segunda-feira, 8 de junho de 2026

VOLTEMOS ÀS GREGUERÍAS

Mais Greguerías de Ramón Gómez de la Serna:

A estrela cadente é uma malha que cai na meia da noite.

Veneza e o lugar onde navegam violinos-

O relógio do capitão conta as ondas.

Trovão: queda de um baú pelas escadas do céu.

O capitalista é um senhor que, quando fala connosco, nos fica com os fósforos.

Depois de ajudar o cego a atravessar a rua, ficamos um pouco cegos e indecisos.

A lua é o espelhinho com que o sol se entretém de noite a inquietar os olhos da terra.

O gato olha para as visitas como se a conversa lhe desse sono.

O parafuso é um prego penteado com risco ao meio.

É na maneira de esmagar a beata no cinzeiro que se reconhecessem as mulheres cruéis.

O arco-íris é a fita que a natureza põe depois de ter lavado a cabeça

OLHAR AS CAPAS


As Pessoas de Minha Casa

Júlio Conrado

Capa: Antunes

Círculo de Leitores, Lisboa, Novembro de 1984

Falando de homem para homem, isto ´r, de fantasma para fantasma, a massa de que eles se fazem tem que se lhe diga. No dia em que o o professor de Moral me perguntou se habitualmente fazia em privado cócegas na gaita, tinha com certeza um programa intenso: além da obrigação de assistir às aulas, poderia ter de declamar um soneto da minha autoria ou uma estrofe de Os Lusíadas, apalpar o cu à miúda da Cruz Quebrada, dizer olá, de longe, à minha querida, ouvir ressonar em inglês, jogar à bola – integrava a equipa da Linha, rival número um da de Lisboa – ouvir uma história edificante de elogio à pobreza, espreitar a vizinha, comer em pensamento, Liberta, devorar a Beta Humana, espremer-me em conformidade.

NOTÍCIAS DO CIRCO

«O principal objectivo da nova PSU é rebaixar os mais desprotegidos. A medida tem uma carga moral absurda, que desestabiliza e obriga os beneficiários a trabalhar a troco de uma esmola. O Primeiro-Ministro explicou que é «para que as pessoas não se mantenham na armadilha da pobreza», e a Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social continuou com o seu discurso cínico. A hipocrisia dos ricos é uma coisa atroz».

Cristina Fernandes no Bicho Ruim

ESTÁ O LASCIVO E DOCE PASSARINHO

Está o lascivo e doce passarinho

co o biquinho as penas ordenando,

o verso sem medida, alegre e brando,

despedindo no rústico raminho.

 

O cruel caçador que do caminho

se vem, calado e manso desviando,

com pronta vista a seta endireitando,

lhe dá no Estígio lago eterno ninho.

 

Desta arte o coração, que livre andava

-posto que já de longe destinado -,

onde menos temia, foi ferido;

 

porque o Frecheiro cego me esperava,

para que me tomasse descuidado,

em vossos claros olhos escondido.

Luís de Camões em Sonetos

domingo, 7 de junho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Andaram por aí notícias a contar das dificuldades de o povo chegar a praias em zonas de condomínios de luxo no concelho de Grândola, mas a ministra do Ambiente de Portugal declarou que o acesso ao areal é uma das prioridades para esta época balnear.

“As praias são de todos” e “para todos” disse a ministra e isso é o mote da abertura da época balnear.

