terça-feira, 13 de janeiro de 2026

OLHAR AS CAPAS


O Mistério de Lisboa

Nuno Júdice, Maria Isabel Barreno, Sérgio Godinho, António Ramos Rosa, Fernando Pinto do Amaral, Mário de Carvalho, entre outros

Pinturas: José António Cardoso, Ilda David

Ilustrações: Fernanda Fragateiro, Rui Martiniano

Fotos: José Afonso Furtado

Capa: Fernando Mateus

Relógio D’Água Editores, Lisboa 1993

Havia vendedores de quase tudo: peixeiras com canastas à cabeça, tapadas com um oleado; as várias carroças de hortaliças, de frutas; havia até a carroça do petróleo; e a mulher da fava-rica, e o oculista e o homem das peles de coelho. Alguns não só vendiam como compravam, nesse tempo em que os cordéis se guardavam numa caixa, na despensa, e os papéis também, em que quase tudo valia algum dinheiro, pouco que fosse, e tinha certamente um valor de uso; o das peles de coelho, que comprava as peles frescas e vendia pelas curtidas, o ferro velho, o dos trapos e garrafas. Todos tinham pregões, espécie de logotipo sonoro da época, e hora certa para passar.

(Maria Isabel Barreno)

A PASTORAL AMERICANA DE TRUMP


 «A pastoral americana de Trump é uma boa porcaria. Não difere muito da pastoral americana retratada por Philip Roth no livro com o mesmo nome. Mas enquanto o segundo se esforçou por desmontar o mito do sonho americano e da suposta grandeza da América, o primeiro sonha com o regresso da América dominadora e temida, numa idealização puramente narcísica de um reizinho com o cérebro de uma criança. E usa a força e o medo para o conseguir. Que cerca de metade dos americanos o apoiem é a prova de que a tal América idílica é mesmo um mito.

Como isto está, até apetece fugir para um lugar remoto, sem comunicações e acesso a notícias. Mas talvez não seja uma ideia muito corajosa. Neste tempo de fanfarronice, ganância e pirataria, vale a pena continuar a resistir. Até porque há uma certeza que nos dá algum consolo: tanto Trump como Putin e todos os ditadores também terão o seu dia. No mínimo, morrerão.»

Pedro Garcias no Público de 10 de Janeiro

COMO VAIS MORRER

Como vais tu morrer
em portugal
que te assenta de igual modo à camisola
que lavaste no programa errado;
Como vais vender os teus versos
ao preço da chuva
num país de cheias
e lágrimas fáceis;
Como vão as tuas palavras
arder no coração daqueles
que vêem as florestas
sucumbir ao fogo
todos os verões;
Como vais ficar em nada
como o gelo no whisky
no copo da mulher
que o teu marido ama;
Como vais, tu, abrir os braços
se só tens penas
como o pobre Garção?

Ana Paulo Inácio de 2010-2011 em Resumo: a poesia em 2011 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

POSTAIS SEM SELO


Eu não acho que a democracia esteja em risco. É a inteligência.

Manuel João Vieira, músico, pintor, candidato à Presidência da República

NOTÍCIAS DO CIRCO

Há muitas maneiras de olhar a fragilidade, a incompetência, o ridículo do governo de Luís Montenegro.

Quando vemos um ministro da Defesa, chamado Nuno Melo, dizer banalidades, ou erros de história, etc. etc., pouco mais há a dizer do governo que alguns portugueses entenderam que nos calhasse em sorte… ou azar!...

«O que se espera dos aliados é que se comportem como aliados e os Estados Unidos são um aliado fundamental na NATO e espero bem que assim possa continuar a ser por muitos e bons anos», disse Nuno Melo à Lusa à margem da celebração dos 236 anos da cerimónia comemorativa do dia da Academia Militar em Lisboa.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


As fotografias de Mário Varela Gomes que enchem este álbum sobre o 25 de Abril, são extraordinárias e, indelevelmente, marcam um dia único.

Neste outro olhar pelo livro, reproduzimos uma dessas extraordinárias fotografias.

Um dos milhares manifestantes que olharam o tempo do capitão Salgueiro Maia na persistência pela rendição de Marcelo Caetano, encontrou outro sítio para olhar os acontecimentos daquele dia histórico, um candeeiro de iluminação pública do Largo do Carmo.  

OLHAR AS CAPAS


Memória de Abril – 50 Anos Depois

Luís Miguel Ferro Pereira

José Morais Arnaud

Mário Varela Gomes

Fotografias: Mário Varela Gomes

Edição: Câmara Municipal de Lila Velha de Ródão, 2024

É comum comentar-se, a propósito de certos acontecimentos, de que alguém esteve no sítio certo e à hora certa ou, pelo contrário, no local errado a à hora errada.

