domingo, 20 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 Domingo, e eu às voltas com as canções para a manhã de hoje.

Capa de um velho disco comprado na Grande Feira do Disco na Rua do Forno do Tijolo no dia 10 de Setembro de 1966. Olha como o tempo passa!...

Quando os Festivais de Canções eram uma outra coisa…

E o resto são outras velhinhas canções.




sábado, 19 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


As crianças nascem com uma coragem que perdem.

Jorge de Sena

Legenda: imagem Shorpy

SOLTAS


 Seis meses de guerra no Irão já custaram 43,6 mil milhões de dólares aos Estados Unidos.

1.

Voltamos ao vinho:


«Viticultores do Douro que deixem uva por vindimar receberão 1125 euros por hectare
viticultores que não encontrem comprador para as suas uvas e que, por isso, as deixem ficar nas videiras receberão um apoio máximo do Estado de 1125 euros por hectare, o que equivale a assegurarem escoamento para a produção de três pipas, pouco mais de 1500 litros de vinho, como de resto tinha antecipado o cronista Pedro Garcias, na rubrica que assina semanalmente na Fugas.

Os 12 milhões de euros do Governo para o Douro são uma ofensa e um desperdício
Chegou, finalmente, o dia da vergonha e da humilhação no Douro. Não foi nenhuma surpresa, não surgiu do nada. Estava escrito na pedra há muito tempo. Mas nem isso diminui a vergonha e a humilhação. Ficará para os anais: na vindima de 2026, no dia 4 de Setembro, o Governo de Portugal, liderado por Luís Montenegro e cujo ministro da Agricultura se chama José Manuel Fernandes, aprovou a concessão de 12 milhões de euros do Orçamento Geral do Estado para pagar aos durienses que deixem as uvas maduras na vinha.»

O curioso, assim como quem diz que é, o governo dá milhões de euros para que os viniticultores não apanhem as uvas, e nos supermercados, estamos a comprar uvas, vindas de toda a parte, menos Portugal, a preços incomportáveis e de qualidade duvidosa, enquanto as excelente uvas do Douro ficam a olhar a paisagem.

2.

Um leitor do Público, por causa do cómico Jerry Seinfeld, lamenta-se:

« Não me levam a mal, mas a conclusão de que Israel está a cometer genocídio consta dos relatórios da Comissão Independente da ONU, da Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio, ou de organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional, o Centro Europeu de Direitos Constitucionais e Humanos, o Human Rights Watch, o Médecins Sans Frontières e ainda de prestigiadas ONG's israelitas como a B'Tselem e a Physicians for Human Rights. Também são da mesma opinião dois especialistas israelitas judeus: Omer Bartov, "I’m a Genocide Scholar. I Know It When I See It", NYT, e Amos Goldberg, "Holocaust Memory in a Time of Genocide". Sem dúvida há sempre jornalistas do Público e leitores aqui que o negam. Respeito as suas opiniões. Porém, nunca nenhum apresentou um estudo a apoiá-las.»

Pedro Tadeu no Diário de Notícias:

«Recordo, para quem ande esquecido, que esta posição de Seinfeld é discutida num contexto em que o Governo israelita massacra a população de Gaza, destrói as condições da sua sobrevivência e pratica atos que a Amnistia Internacional classificou como genocídio. A desproporção em relação aos ataques terroristas do Hamas de 7 de outubro de 2023 é evidente. Esses crimes não justificam matar civis, provocar fome ou destruir um território. As vítimas palestinianas não são responsáveis coletivamente pelos crimes do Hamas.»

3.

Um estudo da Marktest indica que três em cada quatro portugueses adultos consome bebidas alcoólicas.

4.

A electricidade fica mais cara em Outubro no mercado regulado por causa da guerra no Irão. São mais 0,005 euros por kWh, a aplicar a partir de 1 de Outubro de 2026.

5.

Portugal registou o maior aumento anual do custo da habitação entre 57 países analisados num estudo internacional, tendo-se verificado um aumento de 15,2% em apenas um ano, enquanto o preço das casas, em termos mundiais, caíu 1,2% no mesmo período.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Volta e meia há que ir ao Outro Lado das Estantes, e nem sempre acontece.

Esta colecção do Círculo de Leitores adquiri-a, por meia dúzia de euros na Feira da Ladra. Tinham todo o ar de terem sido, por alguém, roubados e vendidos, também por tuta e meia, ao velhote que, rigorosamente não sabia o que etava a vender.

Uma colecção, ainda, não lida, apenas folheada, mas a que há que voltar.

Assim irá acontecendo.

OLHAR AS CAPAS


 Os Celtas

Juliette Wood

Tradução: Ana Maria Pinto da Silva

Capa. José Neves

Colecção: Cultura e Civilizações

Círculo de Leitores, Lisboa, Dezembro de 2005

Há mais de dois mil anos, a Europa, a norte de Mediterrâneo era dominada pelos Celtas, um conjunto de povos que partilhava tradições de língua, arte e cultura.

