quarta-feira, 17 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS


 Vasco Santana

Luís Trindade

Capa: Fernando Rochinha Diogo

Colecção Fotobiografias Século XX

Círculo de Leitores, Lisboa, Novembro de 2008

«Sou do século passado. Inventou-se o cinema. o telefone, o avião… e o Vasco Santana! Foi uma bela invenção de fim de século.»


TRUMPALHADAS

«A arte de negociar de Donald Trump parece funcionar porque os objectivos da negociação são estabelecidos no fim da negociação e correspondem sempre ao que foi acordado. A julgar pelo comentário do Presidente dos Estados Unidos na sua conta na rede Truth Social, o líder da Casa Branca conseguiu desbloquear um estreito que estava aberto antes de ele iniciar uma guerra contra o Irão e de voltar a fazer fluir parte do petróleo mundial que estava a correr normalmente antes de os bombardeamentos terem começado. Portanto, Trump conseguiu negociar um acordo que deixa as coisas como estavam, mas depois de ter gasto já mais de 112,7 mil milhões de dólares na guerra, de acordo com o Iranian War Cost Tracker.

Trump não conseguiu a mudança de regime a que se propôs, não fez cair a autocracia teocrática que governa o Irão com mão de ferro, nem substituiu o líder por um outro mais disposto a cumprir os desejos dos EUA (como fez na Venezuela), não destruiu a capacidade nuclear iraniana nem sequer negociou o fim do enriquecimento de urânio (essa discussão ficou para depois).»

António Rodrigues no Público

À LUPA

E sim, o desprezível regime do Irão mantém-se de pé, porventura mais forte do que estava antes.

David Pontes no Público

DISTANTE

distante
mais distante
que a nuvem mais remota
está agora
a tua voz amor
a tua voz que um dia
um dia que já esqueceste
me falou de nós
me disse que seríamos
só um
que seríamos para sempre
como o dia e o sol
agora amor
exactamente neste momento
perdido na noite solitária
oiço apenas o eco
do que disseste
recordando a luz perdida
dos teus olhos
enquanto meus lábios
sangram
amargos
ouve amor
ouve em silêncio
este último grito
que
como um sonho perdido
vai desaparecendo ao longe
pela noite
pela solidão
ouve-o amor
ouve-o em silêncio
nunca o esqueças
com ele vão os meus olhos
com ele vai a recordação
das minhas mãos
que uma vez
foram tuas
ouve-o amor
ouve-o em silêncio…

Mário-Henrique Leiria em Poesia

terça-feira, 16 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Poeta não é gente, é bicho raro que de jaula ou gaiola se escapou e anda pelo mundo às cabriolas, aprendidas no circo que inventou.

José Saramago

OLHAR AS CAPAS


O Casamento e a Moral

Bertrand Russell

Tradução: Wilson Veloso

Companhia Nacional Editora, São Paulo, 1956

Ao caracterizar-se uma sociedade, seja antiga ou moderna, dois elementos há, que se ligam assaz intimamente, e que são da máxima importância: um é o sistema económico, o outro é o sistema familiar.

À LUPA


Campeonato do Mundo de Futebol 2022.

Começou no México a 11 de Junho, terminará nos Estados Unidos a 15 de Julho.

Há venenos próprios para o povo ter alegria.

«Deus criou o mundo e desistiu de continuar a sua obra ao sétimo dia, porque era domingo e havia um desafio de futebol».

O futebol não tem culpa de ser um belo espectáculo mas o escritor Mário de Carvalho revelou que «a maior alegria que me podiam dar era proibir a porcaria do joga da bola.».

Nestes dias, a Lupa inclinou-se para a tétrica socialite portuguesa:

Lili Caneças revela ritual insólito para ajudar a Selecção: "Ajoelho-me, rezo e espalho um sapray de água benta que trouxe de Fátima" e garante que a bola acaba  por entrar.

NUNCA SOUBE O TEU NOME

Nunca soube o teu nome. Entraste numa tarde,

por engano, a perguntar se eu era outra pessoa -

um sol que de repente acrescentava cal aos muros,

um incêndio capaz de devorar o coração do mundo.

 

Não te menti; levantei-me e fui levar-te à porta certa

como um veleiro arrasta os sonhos para o mar; mas,

antes de te deixar, disse-te ainda que nessa tarde

bem teria gostado de chamar-me outra coisa - ou

de ser gato, para poder ter mais do que uma vida.