O 25 de Abril de 1974 tem, para mim, ganho maior importância e significado, com cada ano que passas, e não só por acreditar que estive no sítio certo como à hora certa.

CONVERSANDO

O mundo dos comentários nos jornais é um ambiente nada higiénico, mesmo pantanoso.

Creio que se eles fossem eliminados logo surgiria a gritaria histérica de estarem a coartar a liberdade do leitor.

Onde a democracia?, perguntariam.

Reconheço a utilidade dos comentários, do trocar impressões, ideias, rectificar afirmações expressas nos artigos que se leram.

Mas raramente atingem estas plataformas de bom senso e dá a ideia de que gente boçal, ignorante, ressabiada se junta por ali para a ofensa, a vingança, sei lá mais o quê.

Terá que haver uma certa vigilância, como, eventualmente acontece nas Cartas ao Director.

Algo nada fácil, diga-se.

E então, como fazer?!

JORGE DE SENA: O MAIOR POETA POORTUGUÊS


1. Conheci Jorge de Sena em 1958 quando o jornal Encontro publicou aquele Soneto que começa: “Como de Vós, meu Deus, me fio em tudo/ mesmo no mal que consentis que eu faça”. Pio XII, Papa, tinha morrido e o soneto era dedicado à memória dele “que quis ouvir, moribundo, o ‘Allegretto’ da Sétima Sinfonia de Beethoven”. Era o primeiro Papa que morria na minha vida consciente e nessa altura — não sabendo o que soube depois — era mesmo o Pastor Angelicus. Comoveu-me que Jorge de Sena, não-católico — ou melhor, como um dia escreveu, um católico que não era nem podia ser católico, apostólico, romano, mas sim e apenas católico porque não era convictamente cristão — juntasse as lagunas dele às nossas e as juntasse nesses versos sublimes.

Essa razão obscura e a clara e luminosa beleza do soneto levaram-me a ler a obra poética anterior de Sena: “Perseguição”, “Coroa da Terra”, “Pedra Filosofal”, “As Evidências”. Li também “Fidelidade” que a Morais publicou em 1958 e que acaba com o “Como de Vós”. Entre 1958 e 1959, descobri o maior poeta português depois de Pessoa. Mais de trinta anos passados, continuo o pensar o mesmo. Embora saiba que esta afirmação continua a ser evidente e não era aceite por Sena que considerava Pessoa e Sá-Carneiro como o seu Sá de Miranda e o seu Bernardim.

“As Evidências” é o livro maior que se publicou em língua portuguesa neste segunda metade do século. Com a eventual excepção de “Metamorfoses”. E o mais belo soneto da nossa história é o soneto XXI de “As Evidências”, escrito a 16 de Abril de 1954. “Perdem-se as letras. Noite, meu amor,/ ó minha vida, eu nunca disse nada./ Por nós, por ti, por mim, falou a dor./ E a dor é evidente — libertada”.

2. Conheci Jorge de Sena em 1959, em casa do António Alçada, numa dessas reuniões clandestinas em que sonhámos fazer a Revolução de 11 de Março. Discutia-se acaloradamente se o primeiro “decreto” a sair era o que acabava com a Pide ou o que acabava com a Censura Jorge de Sena interrompeu com outra prioridade. O primeiro decreto devia era acabar com a Universidade de Coimbra Todos nos rimos muito, mas ele não estava a brincar. Por mim, demorei muitos anos até o perceber.

Também não estava a brincar quando, numa brincadeira de lugares futuros, pediu o de Embaixador em Londres. Para não ter que ficar cá. Muito mais tarde, disse: “Porque o problema não é salvar Portugal, mas salvar-mo-nos de Portugal”. Ele não se salvou.

3. Em Agosto de 1959, aos 39 anos, Jorge de Sena saiu de Portugal e foi viver para o Brasil. Em 1963, escrevi-lhe a convidá-lo a colaborar em “O Tempo e o Modo”.

Foi o começo de uma correspondência regularmente mantida ao longo de sete anos. Para além da espantosa colaboração de Jorge de Sena n'”O Tempo e o Modo”, devo-lhe várias dezenas de cartas (páginas enormes, 40 linhas, escritas a máquina) em que por tudo se interessava, por tudo perguntava. “É que nunca ninguém que me respeite apelou para mim em vão. Às vezes, nem os que não me respeitam”.

4. Em Outubro de 1965, aos 45 anos, Jorge de Sena deixou o Brasil e fixou-se em Madison, Wisconsin, USA.

Em 1968, voltou a Portugal, após uma ausência de cerca de nove anos. Quando ele chegou, estava eu na América e tinha incluído Wisconsin no meu itinerário, de propósito para o visitar.

