Bonnie Tyler: uma bela voz e grandes canções. Morreu aos 75 anos e são dela as canções desta manhã.
CAIS DO OLHAR
sábado, 11 de julho de 2026
sexta-feira, 10 de julho de 2026
À LUPA
Não
há água em Almada mas há um Falcon para o PM ir à bola.
NOTÍCIAS DO CIRCO
Lido no Público, artigo de Samuel Alemão:
Há dias, à porta de um supermercado, dois grupos de sem-abrigo, carregados com sacos cheios de latas e garrafas, envolveram-se em forte pancadaria.
TRUMPALHADAS
Há um tempo atrasado, não muito, Donald Trump declarou que as forças militares norte-americanas tinham destruído, por completo, a marinha, a força aérea, o exército do Irão, não restando absolutamente nada.
Uma mentira a
juntar a tantas e tantas outras, pelo que, nestes dias, voltou, com o amigo
Bibi, a bombardear o Irão.
Continuam a não perceber, para mal do mundo, onde se foram meter!
Entretanto, Israel terá partilhado, recentemente, informação dos Serviços de Segurança com os Estados Unidos que apontam para a existência de um novo plano do Irão para assassinar o Presidente Donald Trump.OLHAR AS CAPAS
Duplo Crime na Rádio
Rex Stout
Tradução: L.
de Almeida Campos
Colecção
Vampiro nº 409
Livros do
Brasil, Lisboa s/d
Pela terceira vez voltei a verificar as
somas e subtracções finais da primeira página do impresso Modelo 1040, para
ficar com a certeza de não me ter enganado. Depois rodei a cadeira de modo a
ficar para Nero Wolf, que se encontrava sentado em frente da secretária,
situada à direita da minha, a ler um livro de poemas da autoria de um tipo
chamado Van Doren, Mark Van Doren. Por isso pensei que também eu poderia utilizar uma palavra poética.
- É desolador – pronunciei.
Ele não deu qualquer sinal de ter
ouvido.
- Desolador – repeti. – Se é que a
palavra significa aquilo que julgo. Desolador!
Os olhos dele não se ergueram da página,
mas Wolfe murmurou:
- O que é desolador?
- Os números. – Debrucei-me para fazer
deslizar sobre o tampo de madeira encerada da sua secretária o Modelo 1040.
-Hoje é o dia treze de Março. Quatro mil
trezentos e doze dólares e sessenta e oito cêntimos, a acrescentar às quatro
prestações trimestrais já pagas. Depois temos ainda que mandar o 1040-ES
referente a 1948, juntamente com um cheque de dez mil dólares. – Fiz estalar os
dedos atrás da minha cabeça e perguntei sombriamente: - Desolador ou não?
Wolfe perguntou qual era o saldo da conta bancária e eu disse-lho.
COM ESTA MOEDA
Com esta moeda
vou
comprar
um
bouquet de céu
e
um metro de mar,
o
bico de uma estrela,
um
sol a sério,
um
quilo de vento,
e
nada mais.
quinta-feira, 9 de julho de 2026
BOMBARDEAMENTO DE POEMAS
O Palácio de La Moneda, em Santiago do Chile, só foi bombardeado duas vezes na sua existência, a primeira, de má memória, quando os aviões da Força Aérea chilena atacaram o palácio governamental para derrubar o governo democraticamente eleito de Salvador Allende, a 11 de Setembro de 1973. A segunda, de uma forma bem mais bela e criativa, com milhares de poemas soltados de um helicóptero. Foi em 2001, na primeira vez em que o colectivo Casagrande realizou a performance a que chamou, simplesmente, Bombardeamento de Poemas. Desde então, passou por Dubrovnik, Guernica, Varsóvia, Berlim, Londres, Madrid e Roterdão
Ler, o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
Este sábado, o grupo chileno (Julio Carrasco, Cristóbal Bianchi e Joaquín
Prieto) volta a fazê-lo, desta vez em Barcelona, soltando milhares de poemas
sobre a Plaça Nova, para assinalar a iniciativa do governo
catalão para assinalar o 50.º aniversário da recuperação da democracia depois
da ditadura de Franco. A capital catalã foi uma das mais bombardeadas durante a
Guerra Civil espanhola entre 1937 e 1939: 1903 impactos e mais de um milhão de
quilos de bombas mataram mais de 2700 pessoas. E o bairro da Catedral, onde
está a Plaça Nova, foi um dos mais fustigados pela aviação de Mussolini, vinda
a pedido do general Franco e das suas forças subversivas.
Ler,
o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
“A nossa acção inverte o significado do bombardeio, substituindo as bombas por
poemas”, explica Julio Carrasco, citado no site Espanha em Liberdade. “Este deslocamento não
procura apagar o trauma histórico, mas tornar visível a memória inscrita no
espaço urbano e reactivar a relação emocional das comunidades com o seu
passado.”
