sexta-feira, 7 de agosto de 2026

OLHAR AS CAPAS


O Autómato

Alberto Moravia

Tradução: Manuel Martins de Sá

Capa: Vítor Ribeiro

Colecção: Os Livros das Três Abelhas

Publicações Europa-aAmérica, Lisboa Novembro de 1964

- Para mim, minha irmã é como se tivesse morrido – disse inesperadamente Marco.

Mas eu não compartilhava desta sua tristeza; a inutilidade dos seus esforços fazia-me quase sorrir, como aquelas leves angústias que nunca se sabe muito bem se trazem prazer ou sofrimento. 

NOCTURNO COM AVIÕES

                                    para o Miguel Martins

Não estejas só. Tu também és

o que já foste e o que esperaste

vir a ser . A manhã que se aproxima

 

há-de passar, não importa. Para já,

os diligentes aviões da madrugada

sobrevoam o desenho das colinas

de Lisboa – e cá dentro, muito fundo,

numa redoma de música, os amigos

ainda bebem para esquecer

 

o futuro, que outro remédio

não têm, se a hora não se repete

e a vida é só espuma

Rui Pires Cabral em Resumo: a poesia em 2012

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

POSTAIS SEM SELO


A Ponte sobre o Tejo foi inaugurada há 60 anos.

Chamou-se Ponte Salazar até ao dia da madrugada clara e limpa, e passou a chamar-se Ponte 25 de Abril.

Oliveira Salazar nunca concordou com a obra e nem por escassas horas um dia se dignou visitar as obras.

Calcula-se que cerca de 150 mil veículos e 174 comboios passam diariamente na Ponte 25 de Abril, totalizando mais de 300 mil pessoas.

NOTÍCIAS DO CIRCO

 Ainda temos governo?

Tudo aquilo parece um KAOS.

Um ministro do governo, Rita Júdice, ministra da Justiça, ordena avaliação ao ministro da Administração Interna  enquanto ministro e enquanto director da Polícia Judiciária.

Luís Montenegro emite umas frases inconsequentes.

Luís Neves mostra-se “absolutamente tranquilo.”

O Presidente da República, em silêncio, aguarda resultados de todos os inquéritos.

Alguns portugueses estão em férias ricas, outros em férias possíveis, outros veem televisão e outros vão ao futebol.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Naquela feira de ocasião que, às quartas-feiras, se realiza no Jardim Constantino, encontrei este livro.

Achei interessante.

Não conheço o autor mas Manuel Antunes Marques, numa homenagem ao poeta António Aleixo, engendrou:

«Para continuar a obra de António Aleixo, o autor glosou algumas quadras dos seus livros, dando ao poema uma forma diferente, ao mesmo tempo que se misturam dois pensamentos políticos:

- o pensamento de António, cujo mote reflecte a sua maneira de sentir;

- as glosas que, enquadradas no mote, dão uma nova forma à poesia de António Aleixo, sem contudo a desvirtuar.».

Tão simples, e tão bonito, quanto isto!

Colaboração de Aida Santos.

OLHAR AS CAPAS


100 Poemas nos Cem Anos de António Aleixo

Manuel Antunes Marques

Capa e ilustrações de Lourenço Maria

Editorial Minerva, Lisboa Maio de 2003


A Fartura ao Pé da Fome

A fartura ao pé da fome

Raramente se dão bem

Quase sempre quem tem come

À custa de quem não tem

                António Aleixo


Casas lindas e casas feias

Ruas com nome e sem nome

Já vivem paredes meias

A fartura ao pé da fome

 

Têm uma vida diferente

Uma tem muito, outra não tem

Morando perto, esta gente

Raramente se dá bem

 

É a pobreza quem cria

O que a riqueza consome

E do pão que sobra, a fatia

Quase sempre que tem come

 

Come o rico, jejua o pobre

Como à riqueza convém

Come o pão sem que sobre

À custa de quem não tem.


Colaboração de Aida Santos

QUE DOMINGO SOLENE

Que domingo solene, ocioso e lasso!
Tão triste; o sol inunda a tarde toda,
Festivo como um guizo numa boda
Onde a noiva morreu, desfeita em espaço...

