O Mundo está a ser devastado por um punhado de tiranos.
Papa Leão
XIV
Expansão da Linha Circular do metro de Lisboa, que devia ter sido concluída em 2023, vai custar mais 48 milhões, totalizando agora 380 milhões euros.
Cozinha
para Homens
Alfredo Saramago
Colares Editora
Capa. Irene Buarque
Colares Editora. Colares s/d
Este
livro é para os homens que gostam de cozinhar e bem comer, sabendo que a
diferença é grande entre alimentação sobrevivência e cozinha para regalo do paladar.
É para os homens que desejam experimentar receitas que as sua mães, mulheres ou amantes nunca souberam fazer, ou sabendo, já esqueceram e que por falta de tempo, de meios ou de gosto, nunca ensaiaram.
Com António
Ramos Rosa, nº 12 da Colecção Poetas de Hoje, editados pela Portugália Editora,
fecha-se a apresentação
dos Poemas
Autografados dos volumes existentes na Biblioteca ca Casa.
O poeta E.M.
de Melo e Castro é o autor do prefácio-estudo da poesia de António Ramos Rosa,
um poeta muito cá da casa.
Quando em
1988 recebeu o Prémio Pessoa, organização do semanário Expresso, disse:
«No meu trabalho
poético há duas fases. A primeira está mais ligasa a certos condicionalismos
sociopolíticos, que têm a ver com o regime repressivo da ditadura fascista.
Numa segunda fase, aproximei-me mais de uma atitude contemplativa, de abertura ao
mundo e à natureza. Penso que a minha poesia é, de certa maneira, a identificação
de um país que por natureza está sempre submerso, por um lado, e o real, por
outro.»
Um país submerso, notou e também acrescentou que, em
1988, «não sei mais do que sabia quando
escrevi o meu primeiro poema.
Gostava de
dizer, citando Octavio Paz que «os poetas
não têm biografia.»
António
Ramos Rosa não escolheu um poema para o seu autógrafo, escolheu as primeiras
palavras do poema Para a Linguagem Necessária:
Minhas palavras, meus saltos
bruscos, pontiagudos
para dizer o espaço
que subjaz sempre novo.
Para dizer o que resta
ou o que falta de súbito,
o que nos faz continuar,
água livre.
O compositor, artista plástico e arquiteto José Luís Tinoco morreu na noite de quarta-feira, em Lisboa, aos 93 anos.
Pianista,
criador de canções como No teu poema,
uma lindíssima canção.
José Luís Tinoco foi também o músico de jazz que fez parte das primeiras formações do Hot Clube de Portugal, o poeta que publicou "Perseguição dos dias", o compositor que Bernardo Sassetti, João Paulo Esteves da Silva, Mário Laginha, Ivan Lins, Carlos do Carmo abordaram vezes sem conta, e cuja música detém “a qualidade dos grandes ‘standards’”, como reconhecem os seus intérpretes, num nível equiparável a Cole Porter ou Tom Jobim.
A sua marca, porém, não se limita à música. Estende-se à arquitetura, à ilustração, ao cartoon, à fotoanimação, aos figurinos e cenários para teatro, ópera e bailado, ao design e às artes gráficas.
Em 2014, José Luís Tinoco recebeu o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores, e o Teatro S. Luiz, em Lisboa, abriu a temporada com o espetáculo de homenagem “Os lados do mar – José Luís Tinoco”, dirigido por Laurent Filipe, com a participação de músicos como Carlos do Carmo, Carminho, Camané, André Sarbib e Pedro Jóia.
"Evito o fácil", dizia
sempre José Luís Tinoco. "Não cedo
só porque é bonito", garantia. Na música, na pintura, na arquitetura,
na vida toda.
No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da senhora da agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.
Com pesos duvidosos me sujeito
À balança até hoje recusada.
É tempo de saber o que mais vale:
Se julgar, assistir, ou ser julgado.
Ponho no prato raso quanto sou,
Matérias, outras não, que me fizeram,
O sonho fugidiço, o desespero
De prender violento ou descuidar
A sombra que me vai medindo os dias;
Ponho a vida tão pouca, o ruim corpo,
Traições naturais e relutâncias,
Ponho o que há de amor, a sua urgência,
O gosto de passar entre as estrelas,
A certeza de ser que só teria
Se viesses pesar-me, poesia.