MÚSICA PELA MANHÃ


Segundo Luís Pinheiro de Almeida, na sua Biografia do Ié-Ié, Daniel Bacelar foi pioneiro do rock português, o primeiro a gravar um disco de rock, indefectível fã de Richy Nelson, consideravam-no o «Ricky Nelson português», nasceu a 26 de Maio de 1943 e faleceu a 29 de Setembro de 2017, com 74 anos.

Colaborou com vários conjuntos portugueses de então, e no dia 1 de Agosto de 2009, Rita Redshoes convidou Daniel Bacelar para partilhara consigo o palco do Festival dos Oceanos que se realizou nos jardins da Torre de Belém, em Lisboa. Foi um verdadeiro espectáculo de rock, estávamos lá, mas nos últimos tempos o Daniel apenas cantava para amigos mas escusava-se sempre a interpretar Marcianita, bem como os seus temas em português que são pioneiros do rock nacional.

Após a sua morte, João Rato editou, para os amigos do Ié-Ié, um disco com 18 versões de Marcianita, obviamente com a versão do Daniel Bacelar.

Daniel Bacelar deixou-nos há 9 anos.

Lembramo-lo agora.




sexta-feira, 18 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Eu não mudei, apenas os tempos mudaram.

Paulo Castilho em Fora de Horas

Legenda: Bob Dylan

TRUMPALHADAS

Donald Trump, disse, hoje, na Casa Branca que irá proibir os órgãos de comunicação social CNN, MS NOW e Politico de entrar na Casa Branca, queixando-se da cobertura que fazem das suas actividades numa publicação nas redes sociais, acrescentando que anunciaria os nomes de outros órgãos de comunicação social em breve.

OLHAR AS CAPAS


A Derradeira Palavra

Rex Stout

Tradução L. Almeida Campos

Capa: A. Pedro

Colecção Vampiro nº 448

Livros do Brasil, Lisboa 1984

 - Não creio que… - Deixou a frase suspensa por um momento, depois acrescentou: - Mas, o senhor é Archie Goldwin.

Acenei com a cabeça.

- E a senhora é Althea Vall. Dado que não tem encontro marcado, tenho de informar o Sr. Wolfe do assunto sobre que quer falar com ele.

-Preferia ser eu própria a dixer-lhe. É muito confodencial e muito urgente.

DE VEZ EM QUANDO

O mar, se acaso alguém

fechando a mão o faz como se às praias

assim o subtraísse, o mar ligado

por cem mil cordas ao meu leito,

 

reduz-se a poucas vagas; porque há poros

na pele por onde o espírito goteja, há também quem

da parte envidraçada do seu espírito

de vez em quando as veja rebentar.

Luís Miguel Nava em Poesia

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


Um pessimista é um optimista bem informado.

Mark Twain

OLHAR AS CAPAS

Ensaios

António Sérgio

Tomo 1

Atlântida, Coimbra, 1949

Porque se efectuou a tomada de Ceuta?

Donde proveio a iniciativa do empreendimento?

Não parece que os historiadores se tenham detido neste problema; detenhamo-nos nós, que o não somos (senão que ensaísta sobre temas de história, como o havemos sido sobre tantos outros): talvez provoquemos uma actividade crítica, talvez acertemos com uma hipótese útil. Por la boca de una sierpe de piedra sale un caño de agua.

CENSURAS, SOMBRAS E RAIVAS


Durante 48 anos perseguiram, prenderam, espancaram, mataram, quem neste país queria ter liberdade de pensar.

Naqueles tempos Adriano Correia de Oliveira cantava Manuel Alegre:

Meu pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.

Meu pensamento
Quebrou amarras
Partiu no vento
Deixa guitarras.

Meu pensamento
Por onde passas
Estátua de vento
Em cada praça.

Meu pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.

Foi à conquista
Do novo mundo
Foi vagabundo
Contrabandista.

Foi marinheiro
Maltês ganhão
Foi prisioneiro
Mas servo não.

Meu pensamento
Partiu no vento
Podem prendê-lo
Matá-lo não.

E os reis mandaram
Fazer muralhas
Tecer as malhas
De negras leis.

Homens morreram
Chamas ao vento
Por ti morreram
Meu pensamento.

A imagem que acima se reproduz, faz parte de um trabalho que, a seguir ao 25 de Abril, a revista Cinéfilo publicou e em que mostraram como fomos censurados.

