Bem-aventurados os que não entendem nem
aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.
Carlos
Drummond de Andrade
Legenda: fotografia de Luís Eme
Bem-aventurados os que não entendem nem
aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.
Carlos
Drummond de Andrade
Legenda: fotografia de Luís Eme
Para que conste:
1.
«O presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, fez uma ligação telefônica a Gianni Infantino, presidente da Fifa, para
pedir a revogação da suspensão de Folarin Balogun, atacante dos EUA. A
informação é do jornal americano The New York Times. O Comitê Disciplinar
da Fifa decidiu suspender o cartão vermelho que o jogador recebeu na vitória
sobre a Bósnia, que o tiraria automaticamente da partida contra a Bélgica.»
2.
A União Europeia e a Uefa
(União das Associações Europeias de Futebol) criticaram a Fifa nesta
segunda-feira por revogar o cartão vermelho dado ao jogador dos Estados
Unidos Folarin Balogun durante a última partida da seleção norte-americana
na Copa do Mundo.
O comissário europeu para assuntos do
desporto, Glenn Micallef, afirmou que as decisões sobre o desporto
"pertencem às entidades desportivas, não aos políticos".
3.
Donald Trump, confirmou esta
segunda-feira ter pedido ao líder da FIFA, Gianni Infantino, a reavaliação do
cartão vermelho mostrado ao avançado norte-americano Folarin Balogun, para que
possa alinhar no encontro frente à Bélgica.
“Pedi uma reavaliação porque não achei que tivesse sido falta”, declarou Trump durante um evento na Casa Branca. O Presidente dos Estados Unidos considerou ainda que as regras relativas ao cartão vermelho são injustas e classificou como “muito duvidosa” a atuação do árbitro do jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina.
O sonho meu,
como o de tanta gente, era que um teatro tivesse tanta gente como um
Benfica-Sporting, e nem era preciso tanta. Mas estas coisas acontecem porque
desde putos jogamos, à bola rua, - ainda se joga à bola nas ruas? – e criámos
esse gosto.
Joaquim
Benite é um homem de teatro.
Conheci-o
ainda ele era um jovem repórter de “O Século”.
Como morava
num quarto, perto da casa dos meus pais, amiúde, acontecia apanharmos o último
eléctrico para a Graça. Descíamos ao fundo da Heliodoro Salgado, subíamos a rua
e entre tantas outras conversas, o teatro entrava sempre. Terá sido das
primeiras pessoas a quem ouvi dizer que o teatro existia para ser representado
e que entre ler uma peça e vê-la nas tábuas de um palco, há como aquela
diferença entre beber um café e beber um nescafé porque o teatro tem que ter
aquela vivacidade que só o actor e um palco emprestam ao texto.
Fiquei feliz
quando lançou e alicerçou o “Grupo de Teatro de Campolide” ali,
entre o Restaurante “Valenciana” e a “Pastelaria A Pastorinha” ícones do bairro
de Campolide.
Mais velho
que o mundo: quem gosta verdadeiramente do que faz , tarde ou cedo alcança o
sonho.
O sonho hoje
chama-se “Companhia do Teatro de Almada”.
De 4 a 18 de
Julho realiza-se o 28º Festival de Almada, que se encontra entre os melhores
festivais que se realizam pelo mundo.
Mais
informações aqui
“Não sei se Joaquim Benite foi um
jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que
andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que
escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.
Mas isso não é o mais importante, pelo
menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo
contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de
Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa
cidade -, que o homem dos jornais.”
Luís Eme em “O Casario do Ginjal”
Lembrança de
um texto publicado em O Cais do Olhar de 7 de Julho de 2011.
É de capital importância estarmos em guarda contra as mentiras sobre imigrantes, propaladas pelas gentes Daquela Coisa.
Lido no Público, artigo de Natália Faria:Sabes,
agora, sempre que te
encontro,
sinto que o tempo está
contra nós.
Olhas vezes demais para o
relógio, que não usas.
Fico sempre com a sensação
que digo demasiadas coisas,
sem te dar tempo para
contrapores,
para me falares de ti.
