sábado, 11 de julho de 2026

sexta-feira, 10 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


De uma palavra sei que tem sentido: é desespero: não importa a causa.

Jorge de Sena

À LUPA

Não há água em Almada mas há um Falcon para o PM ir à bola.

Ana Sá Lopes no Público

NOTÍCIAS DO CIRCO

 Lido no Público, artigo de Samuel Alemão:


«As intenções até são boas, mas os efeitos práticos, em muitas áreas da zona central de Lisboa, têm sido, precisamente, o oposto do idealizado. Mais grave, o sistema Volta, criado para incentivar a devolução de embalagens metálicas e de plástico, contra uma remuneração de dez cêntimos por unidade, tem estado a contribuir para o agravamento de um cenário cronicamente complicado ao nível da higiene urbana em algumas das freguesias do coração da capital. Um facto confirmado ao Público por vários presidentes de junta e reconhecido também pela Câmara de Lisboa.
O assunto tem motivado reclamações em catadupa dos moradores e dos empresários, tendo as freguesias já alertado a Câmara de Lisboa para a necessidade de se tomarem medidas para alterar o actual cenário. Isto porque há agora áreas da capital onde a sujidade é bem maior do que antes da entrada em funcionamento, em Abril passado, do sistema de reciclagem gerido pela SDR Portugal (Sistema de Depósito e Reembolso), formado pelas principais empresas da indústria de bebidas refrescantes, águas e cervejas.»

Há dias, à porta de um supermercado, dois grupos de sem-abrigo, carregados com sacos cheios de latas e garrafas, envolveram-se em forte pancadaria.

TRUMPALHADAS

Há um tempo atrasado, não muito, Donald Trump declarou que as forças militares norte-americanas tinham destruído, por completo, a marinha, a força aérea, o exército do Irão, não restando absolutamente nada.

Uma mentira a juntar a tantas e tantas outras, pelo que, nestes dias, voltou, com o amigo Bibi, a bombardear o Irão.

Continuam a não perceber, para mal do mundo, onde se foram meter!

Entretanto, Israel terá partilhado, recentemente, informação dos Serviços de Segurança com os Estados Unidos que apontam para a existência de um novo plano do Irão para assassinar o Presidente Donald Trump.

OLHAR AS CAPAS


Duplo Crime na Rádio

Rex Stout

Tradução: L. de Almeida Campos

Colecção Vampiro nº 409

Livros do Brasil, Lisboa s/d

Pela terceira vez voltei a verificar as somas e subtracções finais da primeira página do impresso Modelo 1040, para ficar com a certeza de não me ter enganado. Depois rodei a cadeira de modo a ficar para Nero Wolf, que se encontrava sentado em frente da secretária, situada à direita da minha, a ler um livro de poemas da autoria de um tipo chamado Van Doren, Mark Van Doren. Por isso pensei que também eu poderia  utilizar uma palavra poética.

- É desolador – pronunciei.

Ele não deu qualquer sinal de ter ouvido.

- Desolador – repeti. – Se é que a palavra significa aquilo que julgo. Desolador!

Os olhos dele não se ergueram da página, mas Wolfe murmurou:

- O que é desolador?

- Os números. – Debrucei-me para fazer deslizar sobre o tampo de madeira encerada da sua secretária o Modelo 1040.

-Hoje é o dia treze de Março. Quatro mil trezentos e doze dólares e sessenta e oito cêntimos, a acrescentar às quatro prestações trimestrais já pagas. Depois temos ainda que mandar o 1040-ES referente a 1948, juntamente com um cheque de dez mil dólares. – Fiz estalar os dedos atrás da minha cabeça e perguntei sombriamente: - Desolador ou não?

Wolfe perguntou qual era o saldo da conta bancária e eu disse-lho.

COM ESTA MOEDA

 Com esta moeda

vou comprar

um bouquet de céu

e um metro de mar,

o bico de uma estrela,

um sol a sério,

um quilo de vento,

e nada mais.

