sexta-feira, 5 de junho de 2026

TRUMPALHADAS

Donald Trump, o louco, queria gastar mais 862 milhões de dólares no Salão de Baile da Casa Branca.

Ao que parece, e hoje tudo nesta América Trumpiana, é noticiado no «parecer», foi retirado do projecto. O mesmo aconteceu à verba de 1,55 mil milhões de euros destinada a um fundo que Trump pretendia usar para indemnizar aliados que enfrentaram processos judiciais durante a presidência de Joe Biden.

PAUSA

Parecia-me que este dia
sem ti
devia ser inquieto,
escuro. Em vez disso está repleto
de uma estranha doçura, que aumenta
com o passar das horas –
quase como a terra
após um aguaceiro,
que fica sozinha no silêncio a beber
a água caída
e pouco a pouco
nas veias mais profundas se sente
penetrada.

A alegria que ontem foi angústia,
tempestade –
regressa agora em rápidas
golfadas ao coração,
como um mar amansado:
à luz suave do sol reaparecido brilham,
inocentes dádivas,
as conchas que a onda
deixou sobre a praia.

Antonia Tozzi

(Tradução de Inês Dias)

quinta-feira, 4 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Este mundo que conhecemos foi feito pelo Diabo num momento em que Deus não estava a olhar.

Bertrand Russell

O OUTRO LADO DAS CAPAS


O Partido e a guerracolonial, pág. 293 do 4º volume da Biografia de Álvaro Cunhal:

«Onde melhor poderemos lutar contra a guerra é lá onde ela se faz e junto daqueles que a fazem e junto dos milhares de jovens soldados que nessa guerra estão envolvidos. É aí, dentro dos quartéis, nos momentos de embarque e no próprio campo de batalha, que os comunistas e todos os jovens progressivos podem mobilizar os soldados para acções a atitudes objectivamente contra a guerra e neutralizar a influência e as ordens dos comandos e oficiais fascistas. Podem agir de modo que, onde as tropas fascistas poderiam obter uma vitória, tenham uma derrota». 

OLHAR AS CAPAS


Álvaro Cunhal

O Secretário-Geral

(1960-1968)

Volume IV

José Pacheco Pereira

Temas e Debates, Lisboa, Dezembro de 2015

…apesar disso, Sampaio confessou várias vezes o fascínio que a presença e inteligência de Cunhal lhe tinham suscitado.

VISITA

Fui procurar-te à última morada,
Não te encontrei. Apenas encontrei
Lousas brancas e pássaros cantando...
Teu espírito, longe, onde não sei,
Da obra na eternidade assegurada,
Sorri aos amigos, que te estão chorando.

Manuel Bandeira em Obras Poéticas

quarta-feira, 3 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO

Ser poeta é não pertencer nem a si.

Alberto de Lacerda

O OUTRO LADO DAS CAPAS


 Da pág. 412 do 3º volume da Biografia de Álvaro Cunhal :

Das janelas das celas pouco se via, embora num poema de Borges Coelho se diga que «em dias claros vê-se a Nazaré.»  A presença do mar era uma constante e os poemas escritos pelos presos de Peniche fazem-lhe constante referência, quer como uma metáfora de liberdade, quer como fonte de perturbação, pelo seu ruído regular, do estado de espírito dos presos. A ambivalência de registos é ainda maior quando o texto é escrito por alguém do «exterior», como é o caso do poema de David Mourão Ferreira,

 

Abandono

 

Por teu livre pensamento

Foram-te longe encerrar

Tão longe que o meu lamento

Não te consegue alcançar

E apenas ouves o vento

E apenas ouves o mar

Levaram-te a meio da noite

A treva tudo cobria

Foi de noite numa noite

De todas a mais sombria

Foi de noite, foi de noite

E nunca mais se fez dia.

 

Ai! Dessa noite o veneno

Persiste em me envenenar

Oiço apenas o silêncio

Que ficou em teu lugar

E ao menos ouves o vento

E ao menos ouves o mar!

