quarta-feira, 8 de julho de 2026

OS DIAS VISTO DO CAFÉ DO MONTE

Ana Cristina Leonardo preguiçando pelos alentejos-quase-espanha- pouco mais de 200 metros de largura de água fluvial a separar os dois países –:

«A vida decorre, pois, sem novidade, e só o preço da gasolina e das frutas e hortaliças nos relembra que há guerras a decorrer no mundo.»

HÁ SIM! OS SILÊNCIOS...


 «O impacto do som do silêncio é mais forte do que um vídeo milhões de vezes partilhado. Quando é que o silêncio se vai tornar viral? Quando é que vamos perceber que só conseguimos pensar de forma clara e com discernimento se não estivermos atordoados em mil estímulos que nos derrubam a força e o ânimo? As pessoas esquecem-se que precisam de silêncio porque não conseguem chegar a essa conclusão no meio de tanto alarido. 

Continuo a gostar do meu silêncio. Às vezes fecho os olhos e ainda acho que tudo pode ser possível.  

O coração ainda bate.»

Inês Meneses, no Público

SONETO INCOMPLETO

Como foi, meu amor, que não nasceste,

e, onde não sonho, um berço me ficou?

Eu cartas escrevi, que nunca leste;

desejos tive de quem nunca amou.

 

De me fugires, andei quando perdeste,

e de tão pouco resisti qual sou.

Como foi, meu amor, que não nasceste,

e, onde não sonho, um berço me ficou?


Jorge de Sena em 40 Anos de Servidão

terça-feira, 7 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Não, o futebol não é um mundo à parte. Pelo contrário, é o espelho que melhor reflecte a nossa mediocridade.

Constança Cunha e Sá

À LUPA


 O jornalista pergunta.

- Como lida com o facto de a sua titularidade estar a ser questionada e criticada?

Cristiano Ronaldo responde:

- Há 23 anos que vocês me tentam matar. Mas não vale a pena. É perda de tempo. Os adeptos são fiéis e estão sempre comigo. O resto é lixo e não conta para nada.

NOTÍCIAS DO CIRCO


E Luís Montenegro voltou a abandonar o seu trabalho, em Lisboa, para ir a Dallas ver a selecção.  

 «Hoje é um dia triste, é um dia de decepção» mas, ao mesmo tempo, realçou, face à derrota, o sentido de orgulho português.


OLHAR AS CAPAS


 Robert Doisneau

Direcão: Henrique Monteiro

Colecção Mestres da Fotografia

Edição: Expresso, Lisboa 2008

 «Penso que o papel do fotógrafo é o de um observador privilegiado, que pode entrar em todos os sítios.»

ATROPELAMENTO E FUGA

Era preciso mais do que silêncio,
era preciso pelo menos uma grande gritaria,
uma crise de nervos, um incêndio,
portas a bater, correrias.
Mas ficaste calada,
apetecia-te chorar mas primeiro tinhas que arranjar o cabelo,
perguntaste-me as horas, eram 3 da tarde,
já não me lembro de que dia, talvez de um dia
em que era eu quem morria,
um dia que começara mal, tinha deixado
as chaves na fechadura do lado de dentro da porta,
e agora ali estavas tu, morta(morta como se
estivesses morta!),olhando-me em silêncio estendida no asfalto,
e ninguém perguntava nada e ninguém falava alto!

Manuel António Pina em Poesia, Saudade da Prosa


segunda-feira, 6 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.

Carlos Drummond de Andrade

Legenda: fotografia de Luís Eme 

TRUMPALHADAS


 O “poder” de Donald Trump chega ao futebol, que ele, como tantas outras coisas, nem sabe o que é, e pediu ao amigo Infantino, presidente da Fifa,  a anulação do castigo ao jogador norte-americano.

Para que conste:

1.

«O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma ligação telefônica a Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir a revogação da suspensão de Folarin Balogun, atacante dos EUA. A informação é do jornal americano The New York Times. O Comitê Disciplinar da Fifa decidiu suspender o cartão vermelho que o jogador recebeu na vitória sobre a Bósnia, que o tiraria automaticamente da partida contra a Bélgica.»

2.

A União Europeia e a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) criticaram a Fifa nesta segunda-feira por revogar o cartão vermelho dado ao jogador dos Estados Unidos Folarin Balogun durante a última partida da seleção norte-americana na Copa do Mundo.

O comissário europeu para assuntos do desporto, Glenn Micallef, afirmou que as decisões sobre o desporto "pertencem às entidades desportivas, não aos políticos".

3.

