Após
a 1ª leitura, voltamos a pegar neles alguns para releituras, outros por circunstâncias
várias.
É
o caso das cartas que Luiz Pacheco trocou com António José Forte: Mano Forte
Novembro
de 1961, a lindíssima e genial Natália Correia, assim referida pelo Pacheco:
«A
Natália foi ontem para o Porto, com uma grande trupe de amantes dos dois sexos,
parir o livro dela. É claro que eu, simples editor, fiquei com o pé no estribo
e perdi a boleia em favor não sei de quem. Mas o livro sai para a semana
e(espero). Assim, temos Contraponto a inaugurar a época com obras formiváveis!»
O
livro da Natália Correia, é o 2º livro editado pela Contraponto: Cântico do País Emerso. O 1º foiComunicação
em 1959.
A
outra obra formidável publicada pela Contraponto, era Poemaacto do Herberto
Helder.
«A
traição americana, que permite o sentimento de vitória russa, não é só perpetrada
em relação à Ucrânia. A Europa que se obrigou a desistir do combustível russo
também é vítima da traição..Quando se cumpriram quatro anos da invasão russa,
escreveu-se aqui um editorial com o título: "A Rússia não está a
ganhar." Exactamente nove meses depois, esse título está errado. Graças a
diversas iniciativas norte-americanas, que, com propriedade, devem ser
classificadas de “traição”, Putin tem justificadas razões para acreditar que a
vitória é possível e poderá não estar assim tão longe.»
Como
ladrão ou mulher
pública: vens de noite.
Trazes o harmónio,
a masculina
música roubada às fontes.
Não te esperava; só uma vez
te esperei tremendo de amor:
eu era tão pequeno
que não me viste.
Nem uma palavra ousas;
só os olhos suplicam que te roube
à morte, que devolva ao sol
a modesta desordem dos teus dias.
Que escute ao menos a pobre
e rouca e desamparada
música do teu pequeno harmónio.
Donald Trump é um
ignorante nato, narcisista, mau e vingativo.
Como chegou a presidente
dos Estados Unidos – duas vezes! – é caso para estudo, assim como a quantidade
de adeptos e seguidores que tem medo pelo mundo.
Ontem. Donald Trump,
voltou a insultar jornalistas ao chamar "tonta" a uma repórter da CNN
e "estúpida" a outra profissional da ABC News, que lhe perguntavam
sobre a libertação de um americano detido na Rússia.
Na
habitual visita à Loja Frenesi encontrei as cartas de Luiz Pacheco endereçadas
a Mano Forte que, na altura, dirigia uma das bibliotecas do Serviço Itinerante
da Fundação Gulbenkian.
Luiz
Pacheco terá sido um dos bons clientes dos CTT.
«Luiz Pacheco residia com
Maria do Carmo Matias em Almoinha (Santana-Sesimbra) desde 1960. A carta de 1
de Novembro dá-o em Cacilhas, vindo de Santarém a caminho de Almoinha».
Ainda
Bernardo Sá Nogueira:
«…Luiz Pacheco diz ter
quatro empregos: 1- revisor-chefe na Seara Nova; 2 – revisor-paginador-chefe na
Revista Portuguesa de Economia e Finanças; 3- revisor-literário-chefe na
Editorial Livros do Brasil; 4- revisor-aprendiz no jornal “O Século”. Três
deles , porém, seriam mais empregos em perspectiva que outra coisa: “de todos
este grande futuro, só comecei ainda a trabalhar na Seara”. Menos de um mês
depois, em 1 de Novembro, informa Ant´nio José Forte que perdeu em Lisboa “os
empregos todos, com certa alegria”»
Um
ligeiro chamar de atenção de Bernardo Sá-Nogueira:
«Dos textos transcritos
irrompem, singulares, Luiz Pacheco e a sua opinião. A leitura de quaisquer
cartas por si escritas, antigas ou noivas, deixa-nos sempre a mesma dúvida:
escrita premeditada, no pressuposto da publicação – como acusou Manuel de
Lima».
