Man Ray
Direcão: Henrique Monteiro
Colecção Mestres da Fotografia
Edição: Expresso, Lisboa 2008
«A fotografia é uma maravilhosa
descoberta dos pormenores que, sem ela. A noss retina nunca poderia registar».
Direcão: Henrique Monteiro
Colecção Mestres da Fotografia
Edição: Expresso, Lisboa 2008
«A fotografia é uma maravilhosa
descoberta dos pormenores que, sem ela. A noss retina nunca poderia registar».
O que se está a passar com Luís Neves, ministro da Administração Interna, é uma aberração.
Como é que se
podem cometer erros tão primários?
Poderão
admitir-se coisas destas ao Zé da esquina, nunca a um homem que passou tantos
anos a trabalhar na Polícia Judiciária e, agora, é um ministro de que se
esperava outros sinais, não o quase imitar o desastre da Spinumviva do Luís, agora
sem dar palavra do que quer que seja, aparentemente perdido no meio de teias futebolísticas.
Tudo isto resulta em mais um prego no caixão dos «políticos são todos iguais!...»
Vejo passar os barcos
sob a chuva
Sentado sobre a ausência
Nenhuma boca
pronuncia o
nome
De mãos vazias
vejo passar
os barcos
Egito
Gonçalves em O Fósforo na Palha
Um livro,
quase, inédito de poemas de António Lobo Antunes, que o escritor, que sempre
lamentou não ter sido poeta foi escrevendo ao longo da vida, foi publicado em
Junho pelas Publicações Dom Quixote.
António Lobo
Antunes, poeta?
Não na exacta palavra, mas são versos, versinhos, coisinhas, chamava-lhe “letrinhas de cantigas” que, no dizer de Vitorino, foram escritos, a BIC, nas toalhas dos restaurantes que, que uma vez por semana, visitavam com incidência primeira nos Moínhos da Funcheira:
«E às quintas-feiras almoço nos Moinhos da Funcheira
com o Zé Ribeiro, o Zé Francisco, o Vitorino. Os Moinhos da Funcheira são o
subúrbio do subúrbio, depois da Venda Nova, da Brandoa, da Pontinha: toda a
gente acha feio e eu acho lindo. De onde me virá este amor sincero, genuíno,
pelo que as pessoas consideram de mau tom, leões de calcário, duendes de gesso,
quadros de queimadas, cerâmicas de casa de banho com cisnes doirados?
Quando digo que almoço às quintas-feiras
nos Moinhos da Funcheira digo que a empregada nos trata por
- Meu querido
nos traz salsichas com ovos estrelados e
nos sentimos indecentemente felizes
Com pena da gente a empregada diz
- Meus queridos
e soma-nos a conta na toalha».
Adianto já que, algumas crónicas do António Lobo Antunes, são verdadeiros poemas.
Leiam-nas, por favor!
Livro de Poemas
António Lobo
Antunes
Prefácio:
Vitorino Salomé
Capa: Rui Garrido
Publicações
Dom Quixote, Lisboa, Junho de 2026
Este Fio de
Ouro
Este fio de oiro ao pescoço
É sinal de que me amas
Mesmo que queira não posso
Ir atirar-me a um poço
Só porque tu não me chamas.
Se chamares talvez eu venha
Ou talvez fique parada
Que o amor é um perde-ganha
E por mais sorte que eu tenha
Ainda não ganhei nada.
Perder sim sei o que é
E no entanto estou aqui.
Vou continuando de pé
Mesmo que a vida me dê
Razões para fugir de ti.
Este fio de oiro afinal
Não é um sinal nenhum
Por meu bem ou por meu mal
Não sou pitada de sal
Que tu tomes em jejum.
E portanto meu amigo
Decide a tua vidinha:
Se és homem fica comigo
E se não ficares te digo
Que me sinto bem sozinha.
Mais Greguerías de Ramón Gómez de la Serna:
Quando o comboio acaba de passar ao
sol-pôr, dá ao rabo alegremente
Mexia nas chaves de dentro do bolsos
para chegar a casa mais cedo.
Quando a navalha do barbeiro apara a
nuca, o cliente guarda um minuto de silêncio.
No bilhete de ida e volta, receamos que
nos furem a volta em vez da ida, obrigando-nos a voltar às avessas, começando
por ir outra vez para de novo voltar.
Ressonar é comer ruidosamente sopa de
sonhos.
Quando sentimos um pé frio e outro
quente, suspeitamos que um dos dois não é nosso.
Há casais que dormem de costas para não
roubarem um ao outro os sonhos ideais.
O que define as mulheres é pensarem que
todos os homens são iguais, enquanto que o que perde os homens é crerem que
todas as mulheres são diferentes.