Foi em Dezembro de 1968, havia neve e um frio bom. Jorge de Sena não estava mas estavam Mécia de Sena e os nove filhos que tinham tido. Pessoalmente, não conhecia ninguém, mas fui recebido como se se tratasse de alguém da família. Naquela casa cabia muita gente e jantares de 10 e 15 pessoas pareciam fazer parte do quotidiano. Foi lá que conheci Adolfo Casais Monteiro. Salvo erro, foi ele quem levou um dia, como presente, o “Dido e Eneias” de Purcell, na gravação EMI dos Mermaid de Geraint Jones, com a Flagstad e a Schwarzkopf. Desde essa noite, o “Remember” é, para mim, um sinal de união indissolúvel com eles. Revivi isso tudo há poucos anos — já depois da morte de Jorge de Sena — quando, pela primeira vez, vi a ópera, em Paris, com Jessye Norman no papel de Dido.

“Diz-me assim devagar coisa nenhuma/ o que à morte se diria, se ela ouvisse,/ ou se diria aos mortos se voltassem.”

5. Voltei no Natal de 68, ainda Jorge de Sena estava em Lisboa. Lembro-me de um almoço na Gôndola com o Vasco Pulido Valente. E lembro-me da sala cheia da Sociedade Nacional de Belas Artes para uma conferência que ele lá foi fazer. Já tinha saído o número especial de “O Tempo e o Modo” (Abril de 68) em que se dizia na cinta que seria disputado no futuro a peso de ouro. Foi durante a conferência que reparei que Jorge de Sena não se sentia à vontade, com aquela reviravolta de imagem face àquele ambiente delirantemente consagratório que eu concelebrara. Essa conferência, sobre Portugal na América ou Portugal no mundo, já não me lembro bem, parecia ser feita de propósito para contrariar os meus “clichés”.
Grande parte dos ouvintes eram jovens e —1968—contestatários. No final, reagiram com apupos e provocações ao jeito do tempo. A festa pareceu-me estragada e saí dali com uma enorme incomodidade. Jorge de Sena, não. Olhou-me a rir, nada zangado e perguntou-me se eu continuava a achar que as coisas tinham mudado. “Daqui a vinte anos” — disse-me ele — “vão ser iguais aos outros ou piores”. Era tão estúpido que não o tomei muito à letra. Não foi preciso esperar tanto tempo.

6. De longe em longe, voltei a vê-lo nos anos 70, quando cá vinha, antes e depois do 25 de Abril. Depois, a notícia da doença. Depois, mais nada.

Lembro-me de ter ouvido alguém contar que pouco antes de morrer perguntou à Mulher: “Ainda falta muito?”. Treze anos antes, em 1965, escreveu-me no dia da morte de Eliot. E dizia: “Você, que é jovem, não sabe ainda o que isto é de ter-se mais de quarenta anos e começar a ver sumirem-se aqueles que foram as luzes vivas da nossa juventude”. Quando Jorge de Sena morreu, eu tinha mais de quarenta anos. Tinha quase a idade que Jorge Sena tinha quando Eliot morreu. (E Deus) “Não nos aguarda — a mim, a ti, a quem amaste/ não nos aguarda, não. Por cada morte/ a que nos entregamos el’ se vê roubado,/ roído pelos ratos do demónio/ o homem natural que aceita a morte/ a natureza que de morte é feita”.

Para trás, ficaram seis instantâneos em forma de retrato. Mas como fazer de outra maneira? Quando preparei o tal número especial de 1968, pedi um retrato a Jorge de Sena. E ele respondeu-me (da América): “Fui tirá-lo de propósito, porque já estou farto dos velhos retratos de sempre. O pior é que, nesta América, ou se vai a um fotógrafo de arte, que custa uma fortuna, ou a gente fica com cara de director de banco”.

Não sendo fotógrafo de arte (nem por uma fortuna) estes instantâneos foram a forma que encontrei de não ficarmos — nem ele nem eu — com cara de director de banco.

João Bénard da Costa

Lido em Poemas para Jorge de Sena

POEMA PARA TODOS OS DIAS

E aquele dia que viemos à cidade

correndo tanto que o vento te puxava pelo vestido?

Não era meia-noite nem meio-dia,

eram todas as horas do meio.

Lembras-te de como nos perdemos pelas ruas?

Andámos a pé, brincando com os passos como os meninos   pobres.

Os homens saíram das tabernas para nos verem passar,

demos todos as mãos, fizemos uma roda

e acabámos a rir, ajoelhados, naquela praça onde havia uma igreja.                              

Depois gritámos adeus e perdemo-nos de novo.

Fomos ter diante de uma estátua e eu desenhei no mármore

uns grandes bigodes de morrer de riso.

Demos o braço, corremos outra vez e estávamos não sei onde,

certos de que o Sangue nos tinha baptizado.

Pedro Tamen de Poema Para Todos os Dias em Tábua das Matérias

domingo, 11 de janeiro de 2026

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Gosta de Woody Allen.