Medeia a eternidade, em cada passo
Que, sem intuito, dá quem passa; à roda
Parece dormir tudo; e incomoda,
Ponderável, no ar, um embaraço...

Toda a tristeza do domingo à tarde.
Sobe dos homens para o céu, que arde,
O apego à vida dum olhar que morre.

Sombras sugerem aflições incertas...
E das janelas sôfregas, abertas,
Morno, o silêncio como num pranto escorre...

Reinaldo Ferreira em Poemas

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

POSTAIS SEM SELO


Quanto mais feliz mais breve é o tempo.

Plínio 

MARCADORES DE LIVROS


Colaboração de Aida Santos.

 

TRUMPALHADAS

 O número de migrantes detidos pelas autoridades norte-americanas durante o mandato do Presidente Donald Trump atingiu em Julho o nível mais elevado, com mais de 50.000 detenções, confirmou o Departamento de Segurança Interna.

O aumento ocorre no meio de pressões da Administração republicana para aumentar as detenções de migrantes, com o objetivo de alcançar as 2.000 detenções diárias, e de uma expansão das operações do Serviço de Imigração e Alfândegas, o ICE, incluindo detenções em aeroportos.

           

Em junho, o Governo comunicou, por sua vez, cerca de 43.000 detenções, um número também recorde durante este Governo, acrescentou um alto funcionário da DHS, que pediu para não ser identificado.

Estes dados, indicados pelo funcionário à agência EFE e que ainda não foram publicados oficialmente, revelam um aumento das operações do ICE, apesar das críticas da oposição e de organizações de direitos humanos às táticas do Governo, especialmente depois de duas pessoas terem morrido baleadas por agentes de imigração em Julho.

NOTÍCIAS DO CIRCO

1.

BPI, BCP, CGD, Santander e Novo Banco registaram, no total, lucros de 2,4 mil milhões de euros este semestre. Foram 562 mil euros por hora, com a subida do crédito à habitação e as comissões a impulsionar os ganhos.

2.

Há mais de três mil doentes na lista de espera para receber cuidados continuados em unidades especializadas, obrigando muitos utentes a permanecer nos hospitais mesmo depois terem recebido alta médica.

ATÉ QUANDO

Até quando

este bosque sem fim de sombra iluminante

por onde vamos sem bem saber aonde vamos

de mudança em mudança protegidos

só da mesma incerteza de mudança?

 

As estrelas que luzem entre os troncos e os ramos

são janelas de lenhadores tranquilos gozando a segurança

da lareira e dos filhos dormindo e do pão e do vinho

a opaca segurança de nada haver à volta

de sonhador e exaltante

 

Estelas da lei contra o amor são eles

que ao só rumor deste outro fogo invisível que o mundo todo muda

acorrerão aos gritos com lampiões de raiva

e com espingardas

 

Para eles é crime

o que não há ainda


Mário Dionísio em Memória dum Pintor Desconhecido

terça-feira, 4 de agosto de 2026

POSTAIS SEM SELO


O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê.

Platão

RETRATOS


«Há pessoas que gostam de livros. Há pessoas que vendem livros. Conheço uma única pessoa que, por amor deles, os vende, os edita, os coleciona, os lê e, coisa ainda mais incomum, não sendo rico os oferece àqueles que considera partilharem da sua paixão: chama-se José Ribeiro, José Antunes Ribeiro e tem a inocência generosa de um menino por baixo dos caracóis grisalhos, do sorriso largo, dos óculos quase tão transparentes como os olhos, do dedinho minucioso a inventariar lombadas. Fez a Assírio & Alvim, fez a Ulmeiro e tirando os momentos em que surge por acaso à superfície da terra, alegre de uma timidez enternecida, habita uma cavezinha de Benfica, três ou quatro compartimentos pequenos semelhantes a corredores, a copas, a casulos, a nichozitos de abelha onde o seu grande corpo se move numa agilidade insuspeitada entre páginas e páginas e páginas impressas, mostrando, procurando dando

- Tens isto?

- Conheces?

- Já leste?

no orgulho humilde, fraternal, de que a sua amizade é feita. Se não fosse o José Ribeiro detestava a Avenida do Uruguai.»