Esqueço-me que sou um tolo,
que te visita no horário de
trabalho.
Esqueço-me de que és uma
excelente profissional.
E não menos importante,
esqueço-me de que não és
minha...
E sim, o cabelo mais
curto,
fica-te bem e oferece-te
outra leveza
para suportares este calor
das arábias...
Luís
Eme no Largo da Memória
Herman Hesse
Todos
os anos, em Almada, acontece o Festival de Teatro.
Começou
ontem e prosseguirá até 18 de Julho.
Ao
todo serão 19 espectáculos, 12 estrangeiros, sete portugueses.
A
programação pode ser consultada aqui.
Legenda: fotografia de Rui Ornelas.
Iremos ter um outro
dia de calor infernal.
Lembremos Julia
Roberts e morangos
Dizem que os morangos são a fruta símbolo de Vénus, a deusa do amor.
Iremos ter um outro
dia de calor infernal.
Dizem também que o
champanhe é o leite dos adultos, o néctar dos deuses.
Conta a lenda que Dom Perignon, depois de ter inventado o champanhe, chamou um
outro monge e foi-lhe dizendo: Venha depressa provar! Estou a beber
estrelas!
Uma cena inesquecível de Pretty Woman?
Quando Richard Gere oferece morangos à Julia Roberts.
Ela olha interrogativa, e ele responde que os morangos realçam o sabor do champanhe.
Na questão deste pormenor há cepticos.
Quem realmente admita que os morangos realçam o sabor do champanhe, mas que não parece ser a melhor qualidade deste mundo possuir opiniões sólidas e infalíveis porque, se verdade existe na teoria, uma outra conduz-nos a que para que isso, de vero, aconteça, fica sempre a faltar a Julia Roberts…
David Gilmour, em O Clube de Cinema, diz ao filho:
Perguntei certa vez ao David Cronemberg se tinha alguns
«prazeres inconfessáveis» em relação ao cinema – filmes que sabia não prestarem
mas que adorava na mesma. Abri caminho à sua resposta admitindo ter um
fraquinho por Um Sonho de
Mulher (1990) com Julia Roberts. O filme não tem um único momento
verosímil, mas é uma narrativa surpreendentemente eficaz, uma sucessão de cenas
agradáveis que nos prendem até ao fim, depois de ficarmos agarrados àquela
história tão idiota.
- Os canais de televisão cristãos – respondeu o Cronemberg
sem hesitar.
Alago o fascinava naqueles evangelistas do Sul de cara inchada, a agarrar uma multidão.
Legenda: a cena do
filme onde se fala dos morangos e do champanhe, não é bem a que podem ver, mas
foi o mais perto que consegui encontrar…
Um
dos meus primeiros patrões, um dia, disse-me:
- Oh Aida, deixe-se de romantismos. Só há duas
vidas: uma é boa a outra não presta.
Colaboração de Aida Santos
O
nosso cancioneiro tem canções que percorrem os tempos, a Canção do Mar é
uma delas.
Composta
em 1955 com letra de Frederico Valério e música de Ferrer Trindade, conheceu
diversas versões, não só em Portugal como no estrangeiro.
Amália
Rodrigues cantou-a, com o título Solidão, no filme Os Amantes do Tejo.
Gravada
por Dulce Pontes em 1993 para o seu álbum Lágrimas, teve a exigência do actor
Richard Gere para que fosse colocada na banda sonora do Filme A Raiz do Medo.
«É disto que o meu povo
gosta!»
Quem vive para o amor está lixado
não tarda, que o amor é um
amplo espaço
vazio sem cor nem forma e
um silêncio
tumular por perto. Mau,
muito mau
para se levar alguém. Mas
tu vieste
e de imediato tudo fôra já
decidido
como quando alguém nasce e
olha em torno
— pouco importa se estranha
ou não a paisagem.
Tínhamos o nosso espaço e
tínhamo-nos
a nós, um ao outro por
natural companhia
era o amor, tudo indicava.
Podia-se morrer
disso. E tínhamos o tempo
todo para ver.