os meus verões são tão diversos como diversa tem sido toda a minha vida arroz de pimentos e pasteis de bacalhau aos domingos até algés ou cruz quebrada, o mar da infância ficava longe castelos na areia anos mais tarde dois meses na trafaria em casa alugada a pescadores, quando as férias eram grandes uma juke box na esplanada do marques o lucho gatica a cantar o moliendo café o marino marini a cantar honeymoon também um barrote espetado no meio do areal, um alti-falante no topo a ouvir-se o armando marques ferreira a apresentar o programa da manhã do rádio clube português as canções das praias de todos os anos  kanimambo pelo joão maria tudela a lenda da conchinha da celly campelo o ouro negro setembro chegou vamo-nos separar os golfinhos a percorrer o tejo a caminho da barra os bailes de despedida dos banhistas no salão de festas dos bombeiros e agora senhoras minhas meus senhores o conjunto faz um pequeno intervalo damas ao bufete um enorme alguidar de zinco cheio de gelo e garrafas de vinho branco camilo alves, cada taça vinte e cinco tostões dois para a esquerda um para a direita directrizes para o pezudo que sempre fui as férias da infância não se repetem o ruy belo que esperava pelo verão como por outra vida depois passei a odiar, o verão dou-me muito mal com o calor longe muito longe da sophia que dizia que metade da vida dela era maresia e eu a acreditar baixinho que o verão é um território do pecado, todos os pecados se confundem e de pecados fujo a sete pés e gozar que nem um perdido com a marilyn monroe num filme do billy wilder a dizer ao vizinho de baixo que se vai vestir à cozinha, o vizinho na cozinha porquê e ela a dizer que no verão anda nua pela casa e põe as cuecas no congelador o verão prestes a chegar o meu pai a dizer-me que em setembro voltamos a ser gente e sempre sempre os gatos selvagens e o verão a chegar sur la plage por fim mas não como último sinal há longos anos que deixei de passar férias e apenas sinto que as férias é que passam por mim a uma velocidade tão louca e muito longe da calma e serenidade das férias do sr. hulot ou brigitte bardot em 1955 de biquíni em saint-tropez, aquele grande sorriso e o resto que poderá ser um refresco de limão, muito gelo um dedal de gin e lembrar-me ainda que nunca usei óculos de sol




DAR-LHES CRÉDITO E VIDA


sábado, 6 de junho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 No dia 1 de Junho de 1926, em Los Angeles, nascia Norma Jeane Mortensensen que o mundo, mais tarde, passaria a conhecer como Marilyn Monroe.

Apesar do muito e muito que se escreveu, nem tudo se sabe sobre Marilyn.

Marilyn Monroe deixou um inventário que inclui fotografias, recortes de jornais, poemas, frases, cartas, notas várias.

Os papeis e fotografias datam de 1943, e vão até aos dias que antecederam a sua morte.

Parte de todo este material foi publicado em livro. Os editores chamaram-lhe Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters.

Do mundo de lendas que sempre envolveram, e envolvem, Marilyn, conta-se que um dia, em conversa com um amigo, terá tirado do bolso, um pequeno diário de capa vermelha a que chamava o seu livro de segredos.

Nesse livrinho, entre muitas outras coisas, falava dos planos de Kennedy para matar Fidel de Castro, de testes atómicos, das relações de Frank Sinatra com a Máfia, do movimento dos negros pelos direitos de igualdade, conversas que Marilyn ouviu enquanto conviveu com os Kennedys.

Naturalmente este livro de segredos não consta de Fragments: Poems, Intimate Notes Letters.

Diz, quem já o leu, que Fragments, não é a essência da literatura,  mas permite concluir que Marilyn não foi, exclusivamente, a loura burra que que a indústria de Hollywood construiu e impingiu à opinião pública de todo o mundo.

«Um símbolo sexual torna-se um objecto. Eu detesto ser um objecto», disse a actriz.

O escritor António Tabucchi  (1943-2012), escreveu o prefácio para a edição francesa do livro,  e observa:

No interior deste corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta de que ninguém tinha um pingo de suspeita.

Para a música desta manhã vamos buscar algumas canções de Marilyn:




sexta-feira, 5 de junho de 2026

TRUMPALHADAS

Donald Trump, o louco, queria gastar mais 862 milhões de dólares no Salão de Baile da Casa Branca.