Donald Trump, confirmou esta segunda-feira ter pedido ao líder da FIFA, Gianni Infantino, a reavaliação do cartão vermelho mostrado ao avançado norte-americano Folarin Balogun, para que possa alinhar no encontro frente à Bélgica.

“Pedi uma reavaliação porque não achei que tivesse sido falta”, declarou Trump durante um evento na Casa Branca. O Presidente dos Estados Unidos considerou ainda que as regras relativas ao cartão vermelho são injustas e classificou como “muito duvidosa” a atuação do árbitro do jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina.

REOLHARES

O sonho meu, como o de tanta gente, era que um teatro tivesse tanta gente como um Benfica-Sporting, e nem era preciso tanta. Mas estas coisas acontecem porque desde putos jogamos, à bola rua, - ainda se joga à bola nas ruas? – e criámos esse gosto.

Joaquim Benite é um homem de teatro.

Conheci-o ainda ele era um jovem repórter de “O Século”.

Como morava num quarto, perto da casa dos meus pais, amiúde, acontecia apanharmos o último eléctrico para a Graça. Descíamos ao fundo da Heliodoro Salgado, subíamos a rua e entre tantas outras conversas, o teatro entrava sempre. Terá sido das primeiras pessoas a quem ouvi dizer que o teatro existia para ser representado e que entre ler uma peça e vê-la nas tábuas de um palco, há como aquela diferença entre beber um café e beber um nescafé porque o teatro tem que ter aquela vivacidade que só o actor e um palco emprestam ao texto.

Fiquei feliz quando lançou e alicerçou o “Grupo de Teatro de Campolide” ali, entre o Restaurante “Valenciana” e a “Pastelaria A Pastorinha” ícones do bairro de Campolide.

Mais velho que o mundo: quem gosta verdadeiramente do que faz , tarde ou cedo alcança o sonho.

O sonho hoje chama-se “Companhia do Teatro de Almada”.

De 4 a 18 de Julho realiza-se o 28º Festival de Almada, que se encontra entre os melhores festivais que se realizam pelo mundo.

Mais informações aqui

“Não sei se Joaquim Benite foi um jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.

Mas isso não é o mais importante, pelo menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa cidade -, que o homem dos jornais.”

Luís Eme em O Casario do Ginjal” 


Lembrança de um texto publicado em O Cais do Olhar de 7 de Julho de 2011.

NOTÍCIAS DO CIRCO

É de capital importância estarmos em guarda contra as mentiras sobre imigrantes, propaladas pelas gentes Daquela Coisa.

Lido no Público, artigo de Natália Faria:

«O número de imigrantes com contribuições para a Segurança Social continua a diminuir: em Abril de 2026, havia 871.057 estrangeiros inscritos, o que traduz um recuo de 0,5% (menos 4288 pessoas) face ao mês anterior, segundo os dados mais recentes da Segurança Social. Mas, apesar desta diminuição, o valor das respectivas contribuições atingiu os 365,4 milhões de euros, o que traduz um crescimento de 10,7% (mais 35,2 milhões) face ao mês homólogo do ano anterior.
Esta discrepância pode ser explicada, segundo a investigadora e ex-directora do Observatório das Migrações, Catarina Rei Oliveira, pelo reforço do trabalho sazonal, nomeadamente na área da hotelaria, por altura do pico de turismo na Páscoa, por um lado, e na da construção civil, mais concretamente por causa "da procura da mão-de-obra para apoiar a reconstrução das casas ou a recuperação da área das florestas" no pós-Kristin.»

SABES...

Sabes, 

agora, sempre que te encontro, 

sinto que o tempo está contra nós.

Olhas vezes demais para o relógio, que não usas.

Fico sempre com a sensação que digo demasiadas coisas, 

sem te dar tempo para contrapores,

para me falares de ti.

 

Esqueço-me que sou um tolo,

que te visita no horário de trabalho. 

Esqueço-me de que és uma excelente profissional.

E não menos importante,

esqueço-me de que não és minha...

 

E sim, o cabelo mais curto, 

fica-te bem e oferece-te outra leveza

para suportares este calor das arábias...


Luís Eme no Largo da Memória

domingo, 5 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Toda a história do mundo não é mais que um livro de imagens reflectindo o mais violento e mais cego dos desejos humanos: o desejo de esquecer.

Herman Hesse

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA


Todos os anos, em Almada, acontece o Festival de Teatro.

Começou ontem e prosseguirá até 18 de Julho.

Ao todo serão 19 espectáculos, 12 estrangeiros, sete portugueses.

A programação pode ser consultada aqui.

Legenda: fotografia de Rui Ornelas.

MÚSICA PELA MANHÃ


Iremos ter um outro dia de calor infernal.

