
mudamos à conversa interrompida.

Não findamos o verso nem acaba
o desfazer-se o mar contra esta praia.
A conclusão de tudo é só a morte,
nem o silêncio quebra a sua amarra.

Sequer há conclusão? Sequer há morte
nas palavras deixadas pelos recantos
mais sujos e perdidos do seu norte?

Amor que nos moveu no desalento,
a pátria destes versos foi só pura
imaginação por dentro da memória.

(Mas já outras canções nos estremecem:
longe do coração começa a História.)

Luís Filipe Castro Mendes em Poemas Reunidos


domingo, 9 de agosto de 2026

POSTAIS SEM SELO


Quando eu morrer sentirei saudade de mim.

Clarice Lispector

Legenda: Clarice Lispector

NOTÍCIAS DO CIRCO


 


Lembram-se daquela gentinha que, nos tempos áureos do BES, nos dizia que iam para aComporta «brincar aos pobrezinhos»?

Sim, adeptos incondicionais do vazio, da estupidez, daquilo a que se entende chamar «estação estúpida».

Coisas e coisinhas que me colocam no limiar do vómito.

Aqui se apresentam 4 capas de revistas ditas cor-de-rosa.

Gente de que nunca ouvi falar, gente de que ouvi falar, a maior parte, por péssimas razões.

Uma tristeza muito grande.

Há muitos anos que somo assim e sem qualquer luzinha ao fundo de um túnel que nos possa dizer que vamos mudar.

Muito pelo contrário!

MÚSICA PELA MANHÃ


Deram-me a possibilidade de ficar com as músicas das manhãs de domingo, e não hesitei.

Hoje, fui buscar um EP de Mário Lanza, de que gosto muito.

Colaboração de Aida Santos.






DITOS & REDITOS

Silenciar é pior que dizer mal, é matar em vida.

A beleza não está na cara nem no corpo, mas sim no coração.

A gentileza dos desconhecidos.

Seremos sempre cúmplices do silêncio.

Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza.

Ficar a saber que ninguém tem a última palavra.

São assim as mais pequenas histórias do mundo.

Uma cabala nunca vem só.

 

sábado, 8 de agosto de 2026

SOLTAS

Quando Ana Cristina Leonardo, volta e meia, conta esta história do seu pai, apresto-me a reproduzi-la:
«No final da década de 40, inícios de 1950, os EUA e o sonho americano tinham mais fãs do que muitos imaginam dentro das fileiras dos que lutavam contra o regime de Salazar. Numa reunião de oposicionistas em Olhão, uma arrebatada plateia criticava a miséria portuguesa enquanto exaltava o progresso do Eldorado americano onde toda a gente tinha emprego, casa e viatura própria. E foi no meio dos gritos de “Um Cadillac para cada olhanense!” que o descansado do meu pai pediu a palavra e, tentando acalmar os ânimos, contrapôs: “Para já, uma bicicleta a pedais para cada português. Os Cadillac, logo se verá”».


1.

Estrangeiros conseguem pagar em média mais 43% por uma casa em Portugal, inflacionando o mercado imobiliário, agravando a sobrevalorização e os problemas de acessibilidade da habitação no país

Jornal de Notícias, 27 de Maio

2.-

Duplo emprego atinge máximo num mercado de trabalho instável e de baixos salários. O número de trabalhadores com com dois ou mais empregos em Portugal tem vindo a crescer e atingiu em 2025 o seu recorde com um afluxo superior a 267 mil pessoas.

Jornal de Notícias, 1 de Maio

3.

À boleia do disparo dos preços do petróleo nos mercados internacionais, a Galp Energia registou uma melhoria de 44% dos lucros nos primeiros seis meses do ano.

4.

«Portugal registou quase 700 mortes acima do esperado este Verão
Até ao momento "foram identificados três períodos onde ocorreram mortes em excesso" durante o Verão, dos quais resultaram 680 mortes acima do esperado para a época, segundo as estimativas da Direcção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Os valores observados "ficaram abaixo do impacto na mortalidade estimado pelo Índice Ícaro", um sistema que estima o possível impacto das elevadas temperaturas na mortalidade. Vários países europeus estão por esta altura a enfrentar novamente temperaturas excessivas, mas para já Portugal está a escapar à situação. As autoridades de saúde mantêm-se atentas.»

Público 7 de Agosto

5.

Os técnicos do INEM fizeram 365 mil horas extras  em 2025.

6.

O número de moradores da avenida da Liberdade passou de escassa meia centena de pessoas há 15 anos para cerca de um milhar hoje em dia.

MÚSICA PELA MANHÃ


Volta e meia, daremos uma saltada aos Clássicos do Meu Pai.

Hoje, ficamos com Elgar.

«Ao longo dos tempos, o meu pai foi um atento espectador das transmissões televisivas dos “Concertos para Jovens” de Leonard Bernstein, dos “Concertos Promenade”, dos “Concertos de Ano Novo.”

Dos “Concertos Promenade” gostava particularmente da última noite, onde infalivelmente, aparecem a "Marcha de Pompa e Circunstância" de Elgar, o “Rule, Britannia”, e “Jerusalem", com toda a sala a cantar em coro. Nunca conseguiu encontrar um disco, ao vivo, de uma das últimas noites dos Proms, mas ouvia, com regularidade, a “Marcha de Pompa e Circunstância”. 

Lembro-me do dia em que  telefonou a dizer que comprara o disco na “Discoteca Melodia” e que isso merecia uma garrafinha.

Comovia-se com os “Concertos de Ano Novo”, principalmente quando o maestro se dirigia ao público, na Grande Sala do Musikverein cheia de glamour e flores, e aos milhões de espectadores espalhados pelo Mundo, gritava o seu “Prosit Neujahr”, a habitual saudação de Ano Novo.

E nos anos em que, juntamente com o meu pai, vi o concerto, lá estava ele a informar que os bilhetes para o concerto do ano seguinte esgotavam logo nos primeiros dias de Janeiro.

Curiosamente, na entrevista que, em finais de Outubro, António Lobo Antunes concedeu a Ricardo Araújo Pereira, e publicada pela “Visão”, ele diz:

“Eu vejo sempre o concerto de Ano Novo, com música do Strauss, e comovo-me ate às lágrimas.”».

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

POSTAIS SEM SELO


Por isso, vou para casa e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

Maria do Rosário Pedreira

TRUMPALHADAS

Um tribunal federal de recurso decidiu, esta sexta-feira, que a administração de Donald Trump deve interromper a construção do salão de baile de 400 milhões de dólares na Casa Branca, alegando que o projecto não tem apoio do Congresso. O presidente já confirmou que vai recorrer para o Supremo Tribunal.

OLHAR AS CAPAS


O Autómato

Alberto Moravia

Tradução: Manuel Martins de Sá

Capa: Vítor Ribeiro

Colecção: Os Livros das Três Abelhas

Publicações Europa-aAmérica, Lisboa Novembro de 1964

- Para mim, minha irmã é como se tivesse morrido – disse inesperadamente Marco.

Mas eu não compartilhava desta sua tristeza; a inutilidade dos seus esforços fazia-me quase sorrir, como aquelas leves angústias que nunca se sabe muito bem se trazem prazer ou sofrimento.