Ao que parece, e hoje tudo nesta América Trumpiana, é noticiado no «parecer», foi retirado do projecto. O mesmo aconteceu à verba de 1,55 mil milhões de euros destinada a um fundo que Trump pretendia usar para indemnizar aliados que enfrentaram processos judiciais durante a presidência de Joe Biden.

PAUSA

Parecia-me que este dia
sem ti
devia ser inquieto,
escuro. Em vez disso está repleto
de uma estranha doçura, que aumenta
com o passar das horas –
quase como a terra
após um aguaceiro,
que fica sozinha no silêncio a beber
a água caída
e pouco a pouco
nas veias mais profundas se sente
penetrada.

A alegria que ontem foi angústia,
tempestade –
regressa agora em rápidas
golfadas ao coração,
como um mar amansado:
à luz suave do sol reaparecido brilham,
inocentes dádivas,
as conchas que a onda
deixou sobre a praia.

Antonia Tozzi

(Tradução de Inês Dias)

quinta-feira, 4 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Este mundo que conhecemos foi feito pelo Diabo num momento em que Deus não estava a olhar.

Bertrand Russell

O OUTRO LADO DAS CAPAS


O Partido e a guerracolonial, pág. 293 do 4º volume da Biografia de Álvaro Cunhal:

«Onde melhor poderemos lutar contra a guerra é lá onde ela se faz e junto daqueles que a fazem e junto dos milhares de jovens soldados que nessa guerra estão envolvidos. É aí, dentro dos quartéis, nos momentos de embarque e no próprio campo de batalha, que os comunistas e todos os jovens progressivos podem mobilizar os soldados para acções a atitudes objectivamente contra a guerra e neutralizar a influência e as ordens dos comandos e oficiais fascistas. Podem agir de modo que, onde as tropas fascistas poderiam obter uma vitória, tenham uma derrota». 

OLHAR AS CAPAS


Álvaro Cunhal

O Secretário-Geral

(1960-1968)

Volume IV

José Pacheco Pereira

Temas e Debates, Lisboa, Dezembro de 2015

…apesar disso, Sampaio confessou várias vezes o fascínio que a presença e inteligência de Cunhal lhe tinham suscitado.

VISITA

Fui procurar-te à última morada,
Não te encontrei. Apenas encontrei
Lousas brancas e pássaros cantando...
Teu espírito, longe, onde não sei,
Da obra na eternidade assegurada,
Sorri aos amigos, que te estão chorando.

Manuel Bandeira em Obras Poéticas

quarta-feira, 3 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO

Ser poeta é não pertencer nem a si.

Alberto de Lacerda

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 Da pág. 412 do 3º volume da Biografia de Álvaro Cunhal :

Das janelas das celas pouco se via, embora num poema de Borges Coelho se diga que «em dias claros vê-se a Nazaré.»  A presença do mar era uma constante e os poemas escritos pelos presos de Peniche fazem-lhe constante referência, quer como uma metáfora de liberdade, quer como fonte de perturbação, pelo seu ruído regular, do estado de espírito dos presos. A ambivalência de registos é ainda maior quando o texto é escrito por alguém do «exterior», como é o caso do poema de David Mourão Ferreira,

 

Abandono

 

Por teu livre pensamento

Foram-te longe encerrar

Tão longe que o meu lamento

Não te consegue alcançar

E apenas ouves o vento

E apenas ouves o mar

Levaram-te a meio da noite

A treva tudo cobria

Foi de noite numa noite

De todas a mais sombria

Foi de noite, foi de noite

E nunca mais se fez dia.

 

Ai! Dessa noite o veneno

Persiste em me envenenar

Oiço apenas o silêncio

Que ficou em teu lugar

E ao menos ouves o vento

E ao menos ouves o mar!

 

Este poema, cantado por Amália Rodrigues ficou conhecido como «Fado Peniche», e aqui o mar e o vento são vistos como sinal de vida e esperança.