No dia 22 de Setembro, pelas 19,30 horas, a Cinemateca apresentará um filme de Manuel Mozos sobre cortes de cinema executados pela comissão de censura do Estado dito Novo:

 

  « ALGUNS CORTES: CENSURA III

de Manuel Mozos

Portugal, 2014 - 50 min

M/12

sessão apresentada por Manuel Mozos e Margarida Sousa e seguida de conversa após projeção

A partir de várias horas de cortes realizados pela Comissão de Censura durante as décadas de cinquenta e sessenta conservados pela Cinemateca, Manuel Mozos assina um filme de montagem através do qual se dá a ver a violência da censura enquanto negação da possibilidade de olhar estas imagens. 
Ao contrário do anunciado, será apresentado o terceiro filme de montagem (de 2014), dedicado a cortes feitos de acordo com o que a Comissão estabeleceu como critérios morais, na sua relação com os comportamentos das mulheres e com a sua imagem, e não o primeiro (de 1999).»

CAMÕES DIRIGE-SE AOS SEUS CONTEMPORÂNEOS

Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.

Jorge de Sena em Poemas Escolhidos 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


Mas a história é uma série de interrogações não de respostas. respostas.

Alberto Pimenta

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Num tempo em que os nossos políticos são de uma pobreza franciscana, recorde-se Vasco Gonçalves. Não por um qualquer tique passadista – saudades, só do futuro, como diria o Zé Gomes Ferreira – mas numa tentativa, possivelmente vã, de com Vasco Gonçalves lembrar que, após o 25 de Abril tivemos políticos de gabarito, inteligentes, cultos, generosos, concorde-se ou não com eles: Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires, Melo Antunes, Margarida Pintasilgo, outros mais.

«Insistiram muito em que eu estaria ligado ao Partido Comunista porque eles sabem que em Portugal fazer uma política anticomunista é rentável, pois os sentimentos de anticomunismo estão ainda profundamente enraizados no nosso povo.» (entrevista de Vasco Gonçalves à revista Hebbo em Outubro de 1975.).

Não, não somos um país decente.

Ainda há dias, na Assembleia da República, durante um voto de censura ao governo de Luís Montenegro, provocado por «aquela coisa», o jornalista Eduardo Dâmaso escrevia:

«Afinal, o gato encontrou uma nova vida. A metáfora de Ventura sobre Luís Neves saiu-lhe pela culatra. Neves, o gato, na retórica do Chega, saiu reforçado da audição e da moção de censura. Luís Montenegro desmanchou a estratégia do Chega dando a centralidade que lhe interessava ao debate. Levou o bónus aos pensionistas, a promessa de descer o IRS até ao 6.º escalão, falou do trabalho do governo nas várias frentes, encaixou a conversa no que interessa aos portugueses, a sua vida e a estabilidade da governação. Rebentou com o debate sobre Neves. Montenegro foi muito eficaz e esta foi a sua verdadeira ‘rentrée’ no ano político. Pelo meio, ainda ganhou, também ele, um bónus. Ficou a nu, impiedosamente, a fragilidade política do Chega, do discurso e dos seus deputados, que acabaram por mostrar-se incapazes de superar o primarismo argumentativo da comparação de Neves com traficantes, bandidos e xerifes. Como se não bastasse, a cena final, de mau perdedor, com a gritaria instalada no parlamento, mostrou ainda como os profetas da pureza originária, que querem “limpar” e “salvar” Portugal, só gostam da democracia quando ganham e podem confundir isso, sem limites, com a humilhação do adversário. Ontem, correu-lhes mal. Pelo resultado mas, sobretudo, pela exibição.»

OLHAR AS CAPAS


Vasco Gonçalves: Perfil de Um Homem

Fernando Luso Soares

Capa: Soares Rocha

Gleba, Lisboa, Outubro de 1979

Assim direi que, tal como acontece com a Crítica, também a História deve ser a cabeça da paixão, não a paixão da cabeça. Por outras palavras: se a figura humana do Companheiro nos enternece, devemos tomar, relativamente a ela, um distanciamento que elimine ou evite a cegueira.

RETRATOS


 E outros momentos. Soltos. Deslumbrantes na opaca escuridão do que não volta mais. Cada um terá os seus, a sua história privada, a sua respira­ção. A última reunião da Comissão de Escritores do MUD, a que tinha pertencido toda a gente (fal­tavam às vezes cadeiras) e a que, por fim, já só compareciam, inutilmente renitentes, três pessoas: a Manuela Porto, o Flausino Torres, eu. Que coor­denava o sector desde a própria ideia de o formar. Como o dos artistas (arquitectos, pintores, esculto­res, desenhadores, fotógrafos, publicitários) que, a partir de 46, fizeram juntos as suas Exposições num clima de entusiasmo e unidade como nunca houvera no país nem sei se, exactamente assim, te­rá voltado a haver.

 Momentos soltos lucilando na distância. O José Cardoso Pires a bater-me à porta com o seu pri­meiro original. O Piteira a paginar comigo, em minha casa, à noite, a Gazeta musical e de todas as artes.