 

Maria do Rosário Pedreira em Poesia Reunida

segunda-feira, 15 de junho de 2026

OLHAR AS CAPAS

 

Breve Interpretação da História de Portugal

António Sérgio

Edição crítica orientada por Castelo Branco Chaves, Vitorino Magalhães Godinho, Rui Grácio, Joel Serrão e organizada por Idalina Sá da Costa e Augusto Abelaira

Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa s/d

Fadados à sina de transpor limites, tivemos um carácter universalista pela nossa a acção no mundo físico: está na índole da nossa história que o tenhamos também no mundo moral.

TRUMPALHADAS

Os Estados Unidos e o Irão chegaram a acordo para pôr fim à guerra que dura desde Fevereiro, anunciou o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite deste domingo, 14 de Junho. A informação foi corroborada pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que tem actuado como mediador do conflito. A televisão estatal iraniana confirmou igualmente o fim da guerra, explicando que o Irão "forçou os Estados Unidos" a aceitar o acordo de paz e avançou com a reabertura do estreito de Ormuz.

Será que o louco conseguirá sair do buraco onde Netanyahu o enfiou?

Entretanto, no outro lado do mundo, a Rússia lançou, durante a madrugada desta segunda-feira, 15 de Junho, uma vaga de ataques de mísseis e drones sobre várias regiões ucranianas, tendo provocado pelo menos 11 mortos e danos substanciais num dos principais símbolos religiosos do país: o mosteiro ortodoxo da Pecherskaya Lavra, na capital da Ucrânia.

DESENCANTO

Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.

 

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.

 

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.

 

- Eu faço versos como quem morre.

 

Manuel Bandeira em Obras Poéticas

domingo, 14 de junho de 2026

OLHARES

Mário Castrim: o mais brilhante crítico de televisão deste país.

Ainda morava na Rua dos Lusíadas, quase frente à estação da Carris, trabalhava noite dentro, deixava a crítica no puxador da porta, ao lado da saquinha do pão, e era ali que o motorista do Diário de Lisboa a ia buscar, às 7 da manhã.

As suas críticas eram também verdadeiros poemas, ou histórias de encantar.

É o caso deste olhar sobre um documentário sobre antílopes.




DITOS & REDITOS


O Homem pensa, Deus ri.

O que arde cura e o que aperta segura.

Não interessa se cais, é a maneira como te levantas que te define.

O que não se pode provar não existe.

A ignorância, quando bem organizada, pode parecer uma teoria.

É possível parar o tempo?

A alguns, tantos, as coisas acontecem demasiado tarde, excepto a morte.

O que foi não volta a ser.


Legenda: azulejos de Querubim Lapa na Escola Luísa de Gusmão

MÚSICA PELA MANHÃ


 Neste domingo, juntamos mais algumas canções construídas com versos de Luís de Camões e salientamos a galega Uxia cantando Verdes são os Campos.

Voltamos a lembrar as poucas manifestações de não concordância na ideia de Alain Oulman pôr artistas a cantar Luís de Camões:

«Quando, em Outubro de 1965, a cidadã Ivone Maneiras teve conhecimento que Amália Rodrigues publicara um disco a cantar Luís de Camões, escreveu uma carta ao Director do Diário Popular.

O vespertino aproveitou a carta para fazer um inquérito a algumas personalidades.

Já nos referimos à opinião de José Gomes Ferreira.


Passados todos estes anos, consigo compreender a posição do poeta mas não concordo com ela. Aliás, José Gomes Ferreira teve para com Luís Cília uma posição de desagrado com as músicas que Cília fez para poemas seus.

A talhe de foice, e por mera curiosidade, publicamos uma carta patética de um colaborador de A Voz, jornal católico, monárquico e salazarista, sobre a lírica de Camões e a voz de Amália.

O recorte pertence à edição de 16 de Fevereiro de 1966»:





RETRATOS


 Texto de Catarina Carvalho, revista Única do Expresso, 18 de Abril de 2003.

sábado, 13 de junho de 2026

A PROVA DE QUE O RIDÍCULO NÃO MATA


«Esta imagem é uma imitação das que Trump publica todos os dias e em que se apresenta com diferentes trajes e posturas, desde Jesus Cristo ao Capitão América. Se vivêssemos num mundo normal, o narcisismo patológico de Trump já o teria levado a ser internado numa instituição para doentes mentais. O homem mais poderoso do mundo está louco, certificado por muitos médicos e psiquiatras, e a sua loucura tem aberto um caminho perigoso para tornar os EUA uma ditadura, e dado origem a muitas mortes, destruição de vidas e famílias, invasões, vinganças, ameaças e uma perturbação mundial dos equilíbrios geoestratégicos sem qualquer ideia de fundo, mas apenas caos e errância. O pior retrato dos anos que vivemos é esse homem poder continuar a estragar as poucas coisas que as democracias e o primado da lei e do direito tinham adquirido, poucas coisas, mas raras e boas, no meio de um mundo que já era, em si mesmo, muito mau. Trump valorizou todas as coisas más e está a destruir as boas.