Maria Elena Walsh

quinta-feira, 9 de julho de 2026

BOMBARDEAMENTO DE POEMAS


O Palácio de La Moneda, em Santiago do Chile, só foi bombardeado duas vezes na sua existência, a primeira, de má memória, quando os aviões da Força Aérea chilena atacaram o palácio governamental para derrubar o governo democraticamente eleito de Salvador Allende, a 11 de Setembro de 1973. A segunda, de uma forma bem mais bela e criativa, com milhares de poemas soltados de um helicóptero. Foi em 2001, na primeira vez em que o colectivo Casagrande realizou a performance a que chamou, simplesmente, Bombardeamento de Poemas. Desde então, passou por Dubrovnik, Guernica, Varsóvia, Berlim, Londres, Madrid e Roterdão

Ler, o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
Este sábado, o grupo chileno (Julio Carrasco, Cristóbal Bianchi e Joaquín Prieto) volta a fazê-lo, desta vez em Barcelona, soltando milhares de poemas sobre a Plaça Nova, para assinalar a iniciativa do governo catalão para assinalar o 50.º aniversário da recuperação da democracia depois da ditadura de Franco. A capital catalã foi uma das mais bombardeadas durante a Guerra Civil espanhola entre 1937 e 1939: 1903 impactos e mais de um milhão de quilos de bombas mataram mais de 2700 pessoas. E o bairro da Catedral, onde está a Plaça Nova, foi um dos mais fustigados pela aviação de Mussolini, vinda a pedido do general Franco e das suas forças subversivas.

Ler, o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
“A nossa acção inverte o significado do bombardeio, substituindo as bombas por poemas”, explica Julio Carrasco, citado no site Espanha em Liberdade. “Este deslocamento não procura apagar o trauma histórico, mas tornar visível a memória inscrita no espaço urbano e reactivar a relação emocional das comunidades com o seu passado.”
Ler, o superpoder subversivo que continua a ameaçar ditadores e autocratas
Os cem mil poemas, que vão descer dos céus impressos em marcadores de página em espanhol e catalão, foram escritos por 50 poetas catalães e outros 50 chilenos (Valeria Marchant entre eles), com menos de 50 anos, e falam de liberdade através da memória, do corpo, da resistência, do exílio e do silêncio.»


António Rodrigues, Público, 19 de Junho

DESENCANTO

Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.

 

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.

 

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.

 

- Eu faço versos como quem morre.

 

Manuel Bandeira 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Para que serve a utopia?

Serve para que eu não deixe de caminhar.

 Eduardo Galeano

OS DIAS VISTO DO CAFÉ DO MONTE

Ana Cristina Leonardo preguiçando pelos alentejos-quase-espanha- pouco mais de 200 metros de largura de água fluvial a separar os dois países –:

«A vida decorre, pois, sem novidade, e só o preço da gasolina e das frutas e hortaliças nos relembra que há guerras a decorrer no mundo.»

HÁ SIM! OS SILÊNCIOS...


 «O impacto do som do silêncio é mais forte do que um vídeo milhões de vezes partilhado. Quando é que o silêncio se vai tornar viral? Quando é que vamos perceber que só conseguimos pensar de forma clara e com discernimento se não estivermos atordoados em mil estímulos que nos derrubam a força e o ânimo? As pessoas esquecem-se que precisam de silêncio porque não conseguem chegar a essa conclusão no meio de tanto alarido. 

Continuo a gostar do meu silêncio. Às vezes fecho os olhos e ainda acho que tudo pode ser possível.  

O coração ainda bate.»

Inês Meneses, no Público

SONETO INCOMPLETO

Como foi, meu amor, que não nasceste,

e, onde não sonho, um berço me ficou?

Eu cartas escrevi, que nunca leste;

desejos tive de quem nunca amou.

 

De me fugires, andei quando perdeste,

e de tão pouco resisti qual sou.