Principalmente de alguns dos seus filmes.

Já gostou mais?

Está na livraria.

Terá que trocar um livro que lhe deram pelo Natal, mas como já o tinha, obriga-se a escolher algo.

«No Natal o prazo estende-se até 31 de Janeiro de 2006», pode ler-se no talão devolutivo.

Quer resolver a situação no momento.

Pega em Que se Passa com o Baum, primeiro romance de Woody.

Que se pode esperar?

Tudo? Nada?

À falta de outros elementos, lê a badana:

«Baum, um jornalista judeu de meia-idade que se tornou romancista e dramaturgo, vive consumido de ansiedade por tudo o que mexe. Os seus livros densamente filosóficos recebem críticas mornas, e a sua prestigiada editora nova-iorquina deu-lhe com os pés. O seu terceiro casamento está por um fio, e ele desconfia de que o seu irmão mais novo seduziu a sua mulher. Sente-se desconfortável com a relação próxima desta com o filho, um autor mais bem-sucedido do que ele, e suspeita da proximidade dela com o vizinho. Para piorar a situação, num impulso irracional, tentou beijar uma jovem e bonita jornalista durante uma entrevista — o que ela está prestes a divulgar.

Será de admirar que Baum tenha começado a falar sozinho? Desconhecidos abanam a cabeça e desviam-se dele na rua. Entretanto, descobre um segredo surpreendente que poderá provocar um terramoto se for revelado. Deverá guardá-lo para si ou contá-lo.»

O começo do livro revelam as preocupações neuróticas sobre a futilidade e o vazio da vida de Baum.

«Ultimamente, Asher Baum tinha começado a falar sozinho. Não apenas os murmúrios ocasionais de um homem que tenta clarificar os seus pensamentos ou acalmar-se antes de alguma tarefa complicada».

Ele, volta e meia, também já se apanha a falar sozinho em casa, na rua.

Lembra-se que o poeta Zé Fomes Ferreira não se importava, absolutamente nada, de ser apanhado a falar sozinho, a tropeçar, nas suas caminhadas por Lisboa.

No meio de tudo isto viu a fila para a compra de livros aumentar. Não quer dar mais voltas aos escaparates repletos de autores que desconhece por completo.

Que se lixe! O Woody sempre é um rapaz cá da casa.

Talvez não o desiluda… talvez…

OLHAR AS CAPAS


Que Se Passa Com o Baum?

Woody Allen

Tradução: Miguel Martins

Capa: Aresta Criativa

Edições 70, Lisboa, Dezembro de 2025

Também não podia falar com a sua segunda mulher, Tyler.

Para começar, ela vivia na Nova Zelândia, mas, mais importante do que a distância, ela deixara Baum e fora-se embora com um baterista de rock qualquer que ficara muito rico muito jovem, e que se reformara aos trinta anos, comprara uma quinta em Walter Peak Station e criava ovelhas.

MONDRIAN NA PAREDE DA SALA


Escreve Ana Teresa Pereira em Se nos Encontrarmos de Novo:

«Talvez seja possível amar uma mulher por causa de um livro, de um poema sublinhado, de um filme a preto e branco, de uma casa, do olhar de um homem quando fala dela, da forma como o seu cão a espera. Da reprodução de um Mondrian na parede da sala.»

SIM, A AMÉRICA DE TRUMP NÃO É NADA GRANDE!

                    

                                   Renee Good: poetisa, escritora, mãe, boa vizinha. Assim é caracterizada a mulher morta a tiro por um  agente federal                                                                           agente em Mineápolis. A mãe assegura: “Era uma das pessoas mais gentis que conheci.”

A América que Trump anda a impingir, é muito má, terrivelmente má.

O mundo está perigoso, com Trump e aquela corja de indigentes que o acompanha na presidência, coloca-nos com um pé no abismo.

As autoridades governamentais democratas, exigem a retirada imediata das cidades do ICE que é O ICE é o braço operacional encarregado de implementar as decisões tomadas por todas as agências dos EUA envolvidas na gestão da migração.

«Eu vi o vídeo, não acreditem nesta máquina de propaganda, Tim Walz, governador do Minnesota»     

 Legenda: recorte do artigo de Pedro Guerreiro no Público de  9 de Janeiro de 2025.

DITOS & REDITOS


As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer.

Resta-nos a palavra.

Vemo-nos quando nos virmos.

Somos feitos de histórias e estamos condenados a interpretá-las.

Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu.

Uma multidão nunca foi uma companhia.

O mundo gosta de ser aldrabado.

Se o telefone não tocar, sou eu.

MÚSICA PELA MANHÃ


No dia 9 deste mês, fez 85 anos.