Jorge
Listopad numa entrevista de Luiz Pacheco:
Alguns sim. Mas eu não
podia publicar as minhas cartas e as dos outros sem pôr os nomes. Isso sempre
foi um hábito meu, dar o nome aos bois. Depois um dia apareceu o Listopad a
dizer que nunca mais me ia escrever nada, porque eu podia publicar as cartas
dele, e eu respondi-lhe que estivesse descansado, as cartas dele não tinham
nenhum interesse literário. Só me interessava quando tinham um cheque lá
dentro. Também, nunca eram mais de 100 ou 200 paus…
Finalizo
com um sublinhado meu:
Carta
– 1 de Novembro de 1961. Cacilhas. De regresso de Santarém e a caminho de
Sesimbra/Almoinha:
Caríssimo
Recebida hoje rua carta no
Gelo, quando voltava de Santarém com o Herberto Helder. O livro dele, edição
Contraponto a pagar em futuro incerto (pelo Autor, tá visto), está quase
pronto. Chama-se Poemacto e acho que é o melhor que ele fez. Uma grande saltada
para fora daquele seu estilo habitual e um pouco arrebicado dos livros
anteriores
LUIZ
PACHECO
org. e notas de Bernardo de Sá Nogueira
capa de Rui Ochôa (fotog.)
Lisboa, 2002
Livraria Alexandria
1.ª edição
186 mm x 130 mm
176 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo mas com apontamentos
manuscritos de Luiz Pacheco
PEÇA DE COLECÇÃO
VALORIZADO PELA ASSINATURA DE POSSE DO AUTOR («EXEMPLAR N.º 814 – O MEU –
19/4/2002»)
250,00 eur (IVA e portes incluídos)
Volume constituído por cartas de Luiz Pacheco (1925-2008) dirigidas ao poeta
surrealista António José Forte (1931-1988), a que se seguem incontornáveis
anotações do organizador, quer acerca dos autores, quer de livros ou textos
avulsos referidos.
Se encontrar uma vaga num lar de idosos privado
já é uma tarefa difícil, suportar os seus custos pode ser mesmo impossível. A
pensão média de velhice paga pela Segurança Social (691,31 euros vezes 14
pagamentos por ano) apenas garante ao idoso cerca de cinco meses e meio de
estadia em quarto duplo num lar privado em Portugal, que custa em média 1717
euros por mês. Se a opção for um quarto triplo, partilhado com outras duas
pessoas, o idoso consegue prolongar a permanência por quase mais um mês.
Desce
do verão com as suas mãos cansadas
de sombra. Encosta-se ao ombro da nuvem
mais branca, onde o seu rosto se reflecte.
Deixa que os meus dedos a toquem, como
se fosse uma harpa de silêncio. A música
demora-se no abraço da tarde. e os seus
olhos têm a luz lenta de uma despedida.
Cristiano
Ronaldo, por ter abandonado o estágio da selecção nacional, foi sancionado com
uma suspensão de 30 dias pela Federação Portuguesa de Futebol e uma multa de
255 euros
Há
dias, o músico e cantor Salvador Sobral, num programa de televisão espanhol,
comentou a atitude do capitão da selecção nacional:
«O
problema de Cristiano Ronaldo é que tem a síndrome do semideus, custa-lhe
entender essas coisas, que o treinador é que decide quem entra e quem não
entra. E depois as pessoas misturam tudo, que tem a ver a gratidão a Ronaldo e
o facto de agora não poder jogar da mesma maneira? Já no Mundial foi assim,
como o jornal The Guardian escreveu, dez jogadores e uma estátua», notou. Foi-se
embora, chamou o avião privado e foi-se... o que o capitalismo está a fazer ao
futebol...E depois aquele comunicado com o que devia dizer o selecionador...»
A
vida é feita de nadas;
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
De poeira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma Mãe que faz a trança à filha.
«Mais de mil imóveis, um valor patrimonial conjunto superior a 55 milhões de
euros, mais de 807 mil euros de rendimentos prediais declarados e participações
accionistas em dezenas de empresas do sector imobiliário. Assim se faz o
retrato do património imobiliário dos 220 políticos que compõem o Governo e os
grupos parlamentares do PSD, Chega, Iniciativa Liberal e CDS-PP. Este grupo,
que conta com 41 senhorios e 31 investidores do sector imobiliário, tem vindo a
aprovar uma série de medidas que beneficiam proprietários, incluindo alívios
fiscais já em vigor e alterações às leis do arrendamento que estão prestes a
ser votadas na Assembleia da República.»
