quinta-feira, 21 de maio de 2026

VELHOS RECORTES

Recorte do Diário de Lisboa-Juvenil que mostra que Nuno Júdice ganhou o prémio de poesia, 2ª Semana do Concurso Fósforo Ferrero.

O poema Introspecção com que Nuno Júdice venceu o Prémio de Poesia Fósforo Ferrero.

O anúncio da Fósforo Ferrero que patrocinava os Prémios do Diário de Lisboa-Juvenil.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 

Não sei, não sei mesmo, se o Nuno Júdice é o autor de uma obra poética decisiva que marca a poesia portuguesa.

Sei apenas que gosto muito da sua poesia.

Sentindo o fim aproximar-se, Nuno Júdice deixou três pastas com poemas, a sua mulher Manuela Júdice e o amigo Ricardo Marques, seleccionam os poemas para o livro em que Nuno trabalhara e a que foi dado o título, escolhido pelo autor em conversa com Ricardo: Primeiro Poema.

«Quando acabo um poema não sei muito bem o que escrevi», disse numa entrevista

Houve uma altura da vida do Diário de Lisboa-Juvenil que deu a louca ao Mário Castrim. Foi quando em estado de pura e avassaladora paixão  pela Alice, decidiu que tinha de deixar a Natália, sua mulher de longos e duros anos. Difícil e dramática decisão. O Mário Castrim até tinha uma capacidade de trabalho alucinante, acima, muito acima, de qualquer média, mas aquilo era demais e a cabeça não dava para tudo: diariamente crítica de televisão no Diário de Lisboa, colaboração diversificada e dispersa por jornais e revistas, colaboração no Rádio Clube Português com histórias para crianças e o Juvenil. Quanto a este terá então pensado que teria de deixar, por uns instantes, a selecção dos textos e poesias a mim e ao Armindo, gente de confiança, como ele dizia. Assim foi.

Mário Castrim fazia a grande triagem e passava o resto da papelada para mim e para o Armindo e, cada um fazia a leitura e selecção da colaboração. Trocávamos impressões e seguia-se a reunião com o Mário Castrim, para o Juvenil da semana seguinte, normalmente no Diário de Lisboa ou na Orion, café e pastelaria com “fabrico próprio” que, para meu grande espanto, não se tornou banco ou loja de trapos, ainda existe no cimo da calçada do Combro, esquina para a rua que vai dar a Santa Catarina, uma das mais belas vistas de Lisboa

Por vezes, Castrim, punha lápis vermelho nas nossas escolhas. O Armindo ficava à beira de um ataque de nervos, eu nem por isso porque entendia que o Mário era o responsável-mor do suplemento. Foi nessas andanças que nos surgiram os poemas do Nuno Júdice e neles já estava quase tudo do que viria a ser um dos poetas marcantes da poesia portuguesa, assim como o Jorge Valdano disse,  que um verdadeiro camisa 10 se nota logo, mesmo que venha mascarado de bailarina sevilhana.

Lembro-me do olhar deliciado do Armindo a ler os poemas do Nuno Júdice, nas mesas da Brasileira,  chávena de café suspensa na mão.

O Armindo deu o “salto” para fugir à guerra colonial, mandou-me um primeiro postal de Grenoble, mas nunca mais, para meu grande lamento, tive notícias do seu exílio.

OLHAR AS CAPAS


Primeiro Poema

Nuno Júdice

Prefácios: Manuela Júdice e Ricardo Marques

Capa: Rui Garrido

Publicações Dom Quixote, Lisboa, Abril 2026


O Espelho da estrofe


Se me perguntarem para que serve

a poesia, peço para pegarem num espelho

de vidro limpo e puro. O rosto que ali

aparece, mais do que aquele de quem o olha,

é o rosto que perdura no olhar que, um dia,

encontrou noutro olhar o seu duplo. Assim,

se a poesia serve para alguma coisa,

é para te ver, para lá do tempo

e da ausência, e novamente ter à minha frente

esse olhar que nunca mais esqueci

e que vive, no mais fundo de mim,

quando te encontro, no espelho do poema,

fazendo com que eu peça que o reflexo

se transforme na realidade do teu corpo.

AS QUATRO ESTAÇÕES

Vem o Inverno com o seu carrinho do frio

a apertar nas curvas; a Primavera e os seus

paroxismos que não duram muito; o Verão

e os seus langores de ainda menos; e por fim,

mas também pode ser no meio ou no princípio,

lá vens tu, que não falhas nunca, melancólico

e misericordioso Outono, a estenderes-me a taça

de vinho puro que eu bebo lenta e gravemente

com aquela lentidão, aquela gravidade característica

dos que não têm religião nenhuma, ou têm apenas essa.