 A Manuela Porto foi quem primeiro declamou a «Ode Marítima», como nunca mais ninguém faria. E, antes (ou depois?), a nossa poesia que mal ainda despontava, no velho Salão de O Século, com uma palestra introdutória do Armando Bacelar. Vejo-a a beijar, num pé, a minha filha então de meses: «Posso? E um milagre!» E, a seguir, na redacção da Eva, que ela chefiava e onde a vi pela última vez. Estava assente que eu passasse por lá para lhe dar a senha de contacto com o MUNAF, organiza­ção ilegal a que resolvera aderir. Era um prodígio de vontade e de coragem aquela mulher tão frágil, delicada, toda ela poesia. Mas tinha no gabinete, inesperadamente, alguém que não me devia ver, a directora da revista. Vem lá de dentro, à pressa, sorridente. Traz nas mãos as Cartas a um jovem poeta. Deixa a porta entreaberta, só o bastante para que a ouçam bem. «Desculpe não poder hoje rece­bê-lo. Está aqui o livro. Gostei muito». Mímica apressada a explicar porquê o livro e aquela con­versa. Dois dias depois suicidava-se.

 E vejo o Flausino também, muito mais tarde, com o seu arcaboiço de camponês, grossa samarra de gola levantada, já a noite caíra, à porta da sua casa de Tondela, em pleno campo, com os braços estendidos e os olhos molhados: «Tu é que tinhas razão». Enquanto eu, durante o abraço demorado e apertado, retomava um convívio interrompido du­rante anos: «E era preciso ires tão longe?»

Regressara de Praga, depois da invasão. Passara por lá as passas do Algarve nas mãos de uma co­nhecida dirigente, dessas de «antes quebrar que torcer», que se deslocava em luxuosos automóveis de Estado, vivia em bons hotéis por lá e anda agora por aí, nos períodos eleitorais, a fazer a propa­ganda de tudo o que seja de Direita.

Exactamente a mesma. Quando, em 42, fiz a minha conferência na Universidade Popular sobre arte moderna, essa expressão acabada da «burgue­sia decadente», foi ela que comentou: «Que grande desilusão!» Mas não se referia à qualidade da con­ferência. A minha grande falha ideológica é que a deixara desolada...

Varrer o lixo. Sem descanso. Conservar o que nos foge por entre os dedos, como fumo.

Mário Dionísio em Autobiografia

Legenda: Manuela Porto

COM FÚRIA E RAIVA

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra


Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 15 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO

É disso que os amigos falam: do que a vida poderia ter sido se não fosse a filha da puta de vida que foi.

José Carlos Barros

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da imagem.

MARCADORES DE LIVROS


 Colaboração de Aida Santos.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Não há livros inúteis.

Este retrato de Marcelo Caetano deixa-nos perante aquilo, após a morte do ditador de Santa Comba, a que se chamou «primavera», uma espécie de esperança que, como teria que ser, durou breves fogachos de tempo.

Foi um mito e por ali residiram frustradas expectativas liberalizantes mas Marcelo Caetano não conseguiu, limitações pessoais acima de tudo, libertar-se da teia de oportunistas e corruptos que constituíam

que Salazar deixou constituir à sua volta e de que tanto necessitava.

Tudo começou com a sua posição perante a guerra colonial:

 «Portugal não pode ceder, não pode transigir na luta que se trava no Ultramar.»

Ao tomar posse não fez qualquer ruptura com a política salazarista, talvez por não estar preparado ou porque não a desejar.

Fazer depender a sobrevivência do regime com a continuação da guerra, iniciou o caminho sem qualquer saída.

Aparentemente, não esperava suceder a Salazar, outros serviriam para isso.

Um dia terá confidenciado à sua filha Ana Maria Cardoso:

«A pessoa que suceder a Salazar é para abater».

Palavras finais do Retrato de Salazar escrito por António Araújo:

«No final da manhã de 26 de Outubro de 1980, domingo, por volta das 12,30 horas, enquanto lavava as mãos na casa de banho do seu apartamento na Rua Cruz de lima, nº 8, aguardando que a irmã Olga o chamasse para o almoço, Marcello Caetano foi acometido de uma violenta dor no peito, que em minutos o matou.»

OLHAR AS CAPAS


 Marcelo Caetano

António Araújo

Colecção: Retratos Políticos nº 2

Medialivre, Lisboa, 2024

Não percebo porque é que me foram buscar. Isto não tem saída. Porque é que não foram buscar o Antunes Varela, o Franco Nogueira, esses sabem o que querem fazer… Isto não tem solução.

RECICLAGEM PARA C.

O deus do Eugénio

é muito mais verde

quando lido pelos teus olhos.

David Teles Pereira

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


Sabemos como a vida imita os filmes.

Paulo Teixeira