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QU’É QUE VAI NO PIOLHO?
(Publicado em 18 de Abril de 2011)
Numa das cenas mais fortes – e elas são tantas - de "Apocalypse Now", esse extraordinário filme de Francis Ford Coppola, (1979), sobre a intervenção norte-americana no Vietnam, um coronel de cavalaria (espantoso Robert Duvall) diz para os soldados que o rodeiam:
“Adoro o cheiro a napalm pela manhã. Tem o cheiro da vitória.
Enquanto
monologa com os soldados que o rodeiam, os helicópteros atacam e destroem uma
aldeia vietnamita ao som da “Cavalgada das Valquírias” de
Wagner.
De
cócoras, em tronco nu, para além do cheiro a “napalm”, o coronel louco,
disserta sobre a onda perfeita para praticar “surf”.
A loucura, os ensandecidos personagens de uma guerra cruel, exemplarmente caracterizados e denunciados por Coppola.
Como é que um povo de anões conseguiu derrotar o poderio bélico dos Estados Unidos.?
“Empenhamos, nesta guerra, o nosso poderio e a nossa honra nacional, o Presidente Johnson em 1965.
Em Março de 2002, centenas de horas de conversas, gravadas na Casa Branca, foram tornadas públicas. Como esta de Richard Nixon com Henry Kissinger, seu secretário de Estado:
“Nixon: Mais valia usar
a bomba atómica no Vietname.
Kissinger: Isso, julgo,
seria ir longe demais.
Nixon: A bomba atómica
perturba-o? A única coisa em que nós discordamos é sobre os bombardeamentos.
Você está tão preocupado com os civis e eu estou-me bem nas tintas. Não me
interessa isso.
Kissinger: Preocupo-me com os civis porque não quero que o mundo se mobilize a acusá-lo de ser um carniceiro. Podemos ganhar a guerra sem matar civis.”
Cerca
de três milhões de vietcongs mortos, incluindo dois milhões de civis.
Cerca
de 60 militares norte-americanos mortos, grande parte negros e latino-americanos.
Foram gastos 220 mil milhões de dólares. Calcula-se que, para matar um
vietcong, os Estados Unidos gastaram 675 mil dólares.
Foram
transportados 10 milhões de americanos em aviões comerciais.
Foram
utilizadas 15,35 milhões de toneladas de bombas.
Ainda
hoje morrem vietnamitas, vítimas de minas e bombas não deflagradas.
Desconhecem-se quantas minas, bombas e obuzes continuam por explodir.




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