 

Este poema, cantado por Amália Rodrigues ficou conhecido como «Fado Peniche», e aqui o mar e o vento são vistos como sinal de vida e esperança.

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Álvaro Cunhal

O Prisioneiro

(1949-1960)

Volume III

José Pacheco Pereira

Capa: António Rochinha Diogo

Temas e Debates, Lisboa, Fevereiro de 2006

Uma «biografia política de Álvaro Cunhal não pode ser feita apenas dos eventos directamente relacionados com o prisioneiro, porque o biografado associou como poucos a sua vida pessoal com a história do comunismo português. Não há na sua visa adulta uma frase que tenha escrito, um desenho que tenha feito, um acto de que tenha sido responsável que não tivessem como interlocutor privilegiado o PCP. Por isso, não pode compreender Cunhal, mesmo nos seus anos de maior isolamento, sem relação total com o partido de que fazia parte.

NOTÍCIAS DO CIRCO


O PSD vai-se atolando.

Num repente, tentando o desespero de ver o pacote laboral aprovado na Assembleia da República, abraçou-se, mais uma vez, «aquela coisa», para adiar, até 30 de Dezembro, a entrega de projetos de revisão da Constituição.

Entretanto, Luís Montenegro disse “não fazer ideia” de qual será a adesão à greve geral de hoje, mas tem a convicção de que “a grande maioria, a esmagadora maioria dos portugueses que trabalha, vai trabalhar amanhã

Montenegro acrescentou que, muitas vezes, o que acontece é que uma minoria consegue condicionar o trabalho dos outros. "Eu espero que isso não aconteça, espero que se conciliem as duas coisas, que é, uns têm o direito a exercer o direito à greve e fazem-no, outros têm o direito a trabalhar e também o possam fazer", vaticinou.

AGRICULTURA

Agrícola era o sonho dos antigos

menestréis criados lavradores

frenesi demente nos postigos

interessantes inventos pra doutores


houve ainda um fado de em criança

um boi domesticado nos seus urros

por dentro dos amanhos um choro repelente

que vinha das searas dos donos e dos burros

 

agrícola o modo por que canto

redondo poder que os meus avós legaram

com loucos sim palermas no seu sono

primos de tanta vida pelas enxadas

ancinhos arados abandono

 

agrícola é o vinho e seu prazer

o som funesto do suor pela barba

e todas as mulheres

de narinas refeitas

e seios de pinho antigo

mulheres de tanto azedo e xaile

e tanto filho

assim senhores doutores

a toda a vossa seita

esta colisão infame esta desfeita

meus pobres cochichando nos sentidos

 

de tanta solidão

meu braço desesperado

na testa já cantando

meus camponeses rindo.


Armando Silva Carvalho em Lírica Consumível

terça-feira, 2 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Staline nunca percebeu  porque razão é que Shostakovich não lhe dedicou uma das suas obras principais e insistia em passar em claro todas as sua vitórias políticas sem uma sinfonia, ou um quarteto, ou uma ópera, ou mesmo uma canção.

Vladimir Zak citado por José Pacheco no 2º volume da biografia de Álvaro Cunhal.

Legenda: Dimitri Shostakovich

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Página 558 do 2º volume da Biografia de Álvaro Cunhal:   

«E foram também intelectuais comunistas que traduziram esteticamente o carácter «heróico» do momento. O conjunto de canções que Fernando Lopes-Graça compôs, no entusiasmo dos dias iniciais do MUD, foram talvez a mais importante herança simbólica de um movimento que parecia imparável e em que tudo parecia possível.

Vieram a ser publicadas na Seara Nova, nos finais de 1945 com poemas de José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira e Arquimedes da Silva Santos, todos militantes ou simpatizantes comunistas. Uma canção intitulada «Companheiros, Unidos!» era apresentada como «hino do MUD», falava de «um combate que vença e que mate – servidão, reacção, escuridão!». Mas a que ficou mais célebre foi «Jornada», com letra de José Gomes Ferreira, que se tornou o verdadeiro hino da oposição portuguesa popularizado que foi pelo MUDJ».