As
pás da ventoinha giram lentamente, com um ruído regular, seco. Devia ser alguma
mola solta, uma após outra, as pás embatiam no obstáculo, abrandavam, depois
retomavam o movimento. Martinho Dante viu o criado aproximar-se. Deteve-se
junto `*a mesa, com as mãos cruzadas à frente do corpo. Marinho pediu com aplicação
um gin
tonic. O outro repetiu, como a
certificar-se de que tinha ouvido bem: “Com água tónica?”
Donald Trump afirmou não ser um grande admirador do homólogo ucraniano,
Volodymyr Zelensky, considerando que é mais difícil negociar com o líder de
Kiev do que com o Presidente russo, Vladimir Putin.
“Não sou grande fã de Zelensky”, admitiu o Presidente
norte-americano, sublinhando que o presidente da Ucrânia “destruiu aquele
país”. As declarações foram feitas numa entrevista à estação norte-americana
Newsmax, na quinta-feira, e surgem num momento de crescente tensão entre
Washington e Kiev, devido às divergências sobre a estratégia para pôr fim à
guerra na Ucrânia.
“Zelensky não é uma boa pessoa com quem possamos
negociar”, acrescentou.
O chefe de Estado norte-americano voltou também a
criticar a decisão da Ucrânia de retomar os ataques contra refinarias
petrolíferas russas, alegando que estas operações contribuem para a subida dos
preços internacionais da energia.
Trump classificou os ataques como uma “vergonha” e
defendeu que existem outros alvos militares que Kiev poderia atingir. O
Presidente norte-americano questionou ainda a vontade de Zelensky em alcançar
um acordo de paz com Moscovo e voltou a defender a realização de eleições na
Ucrânia, adiadas devido à lei marcial em vigor desde a invasão russa, em
fevereiro de 2022.
As declarações aprofundam o afastamento entre os dois
líderes, depois de Trump ter sugerido, no passado fim de semana, que a Ucrânia
deveria escolher um novo Presidente capaz de negociar o fim da guerra.
“Sugiro-lhes que elejam um novo líder capaz de chegar a um acordo”, afirmou
perante a imprensa na Casa Branca.
«Este
mundo é essencialmente antidemocrático, conflitual, com exclusão do “outro”, e
legitimador da violência. Os direitos constitucionais da greve, da
manifestação, não valem nada. E, mesmo quando há violação da lei por parte dos
manifestantes, há uma completa duplicidade em relação às violações da lei, por
exemplo, por parte do Chega. O que provocaria uma fúria nestes comentadores se
o que fez Rita Matias ilegalmente em Coimbra, invadindo uma estação de rádio,
fosse feito por um “esquerdalho”, ou se se vier a concluir que o “alegado”
assalto ao gabinete de Ventura fosse mesmo “alegado”?
Este mundo é pobre, ignorante, agressivo, violento e muitas vezes cruel. É um
mundo antipatriótico, anticristão, mas encontra pouca resposta numa denúncia
clara do que ele significa. É só esperar algum tempo para percebermos a
metáfora do “ovo da serpente”.
José
Pacheco Pereira no Público
«Mais do que a liquidação progressiva –
já de si criminosa – das liberdades e dos direitos das democracias liberais, é
a violência que marca a extrema-direita como anunciadora de futuros fascismos.
Por mais que Milei, Trump, Bolsonaro, Abascal ou Ventura se reclamem defensores
da democracia (exigindo liberdade de expressão, moralidade política, justiça
anticorrupção, etc., e procurando apresentar-se como verdadeiros democratas),
eles destacam-se sempre no uso desbragado da violência, no insulto, no apelo à
força excessiva na aplicação das leis e, por vezes, até à supressão física – de
múltiplas maneiras – dos adversários (ou melhor, dos inimigos, porque, para
eles, só existem inimigos)».
«Um regresso de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD e a eventual aliança
política de governação com o Chega podem até vir a acontecer, mas isso
significará o fim do PSD, que ajudou a construir a democracia portuguesa.»