José Saramago
No
Vértice da Noite
Adalberto Alves
Ilustrações: Figueiredo Sobral
Capa: Luís Nazaré Gomes
Argusnauta, Lisboa, Novembro de 2007
Movimento Perpétuo
À memória do Carlos Paredes
há dedos,
garras enclavinhadas
nos
corações na penumbra
e
assim podem sangras melancolia
amarinham
sobre silêncios
e
escamam a melodia
numa
costa perdida
onde
é febre à noite
quem
guia a incontinência dos dedos?
quem doma
a fúria do ranger?
só o
silêncio o sabe
porque
é música a dormir
a
pausa essa é apenas um sinal
inscrito
há face da partitura.
no ser
nada repousa
e
freme a luz que é pura.
Disse que se chamava Clara
e sentou-se na mesa, chamando
o criado para pedir um uísque irlandês.
Eles abriram mais espaço, cruzaram
as pernas, perguntaram se os charutos
a incomodavam. Clara disse: «Não!»
Pediu mesmo se lhe ofereciam um.
«Claro!», ofereceu o mais jovem,
emprestando-lhe a tesourinha
niquelada. Disseram banalidades,
vieram mais bebidas. Clara traçava
o rumo da conversa, entre baforadas
azuladas. Quando ela saiu, descruzaram
as pernas e ficaram sem saber o que dizer.
Eduardo Guerra Carneiro em Profissão de Fé
«Era suposto J.D. Vance estar a jogar em casa. Na terça-feira, o
vice-presidente norte-americano era entrevistado num evento na Universidade da
Georgia organizado pela conservadora Turning Point USA, de cuja actual líder
Erika Kirk obteve já uma primeira declaração de apoio a uma quase certa
candidatura às presidenciais de 2028, quando foi interrompido por um
manifestante na plateia. “Estão a matar crianças” e “Jesus Cristo não apoia
genocídios”, ouviu-se.
Vance podia ter repetido o que Donald Trump fez várias vezes na campanha de
2024 e menosprezado o incidente como um acto de um "infiltrado".
Desta vez, o vice-presidente republicano reconheceu que as críticas vêm de
dentro. “Aceito que os eleitores jovens não amam as políticas que temos no
Médio Oriente”, declarou o número dois da Administração Trump. “O que vos peço
é que não desmobilizem só porque discordam do Governo num tema”, apelou
De delfim a pára-raios de Trump, J.D. Vance é rosto de tripla derrota de
Washington
O proto-candidato republicano, que vinha perdendo protagonismo em Washington
para Marco Rubio, chefe da diplomacia dos EUA e outro putativo nome para a
sucessão de Trump, foi na semana passada enviado para duas frentes de batalha
no Irão e na Hungria. A dupla missão elevaria o seu perfil político e
encaixaria em dois eixos da sua agenda externa: o fim do intervencionismo
militar norte-americano, através da negociação de um acordo de paz com Teerão,
e a promoção da direita radical europeia, com a sua presença na campanha
eleitoral húngara.
O esforço terminou em dupla derrota no fim-de-semana, a que se junta agora uma
crise diplomática com o Vaticano. Vance vê-se transformado numa espécie de
pára-raios de Trump, atraindo parte das críticas de que este é alvo, com custos
para a sua marca política.»
De um texto de Pedro Guerreiro no Público
Para o poema de amanhã, lembrei-me do Eduardo Guerra
Carneiro e peguei na Profissão de Fé,
livro de poemas, uma bonita capa do Rogério Petinga, editado pela Quetzal no
ano de 1990 e que me custou 900 escudos, ao câmbio de hoje seriam 4 euros e 50
Cêntimos.
Na contra capa do livro encontra-se um texto do
Manuel João Gomes, seu amigo, e disse de mim para mim que este texto também
poderia ser um dos Itinerários do Eduardo.
Aqui fica:
«É
hoje vulgar dizer-se: "Isto anda tudo ligado, como diz o poeta." E
qual é o poeta que diz: Isto anda tudo ligado? Camões? Pessoa? Não. Isto anda tudo ligado é o título
dum livro que Eduardo Guerra Carneiro publicou em 1970.
O que para o poeta andava ligado naquele já remoto ano de 1970? Tudo: a
cerveja, os Beatles, uma mesa de café numa pequena vila perto de Tomar, um
poema da Camilo Pessanha, a Twiggy (inventora de minissaia), a memória
"destes anos, destas cidades mornas onde com vagar enlouqueço", enlouquecemos,
enlouqueceremos. E também Allen Ginsberg, Joan Baez a cantar, a estação de
Nelas, uma enorme bebedeira na Covilhã, Walt Whitman, os guerrilheiros que saem
do Vavá "com uma citação à bandoleira". E outra vez a cerveja: as
letras "que escorrem pela caneta como a cerveja pelos cantos da
boca"...