OLHAR AS CAPAS


Álvaro Cunhal

«Duarte» o Dirigente Clandestino

(1941-1942)

Volume II

José Pacheco Pereira

Capa: António Rochinha Diogo

Temas e Debates, Lisboa Maio de 2001

Muitas vezes, nas páginas deste livro, hesitei se devia identificar  como sujeito da acção o partido, o PCP ou Álvaro Cunhal, Muitas vezes poderia ter escrito aprnas Cunhal, porque a sua marca de autoria está lá na acção colectiva, no texto anónimo, na posição política. O leitor não estranhe, portanto, que Cunhal como actor individual não apareça em vários capítulos deste livro, porque essa não-presença é puramente ilusória.

À LUPA

Amanhã há Greve geral.

Luís Montenegro afirmou que o Governo está focado em não defraudar as expectativas das pessoas, prometeu trabalho e defendeu que Portugal é uma referência no mundo ao nível da estabilidade económica e social.


NOTÍCIAS DO CIRCO

O antigo banqueiro Ricardo Salgado não vai cumprir os 13 anos de cadeia efectiva a que foi condenado em dois processos por criminalidade económico-financeira: a doença de Alzheimer de que padece não lhe permite ter condições para viver num estabelecimento prisional, decidiu esta terça-feira, 2 de Junho, um colectivo de juízes do Campus da Justiça, em Lisboa.

A DOR DE UM GATO

Quando cegaste foi de vez. Sem aviso prévio e dos dois olhos em simultâneo.

Não foi de um dia para o outro, foi mais o que se chama de um momento para o outro.

De um momento para a noite, melhor dizendo.

Quando cegaste foi como se na casa uma espécie de morte tivesse dado sinal de vida, essa sua espécie de vida.

Pois quantas vezes é assim, absurda e traiçoeira, que ela vem. E se instala.

Tu, indeciso e desorientado, andavas sem rumo pela casa às topadas a móveis, sacos de plástico, pilhas de livros.

Não foi um espetáculo bonito de se ver, acompanhado com miador que eram verdadeiros gritos de dor, de aflição, ou de cólera.

Ou, mais provável, tudo isso junto.

Grande ironia do destino, pensei na altura, logo os teus olhos.

Que eram amplos, redondos, curiosos, sempre alerta e cheios de luz.

Uns olhos de fazer inveja a muita gente que eu cá sei.

E gritaste, durante uns bons minutos gritaste.

Um som não ouvido até então, um novo som arrancado à natureza, ou ao mais fundo da tua animal sinceridade.

Um som que percutia os tímpanos com a sua nota de urgência e pânico.

Sabia-se de onde ele vinha, o som, não para onde ia.

Sim, para onde, se é que ia para algum lado? A quem se dirigia, se é que era dirigido a alguma coisa ou alguém?

A mim não seria: sabias, com a tua antiga e animal sabedoria, que eu nada te podia valer.

A Deus também não seria: os gatos, é coisa bem conhecida, não vão em trapaças.

Resta o puro NADA como hipótese, resta a

GRANDE PUTA QUE A TODOS NOS PARIU!

Rui Caeiro

segunda-feira, 1 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Nós defendemos o fado, portanto, o fado porque é uma manifestação da arte popular e porque é um meio de propaganda bastante sensível às camadas proletárias. Dentro deste ponto de vista, consideramos que os antifascistas devem desenvolver e elevar os elementos artísticos que o fado contém, libertando-o de todas as influências estranhas com que os inimigos da cultura popular e dos interesses do povo procuram corrompê-lo. O fado é do povo! Façamos, pois que o fado não exprima dó passivamente o sofrimento do povo, mas reflicta as suas aspirações e indique oi caminho a seguir.

Avante!, 1937 em 1º volume da biografia de Álvaro Cunhal de José Pacheco Pereira.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Página 462 do 1º volume da Biografia de Álvaro Cunhal, carta de Cunhal a Mário Soares (27.12.1941) agradecendo os votos natalícios e de Ano Novo:

«Caro Mário Soares

Muito obrigado pela sua gentileza.