Rui Caeiro em Resumo: a poesia em 2012

quarta-feira, 20 de maio de 2026

POSTAIS SEM SELO


Os pássaros não conhecem fronteiras.

Autor desconhecido

SUBLINHADOS SARAMAGUIANOS


Continuo a lamentar que a Fundação José Saramago ainda não tenha deitado mãos à tarefa de reunir as cartas que José Saramago trocou com os seus pares e com os seus leitores, apesar das muitas observações que Saramago foi deixando ao longo da vida que é um trabalho importantíssimo.

Apenas existe um volume com a Correspondência trocada com José Rodrigues Miguéis, organização e notas de José Albino Pereira, publicado pela Editorial Caminho, em Abril de 2010.

É desse livro que respigamos uma carta de José Rodrigues Miguéis, datada de Nova Iorque no dia 21 de Maio de 1971:

«Querido Saramago:

Chegou-me há semanas o seu livro de crónicas, que venho agradecer-lhe com algum atraso, porque tencionava, e não me tem sido possível, fazê-lo com mais largas considerações. Pelo que lhe escrevi há tempos, quando me deu a ler algumas delas, já Você sabe o que delas penso. A leitura do volume só me conformou nessa opinião. Não creio que nenhum outro cronista nosso escreva hoje de maneira tão toante, directa e moderna – e tão bem! – sobre os pequenos e grandes quotidianos da nossa vida: humanidade, ironia, e um pessimismo sorridente, isento de amargura. Algumas são pungentes, como a Neve Preta, outras de um sereno humor que contrasta com o tom geral da nossa literatura e jornalismo. Embora reunidas em volume, se acentue o efémero das crónicas de jornal, estas guardam a flagrância dos apontamentos de um pintor-poeta que percorre a paisagem do dia a dia e do lugar, ou a outra, mais funda, das memórias.»

Legenda: entrada de 8 de Agosto de 1998 no Último Caderno de Lanzarote

TRUMPALHADAS

«O Departamento de Justiça dos Estados Unidos fez uma segunda cedência de monta ao Presidente Donald Trump no âmbito de um acordo extrajudicial para encerrar um processo do republicano contra a autoridade tributária (o IRS, na sigla inglesa). Para além de constituir um polémico fundo de 1,8 mil milhões de dólares para indemnizar aliados de Trump que tenham sido alvo de alegada perseguição política, o departamento concede agora imunidade ao Presidente, aos seus familiares e às suas empresas face a várias investigações fiscais em curso.

Esta segunda cedência surge num documento de uma página, assinado pelo procurador-geral dos EUA, Todd Blanche (líder, por inerência, do Departamento de Justiça), que foi adicionado na terça-feira ao acordo extrajudicial anunciado na véspera.

“Os Estados Unidos libertam, exoneram, isentam e desvinculam para sempre cada um dos autores [Trump, familiares e empresas], e ficam pelo presente para sempre impedidos e inibidos de demandar ou intentar toda e qualquer reclamação, reconvenção, causa de pedir, recurso ou pedido de qualquer reparação, incluindo tutela inibitória, compensação financeira, indemnizações, exames ou avaliações semelhantes ou relacionadas, recursos, perdão de dívida, custas, honorários de advogados, despesas e/ou juros, sejam actualmente conhecidos ou desconhecidos, que – à data de entrada em vigor do acordo – tenham sido ou pudessem ter sido invocados pelos réus [o IRS] contra qualquer um dos autores ou indivíduos relacionados ou afiliados (incluindo, sem limitação, familiares ou outros que apresentem declarações conjuntas), ou partes, incluindo fundos fiduciários (trusts), empresas-mãe, associadas ou relacionadas, afiliadas e subsidiárias”, lê-se na declaração assinada por Blanche.»

Pedro Guerreiro no Público de hoje

À LUPA


«Hoje, a Lusa não publicou notícias e há horas que o site só tem duas frases: "O serviço da Lusa foi interrompido às 0h01 de hoje [quarta-feira] devido a uma greve dos trabalhadores da agência. O serviço poderá ser restabelecido caso existam condições para tal."»

Leia-se o artigo de Bárbara Reis no Público

NO MUNDO POUCOS ANOS

No mundo poucos anos, e cansados,
vivi, cheios de vil miséria dura;
foi-me tão cedo a luz do dia escura,
que não vi cinco lustros acabados.