Os velhos, perante as
insónias, aconselhavam a que se contassem carneiros.
As terríveis
insónias!...
Vergílio Ferreira: Comum ouvir dizer-se que os velhos dormem
pouco porque sabem que não tardará o dia em que dormirão infindavelmente.
Dennis McShade.
«Durmo muito pouco, três ou quatro horas em cada noite. As noites são sempre
longas, estiradas, e eu fico deitado na cama como num rio de silêncio, ouvindo
o marulhar do próprio coração.»
Marcelo Rebelo de
Sousa dizia que lhe bastava dormir quatro horas por noite.
Já ultrapassei os 80
anos, cada vez durmo menos e o pouco que durmo é uma treta, não presta para
nada.
Qualquer zumbido de
mosquito, desprega-me do sono.
Estúpidas insónias
acometem-me quase todas as noites.
O médico de família
receitou-me um comprimidinho indutor do sono mas evito tanto quanto possível
entrar no hábito rotineiro.
Resolvo as insónias
lendo livros, lendo livros, lendo livros…
Há uma lenda que
suporta que Bach compôs as Variações Goldberg para combater as insónias,
Abençoadas
insónias!...
O extraordinário poeta
Jorge de Sena tem um livro a que chamou Arte de Música.
Este é o poema a que chamou BACH: VARIAÇÔES GOLDBERG:
«A música é só música, eu sei. Não há
outros termos em que falar dela anão ser que
ela mesma seja menos que si mesma. Mas
o caso é que para falar de música em tais termos
é como descrever um quadro em cores e formas e
volumes, sem
mostrá-lo ou sem querer havê-lo visto alguma vez.
Vejamo-lo, bem sei, calados, vendo. E se a música
for música, ouçamo-la e mais nada. No entanto,
nenhum silêncio recolhido nos persiste além
de alguns minutos. E não dura na memória como
silêncio. Ou, se dura, esse silêncio cala
a própria música que adora. Porque a música
não é silêncio mas silêncio que
anuncia ou prenuncia o som e o ritmo.
Se os sons, porém, não são de devaneio,
e sim a inteligência que no abstracto busca
ad infinitum combinações possíveis bem que ilimitadas;
se tudo se organiza como a variada imagem
de uma ideia despojada de sentido;
se tudo soa como a própria liberdade dos acasos
lógicos
que os grupos, e os grandes números, e as proporções
conhecem necessários; se tudo repercute como
em cânones cada vez mais complexos que não desenvolvem
um raciocínio mas o transformam de um si mesmo em si;
se tudo se acumula menos como som que como pedras
esculpidas em volutas brancas e douradas cujos
recantos de sombra são um trompe-l’oeil
para que elas mais sejam em paredes curvas;
se uma alegria é força de viver e de inventar e de
bater nas teclas em cascatas de ordem;
e se tudo existiu na música para tal triunfo
e dele descende tudo o que de arquitectura
possa existir em notas sem sentido – COMO
não proclamar que essa grandeza imensa
não se comove com íntimos segredos (mesmo implica
que não haja segredo em nada que se faça
a não ser o espanto de fazer-se aquilo),
é como que uma cúpula de som dentro da qual
possamos ter consciência de que o homem é por vezes,
maior do que si mesmo. E que nada no mundo,
ainda que volte ao tema inicial, repete
o que só foi proposto como tema para
se transformar no tempo que contém. Quando, no fim,
aquele tema torna não é para encerrar
num círculo fechado uma odisseia em teclas,
mas para colocar-nos ante a lucidez
de que não há regresso após tanta invenção.
Nem a música, nem nós, somos os mesmos já.
Não porque o tempo passe, ou porque a cúpula se erga,
para sempre, entre nós e nós próprios. Não. Mas
sim porque
o virtual de um pensamento se tornou ali
uma evidência: se tronou concreto.
Um concreto de coisas exteriores – e o espanto é esse
–
Igual ao que de abstracto têm as interiores que o
sejam.
Será que alguma vez, senão aqui,
aconteceu tamanha suspensão da realidade a ponto
de real e virtual serem idênticos, e de nós
não sermos mais o quem que ouve, mas quem é? A ponto
de