André Ventura é o nosso discípulo de Trump. Tem muito de comum com Trump, a violência, a crueldade, o conteúdo vingativo contra os mais fracos, o combate à empatia, nos dias de hoje, um programa anticristão, criticado com severidade pelos bispos portugueses e pelos Papas. O “Deus” da legenda no cavalo é mais o do Jeová do Antigo Testamento e menos o de Cristo no Novo, ou melhor ainda não é Deus nenhum, porque o “Deus” é o que está a montar o cavalo.

O título que dei a este artigo, a prova de que o ridículo não mata, aplica-se à letra. Para além da enorme prosápia, tudo está errado nesta imagem. O grande anacronismo é obviamente a bandeira jacobina, que, mesmo sendo a nossa bandeira nacional, tem uma história e um conteúdo totalmente incongruentes com o cavaleiro e cavalo, as duas imagens mais fortes. Convém lembrar que, quando a República escolheu a actual bandeira, muitos republicanos e monárquicos ficaram furiosos pelo abandono do branco e azul. Não tenho nenhuma dúvida de que, se esse debate fosse hoje, Ventura estaria com os monárquicos contra a bandeira “ideológica” da República.
 
Compreende-se, a actual bandeira nacional recupera a bandeira revolucionária do 31 de Janeiro e do 5 de Outubro, com origem na Carbonária, escolhendo o verde, a “cor que, segundo Augusto Comte, mais convém aos homens do porvir”, como se diz no relatório oficial da bandeira. Comte e o positivismo, Carbonária, República revolucionária, pouco têm que ver com o “Deus, Pátria e Família" e com o programa político do cavaleiro medieval que a segura. Na verdade, valia mais usar a bandeira da Mocidade Portuguesa.

Como a imagem foi feita com inteligência artificial e ninguém tinha a cultura mínima para a rever, os erros abundam. O castelo de fundo nada tem que ver com os castelos medievais, mas sim com os pastiches românticos que vão desde Sintra à Penitenciária de Lisboa. Mas, na verdade, a ideia dos pastiches, se calhar, tem todo o sentido. A procissão que aparece ao lado tem também anacronismos semelhantes. Liderada pela bandeira jacobina, atrás vão as cruzes. Pode ser liberdade poético-política, mas estas falsificações têm um significado.

O “Deus, Pátria e Família” também tem uma história maldita e de novo convém lembrar que os mais recentes Papas criticaram essa trilogia, a começar por Bento XVI, falando da “Família” como sendo a “família universal”, ou seja, ciganos, monhés, banglas, etc., acima do nacionalismo.

Mas é Salazar a sua inspiração, como se vê nesta imagem, toda ela um programa: homem a regressar do trabalho no campo, a mulher a cozinhar, o filho vestido da Mocidade Portuguesa e a cómoda com um pequeno altar. Este é o mundo imaginário do Chega e de Ventura, e mais valia admiti-lo na sua inspiração salazarista sem rodeios.

Quanto ao significado do conjunto da imagem de Ventura, tenho mais sugestões para novas imagens: D. Miguel, um Inquisidor, Salazar, Silva Pais, e muitos outros, dos protagonistas da ditadura aos Integralistas Lusitanos, os cavaleiros da Monarquia do Norte, etc., etc. Hesitei em sugerir Miguel de Vasconcelos, em parte uma provocação que não vale a pena, mas por outro lado mais certeira, porque Miguel de Vasconcelos era um patriota dos espanhóis, e Ventura e o Chega são patriotas dos americanos de Trump e fecharam os olhos à nossa soberania teórica da base das Lajes.

O que isto tudo revela é que esta política do cavaleiro branco vai ao mais fundo da nossa ignorância e que, se Ventura quer fazer de cavaleiro medieval, talvez se arranje uma máquina de viajar no tempo para o enviar para o século XIV, uma época, apesar de tudo, complicada pelas jacqueries que não gostavam deste tipo de cenas. Essa máquina chama-se crítica política, voto e primado da lei, democracia.»