Um símbolo, uma voz, uma coerência rodeada de problemas de ordem pessoal, e não podemos esquecer o quanto Bob Dylan lhe dedicou um certo ingrato desprezo, apesar de ter deixado estas palavras no seu livro de Crónicas:

« A «rainha dos cantores folk» teria que ter sido a Joan Baez. Joan nasceu no mesmo ano que eu, e os nossos futuros iriam estar ligados, mas naquela altura pensar nisso teria sido disparatado. Ela tinha lançado um disco na editora Vanguard, chamado Joan Baez, e eu tinha-a visto na TV. Aparecera num programa de música folk transmitido para todo o país pela CBS em Nova Iorque. Havia outros intérpretes no programa, incluindo Cisco Houston. Josh White, Lightnin’Hoptkins. Joan cantou sozinha umas baladas e depois sentou-se lado a aldo com o Lightnin’ e cantou umas canções com ele. Não conseguia deixar de olhar para ela, não queria sequer pestanejar. Ela tinha um ar perverso – cabelo preto brilhante, comprido até às graciosas ancas, pestanas longas, parcialmente viradas para cima, não era propriamente uma daquelas bonecas tipo Raggedy Ann. Só vê-la deixava-me louco. Como se isto não bastasse, havia ainda a sua voz, uma voz que afastava os maus espíritos. Era como se tivesse vindo de outro planeta.

Ela vendia muitos discos e era fácil perceber porquê. As cantoras de música folk eram intérpretes como Peggy Seeger, Jean Ritchie e Barbara Dane, que não faziam uma boa transição para o público moderno. Joan não era nada como elas. Não havia ninguém como ela. Tudo isto se passou uns anos antes de Judy Collins e Joni Mitchell entrarem em cena. Eu gostava das cantoras mais velhas – Aunt Molly Jackson e Jeanne Robinson – mas elas não tinham a qualidade penetrante da Joan. Andava a ouvir frequentemente uma cantoras de blues, como Memphis Minnie e Ma Rainey, e Joan era de certa forma, mais parecida com elas. Não havia nada de juvenil nelas, assim como Joan também não tinha nada de juvenil. Ao mesmo tempo escocesa e mexicana, parecia um ícone religioso, alguém por quem nos sacrificaríamos, e cantava com uma voz directa a Deus… era também instrumentista excepcional.»

Bob Dylan em Crónicas



sábado, 10 de janeiro de 2026

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


Que presidente da República iremos ter?

A campanha eleitoral vai-se arrastando envolta numa pobreza franciscana.

Destaco este comentário de um leitor do Público:

«A memória é muito frágil e não tem sido trabalhada desde há uns anos Esquecer é mais fácil.

Quem apoia o Chega não é desejável como eleitor por não ser de confiança. Ponto. Já agora, a "geringonça" não era de esquerda. Era um governo minoritário de um partido de direita que necessitava do apoio de dois partidos de esquerda para poder governar.»

L. Mendonça, leitor do Público, na edição de 28 de Dezembro.

1. 

A PSP de Lisboa deteve cinco jovens, entre os 15 e os 20 anos, por roubos a estafetas de entrega de comida. O grupo foi apanhado em flagrante, num armazém em Marvila, do dia 29 de dezembro, a consumir a comida e as bebidas que tinham encomendado.

De acordo com a PSP, os suspeitos tinham delineado um plano com este objetivo, efetuando a encomenda e dando uma morada falsa. Quando o entregador chegou foi cercado, agredido e, sob ameaça de faca, obrigado a entregar as três encomendas realizadas para o mesmo local e o telemóvel.

2.

«A Sicasal, empresa industrial de processamento de carnes localizada no concelho de Mafra, foi declarada insolvente, a pedido do Banco Comercial Português, de acordo com o anúncio da declaração de insolvência do Tribunal da Comarca Lisboa Oeste publicado esta quarta-feira.
Contactado pela agência Lusa, o administrador de insolvência disse que a "produção da Sicasal está parada, mas há a intenção de apresentar um plano de recuperação para a reactivar e há todo o interesse em não encerrar a unidade".

Jorge Calvete confirmou que existem "vários investidores interessados" na empresa.»

Público

3.

As dez maiores fortunas portuguesas valem cerca de 25 mil milhões de euros, mais 1,6 mil milhões face ao ano passado. Paula Amorim, que lidera a petrolífera Galp - onde é presidente do Conselho de Administração - foi considerada a mais rica de Portugal pela revista Forbes, que divulgou esta quarta-feira o ranking das maiores fortunas nacionais, a maioria de caráter familiar.

Os cinco primeiros lugares da lista continuam a ser dominados pelas famílias Amorim, Soares dos Santos, Guimarães de Mello e Azevedo,  a que se juntou este ano Dionísio Pestana, que subiu um lugar face ao ano passado, dono do Grupo Pestana, Pousadas de Portugal e o Casino da Madeira, entre outras empresas.