António Lobo Antunes em Livro de Crónicas, 1º volume, «Homenagem a José Ribeiro», página 357.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Um vagabundo perdido no meio de uma intelectualidade, em que a esmagadora maioria, não o quis compreender, aceitar.

Nos dias que correm, a Editora Tinta-da-China terá encetado um trabalho de trazer para a mesa, este quase desprezado Luiz Pacheco.

Começa a aprendizagem com a Antologia Ser Livre em Português.

A Biblioteca da Casa, em livros, em antologias, nos folhetos-dá-cá-vintes!, está bem representado, mas numa antologia, o caso de que temos vindo  a falar, há sempre qualquer coisa que vale a pena conferir e para quem ainda não o conhece, está aqui o melhor que Pacheco nos deixou e sabe-se que o filho Paulo, o Paulocas, tem em casa um baú como o do Fernando Pessoa.

Serenamente, vamos esperar.

OLHAR AS CAPAS


Ser Livre em Português

Uma Antologia

Luiz Pacheco

Edição: Rui Sousa e Sofia A. Carvalho

Com apoio è edição de Jessica Dias, Pedro Meneses e Sofia Casaleiro Roque

Capa: P. Serpa

Tinta-daChina, Lisboa Junho de 2026

Chamo-me Luiz José Machado Gomes Guerreiro Pacheco, ou só Luiz Pacheco, se preferem, casado. Lisboeta, português. Estou na cama de uma camarata, a seis paus a dormida. É asseado, mas não recebo visitas. A Ninguém. Estou bastante só. Perdi muito. Perdi quase tudo.

EM CIMA DOS MEUS DIAS

Muita gente me tem falado a meu respeito
como quem me chamasse pelo nome e eu me voltasse
e nesse nome dito nessa boca fosse toda a minha vida
e eu morresse quando entre pinhais quem me chamara a fechasse

Muita gente me tem falado a meu respeito
mas eu cresço e decresço não reparo e anoitece
e já nem sei ao certo quantos dias meço
Regresso com o gado contra o sol rasante
Mas é de névoa ou fumo o algodão que cobre as casas
aonde regressamos atraídos pela luz que já nos campos se consome?

Os ciprestes os pássaros saúdam-me e eu passo
com um olho vasado transpareço o meu passado
e tudo esqueço e peço mesmo a Deus que esqueça quanto sou
além dessa medida simples onde me vasou
Sabermos nós que a face de algum mar ao pôr-do-sol pode mudar
e nenhum dia-a-dia consentir ao homem mais que a morna superfície
dos gestos por que troca a mais íntima morte que merece

Nada na minha poesia é meu
juro por Deus dizer toda a verdade
Ponho a mão na cabeça o dia é escuro e vago e eu respiro
Espero pela manhã como quem nasce
Ninguém sabe o meu nome porque
eu já perdi ao longe alguns dos olhos
e fui feliz em cafés de província onde me vi sentar

Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum

É de manhã caminho nem meus passos oiço
oitenta passos diz-se que darei
Vão-se fechando os dois alinhamentos das moradas
arredonda-se o largo, alguns problemas camarários
Duvido de mim próprio: quem serei?
O carro rega coisas tão profundas como esta
Meu Deus meu Deus, que mal eu fiz?
Eu estive em Dinard e vou talvez casar
Acordo e transistorizo os dois ouvidos numa música abundante

Muita gente me tem falado a meu respeito
mas eu cresço e minguo certas vezes anoitece
Sou coisa que se molha encolhe e envelhece
tudo me aquece e tudo me arrefece
Dois pés e duas mãos, algumas pás de terra
E sabem mesmo que o meu nome é Rá, por isso me conhecem
Sou a doença e sou onde me dói
sou sítio onde se nega que se morre
Tem graça haver quem fale a meu respeito

Ruy Belo


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

POSTAIS SEM SELO


 No devagar depressa dos tempos.

Guimarães Rosa

HABITAMOS AQUI

Habitamos aqui

há tão pouco tempo

e já a memória

nos serve de almofada.

 

Soubemos construir

os nossos móveis

da madeira melhor

que em nós guardávamos.

 

A chave roda

nos dedos da ternura.