José Pacheco Pereira no Público de hoje.

MÚSICA PELA MANHÃ

Pelo menos, uma vez por ano, fala-se de Luís de Camões.

Cantar os nossos poetas sempre deu algum falar por aqui.

Em Março de 2019, publicámos no Cais do Olhar este texto e amanha voltaremos ainda a este tema:


«Há uma Amália antes e depois de Alain Oulman.

Não sou dado a grandes conhecimentos da matéria, mas se assim penso assim, escrevo.

Quando, em Outubro de 1965, Alain Oulman musicou poemas de Camões para a voz de Amália, Amália Canta Camões, os intelectuais tiveram reacções diversas.

José Gomes Ferreira não concordou e respondeu assim ao Diário Popular:

«Não estou disposto a ouvir. Não quero ouvir. Mas acho mal. Existem obras-primas da música portuguesa, como por exemplo, “Os Madrigais”, de Luís de Freitas Branco, inspiradas em poesias de Camões. Claro que também existiu a Engraxadoria Camões. Para cada um - seu paladar».

Se bem que tenha um número bem razoável de poemas seus musicados, José Gomes Ferreira nunca simpatizou com a ideia.

A excepção é o trabalho com Fernando Lopes Graça.

A tal ponto que, em 28 de Setembro de 1970, enviou à Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais a seguinte carta:

«De regresso de férias, encontrei a vossa carta de 21 de Setembro de 1970 a que me apresso a responder, com os meus melhores cumprimentos.

O pedido de autorização ao sr. José António Matildes para musicar o meu poema de Poesia III, “Ó pinheiro verdadeiro” honra-me muito, mas infelizmente não posso conceder-lha por motivo de “princípios estéticos” pois discordo inteiramente da chamada música ligeira quando adaptada aos meus versos, escritos sem essa intenção.

Claro que esta recusa nada tem de pessoal. Peço-lhe até que explique ao Sr. José António Matildes que as canções e as baladas aparecidas recentemente na rádio e em discos com versos meus são todas clandestinas, feitas sem a minha autorização. Ao Sr. José António Matildes devo, pelo menos, essa delicadeza que muito me sensibilizou.

Em resumo: incito-o a fazer a música que lhe apetecer sem me pedir licença!»

Em contraste, é interessante ir buscar o exemplo de António Gedeão que, nas suas Memórias, escreve que muito deve a Manuel Freire e às músicas que fez para poemas seus:

 «Suponho que foi pela sua actuação que a minha poesia conseguiu tão grande êxito generalizado.»




sexta-feira, 12 de junho de 2026

VELHOS RECORTES


 O tempo das grandes festas, nas cidades e vilas.

O mês dos perfumes mágicos. Intensos. Sardinhas assadas, manjericos, sardinheiras, Jacarandás, “meu limão, meu limoeiro, meu pé, meu pé de jacarandá”. Cheira a fruta madura quando é Verão. O solstício que se aproxima. Os dias mais longos, as noites sem tamanho.

Lisboa 1992.

Faz-me festas em Lisboa. O que eles riram.

Nunca como nesse ano a sensação de que foram as mais inesquecíveis. Talvez não tenham sido as melhores sardinhas, a melhor sangria,mas tudo foi diferente, marcado nos dias e nas noites, nos acasos. O Ateneu Comercial, a orquestra Latina de Roberto Pia.

A menina dança?

SOLTAS

 

O livro do Nuno Júdice, Primeiro Poema, fecha-se com estes versos:

«o que eu queria era medir a distância a partir de um relógio

cuja corda se partiu, posso dar voltas ao ponteiro e é

sempre a mesma hora, não se assustem, o tempo não parou

nem vai parar, o que eu tenho no pulso é esse falso

relógio

de luz radioactiva que se pode ver do fundo da

carruagem,

se alguém estiver muito interessado em saber que

horas

são e, na verdade, ninguém precisa disso para nada,

como se o tempo tivesse mesmo parado e está na altura de recomeçar do zero, onde tudo recomeça»

1.

A ministra da Saúde reconheceu que o INEM enfrenta falta de recursos humanos, após a morte de um homem de 63 anos que esperou mais de uma hora por assistência médica em Palmela. Ana Paula Martins garantiu, contudo, que o Governo tem reforçado o recrutamento.