Corri terras e mares apartados
buscando à vida algum remédio ou cura;
mas aquilo que, enfim, não quer ventura,
não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
pátria minha Alenquer; mas ar corruto
que neste meu terreno vaso tinha,

me fez manjar de peixes em ti, bruto
mar, que bates na Abássia fera e avara,
tão longe da ditosa pátria minha!

Luís de Camões em Sonetos

terça-feira, 19 de maio de 2026

SOLTAS


 «Um trabalhador portuário atraca o navio de carga asiático Katra após a sua chegada à baía de Havana, em Cuba. O navio mercante atracou transportando ajuda humanitária proveniente do México e do Uruguai destinada aos cubanos que enfrentam cortes de energia e uma grave crise económica imposta pelos EUA através do criminoso bloqueio. 18 de Maio de 2026».

Em Abril Abril

1.

«No Piolho, um guia «explica» a quatro turistas a origem do nome do café: «Durante a ditadura de Salazar, este local era frequentado por muitos estudantes oposicionistas. A polícia política sabia disso e aparecia de vez em quando. Para não serem apanhados desprevenidos, os estudantes criaram um sinal de alerta: quando um agente entrava no café, começavam a coçar a cabeça como se tivesse piolhos. Daí o nome.»

Rui Manuel Amaral em  Bicho Ruim

2.

O Presidente da República convidou esta terça-feira o Papa Leão XIV a visitar Portugal já no próximo ano para assinalar "os 500 anos da formalização da Nunciatura apostólica em Portugal" e os "110.º aniversário das aparições marianas em Fátima".

3.

A Corticeira Amorim cortou mais 212 postos de trabalho em 2025, ano em que arrecadou 55,6 milhões de euros de lucro.

4.

Já está no Parlamento a proposta do Governo com meia centena de alterações e alguns recuos, face à posição inicial. Ainda assim, o documento tem por base o anteprojeto aprovado há quase um ano.

5.

A presidente da Comissão Europeia considerou esta terça-feira que a União Europeia (UE) "continuará vulnerável" enquanto depender de petróleo e gás importados, dada a crise energética causada pela guerra no Médio Oriente, apelando à eletrificação do continente.

À LUPA

 Na semana passada Xi Jimping recebeu Donald Trump.

Agora recebeu Vladimir Putin.

Está a ganhar em todos os tabuleiros.

Paciência de chinês para os grandes negócios da China!

NOTÍCIAS DO CIRCO

A ministra do Trabalho diz que o Presidente da República “deu respaldo à UGT” para não celebrar o acordo relativo à reforma da lei laboral, em sede de concertação social. Em entrevista no podcast “Política com Assinatura”, da Antena 1, Maria do Rosário Palma Ramalho garante que não responsabiliza António José Seguro, mas entende que ele “empoderou a UGT no sentido que tornou dispensável chegar a acordo”, ainda que quisesse “exatamente o contrário”, ou seja, sentar os parceiros à mesa para negociar.

No quase final de uma reforma laboral pessimamente conduzida desde o 1º minuto, e o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita, a Ministra pretende atingir o Presidente da República.

Não havia necessidade!...

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS

 

 Velha de Ródão é uma vila portuguesa raiana no Distrito de Castelo Branco, região estatística do Centro e sub-região da Beira Baixa, parte da província tradicional com o mesmo nome.

É sede do município homónimo com 329,91 km² de área e 3.515 habitantes (2023), subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte e leste pelo município de Castelo Branco, a sueste pela Espanha, a sul por Nisa e a oeste por Mação e Proença-a-Nova.

As Portas de Ródão constituem um monumento natural emblemático de Vila Velha de Ródão, de que usufrui em parceria com o Município de Nisa.

OLHAR AS CAPAS

A Chave de Vidro

Dashiell Hammett

Tradução: Helena Domingos

Capa: João Botelho

Colecção: Série Negra nº 5

A Regra do Jogo Edições, Junho de 1980

Ned Beaumont foi para casa. Bebeu café, fumou, leu um jornal, uma revista, metade de um livro. De vez em quando parava de ler e punha-se a passear, enervado, pela casa. A campainha da porta não tocou. O telefone não tocou

Às oito da manhã tomou banho, fez a barba e vestiu-se de lavado. Depois mandou vir o pequeno almoço e comeu-o.