Rui
Caeiro
António
Maria Lisboa
Simples gota
dum suor que parece
apenas ansiedade,
mas corre pelo teu rosto
na febre das montanhas,
na loucura dos rios,
dos homens, das cidades,
vim acusar os réus da superfície
à justiça
das tuas tempestades.
Carlos
de Oliveira
De um azulejo em casa de amigos
Colaboração de Aida Santos
Vejam, revejam os filmes de François Truffaut no Nimas
Começam a amanhã e prolongam-se até ao dia 15 de Julho.
São
péssimas as condições da sala do Nimas em Lisboa: alcatifa aos bocados
espalhadas por aqui e por ali, alguma das cadeiras quando nos sentamos, rangem,
parece que se vão partir, mas eu gosto de cinema e gosto de François Truffaut.
“Todos os filmes de Truffaut contêm um ou mais momentos
(diferentes de acordo com a sensibilidade do espectador), que nos deixam uma
recordação precisa, marcante e indelével, mesmo passados 20 ou 25 anos.”
Luc Moullet
A vida era o cinema
François Truffaut (1932-1984) marcou, como cineasta e como crítico, o cinema
moderno. Fez parte do núcleo central da Nouvelle Vague, com Godard, Chabrol,
Rivette e Rhomer, uma geração cinéfila, que começou pela crítica e pelo
cineclubismo (Truffaut, ainda menor, fundou um cineclube, com o sugestivo nome
de “Cercle Cinémane / Círculo Cinemaníaco”) e passou à realização sem
frequentar a escola de cinema.
No início dos anos 80, com o grande sucesso de O Último Metro, chegou a ser
considerado um “cineasta popular”, como o foram também, aliás, muitos dos
realizadores que ele mais amava: Chaplin, Renoir, Hitchcock ou Lubitsch. Mas, e
apesar da sua importância fundamental e de ter sido também ele um dos cineastas
mais amados do seu tempo, os seus filmes, com raras excepções, têm sido, desde
a que a Cinemateca os mostrou há vinte anos, menos vistos nas salas de cinema,
eventualmente por razões de direitos. Finalmente restaurados, vamos poder
vê-los de novo agora – e para uma nova geração de espectadores esta será uma
oportunidade única – numa retrospectiva praticamente completa (só Fahrenheit
451 e A Noite Americana ficam, por enquanto, de fora).
Como epígrafe ao seu livro Os Filmes da Minha Vida, Truffaut escolheu uma
afirmação de Orson Welles: “Creio que qualquer obra será boa na medida em que
exprima o homem que a criou.” Os filmes de Truffaut, para quem a vida era o
cinema, e por amor dele se perdeu e por amor dele se salvou, exprimem as suas
complexidades e contradições, os seus entusiasmos e os seus medos. Num número
temático que lhe dedicaram recentemente os Cahiers (onde foi crítico,
apadrinhado por André Bazin, seu tutor e que exerceu junto dele – que crescera
numa família complicada e fora um jovem marginal como alguns dos protagonistas
das suas obras – o papel de figura paterna positiva), sublinha-se que “os seus
filmes continuam a tocar-nos e a estimular-nos, ainda hoje, quase quarenta anos
depois do seu desaparecimento precoce. […] Imperfeita, múltipla, lúdica e por
vezes trágica, a sua obra não tem nada de um monumento. Pelo contrário, quando
revemos os seus filmes, ficamos impressionados pela sua impureza, a sua
invenção e o seu lado paradoxal. É uma obra viva, […] única na sua
multiplicidade, cuja interpretação, aliás, tem variado ao longo das épocas.”
Como sabemos, a história de qualquer arte, está constantemente a ser
reescrita. E se a seguir à sua morte, depois de alguns dos sucessos de
bilheteira, os Cahiers e outros vieram por sua vez reabilitar alguns dos filmes
mais secretos, passionais, atravessados por correntes subterrâneas, hoje,
quatro décadas volvidas, começa a redesenhar-se, pouco a pouco, um Truffaut
mais solar, o dos filmes Disparem sobre o Pianista, Beijos Roubados ou Na Idade
da Inocência. É tempo de redescobrir a sua obra e de lhe trazer novas
interpretações.