OLHAR AS CAPAS


Álvaro Cunhal

O Prisioneiro

(1949-1960)

Volume III

José Pacheco Pereira

Capa: António Rochinha Diogo

Temas e Debates, Lisboa, Fevereiro de 2006

Uma «biografia política de Álvaro Cunhal não pode ser feita apenas dos eventos directamente relacionados com o prisioneiro, porque o biografado associou como poucos a sua vida pessoal com a história do comunismo português. Não há na sua visa adulta uma frase que tenha escrito, um desenho que tenha feito, um acto de que tenha sido responsável que não tivessem como interlocutor privilegiado o PCP. Por isso, não pode compreender Cunhal, mesmo nos seus anos de maior isolamento, sem relação total com o partido de que fazia parte.

NOTÍCIAS DO CIRCO


O PSD vai-se atolando.

Num repente, tentando o desespero de ver o pacote laboral aprovado na Assembleia da República, abraçou-se, mais uma vez, «aquela coisa», para adiar, até 30 de Dezembro, a entrega de projetos de revisão da Constituição.

Entretanto, Luís Montenegro disse “não fazer ideia” de qual será a adesão à greve geral de hoje, mas tem a convicção de que “a grande maioria, a esmagadora maioria dos portugueses que trabalha, vai trabalhar amanhã

Montenegro acrescentou que, muitas vezes, o que acontece é que uma minoria consegue condicionar o trabalho dos outros. "Eu espero que isso não aconteça, espero que se conciliem as duas coisas, que é, uns têm o direito a exercer o direito à greve e fazem-no, outros têm o direito a trabalhar e também o possam fazer", vaticinou.

AGRICULTURA

Agrícola era o sonho dos antigos

menestréis criados lavradores

frenesi demente nos postigos

interessantes inventos pra doutores


houve ainda um fado de em criança

um boi domesticado nos seus urros

por dentro dos amanhos um choro repelente

que vinha das searas dos donos e dos burros

 

agrícola o modo por que canto

redondo poder que os meus avós legaram

com loucos sim palermas no seu sono

primos de tanta vida pelas enxadas

ancinhos arados abandono

 

agrícola é o vinho e seu prazer

o som funesto do suor pela barba

e todas as mulheres

de narinas refeitas

e seios de pinho antigo

mulheres de tanto azedo e xaile

e tanto filho

assim senhores doutores

a toda a vossa seita

esta colisão infame esta desfeita

meus pobres cochichando nos sentidos

 

de tanta solidão

meu braço desesperado

na testa já cantando

meus camponeses rindo.


Armando Silva Carvalho em Lírica Consumível

terça-feira, 2 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Staline nunca percebeu  porque razão é que Shostakovich não lhe dedicou uma das suas obras principais e insistia em passar em claro todas as sua vitórias políticas sem uma sinfonia, ou um quarteto, ou uma ópera, ou mesmo uma canção.

Vladimir Zak citado por José Pacheco no 2º volume da biografia de Álvaro Cunhal.

Legenda: Dimitri Shostakovich

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Página 558 do 2º volume da Biografia de Álvaro Cunhal:   

«E foram também intelectuais comunistas que traduziram esteticamente o carácter «heróico» do momento. O conjunto de canções que Fernando Lopes-Graça compôs, no entusiasmo dos dias iniciais do MUD, foram talvez a mais importante herança simbólica de um movimento que parecia imparável e em que tudo parecia possível.

Vieram a ser publicadas na Seara Nova, nos finais de 1945 com poemas de José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira e Arquimedes da Silva Santos, todos militantes ou simpatizantes comunistas. Uma canção intitulada «Companheiros, Unidos!» era apresentada como «hino do MUD», falava de «um combate que vença e que mate – servidão, reacção, escuridão!». Mas a que ficou mais célebre foi «Jornada», com letra de José Gomes Ferreira, que se tornou o verdadeiro hino da oposição portuguesa popularizado que foi pelo MUDJ».