Lembremos Julia Roberts e morangos

 Dizem que os morangos são a fruta símbolo de Vénus, a deusa do amor.

Iremos ter um outro dia de calor infernal.

Dizem também que o champanhe é o leite dos adultos, o néctar dos deuses.

Conta a lenda que Dom Perignon, depois de ter inventado o champanhe, chamou um outro monge e foi-lhe dizendo: Venha depressa provar! Estou a beber estrelas!

Uma cena inesquecível de Pretty Woman?

Quando Richard Gere oferece morangos à Julia Roberts.

 Ela olha interrogativa, e ele responde que os morangos realçam o sabor do champanhe.

Na questão deste pormenor há cepticos.

Quem realmente admita que os morangos realçam o sabor do champanhe, mas que não parece ser a melhor qualidade deste mundo possuir opiniões sólidas e infalíveis porque, se verdade existe na teoria, uma outra conduz-nos a que para que isso, de vero, aconteça, fica sempre a faltar a Julia Roberts…

David Gilmour, em O Clube de Cinema, diz ao filho:

Perguntei certa vez ao David Cronemberg se tinha alguns «prazeres inconfessáveis» em relação ao cinema – filmes que sabia não prestarem mas que adorava na mesma. Abri caminho à sua resposta admitindo ter um fraquinho por Um Sonho de Mulher (1990) com Julia Roberts. O filme não tem um único momento verosímil, mas é uma narrativa surpreendentemente eficaz, uma sucessão de cenas agradáveis que nos prendem até ao fim, depois de ficarmos agarrados àquela história tão idiota.

- Os canais de televisão cristãos – respondeu o Cronemberg sem hesitar.

Alago o fascinava naqueles evangelistas do Sul de cara inchada, a agarrar uma multidão.


Legenda: a cena do filme onde se fala dos morangos e do champanhe, não é bem a que podem ver, mas foi o mais perto que consegui encontrar…

  



sábado, 4 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Um amigo é um presente que damos a nós próprios.

Robert Louis Stevenson

Colaboração de Aida Santos

QUOTIDIANOS

De novo um apagão!

CONVERSANDO

Um dos meus primeiros patrões, um dia, disse-me:

 - Oh Aida, deixe-se de romantismos. Só há duas vidas: uma é boa a outra não presta.

Colaboração de Aida Santos

MÚSICA PELA MANHÃ


O nosso cancioneiro tem canções que percorrem os tempos, a Canção do Mar é uma delas.

Composta em 1955 com letra de Frederico Valério e música de Ferrer Trindade, conheceu diversas versões, não só em Portugal como no estrangeiro.

Amália Rodrigues cantou-a, com o título Solidão, no filme Os Amantes do Tejo.

Gravada por Dulce Pontes em 1993 para o seu álbum Lágrimas, teve a exigência do actor Richard Gere para que fosse colocada na banda sonora do Filme A Raiz do Medo.








sexta-feira, 3 de julho de 2026

À LUPA


Luís Montenegro deixou o trabalho a marinar em Lisboa para ir, até Toronto, ver a selecção.

«É disto que o meu povo gosta!»

LÍDIA JORGE É PRÉMIO CAMÕES


 Lídia Jorge é a vencedora da 38.ª edição do Prémio Camões, a mais importante distinção literária da língua portuguesa, com um valor pecuniário de 100 mil euros. A decisão foi tomada por unanimidade.

Aos 80 anos, Lídia Jorge é a décima mulher a receber o Prémio Camões.

Colaboração de Aida Santos

QUEM VIVE PARA O AMOR ESTÁ LIXADO

Quem vive para o amor está lixado

não tarda, que o amor é um amplo espaço

vazio sem cor nem forma e um silêncio

tumular por perto. Mau, muito mau

para se levar alguém. Mas tu vieste

e de imediato tudo fôra já decidido

como quando alguém nasce e olha em torno

— pouco importa se estranha ou não a paisagem.

Tínhamos o nosso espaço e tínhamo-nos

a nós, um ao outro por natural companhia

era o amor, tudo indicava. Podia-se morrer

disso. E tínhamos o tempo todo para ver.

Rui Caeiro

quinta-feira, 2 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Nunca o caminho percorrido é o mais acertado logo que reavemos a nossa capacidade de auto-critica e nos imaginamos pelo outro que não percorremos. O percurso que não fizemos é sempre melhor, e o melhor que teríamos feito, só porque se pensa que se se pensasse não se faria. Nós sabemos: somos um erro - mas a consciência disso isola-nos do erro alheio.

António Maria Lisboa

MARCADORES DE LIVROS



Colaboração de Aida Santos