4.

O Relatório Anual de Segurança Interna, relativo a 2024, indica que cerca de 24 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica, o que dá uma média de um crime a cada 22 minutos.

5.


Esta frase da ministra da Saúde retrata a incompetência, a teimosia de um primeiro-ministro que teima em não querer ver o estado crítico que se vive no Serviço Nacional de Saúde.

Luís Montenegro ao anunciar ao país, com pompa e circunstância, a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, esqueceu-se de dizer que essa processo começou com o governo PS e arrasta-se há dois anos, e só chegarão daqui três e seis meses sem poderem a acudir ao pico de crise que se vive neste Inverno. 

O OUTRO LADO DAS CAPAS

Folheto encontrado no interior de A Censura e as Leis de Imprensa: um dos muitos caminhos que a Seara Nova, como outras editoras, percorriam para divulgarem as suas obras, maneiras de fugir à censura, evitar, que quando a Pide invadia as editoras, existissem muitos exemplares de uma obra o menor número de livros a serem proibidos, colocados Fora do Mercado.

OLHAR AS CAPAS


A Censura e as Leis de Imprensa

Alberto Arons de Carvalho

Capa: Acácio Santos

Colecção: Que País nº 3

Editora Seara Nova, Lisboa, Outubro de 1973

Alguma imprensa sindical e um pequeno número de jornais regionais são excepção a este panorama. Muito mais dependentes dos leitores do que dos anunciantes, esses órgãos (Notícias da Amadora, Comércio do Funchal, Jornal do Fundão, Jornal do Centro, Opinião, etc.) têm procurado e conseguido uma qualidade pouco comum na imprensa portuguesa. O facto de serem jornais de opinião conferiu-lhes, por outro lao, um público que será tanto mais fiel quanto mais se acentuar a progressiva estandardização da imprensa diária. Dependentes, em última análise, da conjuntura política do momento, sendo extremamente crítica a sua posição em relação ao regime, esses órgãos constituirão, por outro lado, um importante elemento de crítica em relação à própria imprensa diária.

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


Nunca fui um regular atento leitor da Visão.

Frequentei-a enquanto por lá, António Lobo Antunes publicava algumas das suas Crónicas.

Deixei a revista de vez, quando um oportunista chamado Luís Delgado a adquiriu a Francisco Pinto Balsemão. Calculei o que iria acontecer.

Comprei a Edição Especial saída para as bancas na passada 5ª feira.

Não gosto de ver morrer jornais, revistas.

A Visão está a ser feita em casa dos 12 jornalistas que não a querem ver morrer.

A redacção actual da Visão quer continuar a fazer a revista. Estão a fazê-la em teletrabalho desde 1 de Agosto de 2025, mediante requerimento apresentado em tribunal, após liquidação da empresa detentora do título, e tem vários salários em atraso.

Precisam de dinheiro para comprar o título e manter a sua publicação

«Temos um plano de negócios, prudente e realista, com um horizonte a 10 anos, que demonstra que a Visão é financeiramente sustentável com as receitas que gera».

Sempre que sair, serei um comprador da revista Visão para que jornais e revistas não se extingam.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VENEZUELA: OS DIAS SEGUINTES


Após o ataque militar norte-americano para raptar Nicolás Maduro, os dias vão passando sem que verifiquem notórias alterações ao quotidianos dos venezuelanos.

 Ainda não são suficientes – alguma vez o serão? – para tentarmos presenciar grandes alterações.

Acima de tudo, do lado de Donald Trump, está claro que a prioridade não é uma transição democrática, apenas petróleo.

1.

Ontem, num artigo de Ana Brito no Público fica a saber-se que os Estados Unidos  têm a fama de não pensar  no “dia seguinte”

«Do Irão ao Afeganistão, Iraque e Líbia, a história mostra que as intervenções norte-americanas são pouco cuidadosas com o que deixam para trás.
Intervir, destruir, sair: os EUA têm a fama de não pensar no “dia seguinte”
Embora seja debatível, em certas circunstâncias, quais poderiam ser as consequências da inacção dos EUA, é incontornável que boa parte da instabilidade que hoje se vive nessas regiões resulta de vazios de poder criados por intervenções norte-americanas, que têm cimentado, entre muitas nações árabes ou de maioria muçulmana, a reputação dos Estados Unidos como um parceiro em que não se pode confiar.
Em 2016, ainda na Casa Branca, Barack Obama reconheceu, em entrevista à Fox News, que o seu pior erro foi “não planear o dia seguinte” da intervenção na Líbia.»

2.