Como foi, meu amor, que não nasceste,

e, onde não sonho, um berço me ficou?


Jorge de Sena em 40 Anos de Servidão

terça-feira, 7 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Não, o futebol não é um mundo à parte. Pelo contrário, é o espelho que melhor reflecte a nossa mediocridade.

Constança Cunha e Sá

À LUPA


 O jornalista pergunta.

- Como lida com o facto de a sua titularidade estar a ser questionada e criticada?

Cristiano Ronaldo responde:

- Há 23 anos que vocês me tentam matar. Mas não vale a pena. É perda de tempo. Os adeptos são fiéis e estão sempre comigo. O resto é lixo e não conta para nada.

NOTÍCIAS DO CIRCO


E Luís Montenegro voltou a abandonar o seu trabalho, em Lisboa, para ir a Dallas ver a selecção.  

 «Hoje é um dia triste, é um dia de decepção» mas, ao mesmo tempo, realçou, face à derrota, o sentido de orgulho português.


OLHAR AS CAPAS


 Robert Doisneau

Direcão: Henrique Monteiro

Colecção Mestres da Fotografia

Edição: Expresso, Lisboa 2008

 «Penso que o papel do fotógrafo é o de um observador privilegiado, que pode entrar em todos os sítios.»

ATROPELAMENTO E FUGA

Era preciso mais do que silêncio,
era preciso pelo menos uma grande gritaria,
uma crise de nervos, um incêndio,
portas a bater, correrias.
Mas ficaste calada,
apetecia-te chorar mas primeiro tinhas que arranjar o cabelo,
perguntaste-me as horas, eram 3 da tarde,
já não me lembro de que dia, talvez de um dia
em que era eu quem morria,
um dia que começara mal, tinha deixado
as chaves na fechadura do lado de dentro da porta,
e agora ali estavas tu, morta(morta como se
estivesses morta!),olhando-me em silêncio estendida no asfalto,
e ninguém perguntava nada e ninguém falava alto!

Manuel António Pina em Poesia, Saudade da Prosa


segunda-feira, 6 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.

Carlos Drummond de Andrade

Legenda: fotografia de Luís Eme 

TRUMPALHADAS


 O “poder” de Donald Trump chega ao futebol, que ele, como tantas outras coisas, nem sabe o que é, e pediu ao amigo Infantino, presidente da Fifa,  a anulação do castigo ao jogador norte-americano.

Para que conste:

1.

«O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma ligação telefônica a Gianni Infantino, presidente da Fifa, para pedir a revogação da suspensão de Folarin Balogun, atacante dos EUA. A informação é do jornal americano The New York Times. O Comitê Disciplinar da Fifa decidiu suspender o cartão vermelho que o jogador recebeu na vitória sobre a Bósnia, que o tiraria automaticamente da partida contra a Bélgica.»

2.

A União Europeia e a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) criticaram a Fifa nesta segunda-feira por revogar o cartão vermelho dado ao jogador dos Estados Unidos Folarin Balogun durante a última partida da seleção norte-americana na Copa do Mundo.

O comissário europeu para assuntos do desporto, Glenn Micallef, afirmou que as decisões sobre o desporto "pertencem às entidades desportivas, não aos políticos".

3.

Donald Trump, confirmou esta segunda-feira ter pedido ao líder da FIFA, Gianni Infantino, a reavaliação do cartão vermelho mostrado ao avançado norte-americano Folarin Balogun, para que possa alinhar no encontro frente à Bélgica.

“Pedi uma reavaliação porque não achei que tivesse sido falta”, declarou Trump durante um evento na Casa Branca. O Presidente dos Estados Unidos considerou ainda que as regras relativas ao cartão vermelho são injustas e classificou como “muito duvidosa” a atuação do árbitro do jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina.

REOLHARES

O sonho meu, como o de tanta gente, era que um teatro tivesse tanta gente como um Benfica-Sporting, e nem era preciso tanta. Mas estas coisas acontecem porque desde putos jogamos, à bola rua, - ainda se joga à bola nas ruas? – e criámos esse gosto.