Poupamos a manhã

que fecha a cicatriz.

 

Este lugar é nosso. Aqui

estudaremos lentamente

o que nos cerca e liga:

as próprias saliências do silêncio.

 

Egito Gonçalves em O Fósforo na Palha

domingo, 2 de agosto de 2026

VISITAS À LOJA FRENESI


JOÃO CÉSAR MONTEIRO
et alii
org. João Nicolau
grafismo de Rita Azevedo Gomes

Lisboa, 2005
Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema
1.ª edição [única]
248 mm x 180 mm
640 págs.
profusamente ilustrado a negro e a cor
exemplar como novo
70,00 eur (IVA e portes incluídos)


pedidos para:
pcd.frenesi@gmail.com
telemóvel: 919 746 089   [chamada para rede móvel nacional]

Nota do Editor:

Segundo informação da Cinemateca, o catálogo do João César Monteiro encontra-se esgotado. 

«Cin.Portugués / Realizadores JOÃO CÉSAR MONTEIRO 1ª Ed., Abr. 639 p. 460 fotos p/b e cor. Preço de Capa € 40,00. A personalidade e obra do cineasta. Estudos, depoimentos, análises de filmes, textos inéditos, recortes de imprensa e críticas. Filmografi a e fotografias. Entrevistas de João César Monteiro por Alexandra Carita, Adelino Tavares da Silva, António-Pedro Vasconcelos, Diogo Lopes, Emmanuel Burdeau, Jean A. Gili, Lauro António, Pierre Hodgson, Rodrigues da Silva. Organização João Nicolau. Textos Adriano Aprà, Ana Jotta, Bruno Roberti, Cláudia Teixeira, Dominique Païni, Edoardo Bruno, Fernando Cabral Martins, Fernando Lopes, Francisco Oliveira, Helena Domingos, Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, João Bénard da Costa, João César Monteiro, João Mário Grilo, João Nicolau, Joaquim Pinto, Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra, Luís Miguel Oliveira, Manoel de Oliveira, Manuel Gusmão, Manuel Mozos, Manuela de Freitas, Margarida Gil, Mário Barroso, Maria Andresen de Sousa, Maria Velho da Costa, Miguel Gomes, Otar Iosseliani, Paulo Branco, Philip Spinneli, Rita Azevedo Gomes, Rita Durão, Sérgio Antunes, Sidónio Paes, Thierry Jousse, Tonino de Bernardi, Vasco Pimentel, Victor Erice, Vítor Silva Tavares. Direcção Gráfica Rita Azevedo Gomes, Jorge Magalhães. » 

OLHARES


O fascínio de ver alguém a pescar na manhã de domingo.

Colocar o isco no anzol, lançar a linha e ficar à espera, olhando o horizonte, há-de sentir um puxão na cana, e talvez aconteça peixe.

Por vezes arriscam mais um passo e a tragédia acontece.

OS MEUS DOMINGOS


 «Aos domingos a seguir ao almoço visto o fato de treino roxo e verde e os sapatos de ténis azuis, a Fernanda veste o fato de treino roxo e verde e os sapatos de salto alto do casamento, subo o fecho éclair até ao pescoço e ponho o fio de ouro com a medalha por fora, a Fernanda sobe o fecho éclair até ao pescoço e põe os dois fios de ouro com a medalha e o colar da madrinha por fora, tiramos o Roberto Carlos do berço, metemos-lhe o laço de cetim branco na cabeça, saímos de Alverca, apanhamos os meus sogros em Santa Iria de Azóia e passamos o domingo no Centro Comercial.