Falar ao telefone: fumar cachimbo pelo
ouvido.
As recordações encolhem como as
camisolas.
O cinema nasceu quando as nuvens paradas
das fotografias se puseram a mexer.
S não fôssemos mortais, não podíamos
chorar.
sem casa um beco de vento os chama
céus seus a solidão o silêncio o
segredo tremendo que boca de incêndio
os traga
e solta na noite irrestrita vasta
céus seus a inconvenção a demora
o denodo furtado ao mito denso
de que o amor se faz—e é—agora
alegre
trilo mútuo sopro recomeço
stacatto em loop ao
fio do disco
céus seus o risco o riso o raio aí
acaba
a língua rompida cantando o atrito
veloz tristitia do fruto
aberto
selo
a tenra polpa soluçante ao grito
céus seus o sismo a fita telepática
tão impante falta que falo nihil
placet inestimável nu abjeto
belo
ó Paixão rasgo impérvio e lasso
ato
espelhado com colapso sedutor
à escarpa—de onde raro em rigor
se morre ou se tanto só no palco
a luz a paga
e cobra
que ávida no tal morro se contrai
morderá sarará escalada dobra
céus seus o susto a vista a vertigem
se se cai
e se resvala céus seus a corda
Margarida Vale de Gato em Atirar para o Torto
Neste Somos Livros, Francisco José Viegas debruça-se
sobre um livro de Gerald Murnane publicado pela Relógio d’Água. Apenas conheço
o autor de nome e o que li levou-me a interessar-me pelo livro e debrucei-me
sobre o catálogo da Relógio d’Água:
Sobre
As Planícies, de Gerald Murnane
«Aos
87 anos, Gerald Murnane continua a ser o mais provável candidato australiano a
juntar-se ao panteão do Nobel, onde já está o seu compatriota Patrick White,
vencedor em 1973. […]
Murnane
é um autor das vastas extensões australianas, de onde na verdade nunca quis
sair. “As Planícies”, de 1982, provavelmente a sua obra-prima e texto mais
conhecido, prova-o à saciedade. Trata-se de uma narrativa estranha, esquiva,
sempre a deslizar-nos nas mãos, sobretudo quando pensamos que finalmente a
agarrámos. […]
O prodígio de “As Planícies” está na forma como
Murnane consegue arrancar tanta coisa de quase nada.» José Mário Silva no
Expresso de 10 de Abril de 2026.
«Nos
seus vastos terrenos, as famílias proprietárias das planícies preservaram uma
cultura rica e singular. Obcecadas pelo próprio habitat e pela sua
história, contratam artesãos, escritores e historiadores para registarem, com o
máximo pormenor, todos os aspetos das suas vidas e da natureza das suas terras.
Um jovem cineasta chega às planícies, na esperança de dar o seu contributo para a elaboração dessa história. Numa biblioteca privada, começa a tomar notas para um filme e escolhe a filha do seu mecenas para o papel principal. Vinte anos mais tarde, inicia o relato da sua inquietante história de vida nas planícies.
«O maior escritor vivo da língua inglesa de que a maioria das pessoas nunca ouviu falar.» [The New York Times]
«Murnane, um génio, é um herdeiro digno de Beckett.» [Teju Cole]
«A convicção emocional é de tal intensidade, o lirismo sombrio de tal forma comovente, a inteligência por detrás das frases lapidadas tão inegável, que suspendemos toda a incredulidade.» [J. M. Coetzee]
«Como em Proust, a especificidade das imagens que persegue e cataloga proporciona um prazer próprio. Mas o efeito da sua escrita reside menos nas imagens em si e mais na forma como o pensamento funciona na mente humana.» [The Guardian]
Gerald
Murnane, nascido a 25 de fevereiro de 1939, é um romancista, contista, poeta e
ensaísta australiano. Sobretudo conhecido pelo romance As Planícies,
publicado em 1982, conquistou reconhecimento pela sua prosa distinta que
explora a memória e a identidade, frequentemente esbatendo as fronteiras entre
ficção e autobiografia.»
Sobre o livro e o autor retenho uma frase de
Francisco José Viegas:
«O estilo tardio e descarnado de Murnane não tem enredo, nem personagens, só memórias e reflexões do narrador. E não pretende mostrar o mundo como ele é, mas como ele nos “parece”, neste caso “lhe parece”, o mundo através da mediação das mente e da memória.»
Nº 43 - Verão de 2026
Revista
da Bertrand Livreiros
Periodicidade:
Trianual.
Revista
gratuita
Ultimamente
estamos a apanhar com um tsunami Valter Hugo Mãe.
Entrevistas
numa série de jornais de que não anotei as procedências, as datas.