Joaquim Benite é um homem de teatro.

Conheci-o ainda ele era um jovem repórter de “O Século”.

Como morava num quarto, perto da casa dos meus pais, amiúde, acontecia apanharmos o último eléctrico para a Graça. Descíamos ao fundo da Heliodoro Salgado, subíamos a rua e entre tantas outras conversas, o teatro entrava sempre. Terá sido das primeiras pessoas a quem ouvi dizer que o teatro existia para ser representado e que entre ler uma peça e vê-la nas tábuas de um palco, há como aquela diferença entre beber um café e beber um nescafé porque o teatro tem que ter aquela vivacidade que só o actor e um palco emprestam ao texto.

Fiquei feliz quando lançou e alicerçou o “Grupo de Teatro de Campolide” ali, entre o Restaurante “Valenciana” e a “Pastelaria A Pastorinha” ícones do bairro de Campolide.

Mais velho que o mundo: quem gosta verdadeiramente do que faz , tarde ou cedo alcança o sonho.

O sonho hoje chama-se “Companhia do Teatro de Almada”.

De 4 a 18 de Julho realiza-se o 28º Festival de Almada, que se encontra entre os melhores festivais que se realizam pelo mundo.

Mais informações aqui

“Não sei se Joaquim Benite foi um jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.

Mas isso não é o mais importante, pelo menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa cidade -, que o homem dos jornais.”

Luís Eme em O Casario do Ginjal” 


Lembrança de um texto publicado em O Cais do Olhar de 7 de Julho de 2011.

NOTÍCIAS DO CIRCO

É de capital importância estarmos em guarda contra as mentiras sobre imigrantes, propaladas pelas gentes Daquela Coisa.

Lido no Público, artigo de Natália Faria:

«O número de imigrantes com contribuições para a Segurança Social continua a diminuir: em Abril de 2026, havia 871.057 estrangeiros inscritos, o que traduz um recuo de 0,5% (menos 4288 pessoas) face ao mês anterior, segundo os dados mais recentes da Segurança Social. Mas, apesar desta diminuição, o valor das respectivas contribuições atingiu os 365,4 milhões de euros, o que traduz um crescimento de 10,7% (mais 35,2 milhões) face ao mês homólogo do ano anterior.
Esta discrepância pode ser explicada, segundo a investigadora e ex-directora do Observatório das Migrações, Catarina Rei Oliveira, pelo reforço do trabalho sazonal, nomeadamente na área da hotelaria, por altura do pico de turismo na Páscoa, por um lado, e na da construção civil, mais concretamente por causa "da procura da mão-de-obra para apoiar a reconstrução das casas ou a recuperação da área das florestas" no pós-Kristin.»

SABES...

Sabes, 

agora, sempre que te encontro, 

sinto que o tempo está contra nós.

Olhas vezes demais para o relógio, que não usas.

Fico sempre com a sensação que digo demasiadas coisas, 

sem te dar tempo para contrapores,

para me falares de ti.

 

Esqueço-me que sou um tolo,

que te visita no horário de trabalho. 

Esqueço-me de que és uma excelente profissional.

E não menos importante,

esqueço-me de que não és minha...

 

E sim, o cabelo mais curto, 

fica-te bem e oferece-te outra leveza

para suportares este calor das arábias...


Luís Eme no Largo da Memória

domingo, 5 de julho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Toda a história do mundo não é mais que um livro de imagens reflectindo o mais violento e mais cego dos desejos humanos: o desejo de esquecer.

Herman Hesse

FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA


Todos os anos, em Almada, acontece o Festival de Teatro.

Começou ontem e prosseguirá até 18 de Julho.

Ao todo serão 19 espectáculos, 12 estrangeiros, sete portugueses.

A programação pode ser consultada aqui.

Legenda: fotografia de Rui Ornelas.