A Fernanda senta-se atrás no Seat Ibiza, com o menino e a Dona Cinda, o senhor Borges ocupa o lugar ao meu lado, de Record no sovaco, fato completo, gravata de flores prateadas e chapéu tirolês, ajuda-me no estacionamento das Amoreiras a tirar o carrinho da mala e todos os automóveis do parque são Seat Ibiza, todos têm mantas alentejanas nos bancos, todos apresentam um autocolante no vidro que diz Não Me Siga Que Eu Ando Perdido, todos possuem uma rodela Vida Curta na guarda-lamas direito e uma rodela Vida Longa no guarda-lamas esquerdo, de todos os espelhos retrovisores se pendura o mesmo boneco de peluche, todos exibem junto à matrícula com o círculo de estrelinhas da Europa a mesma rapariga de Stetson e cabelo comprido, todos trouxeram o Record, os sogros e o filho, todos devem habitar em Alverca e todos circulam a tarde inteira no Centro de forma idêntica à nossa: adiante a Fernanda e a Dona Cinda, de

raposas acrílicas, a coxear por causa de uma unha encravada, empurrando o Roberto Carlos que esperneia, desfeito num berreiro, com a chupeta pendurada da nuca por uma corrente e o Senhor Borges e eu vinte metros atrás, preocupados com a carreira do Olivais e Moscavide que perdeu em Alhandra apesar de ter comprado um avançado cabo-verdiano ao Arrentela e que em vez de jogar à bola leva as noites a mariscar tremoços na cervejaria, de brinco na orelha, no meio dos amigos pretos, com o tampo da mesa coberto de canecas vazias.

Como a Fernanda e a Dona Cinda param em todas as montras de móveis e boutiques a bisbilhotarem quinanes e kispos, acontece enganar-me e trocá-las por outra sogra acrílica, outra mulher roxa e verde e outra criança de laço, e sucede-me passar horas num banco, sem dar pela diferença, com uma Fátima e uma Dona Deta, a planear as prestações de um microondas e de um frigorífico novo, seguir para Alverca, jantar o frango da Casa de Pasto e a garrafa de Sagres do costume, e só na terça-feira, quando vou a sair para a Junta, a minha esposa informa, envergonhada, que mora em Loures ou na Bobadela, o Roberto Carlos se chama Bruno Miguel, e deu pelo engano, há cinco minutos, porque a minha Última Ceia é de estanho e a dela de bronze. Claro que corrigimos o erro no domingo seguinte, em que volto para casa com uma Celeste e um Marco Paulo no Seat, a que juntei (será o meu Seat Ibiza?) um novo autocolante que deseja Espero Não Te Conhecer Por Acidente.

Esta semana a minha mulher chama-se Milá, o meu filho Jorge Fernando e ando a pagar um apartamento em Rio de Mouro. Como esta sempre cozinha melhor do que as outras não faço tenções de voltar às Amoreiras. Se ela gostar de telenovelas só tornamos a sair daqui a muitos anos, quando o miúdo usar um fato de treino roxo e verde, eu encontrar no armário do quarto um casaco de raposas acrílicas e um chapéu tirolês, e escutar lá em baixo, a seguir ao almoço, a buzina do Seat Ibiza da minha nora. Como nessa altura devo andar a dieta de sal por causa da tensão qualquer peixe grelhado me serve.»

António Lobo Antunes em Livro de Crónicas

MÚSICA PELA MANHÃ


Hoje, visitamos Paul Anka.

O velhíssimo EP, que ainda aqui anda pela casa, juntamente com outros sucessos de Paul, foi comprado em 1 de Fevereiro de 1960.

Colaboração de Aida Santos



sábado, 1 de agosto de 2026

SÍTIOS POR ELES ANDARAM


 

SECA ADEGAS

 

R. Sra. da Graça 1, 3500-399 Viseu.

Telefone: 918 618 909

Dizem o pior, dizem o melhor, eles gostaram bastante e entenderam o aviso:

«Restaurante com segmento de serviço exclusivo em carnes bovinas Nacionais zona Norte e importadas (Argentina, Uruguai e Australiana). Não usamos nem servimos qualquer tipo de carne Maturada.»

Fica-se a olhar a carne excelentemente grelhada e colocada em pedra, acompanhada com arroz de feijão e batatas fritas que não eram congeladas, também uma grande salada mista.

Façam uma visita e opinem.

Eles, sempre que por ali passem, voltarão.

Chamam-lhe restaurante, para eles é mais um tasco.

Legenda: a bonecada que se passeia por aqui, encontra-se na entrada.






QUOTIDIANOS

Estação do metro S. Sebastião.

Uma jovem no topo da escada, dois pombos na mesma escada, aguardando a abertura do El Corte Inglês.

Colaboração de Aida Santos