Mais Greguerías de Ramón Gómez de la Serna:
A
felicidade consiste em ser-se um desgraçado que se sente feliz.
Aquele
tipo tinha um tique, mas não tinha um taque – por isso não era relógio.
A
civilização terá atingido um alto grau quando os gatos estiverem a ler revistas
infantis nos portais.
O
mar só vê viajar: ele nunca viajou.
A
medicina oferece-se para curar dentro de cem anos os que estão agora a morrer.
A
água não tem memória: por isso é tão limpa.
Há
quem se reserve para dar esmolas aos pobres que houver à porta do céu.
O
que acorda da sesta ao fim da tarde repara que lhe roubaram o dia enquanto
dormia.
O
arco-íris é o cachecol do céu.
As
algas que dão á praia são os cabelos que as sereias arrancam ao pentearem-se.
Se
ao morrer nos lembramos que já estivemos mortos antes de nascer.
O
abraço tem alma de serpente, mas no final abranda.
O
gato só admira o homem quando este mete mais lenha na chaminé
As
lágrimas são tão efémeras que nenhuma chegou a ser diamante.
O
cachimbo não arde: logo, se os homens fizessem as casas com madeira de
cachimbo, haveria bombeiros a mais.

.jpg)





.jpg)
.jpg)





.jpg)
.jpg)