FALA A PREGUIÇA

Eu gosto tanto, tanto, tanto
de estar quieta, muito parada,
de fazer nada, coisa nenhuma,
e de fazer isso, que é não fazer
e de não estar, não ir, também.
Eu cá faço nada e todos
me dizem que faço isso muito bem.

Faço arroz de nada, pudim de nada
(que não é nada, está-se mesmo a ver)
e é tudo muito bom, delicioso,
só por não ser preciso fazer.
Eu faço nada, sou um nadador,
mas não daqueles que nadam mesmo,
O que é cansativo, tão maçador;
é que nadar, cá para mim,
tem um defeito insuportável:
aquele erre que está no fim.

E não digam que não faço nada
porque eu faço isso o mais que posso
e se não faço mais é porque mesmo nada
fazê-lo muito é uma maçada.
Não quero ir. Ainda é cedo.
Que pressa é essa? Não pode ser!
Deixem-me estar porque eu hoje tenho
bastante nada para fazer.


Álvaro Magalhães

segunda-feira, 18 de maio de 2026

POSTAIS SEM SELO


Pena as vidas serem tão curtas e acabarem às vezes no pior momento.

Miguel Torga 

TRUMPALHADAS

Donald Trump mandou suspender novo ataque ao Irão que estava marcado para amanhã, em resposta a um pedido dos líderes dos países do Golfo. Trump afirmou que estão em curso “negociações sérias» e acredita-se que 2será alcançado um acordo”.

Contudo Trump acrescentou que a Administração norte-americana está pronta para um “ataque em grande escala contra o Irão, a qualquer momento, caso não se chegue a um acordo aceitável”.

REGRESSAR AOS TRESMALHOS

As xávegas, ou a arte da Barca, fizeram a fortuna de Monte Gordo na segunda metade do século XVIII, havia então mais de 3 mil homens diretamente envolvidos na pesca com xávegas, e foram responsáveis pelo aumento populacional do aglomerado ao longo do século XIX. O seu declínio, no entanto, começaria ainda nas décadas de 1880 e 1890, com a concorrência de artes mais modernas e produtivas, como os cercos americanos e os galeões a vapor e, mais tarde, as traineiras. Ainda que se tivessem mantido ao longo do tempo, e em determinados períodos com algum significado, na década de 1960 já só ocasionalmente faziam os seus lanços.” E, mais adiante: “A partir de finais da década de 1960, com o turismo a valorizar o pescado, com a motorização e a mecanização das embarcações a possibilitarem um maior raio de ação, maior regularidade das saídas e companhas menos numerosas, os marítimos de Monte Gordo regressam aos tresmalhos.

 É ver a devoção com que, uma vez por ano, todos os anos, fazendo o próprio rol dos homens a quem é concedida a honra maior de levar o andor, seguem em procissão, todos marítimos, tudo gente do mar, o mais velho ao comando, com a vara das ordens, metálica, a orientar as pausas, os recomeços, o baixar, o erguer de novo, o virar ao mar, aos barcos de buzinas ruidosas, enfeitados com bandeirinhas e papéis crepe, é ver a devoção e o dramatismo triunfal com que se aproximam de novo da Igreja, no regresso, mais de vinte homens com as suas varas de apoio, a passada ensaiada ao ritmo da filarmónica, os movimentos em forma de pendulo a fazerem oscilar o andor, a Santa virada de costas para a entrada do templo, o adro cheio dos fiéis, dos peregrinos, e então a bênção, um lençol de lágrimas, três vivas à Senhora das Dores.

 José Carlos Barros em Os Filhos de Monte Gordo 

OLHAR AS CAPAS

Cartas

1ª Série

Antero de Quental

Prefacio: António Sérgio

Edição de Couto Martins, Lisboa, 1957

Agradeço-lhe muito os seus artigos no Jornal do Comércio, e creia V. Exª que o não faço só por civilidade, ainda que não é coisa que se deva desdenhar par le temps qui court. Não lhe direi que me agradaram os seus artigos, porque isso é o menos; dir-lhe-ei que me comoveram. Há neles uma sinceridade que me encantou, e um tom fraternal que me foi direito ao coração, onde quero que não morra nunca a vibração dessas palavras amigas.

De uma carta a Maria Amália Vaz de Carvalho

POR ALGUM MOTIVO

Por algum motivo as lágrimas descem
até à boca.
Mastiga-se o sabor, entra
no sangue o sal,
em vida se transforma, é
sulco que a dor abre, fertiliza,
aberta linha de semeadura onde
poderá surgir um bosque,
uma cidade, uma justiça…
 
É o gosto da dor
que vitaliza, acende o palpitar
no coração que sobe à superfície.