2.

O país está a entrar numa armadilha demográfica e laboral que ameaça transformar a falta de trabalhadores num dos maiores bloqueios ao crescimento económico da próxima década. O alerta é deixado pelo relatório "Emprego em Portugal", apresentado esta terça-feira em conferência no Porto e elaborado pelo CoLABOR, que traça um retrato duro de um país envelhecido, incapaz de reter jovens qualificados e dependente da imigração para evitar uma crise estrutural no mercado de trabalho.

 Lido no Jornal de Notícias

3.

N o ano passado mais de 1200 doentes com pulseira amarela abandonaram os serviços de urgência dos hospitais devido ao tempo de espera para o atendimento.

4.

José Sócrates exige 205 mil euros de indemnização por lentidão da justiça.

5.

Os milionários não sabem cozinhar.

6.

«Como vais?

se morrer vestido – vou como quiserem

se for nu – vou como vim…

- Mas o sangue?»

Eusébio C. Martins

7.

Em Portugal, os jovens só saem de casa por volta dos 29 anos. A coabitação, por vezes, torna-se sufocante para pais e filhos e é preciso “responsabilidade, comunicação clara e limites saudáveis.

8.

A idade da reforma vai subir para os 66 anos e 11 meses em 2027, segundo confirmam os dados da esperança de vida publicados esta quinta-feira, 28 de maio, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

"A esperança de vida aos 65 anos, no período 2023-2025, foi estimada em 20,19 anos para o total da população", indica o INE, o que corresponde a um aumento de 0,17 anos (2,0 meses) relativamente ao triénio 2022-2024.

Com base nestes dados é possível calcular que em 2027 a idade legal de acesso à reforma será de 66 anos e 11 meses.

OLHAR FRIGIDEIRAS, TACHOS, PANELAS


Hoje, não há olhar para frigideiras, tachos, panelas.

Chegados os dias quentes a escaldar, e o Verão ainda nem se apresentou, metemo-nos nos jarros de sangrias.

Tanto quanto é possível apurar, a sangria é algo tipicamente espanhol.

Os experts entendem que numa sangria deverão entrar bons vinhos, melancolicamente digo que para uma sangria uso sempre vinhos de preços razoáveis.

Nos restaurantes há o péssimo hábito de ao vinho, à Seven Up, adicionar bebidas alcoólicas como Licor Beirão, anis escarchado, brand, gin, vodka, rum, triple sec, etc..

É um disparate.

A sangria é uma bebida simples e refrescante.

A essência de uma sangria completa-se nas frutas que se adicionam, na quantidade enorme de gelo, de hortelã em folha, ou em ramo.

Por mero gosto pessoal, nas sangrias, não ponho pau de canela.

As frutas que mais utilizo são: laranja, limão, cereja, pêssegos, muito pouca maçã.

Há quem ponha morangos, ananás, melão, Kiwi, também quem utilize frutos vermelhos congelados.

O vinho a utilizar poderá ser tinto, branco. ou rosé. Igualmente, há quem faça sangrias com espumante, que fica bem com tudo, e as regras são as mesmas dos vinhos.

INGREDIENTES

Vinho tinto, branco, rosé, espumantes.

Seven Up, gasosa, água Castello gaseificada

Frutos

O que muito bem se entender e goste, cortados finamente, ou em cubos pequenos

Muito gelo, muita hortelã.

Salut!

OLHAR AS CAPAS


 A Sinceridade Política de Antero

Sant’Anna Dionísio

Imprensa Portuguesa, Porto 1949

«Na verdade, Antero queria a Justiça - mas acima, se não pudesse ser ao lado da Justiça, punha ele a Liberdade - aquela liberdade ontológica e sincera que todos os democratas verídicos solicitam e desejam para ficar e não para suprimir sob qualquer pretexto falacioso ou circunstancial. A inspiração profundamente ética e proudhoneana do seu pensamento afastava-o radicalmente das soluções puramente economistas. Quer dizer; Antero, se hoje fosse vivo, abominaria o totalitarismo sob qualquer forma que ele se lhe apresentasse, no ar que respirasse ou ainda em indecisa nuvem na linha do horizonte. Tanto assim, que nos legou certas afirmações que não esquecem mais - embora o Sr. M.M, na sua embófia de político empírico, sabidíssimo, citadinamente ria. Por exemplo, estas:

A grande revolução só pode ser uma revolução moral e essa não se faz de um dia para o outro…» 

SEMPRE SE CONHECEU O VENTO DE JUNHO

Sempre se conheceu o vento de Junho
nessa orla, que regougava nas esquinas
da casa à noite e nas manhãs ansiosas
em que voltava a aragem matinal
deixava irremediavelmente os frutos
a juncar a terra e os atalhos.
 