Ler, o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
Os cem mil poemas, que vão descer dos céus impressos em marcadores de página em
espanhol e catalão, foram escritos por 50 poetas catalães e outros 50 chilenos
(Valeria Marchant entre eles), com menos de 50 anos, e falam de liberdade
através da memória, do corpo, da resistência, do exílio e do silêncio.»
António Rodrigues, Público, 19 de
Junho
DESENCANTO
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Manuel
Bandeira
quarta-feira, 8 de julho de 2026
OS DIAS VISTO DO CAFÉ DO MONTE
Ana Cristina Leonardo preguiçando pelos alentejos-quase-espanha- pouco mais de 200 metros de largura de água fluvial a separar os dois países –:
«A vida decorre, pois, sem novidade, e só o preço da gasolina e das frutas e hortaliças nos relembra que há guerras a decorrer no mundo.»HÁ SIM! OS SILÊNCIOS...
«O impacto do som do silêncio é mais forte do que um vídeo milhões de vezes partilhado. Quando é que o silêncio se vai tornar viral? Quando é que vamos perceber que só conseguimos pensar de forma clara e com discernimento se não estivermos atordoados em mil estímulos que nos derrubam a força e o ânimo? As pessoas esquecem-se que precisam de silêncio porque não conseguem chegar a essa conclusão no meio de tanto alarido.
Continuo a gostar do meu silêncio. Às
vezes fecho os olhos e ainda acho que tudo pode ser possível.
O coração ainda bate.»
Inês Meneses,
no Público
SONETO INCOMPLETO
Como foi, meu amor, que não nasceste,
e, onde não sonho, um berço me ficou?
Eu cartas escrevi, que nunca leste;
desejos tive de quem nunca amou.
De me fugires, andei quando perdeste,
e de tão pouco resisti qual sou.
Como foi, meu amor, que não nasceste,
e, onde não sonho, um berço me ficou?
Jorge de Sena
em 40 Anos de Servidão
terça-feira, 7 de julho de 2026
POSTAIS SEM SELO
Não, o futebol não é um mundo à parte. Pelo contrário, é o espelho que melhor reflecte a nossa mediocridade. Constança Cunha e Sá
À LUPA
O jornalista pergunta.
- Como lida com o facto de a sua titularidade estar a ser questionada e
criticada?
Cristiano Ronaldo responde:
- Há 23 anos que vocês me tentam matar. Mas não vale a pena. É perda de tempo. Os adeptos são fiéis e estão sempre comigo. O resto é lixo e não conta para nada.NOTÍCIAS DO CIRCO
E Luís Montenegro voltou a abandonar o seu trabalho, em Lisboa, para ir a Dallas ver a selecção.
«Hoje
é um dia triste, é um dia de decepção» mas, ao mesmo tempo, realçou, face à derrota, o
sentido de orgulho português.
OLHAR AS CAPAS
Robert Doisneau
Direcão:
Henrique Monteiro
Colecção
Mestres da Fotografia
Edição:
Expresso, Lisboa 2008
«Penso
que o papel do fotógrafo é o de um observador privilegiado, que pode entrar em
todos os sítios.»
ATROPELAMENTO E FUGA
Era preciso mais do que silêncio,
era preciso pelo menos uma grande gritaria,
uma crise de nervos, um incêndio,
portas a bater, correrias.
Mas ficaste calada,
apetecia-te chorar mas primeiro tinhas que arranjar o cabelo,
perguntaste-me as horas, eram 3 da tarde,
já não me lembro de que dia, talvez de um dia
em que era eu quem morria,
um dia que começara mal, tinha deixado
as chaves na fechadura do lado de dentro da porta,
e agora ali estavas tu, morta(morta como se
estivesses morta!),olhando-me em silêncio estendida no asfalto,
e ninguém perguntava nada e ninguém falava alto!
Manuel
António Pina em Poesia, Saudade da Prosa
segunda-feira, 6 de julho de 2026
POSTAIS SEM SELO
Bem-aventurados os que não entendem nem
aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.
Carlos
Drummond de Andrade
Legenda: fotografia de Luís Eme
TRUMPALHADAS
O “poder” de Donald Trump chega ao futebol, que ele, como tantas outras coisas, nem sabe o que é, e pediu ao amigo Infantino, presidente da Fifa, a anulação do castigo ao jogador norte-americano.
Para que conste:
1.
«O presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, fez uma ligação telefônica a Gianni Infantino, presidente da Fifa, para
pedir a revogação da suspensão de Folarin Balogun, atacante dos EUA. A
informação é do jornal americano The New York Times. O Comitê Disciplinar
da Fifa decidiu suspender o cartão vermelho que o jogador recebeu na vitória
sobre a Bósnia, que o tiraria automaticamente da partida contra a Bélgica.»
