Há quem não goste de errar.
Há quem goste
de errar e entender que errar é importante.
Há quem nunca erre, como murmurava Cavaco Silva, ele proprio, que também nunca tinha dúvidas!...
Falemos de
erros, falemos de experiências.
Há uma canção
da América Latina que nos fala de tropeçar sempre na mesma pedra e com o mesmo
pé. Também há Bertold Brecht: «Não me interrompam nem me distraiam. Estou
muito ocupado na preparação do meu próprio erro.», ou E.J. Phelps: «o
homem que não comete erros não costuma fazer grande coisa», Elbert Hubbard:
«o maior disparate que se pode fazer na vida é viver continuamente com medo
de cometer erro», também não falta Pablo Picasso: «o que me salva a vida
é que cada fez faço pior», ou Federico Fellini: «a pessoa que eu mais
admiro é aquela que é capaz de falhar repetidamente, e mesmo assim ter a
persistência de continuar a tentar. Quando lutas por uma coisa, o mais difícil
é manteres o respeito por ti», e há aquele poema do Paulo Leminski:
«Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez.»
Frequentemente
atribui-se a Napoleão Bonaparte a frase:
«Nunca interrompas o teu inimigo
enquanto estiver a cometer um erro».
O Dicionário
de Morais define erro como «acção de errar; desacerto; inexactidão» e
errar como «não acertar com; enganar-se em: não dar com ou em; falhar».
A actriz
Beatriz Batarda, numa entrevista, contou:
«Uma vez com 17 anos, tive um desses
desgostos. O meu avô passou-me a mão pela cabeça e eu disse-lhe que ele devia
estar envergonhado por mim. E ele respondeu-me: «Eu não te avalio pela
quantidade de vezes que tu cais, mas pela rapidez com que te levantas». E no
dia a seguir deu-me um sempre-em-pé de madeira, um bonequinho que anda sempre
comigo na minha caixa de maquilhagem. Na vida não vale a pena ter medo de nos
entregarmos. Não importa cair, mas levantar-se rápido. Vencer, mesmo que depois
se caia outra vez…»
Cinco anos
antes de morrer, Samuel Beckett escreveu três frases que resumem tudo: «tentar
outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.»
Raul Brandão
escreveu: «Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros
e paixões». O meu pai dizia praticamente o mesmo, mas acrescentava: «uma
única coisa faria diferente – tratava melhor dos meus dentes!»
Cometer
sempre novos erros ou errar, errar de novo, errar melhor.
Durante um
tempo, pela net, apareceu um texto intitulado Instantes atribuído a
Jorge Luís Borges. Não é da autoria de Borges mas, aparentemente, da escritora
norte-americana Nadine Stair, escrito em 1978, quando tinha 85 anos.
"Se eu pudesse novamente viver a
minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a
sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a
vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo».


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