Espero que o ano de 42 traga uma nova felicidade aos homens de todos os países.

É, acima de tudo, esta felicidade geral que as pessoas dignas podem desejar. Entretanto, cada qual tem a possibilidade de encontrar satisfações no esforço próprio, no trabalh, e num comportamento honrado.

Pedindo-lhe que transmita os meus cumprimentos a seu Ex.mo Pai,

Saúdo-o cordialmente

Álvaro Cunhal»

OLHAR AS CAPAS

Álvaro Cunhal

«Daniel», o Jovem Revolucionário

(1913-1941)

Volume I

José Pacheco Pereira

Capa: António Rochinha Diogo

Temas e Debates, Lisboa Maio de 1999

Quando Álvaro Cunhal chegou a Lisboa a seguir ao 25 de Abril, era um homem com mais de sessenta anos. Com esta idade, tinha atrás de si uma vida e uma experiência sem qualquer paralelo com outro dirigente partidário português, Era o único que estava politicamente activo desde o início da ditadura e que somava as três componentes de experiência da oposição: dirigira um partido clandestino no interior, sofrera uma longa pena de prisão e conhecera o exílio.

Álvaro Cunhal foi o único dirigente da oposição portuguesa que, dos marinheiros revoltosos de 1936 aos operários grevistas de 1943, ais esquerdistas dos anos sessenta, a Jaime Cortesão, Bernardino Machado, Bento de Jesus Caraça, Mário Soares, Humberto Delgado – no plano nacional – e a Suslov, Ponomarev, Brejnev, Santiago Carrilho, Jacques Duclos, Fidel de Castro, Berlinguer -  no plano internacional – teve um papel efectivo: foi um actor dos acontecimentos e não um espectador cerimonial. Em nenhum outro político português se condensa melhor a atribulada história do Portugal que sempre recusara Salazar. 

RECEITA PARA FAZER AZUL

Se quiseres fazer azul,
pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,
que possas levar ao lume do horizonte;
depois mexe o azul com um resto de vermelho
da madrugada, até que ele se desfaça;
despeja tudo num bacio bem limpo,
para que nada reste das impurezas da tarde.
Por fim, peneira um resto de ouro da areia
do meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal.
Se quiseres, para que as cores se não desprendam
com o tempo, deita no líquido um caroço de pêssego queimado.
Vê-lo-ás desfazer-se, sem deixar sinais de que alguma vez
ali o puseste; e nem o negro da cinza deixará um resto de ocre
na superfície dourada. Podes, então, levantar a cor
até à altura dos olhos, e compará-la com o azul autêntico.
Ambas as cores te parecerão semelhantes, sem que
possas distinguir entre uma e outra.
Assim o fiz — eu, Abraão ben Judá Ibn Haim,
iluminador de Loulé — e deixei a receita a quem quiser,
algum dia, imitar o céu.

Nuno Júdice

domingo, 31 de maio de 2026

POSTAIS SEM SELO


Quem ama o abismo precisa de ter asas.

Nietzsche

OLHAR AS CAPAS


História da Grande Revolução Socialista

P.N. Sóbolev

Edições Progresso, Moscovo 1977

Na Ucrânia a situação era muito mais complexa. A Ucrânia era uma região economicamente desenvolvida. Nos anos de 1913-1914 fornecera 71% do volume global da extracção do carvão de pedra, 68% da do ferros em lingotes, 58& do aço, 57% da de laminados e 80% da do açúcar. Ali trabalhavam cerca de 3,5 milhões de operários, sendo industriais – 812,5 mil.

MÚSICA PELA MANHÃ


Neste domingo, ninguém dos meus acompanhantes de palmilhar caminhos morreu, e quanto a música, fiquem-se com estas.




sábado, 30 de maio de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Não há pior luta do que aquela que não se faz…

Legenda: página 29 de Conheça Karl Marx