Poesia em prosa, prosa de poeta incorrigível, melancólico, irónico, um
tudo-nada romântico. Poesia às vezes jornalística, quotidiana e quotinocturna,
em cima do acontecimento. Antes, durante e depois da ressaca. Confissões,
recordações da terra natal, paisagens, retratos.»
«A propósito do absurdo momento televisivo entre Pacheco Pereira e André Ventura, tem sido recordada a recomendação de George Bernard Shaw: não se deve lutar com um porco, pois enquanto este gosta, quem entra na peleja fica inapelavelmente enlameado. Infelizmente, já estamos num tempo diferente, no qual a sujidade se expande em ondas incontroláveis, que nos envolvem a todos. A explicação está num equívoco sobre o que é ser democrático.»
Pedro Adão e Silva no PúblicoDorothea Lange
Direcão: Henrique Monteiro
Colecção Mestres da Fotografia
Edição: Expresso, Lisboa 2008
«A Câmara é um instrumento que ensina as pessoas a ver sem câmara.»
Entretanto, meu filho, é vinho tinto,
erosão persistida, abraço baço.
Lumes novos, quem é que os inventa
melhor do que o calor que nós nos damos?
Às uvas pois. O mais é uma cadeira
e o olhar do céu com chuva ou não,
enquanto as aves fogem e nós as imitamos
quase sem dor nem arte - só sentidos.
Assim sossega, assim verdeja e está,
eructa e vê, olhando à transparência,
um céu assim mais lento.
Só depois te levantas e contigo
vai certeza nenhuma, só viver
outra vez, amanhã, a vida mesma.
Pedro Tamen
Recorte tirado de O Século do Povo Português de Eduardo Cintra Torres e Luís Marinho, Ediclube, 2001.
O FMI reviu em baixa a previsão para o crescimento da economia portuguesa, para 1,9% em 2026. Já os preços deverão crescer a ritmo mais acelerado este ano, antecipa agora a instituição.
O crescimento da economia global deverá abrandar este ano e no próximo, enquanto os preços vão aumentar a um ritmo mais acelerado do que o esperado, resultado do impacto da guerra no Irão no mercado da energia e de outras matérias-primas.
A
Maldição Dain
Dashiell Hammett
Tradução: Manuel Grangeio Crespo
Capa: João Botelho
Colecção Série Negra nº 7
A Regra do Jogo Edições, Lisboa, Novembro
de 1980
Mas
ela não o amava. Pelo menos não há razão nenhuma para supor que sim. Ele não
passava para ela dum troféu de caça; e isso é um valor que a morte não apaga.
Embalsama-se a cabeça e pendura-se na parede.
À medida que ver se completa em arco
de uma harmonia que reúne o espaço inteiro
a flor se ergue em fantasia calma e se decanta
na brisa que a inclina e a rodeia e a aviva.
Não mais a máscara, não mais a mímica, não mais
as flautas e as palavras flutuantes. Só a canção
do mar, a sua ordem múltipla e monótona,
os seus artifícios frescos, a sua fragrância funda.
É uma voz que torna o céu mais amplo e a folha
mais azul. É o conhecimento de uma ordem
em que as sombras se combinam com o vento,
em que os corpos são formas do verdadeiro oceano.
António Ramos Rosa de No Calcanhar do
Vento em Obra Poética Vol. I
John Brennan, ex-director da CIA, declarou, no sábado,
numa entrevista, que Donald Trump “está claramente
fora de si” e que a 25ª emenda foi escrita a pensar em Donalad Trump.
Criticado
por Donald Trump, o Papa Leão XIV diz que vai continuar “a falar claramente
contra a guerra, a promover a paz, a promover o diálogo e as relações
multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os
problemas”.
É a resposta
do pontífice ao Presidente norte-americano, que o considerou “fraco” por ter criticado
a guerra contra o Irão. Leão disse não querer entrar em debate directamente com
Trump, mas acrescentou que há “abusos” à mensagem cristã.