«Na manhã de 3 de Janeiro passado, o presidente Donald Trump descreveu, num telefonema para a Fox News, a forma como uma força especial dos Estados Unidos da América raptou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher, Cília Flores. Todo contente com o êxito, a eficácia e a rapidez da intervenção, contou: “Assisti como se estivesse a ver um programa de televisão.”

Isto impressionou-me: durante o rapto, as tropas norte-americanas mataram cerca de 40 pessoas, algumas delas civis. E esta resposta de Trump, se por um lado tenta descrever o ambiente da sala montada com ecrãs, onde ele, assessores e generais supervisionaram a operação militar, por outro lado revela também - pela forma efusiva como narrou a situação - a indiferença com que foi assistindo, nesses monitores, a uma sequência de assassinatos… Será que, durante aquelas 2 horas e 28 minutos, Trump celebrava cada vez que via cair um venezuelano?…

Esta desumanização do inimigo é particularmente contraditória quando é supostamente em nome dos Direitos Humanos que os Estados Unidos e a União Europeia perseguem, há anos, o regime de Maduro. E essa hipocrisia foi particularmente notável na reação da União Europeia e de Portugal à operação militar desencadeada por Trump (ao menos, este fugiu a essa hipocrisia e disse claramente que o que quer é controlar o petróleo do país).

(…)

Uma política externa adulta começaria pelo óbvio: o direito internacional ou vale para todos, ou deixa de valer para qualquer um. Se Bruxelas e Lisboa conseguem falar “sem hesitações” quando o infrator é um adversário, também devem conseguir fazê-lo quando o infrator é um aliado. Caso contrário, não é prudência: é dependência - e, no fim, é também vulnerabilidade, como se verá se, receio bem, depois de fazerem voz grossa, acabarem por entregar a Gronelândia a Trump.»

Pedro Tadeu no Diário de Notícias

3.

O governo norte-americano está a considerar oferecer pagamentos diretos aos habitantes da Gronelândia como parte de um plano para incentivar a ilha a separar-se da Dinamarca e a tornar-se território dos Estados Unidos, avança esta quinta-feira, 8 de janeiro, a Reuters.

Segundo fontes da Reuters os valores  discutidos variam entre os 10 mil e os 100 mil dólares (entre cerca de 8500 e 85 mil euros, aproximadamente) por pessoa.

A proposta é vista como uma forma de "comprar" a ilha, que tem cerca de 57 mil habitantes, face à intransigência da Gronelândia e da Dinamarca em negociar o território.

Essa ideia é apenas uma das opções em cima da mesa para a administração Trump, que também está a avaliar a possibilidade de intervenção militar, embora prefira alternativas diplomáticas como a aquisição da ilha ou acordos estratégicos.

"Não queremos a Rússia ou a China como nossos vizinhos. Vamos fazer alguma coisa em relação à Gronelândia quer eles gostem ou não» 

LIVROS AUTOGRAFADOS


Quando em Dezembro de 2025, iniciei esta secção dos muitos livros autografados, comprados em alfarrabistas, não lembrava que já lhe tinha dado um início.

Repetirei esse primeiro episódio publicado por aqui em 23 de Junho de 2024:

 A imagem de hoje não pertence à secção do «Outro Lado das Capa», poderia ser «O Outro Lado das Folhas».

Muitos livros da Biblioteca da Casa foram comprados em alfarrabistas.

Nas tardes de sábado, ia com o meu pai à Barateira no Chiado e ao Fausto na Rua Angelina Vidal e nunca saíamos de mãos a abanar.

Este livro de Alexandre Vieira foi oferecido pelo autor à redacção do jornal A Voz.

O matutino A Voz era um jornal católico, monárquico, conservador e ultra-salazarista. Designava-se como «O jornal de maior assinatura em Portugal»

O jornal «A Voz», juntamente com o «Diário da Manhã», deixou de se publicar nos inícios de 1971 e. ambos, deram lugar a um único título: «Época», que deixou de se publicar logo a seguir ao 25 de Abril e veio a ter duas tentativas de publicação, primeiro como «A Época», tendo como director José Manuel Pintasilgo, dias de pois como «A Época Livre»  dirigida por tipógrafo e um grupo de jornalistas do jornal, mas todas as condições eram precárias e os ventos tinham mesmo mudado.

Um dia hei-de aqui trazer os livros comprados em alfarrabistas, com dedicatórias dos seus autores a camaradas seus, bem como outras gentes.

O trabalho não está organizado nesse sentido, tão pouco é tarefa fácil, mas irei tentar.

BILHETE-POSTAL A ALEXANDRE PINHEIRO TORRES

Absinto-me cansado

na outonalma.

De absinto, no outono,

encharco a alma...

Muito deve a literatura

ao absinto.

Em qualidade, muito mais

que ao tinto...

Ó Alexandre, manda-me absinto

na volta do correio,

que eu já sinto, com tanto tinto,

estancar-se-me o veio...