Descem até à boca
por algum motivo as lágrimas.
 
 
Egito Gonçalves em O Fósforo na Palha

domingo, 17 de maio de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Durante a Ditadura salazarista/marcelista a censura, por ignorância, por maldade pura e dura, foi aplicada nas coisas mais incríveis. 

Legenda: recorte tirado de Os Beatles e a Censura em Portugal 


sábado, 16 de maio de 2026

POSTAIS SEM SELO


É só mais um pequeno esforço.

José Mário Branco

SOLTAS


 João Abel Manta, artista plástico, arquitecto, cartoonista morreu aos 98 anos e deixou-nos em cartazes os contornos da Liberdade.


SOLTAS DESTE SÁBADO

1.

Contratações acima dos 50 anos são raras nas grandes empresas. O mercado fecha as portas aos trabalhadores seniores e menos de 5% dos contratados têm mais de 50 anos.

2.

O CDS está em congresso. Ter-se agarrado à AD foi uma débil possibilidade de sobrevivência.

3.

Na Grã-Bretanha o rei disse ao povo que «um mundo cada vez mais perigoso e volátil ameaça o Reino Unido».

A propósito, lembra-se a frase  de Rimbaud que Patti Smith colocou, como epígrafe, em «O Ano do Macaco»

«Abate-se sobre o mundo uma loucura fatal.»

4.

Por causa da guerra Estados Unidos/Irão a crise mundial aumenta. Por aqui, a crise dos fertilizantes agrava os custos na agricultura e pressiona o preço do cabaz alimentar. Segundo a DECO aumentou 7,68% entre 14 de Janeiro e 13 de Maio.

5.

O Escrito na Pedra do Público de hoje apresenta uma frase de S. Chamfort, poeta, jornalista, humorista e moralista francês:

«A sociedade é composta por duas grandes classes: aqueles que têm mais jantares que apetite e os que têm mais apetite que jantares».

Um dos patrões da Aida dizia-lhe que só há duas vidas: uma é boa, a outra não presta.

6.

Dados da APAV, que presta apoio às vítimas, revelam que agressões de pais a filhos aumentaram 40% e a maioria das vítimas são mulheres com 65 anos ou mais anos.

7.

Pedro Garcias na sua crónica de hoje no Fugas/Público:

«Luís Montenegro não consegue falar sem sorrir, pelo que de certeza nem ele acredita no que diz, que o país está muito bem, que o mundo nos admira e elogia e que este Governo vai ficar na história».

JoÃO ABEL MANTA (1928-2026)


Morreu João Abel Manta. 

MÚSICA PELA MANHÃ


Pé ante pé, estamos a chegar aos Santos Populares.

Tempo de festa, tempo de fogueiras, tempo de cheiros: bailaricos, sardinhas assadas, iscas, bifanas, manjericos, caldo verde, sangrias, cheiro e mais cheiros.

Lisboa já tem Sol mas cheira a Lua
Quando nasce a madrugada sorrateira
E o primeiro elétrico da rua
Faz coro com as chinelas da Ribeira

Se chove cheira a terra prometida
Procissões têm o cheiro a rosmaninho
Nas tascas da viela mais escondidas
Cheira a iscas com elas e a vinho

Um cravo numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de flores e de mar

Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é verão

Nos lábios tem um cheiro de um sorriso
Manjerico tem cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juízo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas

Um cravo numa água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa

A fragata que se ergue na proa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de flores e de mar


Comprei ontem o primeiro manjerico no Pingo Doce.

Custou-me 1,29 euros, vaso de plástico, folha grossa.


Há uns anos, também no Pingo Doce, o majerico custou-me 0,95 euros.

Mas a guerra faz aumentar tudo, tudo, tudo.

Em outros tempos, o Largo de Camões, o Martim Moniz, o Rossio, enchiam-se de pequenas barracas com montanhas de manjericos em prateleiras. Pediam um preço, o freguês virava costas e elas marchavam atrás e em cada passo desciam o preço.

Hoje, os manjericos vendem-se no Pingo Doce, não sei se em mais alguma grande superfície. Também os encontramos nas floristas, mas pedem em balúrdio.

Cheguei a comprar sementes de manjerico, mas não deram em nada.

Dum velho Fugas do Público, deixo-vos cuidados a ter com os manjericos.