Truffaut e os actores
“No cinema de François Truffaut, as actrizes e os actores ocupam um lugar
absolutamente central. Eles são tanto a carne como o centro nervoso dos seus
filmes. Desde a sua primeira longa-metragem, Os Quatrocentos Golpes, impõe
um novo corpo, o de Jean-Pierre Léaud, que vai, ao longo do tempo, tornar-se o
seu duplo. Juntos, inventarão uma nova forma de representar que navega entre o
natural e a estilização. De filme em filme, Truffaut trabalha com os maiores
actores e as maiores actrizes do seu tempo, de Charles Aznavour a Fanny Ardant,
passando por Jeanne Moreau, Françoise Dorléac, Marie-France Pisier, Michael
Lonsdale, Charles Denner, Delphine Seyrig, Catherine Deneuve, , Claude Jade,
Jean-Paul Belmondo, Bernadette Lafont, Isabelle Adjani, Nathalie Baye, Gérard
Depardieu, Jean-Louis Trintignant, etc. Em cada ocasião, o seu desafio consiste
em integrar esses actores e actrizes de personalidade forte no seu mundo, sem,
no entanto, fazer com que percam a sua singularidade.”
Cahiers du Cinéma
“Muitas vezes, os actores vivem as suas emoções e deixam-se levar por elas.
O François sabia até onde nos poderia deixar ir, para depois voltar a
pegar-nos, e nos segurar. […] Por exemplo, o fim das cenas deveria ser pontuado
de modo preciso. E dizia: ‘É preciso encher o écran, ter gestos mais amplos,
não abortar os movimentos’.”
Catherine Deneuve
“Com ele, era uma linguagem de paixão. Todos os actores dos filmes de
Truffaut têm o tom Truffaut, inimitável. Basta ver o Léaud, ou o Denner: ‘Sim,
então fazemos assim, hem, estás a ver?’. Para chegar a este tom, bastava
escutá-lo, olhar para ele. […] O que ele fez com o Jean-Pierre Léaud, é
absolutamente deslumbrante. Os seus filmes são uma espécie de cursos intensivos
para jovens actores.”
Gérard Depardieu
Ver Programação aqui.
Sobre as árvores encolhidas que gastavam
a ternura de tudo; severo,
o céu desajeitado avolumou-se.
Na testa do silêncio ao pé dos montes
as pedras adoecem entre o sangue
derrota que se imprime por palavras
se imite diminuta nos alqueives.
Sob a capa da terra e no alcance
dos dedos de fora inesperados
a rotura simples dum soluço
ferindo o estrume em breves plantas novas.
Ao longe o grito do abraço em pé
com as vergonhas cobertas de papel
os prumos os cabos o pão um ovo
o vinho deitado, aqui ao pé do choro.
Armando Silva Carvalho em Lírica Consumível
«Não é no cinema que
pensamos quando se evoca o nome de Bruce Frederick Joseph Springsteen, nascido
a 23 de Setembro de 1949 na pequena cidade de Long Branch, no estado de Nova
Jérsia, bem perto de Nova Iorque mas do lado “errado”, do lado industrial e operário.
Como é evidente, porque foi na música que ele se exprimiu, e foi através da
música, dos vinte e um álbuns de estúdio que editou desde 1973 e Greetings
from Asbury Park, N.J., que Bruce Springsteen se tornou uma das grandes
figuras da cultural popular norte-americana. Hoje, quando já é septuagenário,
adquiriu mesmo um estatuto ao alcance de muito poucos, pontuado por uma
capacidade de intervenção pública e política que o tornam uma presença
relevante dentro da sociedade norte-americana muito para além do domínio
estritamente musical. Ou seja, não deve haver ninguém que tenha estado vivo nos
últimos 50 anos a precisar que lhe apresentem Bruce Springsteen.