OLHAR AS CAPAS


Álvaro Cunhal

«Duarte» o Dirigente Clandestino

(1941-1942)

Volume II

José Pacheco Pereira

Capa: António Rochinha Diogo

Temas e Debates, Lisboa Maio de 2001

Muitas vezes, nas páginas deste livro, hesitei se devia identificar  como sujeito da acção o partido, o PCP ou Álvaro Cunhal, Muitas vezes poderia ter escrito aprnas Cunhal, porque a sua marca de autoria está lá na acção colectiva, no texto anónimo, na posição política. O leitor não estranhe, portanto, que Cunhal como actor individual não apareça em vários capítulos deste livro, porque essa não-presença é puramente ilusória.

À LUPA

Amanhã há Greve geral.

Luís Montenegro afirmou que o Governo está focado em não defraudar as expectativas das pessoas, prometeu trabalho e defendeu que Portugal é uma referência no mundo ao nível da estabilidade económica e social.


NOTÍCIAS DO CIRCO

O antigo banqueiro Ricardo Salgado não vai cumprir os 13 anos de cadeia efectiva a que foi condenado em dois processos por criminalidade económico-financeira: a doença de Alzheimer de que padece não lhe permite ter condições para viver num estabelecimento prisional, decidiu esta terça-feira, 2 de Junho, um colectivo de juízes do Campus da Justiça, em Lisboa.

A DOR DE UM GATO

Quando cegaste foi de vez. Sem aviso prévio e dos dois olhos em simultâneo.

Não foi de um dia para o outro, foi mais o que se chama de um momento para o outro.

De um momento para a noite, melhor dizendo.

Quando cegaste foi como se na casa uma espécie de morte tivesse dado sinal de vida, essa sua espécie de vida.

Pois quantas vezes é assim, absurda e traiçoeira, que ela vem. E se instala.

Tu, indeciso e desorientado, andavas sem rumo pela casa às topadas a móveis, sacos de plástico, pilhas de livros.

Não foi um espetáculo bonito de se ver, acompanhado com miador que eram verdadeiros gritos de dor, de aflição, ou de cólera.

Ou, mais provável, tudo isso junto.

Grande ironia do destino, pensei na altura, logo os teus olhos.

Que eram amplos, redondos, curiosos, sempre alerta e cheios de luz.

Uns olhos de fazer inveja a muita gente que eu cá sei.

E gritaste, durante uns bons minutos gritaste.

Um som não ouvido até então, um novo som arrancado à natureza, ou ao mais fundo da tua animal sinceridade.

Um som que percutia os tímpanos com a sua nota de urgência e pânico.

Sabia-se de onde ele vinha, o som, não para onde ia.

Sim, para onde, se é que ia para algum lado? A quem se dirigia, se é que era dirigido a alguma coisa ou alguém?

A mim não seria: sabias, com a tua antiga e animal sabedoria, que eu nada te podia valer.

A Deus também não seria: os gatos, é coisa bem conhecida, não vão em trapaças.

Resta o puro NADA como hipótese, resta a

GRANDE PUTA QUE A TODOS NOS PARIU!

Rui Caeiro

segunda-feira, 1 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Nós defendemos o fado, portanto, o fado porque é uma manifestação da arte popular e porque é um meio de propaganda bastante sensível às camadas proletárias. Dentro deste ponto de vista, consideramos que os antifascistas devem desenvolver e elevar os elementos artísticos que o fado contém, libertando-o de todas as influências estranhas com que os inimigos da cultura popular e dos interesses do povo procuram corrompê-lo. O fado é do povo! Façamos, pois que o fado não exprima dó passivamente o sofrimento do povo, mas reflicta as suas aspirações e indique oi caminho a seguir.

Avante!, 1937 em 1º volume da biografia de Álvaro Cunhal de José Pacheco Pereira.