 

Alexandre O’ Neill em PoemasCom Endereço

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

VENEZUELA: OS DIAS SEGUINTES

1.

A imagem mantém-se em alguns pontos da capital venezuelana — como no Este, um reduto da oposição —, mas a razão é outra. Foram criados checkpoints, pontos de controlo, em várias zonas da cidade. De acordo com alguns relatos que chegam da Venezuela, as autoridades — algumas fardadas, outras à civil — param quem passa para revistar carros. Pedem acesso aos telemóveis para rever contactos, mensagens e publicações nas redes sociais.

De democracia pouco ou nada se fala.
Muitas pessoas evitam sair de casa por causa disto. Outras avisam amigos e conhecidos para deixarem os telemóveis em casa.

Apesar de não serem oficialmente uma autoridade no país, os colectivos operam, tal como a polícia, em coordenação com o ministro do Interior, Diodado Cabello, um membro do regime de Maduro — que, tal como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, já garantiu que iriam proteger a todo o custo Delcy Rodríguez, depois de ela ter assumido a presidência interina da Venezuela.

2.

«A Gronelândia não está à venda.
O que está em causa, portanto, não é segurança: é poder. A Gronelândia surge na imaginação estratégica de Trump como símbolo e como atalho: símbolo de uma América que volta a impor a sua vontade pela lei do mais forte; atalho para contornar alianças, regras e equilíbrios que considera constrangedores. A retórica lembra perigosamente a doutrina de esferas de influência do século XIX, aplicada agora a um mundo que deveria ter aprendido, a muito alto custo, aonde esse caminho nos leva.
A Gronelândia é europeia. Não está à venda. Não é negociável. E não é um detalhe periférico no mapa. Hoje, é o ponto onde se cruza o futuro do Árctico, a credibilidade da NATO e a capacidade da Europa de se fazer respeitar. Se este teste falhar, os próximos não tardarão.»


Tiago Luz Pedro, editorial Público

3.

Cabe aos 57.000 habitantes da ilha decidir o seu futuro. Uma sondagem realizada em Janeiro de 2025 revelou que 85% não queriam que a sua terra natal se tornasse parte dos EUA, com apenas 6% a favor.

Começaram as negociações entre os Estados Unidos e a Gronelândia com vista à aquisição da ilha pelos norte-americanos.

4.

Em entrevista publicada pelo The New York Times, Donald Trump, afirmou que "só o tempo dirá" por quanto tempo os Estados Unidos vão manter a supervisão sobre a Venezuela.

Ao ser questionado se seriam três meses, seis meses, um ano ou mais, Trump respondeu: "Eu diria que muito mais tempo."

 Mas Donald Trump já afirmou  que a Venezuela "apenas" comprará produtos americanos com os rendimentos do petróleo, no âmbito do seu novo acordo sobre o crude, e adiantou que as compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos "para melhorar" a rede elétrica e as instalações energéticas do país latino-americano. Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa".

5.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez​, anunciou nesta quinta-feira a libertação de “um número significativo” de prisioneiros, tanto venezuelanos como estrangeiros, nas próximas horas.
A libertação de prisioneiros, uma reivindicação da oposição no país, é um “gesto de paz”, sem distinção de ideologia ou religião, disse Rodríguez numa conferência de imprensa em Caracas, acrescentando que foi uma decisão unilateral e não concertada com qualquer outra parte.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Um dia único.

Manuel S. Fonseca avança que foi o dia mais feliz de todo o século XX.

Um livro desopilante, com coisas, algumas incríveis, outras que já quase não nos lembramos:

«Nem mais um soldado para as colónias! Nem mais uma freira para o céu!»

«Portugal fora da NATO, NATO fora de Portugal»

Slogan da UDP

«Imperialismo só há um, o americano e mais nenhum.»

«O voto é a arma do povo: não votes se não ficas desarmado.»

«Em Belém, qualquer porco fica bem!»

Pichagem em Benavente,

«Companheiro Vasco nós seremos a muralha de aço»

«Os ricos que paguem a crise.»

«As putas ao poder, os filhos já lá estão.»

11 horas da manhã desse tal dia.

«O povo enche as ruas e aclama os soldados. Uma mulher , Celeste Martins Caeiro, empregada num self-service que ia oferecer cravos às suas clientes pelo primeiro aniversário, mas não chegou a abrir nesse dia, voltava para casa com um molho de cravos. Um soldado pede-lhe um cigarro, que ela não tinha. Dá-lhe um cravo, «se quiser tome, que um cravo oferece-se a qualquer pessoa.»

No Natal desse ano o jornalista Manuel de Azevedo decretava, na última página do Diário de Lisboa, que o Natal era de Esperança.

Depois, depois houve alguém que se enganou e como cantou o Chico Buarque estragaram-nos a festa.