E sempre se lamentaram as velhas pancadas
do vento, no seu ritmo marítimo, a exaltação
a que nos levava, permanentes povoadores
da costa. E para lamentar dizíamos
as palavras usuais e alguns suspiros
próprios da insónia de ouvir o vento.
 
 
Fiama Hasse Pais Brandão

quinta-feira, 11 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Metem medo, estes nossos políticos. Dá-se-lhes a confiança e o voto na melhor boa fé, e quando esperamos deles uma palavra de clarividência, fruto de um pensamento amadurecido no conhecimento das realidades pátrias, roem-nos a corda. Sobem a uma tribuna e deixam-nos boquiabertos com os repentismos de uma demagogia desmiolada. Em vez de serem os enviados redentores em que acreditamos, parecem pragas de Deus.

Miguel Torga em Diário Vol. XIII

CONVERSANDO

Chegará o dia em que as nações tratarão Israel como o estado pária que é?

No dia 6 de Março, o jornalista António Rodrigues escrevia no Público:

«Há mais de 70 anos, o filósofo Bertrand Russell e o cientista Albert Einstein estavam entre os 11 signatários de um manifesto pacifista que ficou conhecido como o manifesto Russell-Einstein. Em tempos de guerra fria e de ameaça nuclear, o documento visava defender o “senso comum” face à ameaça de extinção da humanidade.

“O futuro da raça humana é mais sombrio do que nunca. A humanidade enfrenta uma alternativa clara: ou perecemos todos ou teremos de adquirir algum grau de bom senso. Uma grande dose de novo pensamento político será necessário para evitar um desastre total”, lia-se no texto publicado a 9 de Julho de 1955.
Desumanidade
A humanidade parece estar hoje novamente numa encruzilhada civilizacional em que se age sem bom senso, caminhando aceleradamente, cabeça bem esticada, em direcção ao muro de betão cuja existência insistimos em negar. Ao contrário da Guerra Fria e do equilíbrio frágil, mas perene, garantido pela destruição mútua assegurada, hoje actua-se pisando todas as linhas vermelhas como se não existissem, como se não importassem, como se fossem mentira.

Conspira-se com base em conspirações inexistentes, age-se em função de simulacros de realidade, vive-se como se o futuro não importasse: a próxima geração que apanhe os cacos se tiver condições para existir.

Perante este cenário conturbado de actos sem precedentes e teorias sem bases teóricas, Emmanuel Macron resolveu recuperar a teoria da destruição mútua assegurada e estendê-la temporariamente a outros países como meio de defesa: “Para ser livre, precisamos de ser temidos”, disse esta semana o Presidente francês ao anunciar que, pela primeira vez desde 1992, a França irá aumentar o número de ogivas nucleares e, pela primeira vez na sua história, vai disponibilizar os seus aviões com armas nucleares para outros países que precisem de dissuadir ameaças contra o seu território. Tal como em 1955, é preciso que alguém traga algum bom senso para as relações internacionais, mesmo que tenha alguma radioactividade.»

SE EU PUDESSE...

 

Se eu pudesse havia de transformar as palavras em clava.
Havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressonante, sem música.
Como um gesto, uma pancada brusca e sóbria.
Para quê todo este artifício da composição sintáctica e métrica?
Para quê o arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras, pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo.
Vejo, admiro, desejo?
Ou sim ou não.
E como isto continuando.

E gostava para as infinitamente delicadas coisas do espírito…
Quais, mas quais?
Gostava, em oposição com a braveza do jogo da pedrada, do tal ataque às
coisas certas e negadas…
Gostava de escrever com um fio de água.
Um fio que nada traçasse.
Fino e sem cor, medroso.

Ó infinitamente delicadas coisas do espírito!
Amor que se não tem, se julga ter.
Desejo dispersivo.
Vagos sofrimentos.
Ideias sem contorno.
Apreços e gostos fugitivos.
Ai! o fio da água , o próprio fio da água sobre vós passaria,
transparentemente?
Ou vos seguiria humilde e tranquilo?

Irene Lisboa