E este ciclo não é para isso, nem é para fazer a história de Springsteen. É
para evocar um facto muito simples e muito incontestável: se não é no cinema
que se pensa logo quando se fala de Springsteen, isso não quer dizer que
Springsteen não pense no cinema, e que o cinema não pense em Springsteen. A
cultura popular norte-americana é um sistema de vasos comunicantes, e já o
vimos bem a propósito de Bob Dylan, quando (ainda antes do Nobel), dedicámos um
vasto ciclo ao tortuoso labirinto da relação de Dylan com o cinema e do cinema
com Dylan. É um pouco o mesmo jogo que praticamos agora com Springsteen, um jogo
um pouco menos perverso, porque Springsteen, de certo modo, é uma versão
franca, quase transparente, de Dylan, e porque bem menos perversa foi a sua
relação com o cinema, mas não menos rica.
Porque sabemos a importância que o cinema teve enquanto inspiração de
Springsteen, sobretudo no caso clássico do seu disco Nebraska, que
começou a tomar uma forma no seu espírito depois de um visionamento do BADLANDS
de Terrence Malick (sendo que “Badlands” é, justamente, o título de uma canção
desse disco). Ou, no final dos anos 1990, o seu disco The Ghost of Tom
Joad, que está perto de ser um “remake” musical do filme que John Ford
extraiu ao romance de John Steinbeck.
O ciclo traz as inspirações de Springsteen, mas também traz Springsteen como
inspiração. Outro caso clássico: STREETS OF FIRE, de Walter Hill, que em
princípio seria um musical construido sobre as canções de Springsteen mas que,
depois de um desentendimento entre o artista e a produção, deixou de ser, e
ficou só o título. Ou ainda a curiosa obsessão de Peter Bogdanovich, que
pretendia que a banda sonora de MASK fosse essencialmente composta por canções
de Springsteen e, quando não o conseguiu, se “vingou” disseminando por
TEXASVILLE, poucos anos depois, uma quantidade enorme de canções dele.
Investigamos neste ciclo, portanto, o trânsito em dois sentidos da relação
Springsteen/cinema e cinema/Springsteen. A que não faltam, também, os
paralelismos e os parentescos, os filmes nascidos e criados nos ambientes de
Springsteen, que com ele podiam partilhar a sensibilidade, sobretudo os filmes
que mostram e falam de Nova Jérsia, do subúrbio, da vida dos operários, dos
“blue collars” – como quando, em COPLAND, James Mangold teve a intuição de pôr
Sylvester Stallone (o homem do ROCKY ou de PARADISE ALLEY) em escuta das
canções de Bruce.
Será um bom mês de esplanada, cinema e música. E como é Verão, nem falta uma
piscina, a piscina da PALOMBELLA ROSSA de Nanni Moretti, onde um jogo de pólo
aquático era interrompido para se ouvir, em ritual litúrgico, “I’m On Fire”.»
Programação aqui.
É tão bom ler os clássicos como Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett
«Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai
estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a
qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e
grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje
vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações
deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim
de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de
homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já
calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho
desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à
desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam
no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia
andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos
que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e
fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o
que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.»
A afirmação de mais um papagaio-falante-descoberta-dos canais-de notícias.
Começou
na SIC. Ou na TVI?
Não
importa, é aquele mundo de inutilidades.
Chama-se
Sebastião Bugalho e o Público faz o retrato de palrador do PSD:
«Ao lado do busto de Francisco Sá Carneiro, na entrada da sede nacional do PSD,
Sebastião Bugalho começou nesta segunda-feira a sua nova tarefa de porta-voz do
partido. Com as bandeiras de Portugal, da União Europeia e do PSD atrás de si,
o vice-presidente social-democrata anunciou que o grupo parlamentar vai chamar
antigos governantes do PS ao Parlamento para explicar o aumento “sem
precedente” da população estrangeira em Portugal revelado pela actualização das
estatísticas oficiais do país. Sem detalhar a lista de personalidades que os
deputados vão querer ouvir, “é natural” que José Luís Carneiro seja um dos
nomes a ser chamado.»
Mais
um contra os trabalhadores migrantes!