A Meu Pai
Pai! quando às horas do findar
do dia,
A bruma vaga cobre, triste, o Espaço
E a mim me envolve na melancolia…
Pai! Diz-me: sabes que secreto
laço
Me prende, a mim, que vago n’este mundo,
Triste, avergado sob o atroz cansaço,
A ti, que pairas lá no céu profundo?…
Pai! sou teu filho! – sou teu
filho, sinto…
Não me renegues – sou teu filho, oh! Pai!…
Vês como eu vago n’este labirinto,
Perdido, triste, alucinado, – aí! –
Tal como a nave em que Israel vagou,
E, erma, ao acaso, sobre as aguas vai,
Sem já saber que força me guiou,
Sem que me guie já vontade alguma,
N’esta derrota que seguindo vou?
Pois, como à nave que não tem
nenhuma,
Nenhuma sombra de tripulação,
Sorri ainda Vésper, de entre a bruma…
Tal ao meu enlutado coração,
Que já não guia nem um só anseio,
Sorri, ao longe, de entre a cerração,
Oh! Pai! O afecto do teu nobre seio!
Pai! meu sincero, meu finado
amigo!…
Dormes, no Nada majestoso e triste,
Ou vives ‘inda, como a Dor existe?…
Pai! quem me dera, logo, ir ter contigo!…
Pai! A Desgraça se enlaçou
comigo,
Desde que, um dia, oh Pai! tu me fugiste!…
Pai!, se, n’um voo, pelo céu, partiste,
Dize-me o rumo, quero ver se o sigo…
Pai! Tua pobre campa, tão
singela,
Talvez não tenha, como as outras têm,
No dia de hoje, quem n’a enflore a ela…
Ai! que é tão triste não se ter ninguém!
Ao menos, Eva, o nosso encanto,
– vê-lá? –
E Pedro, e Vasco… São contigo além!







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