Alguma
coisa me está a falhar… mas também nunca li qualquer livro de Hugo Mãe…
No
mesmo número da revista um outro rapaz aparece: Francisco José Viegas. Também
surge por todo o lado, é director da revista Ler do Círculo de Leitores, editor
da Quetzal, escreve uns postais no Correio da Manhã, também assessor cultural
do Presidente José António Seguro.
Faz
uma abordagem ao livro do escritor australiano Geral Murnane e o seu livro As
Planícies, publicado pela Relógio D’Água.
Sobre
o escritor:
No
melhor pano cai a nódoa?
O
ministro da Administração Interna, Luís Neves, quebrou este domingo o silêncio sobre a polémica que envolve as
obras na sua propriedade privada em Odemira.
Tanto
quanto se ouviu, apareceu mal preparado e sem colocar qualquer ponta de luz no
túnel destas coisas extravagantes que acontecem qundo os governantes se colocam
a jeito, sabe-se lá do quê.
Lembre-se o recente caso de Luís Montenegro ainda a percorrer o caminho das pedras.
O Governo de Luís Montenegro nomeou, nos últimos dias, 14 dirigentes de topo para os centros distritais do Instituto da Segurança Social (ISS), a maioria dos quais tem ligações ao PSD. Estas nomeações acontecem na sequência da reestruturação do ISS, o que levou à cessação automática das comissões de serviço que estavam em vigor.
Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
— Tantos gestos, palavras, silêncios —
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já nos soa como os outros.
Santinha nunca foi para mim o diminutivo de Santa.
Nem Santa nunca foi para mim a mulher sem pecado.
Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos claros à flor da boca.
Era a intuição rápida, o medo de tudo, um certo modo de dizer "Meu Deus,
valei-me".
Adelaide não foi para mim Adelaide somente
Mas Cabeleira de Berenice, Inominata, Cassiopéia.
Adelaide hoje apenas substantivo próprio feminino.
Os epitáfios também se apagam, bem sei.
Mais lentamente, porém, do que as reminiscências
Na carne, menos inviolável do que a pedra dos túmulos.
Manuel
Bandeira em Obras Poéticas
Quando My
Fair Lady foi um estrondoso êxito em exibição no esplendor do Cinema
Monumental, apareceu este EP com versões de quatro canções do filme nas vozes
de Simone de Oliveira e António Calvário.
As canções tiveram uma constante
divulgação na rádio, mas nunca tive este disco.
Os parcos tostões não davam mesmo para
tudo.
Melhor dito: não davam para nada.
Encontrei o disco na Loja do Nuno Potes
e coloco-o aqui.
Acho a capa uma delícia.
Simone e Calvário são acompanhados pela
Orquestra de Jorge Costa Pinto e do Conjunto Sem, e cantam:
A Rua Onde Mora Meu Bem - Eu Dançaria Assim - O Rei De Roma - Um Bocadinho
Só.
Colaboração de Aida Santos
Que ninguém trabalhe de sol a sol.
Não basta quereres ter a lua, mas não há
outra forma de um dia ela ser tua.
Aquele que sabe, não fala; aquele que
fala, não sabe.
O pior exemplo que os adultos podem dar
aos mais novos: nada é para cumprir.
Descuidar os idosos, ignorar os
deficientes.
Seria racista pensar que os estrangeiros
não têm direito a ser parvos.
Cada caso é um caso.
A pensar na morte da bezerra.
Legenda: fotografia de Luís Eme
Pedro Garcias no Público
1.
A água é um
bem precioso, quase ninguém o considera ou protege.
Falta água em
Almada.
O jornal coloca em título:
«O Governo não pode esconder-se atrás da incompetência da autarca»
O Correio da Manhã publicou uma crónica:
«Foi tudo lamentável no maldito baile de máscaras ocorrido ontem em Almada. Claro que a responsabilidade por uma situação tão grave quanto a falta de água é necessariamente da autarquia. A presidente da câmara fica na galeria dos piores autarcas da democracia ao sujeitar a população a viver semanas sem água, sem qualquer plano para evitar o pior, sem a mínima noção do que é preciso fazer, pelos vistos com o drama ainda longe do fim. Mas a forma como o Governo procurou desligar-se do problema, endossando a culpa ao poder camarário, dessa forma partidarizando o drama da falta de água, não foi bonito. A saída de cena da ministra do Ambiente, quando Inês de Medeiros procurava fugir às perguntas dos jornalistas, abandonando a presidente da câmara à sua sorte, não foi uma cena edificante. Naquela circunstância, exigia-se trabalho de equipa, um plano de contingência imediato. As torneiras vão continuar sem água à espera de obras, muito bem. E o abastecimento de emergência? E o pedido de ajuda aos bombeiros para distribuírem água à população? E a solidariedade inter-regional, a articulação de um sistema de transporte de líquido de outras paragens? Até no Algarve, no pico da seca, entretanto minimizada pelas chuvas, e com a pressão do turismo no máximo, foi possível criar abastecimentos de emergência. O Governo não pode esconder-se atrás da incompetência da autarca de Almada. É sua máxima responsabilidade o bem-estar das populações.»