2.
A União Europeia e a Uefa
(União das Associações Europeias de Futebol) criticaram a Fifa nesta
segunda-feira por revogar o cartão vermelho dado ao jogador dos Estados
Unidos Folarin Balogun durante a última partida da seleção norte-americana
na Copa do Mundo.
O comissário europeu para assuntos do
desporto, Glenn Micallef, afirmou que as decisões sobre o desporto
"pertencem às entidades desportivas, não aos políticos".
3.
Donald Trump, confirmou esta
segunda-feira ter pedido ao líder da FIFA, Gianni Infantino, a reavaliação do
cartão vermelho mostrado ao avançado norte-americano Folarin Balogun, para que
possa alinhar no encontro frente à Bélgica.
“Pedi uma reavaliação porque não achei que tivesse sido falta”, declarou Trump durante um evento na Casa Branca. O Presidente dos Estados Unidos considerou ainda que as regras relativas ao cartão vermelho são injustas e classificou como “muito duvidosa” a atuação do árbitro do jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina.
REOLHARES
O sonho meu,
como o de tanta gente, era que um teatro tivesse tanta gente como um
Benfica-Sporting, e nem era preciso tanta. Mas estas coisas acontecem porque
desde putos jogamos, à bola rua, - ainda se joga à bola nas ruas? – e criámos
esse gosto.
Joaquim
Benite é um homem de teatro.
Conheci-o
ainda ele era um jovem repórter de “O Século”.
Como morava
num quarto, perto da casa dos meus pais, amiúde, acontecia apanharmos o último
eléctrico para a Graça. Descíamos ao fundo da Heliodoro Salgado, subíamos a rua
e entre tantas outras conversas, o teatro entrava sempre. Terá sido das
primeiras pessoas a quem ouvi dizer que o teatro existia para ser representado
e que entre ler uma peça e vê-la nas tábuas de um palco, há como aquela
diferença entre beber um café e beber um nescafé porque o teatro tem que ter
aquela vivacidade que só o actor e um palco emprestam ao texto.
Fiquei feliz
quando lançou e alicerçou o “Grupo de Teatro de Campolide” ali,
entre o Restaurante “Valenciana” e a “Pastelaria A Pastorinha” ícones do bairro
de Campolide.
Mais velho
que o mundo: quem gosta verdadeiramente do que faz , tarde ou cedo alcança o
sonho.
O sonho hoje
chama-se “Companhia do Teatro de Almada”.
De 4 a 18 de
Julho realiza-se o 28º Festival de Almada, que se encontra entre os melhores
festivais que se realizam pelo mundo.
Mais
informações aqui
“Não sei se Joaquim Benite foi um
jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que
andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que
escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.
Mas isso não é o mais importante, pelo
menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo
contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de
Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa
cidade -, que o homem dos jornais.”
Luís Eme em “O Casario do Ginjal”
Lembrança de
um texto publicado em O Cais do Olhar de 7 de Julho de 2011.
NOTÍCIAS DO CIRCO
É de capital importância estarmos em guarda contra as mentiras sobre imigrantes, propaladas pelas gentes Daquela Coisa.
Lido no Público, artigo de Natália Faria:Esta discrepância pode ser explicada, segundo a investigadora e ex-directora do Observatório das Migrações, Catarina Rei Oliveira, pelo reforço do trabalho sazonal, nomeadamente na área da hotelaria, por altura do pico de turismo na Páscoa, por um lado, e na da construção civil, mais concretamente por causa "da procura da mão-de-obra para apoiar a reconstrução das casas ou a recuperação da área das florestas" no pós-Kristin.»
SABES...
Sabes,
agora, sempre que te
encontro,
sinto que o tempo está
contra nós.
Olhas vezes demais para o
relógio, que não usas.
Fico sempre com a sensação
que digo demasiadas coisas,
sem te dar tempo para
contrapores,
para me falares de ti.
Esqueço-me que sou um tolo,
que te visita no horário de
trabalho.
Esqueço-me de que és uma
excelente profissional.
E não menos importante,
esqueço-me de que não és
minha...
E sim, o cabelo mais
curto,
fica-te bem e oferece-te
outra leveza
para suportares este calor
das arábias...
Luís
Eme no Largo da Memória
domingo, 5 de julho de 2026
POSTAIS SEM SELO
Toda a história do mundo não é mais que um livro de imagens reflectindo o mais violento e mais cego dos desejos humanos: o desejo de esquecer.
Herman Hesse
FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA
Todos
os anos, em Almada, acontece o Festival de Teatro.
Começou
ontem e prosseguirá até 18 de Julho.
Ao
todo serão 19 espectáculos, 12 estrangeiros, sete portugueses.
A
programação pode ser consultada aqui.
Legenda: fotografia de Rui Ornelas.


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