«Há
demasiada gente a sofrer no mundo actualmente. Demasiados inocentes estão a ser
mortos. E penso que alguém tem de dizer que existe um caminho melhor. A
mensagem da Igreja, a minha mensagem, a mensagem dos Evangelhos:
bem-aventurados os que fazem a paz. Não olho para este papel como sendo
político”, disse o Papa.
"O papa Leão é fraco no combate ao crime e
péssimo na política externa", escreveu Donald Trump na Truth Social no
domingo à noite. "Não quero um papa que acha OK o Irão ter
uma Arma Nuclear. Não quero um papa que pensa que é terrível a América ter
atacado a Venezuela, um país que estava a enviar quantidades massivas de droga
para os Estados Unidos e, ainda pior, esvaziando as suas prisões, incluindo
assassinos, traficantes de droga, para o nosso país", prosseguiu. "E
não quero um papa que crítica o presidente dos Estados Unidos porque estou a
fazer exatamente aquilo para que fui eleito, de forma esmagadora".
O líder dos Estados Unidos referiu ainda que Leão XIV devia "estar agradecido" porque apenas foi eleito papa "porque era americano, e eles pensaram que seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump". "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", acrescentou, referindo ainda que o Sumo Pontífice "é fraco no crime, fraco nas armas nucleares".
Bertrand Russell
Tradução: Brenno Silveira
Companhia Editora Nacional, São Paulo 1956
Talvez
se pudesse esperar que eu começasse este livro com uma definição de “filosofia”,
mas, erradamente, não me proponho fazê-lo. A definição de filosofia variará de
acordo com a filosofia que adotamos; tudo o que podemos dizer, para começar, é
que há certos problemas, considerados interessantes por certas pessoas, que não
pertencem, pelo menos no momento, a nenhuma das ciências existentes. Todos
esses problemas são de molde a despertar dúvidas quanto ao que se considera,
comumente, como conhecimento; e se tais dúvidas devem ser respondidas, isso só
pode ser feito mediante um estudo especial, ao qual damos o nome de filosofia.
Na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
estão quinhentos mortos com os olhos abertos.
A morte, num sopro, colheu-os aos molhos.
Nem tiveram tempo para fechar os olhos.
Eles bem sabiam dos bancos da escola
como os homens dignos sucumbem na guerra.
Lá saber, sabiam.
A mão firme empunhando a espada ou a pistola,
morrendo sem ceder nem um palmo de terra.
Pois é.
Mas veio de lá a bomba, fulgurante como mil sóis,
não lhes deu tempo para serem heróis.
Eles bem sabiam que o último pensamento
devia estar reservado para a pátria amada.
Lá saber, sabiam.
Mas veio de lá a bomba e destruiu tudo num só momento.
Não lhes deu tempo para pensar em nada.
Agora,
na berma da estrada, nuns quinhentos metros,
são quinhentos mortos com os olhos abertos.
António Gedeão de Linhas de Força em Obra Completa
Alfredo
Leite no Correio da Manhã.
1.
Os Estados Unidos e o Irão não alcançaram qualquer
acordo de paz no final de 21 horas de negociações no Paquistão.
É provável que existisse alguém que ainda acreditasse
em algo diferente do que veio a acontecer.
Vance disse que os Estados Unidos apresentaram a sua
"melhor oferta final", mas que os iranianos recusaram a proposta, bem
como qualquer compromisso para não desenvolver armas nucleares.
A delegação iraniana, por seu turno, acusa os
norte-americanos de terem apresentado "exigências irrazoáveis" e
"ilegais". Para além do nuclear, continuam a ser pontos de discórdia
o controlo do estreito de Ormuz, o levantamento de sanções e o pagamento de
indemnizações de guerra. Não houve acordo em nenhuma das frentes.
A reacção de Donald Trump, é de indiferença.
"Aconteça o que acontecer, nós ganhamos", declarou ainda na noite de sábado e foi assistir a um combate de luta livre em Miami.
A reforma
laboral, ou o que lhe quiserem chamar é uma das muitas incompetências do
governo de Luís Montenegro:
Final do artigo de opinião de São José Almeida no Público:
Aos domingos, com música pela manhã, iremos bater a essas
portas, também a outras.
A laranja de manhã é oiro, à tarde prata, à
noite mata.
Envelhecer não é para cobardes.
Vogar nas asas da fantasia.
Quem quer respeito dá-se ao respeito.
Do vinho e da mulher livre-se o homem se
puder.
Não há bom caldo só com água.
Fazemos amanhã o que podemos fazer hoje.