2.
«O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, admitiu numa entrevista ao Financial Times que o rearmamento europeu é uma excelente notícia para os EUA, uma vez que sustentará 195 mil empregos na indústria bélica americana.»
Lido em Abril,Abril
Legenda: fotografia de Luís Eme
Não
há água em Almada mas há um Falcon para o PM ir à bola.
Lido no Público, artigo de Samuel Alemão:
Há dias, à porta de um supermercado, dois grupos de sem-abrigo, carregados com sacos cheios de latas e garrafas, envolveram-se em forte pancadaria.
Há um tempo atrasado, não muito, Donald Trump declarou que as forças militares norte-americanas tinham destruído, por completo, a marinha, a força aérea, o exército do Irão, não restando absolutamente nada.
Uma mentira a
juntar a tantas e tantas outras, pelo que, nestes dias, voltou, com o amigo
Bibi, a bombardear o Irão.
Continuam a não perceber, para mal do mundo, onde se foram meter!
Entretanto, Israel terá partilhado, recentemente, informação dos Serviços de Segurança com os Estados Unidos que apontam para a existência de um novo plano do Irão para assassinar o Presidente Donald Trump.Rex Stout
Tradução: L.
de Almeida Campos
Colecção
Vampiro nº 409
Livros do
Brasil, Lisboa s/d
Pela terceira vez voltei a verificar as
somas e subtracções finais da primeira página do impresso Modelo 1040, para
ficar com a certeza de não me ter enganado. Depois rodei a cadeira de modo a
ficar para Nero Wolf, que se encontrava sentado em frente da secretária,
situada à direita da minha, a ler um livro de poemas da autoria de um tipo
chamado Van Doren, Mark Van Doren. Por isso pensei que também eu poderia utilizar uma palavra poética.
- É desolador – pronunciei.
Ele não deu qualquer sinal de ter
ouvido.
- Desolador – repeti. – Se é que a
palavra significa aquilo que julgo. Desolador!
Os olhos dele não se ergueram da página,
mas Wolfe murmurou:
- O que é desolador?
- Os números. – Debrucei-me para fazer
deslizar sobre o tampo de madeira encerada da sua secretária o Modelo 1040.
-Hoje é o dia treze de Março. Quatro mil
trezentos e doze dólares e sessenta e oito cêntimos, a acrescentar às quatro
prestações trimestrais já pagas. Depois temos ainda que mandar o 1040-ES
referente a 1948, juntamente com um cheque de dez mil dólares. – Fiz estalar os
dedos atrás da minha cabeça e perguntei sombriamente: - Desolador ou não?
Wolfe perguntou qual era o saldo da conta bancária e eu disse-lho.
Com esta moeda
vou
comprar
um
bouquet de céu
e
um metro de mar,
o
bico de uma estrela,
um
sol a sério,
um
quilo de vento,
e
nada mais.
Ler, o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
Este sábado, o grupo chileno (Julio Carrasco, Cristóbal Bianchi e Joaquín
Prieto) volta a fazê-lo, desta vez em Barcelona, soltando milhares de poemas
sobre a Plaça Nova, para assinalar a iniciativa do governo
catalão para assinalar o 50.º aniversário da recuperação da democracia depois
da ditadura de Franco. A capital catalã foi uma das mais bombardeadas durante a
Guerra Civil espanhola entre 1937 e 1939: 1903 impactos e mais de um milhão de
quilos de bombas mataram mais de 2700 pessoas. E o bairro da Catedral, onde
está a Plaça Nova, foi um dos mais fustigados pela aviação de Mussolini, vinda
a pedido do general Franco e das suas forças subversivas.
Ler,
o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
“A nossa acção inverte o significado do bombardeio, substituindo as bombas por
poemas”, explica Julio Carrasco, citado no site Espanha em Liberdade. “Este deslocamento não
procura apagar o trauma histórico, mas tornar visível a memória inscrita no
espaço urbano e reactivar a relação emocional das comunidades com o seu
passado.”
Ler, o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
Os cem mil poemas, que vão descer dos céus impressos em marcadores de página em
espanhol e catalão, foram escritos por 50 poetas catalães e outros 50 chilenos
(Valeria Marchant entre eles), com menos de 50 anos, e falam de liberdade
através da memória, do corpo, da resistência, do exílio e do silêncio.»
António Rodrigues, Público, 19 de
Junho