sábado, 27 de junho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


Fausto, o alquimista genial, deixou-nos com 75 anos e ficámos muito desemparados. Ao longo de mais de cinco décadas, firmou-se como marco fundamental da música portuguesa, mergulhando nas raízes da música tradicional, apondo-lhe uma marca autoral.

Há semanas, Luís Eme, no seu blogue o Largo da Memória, trouxe-nos a lembrança das canções de Fausto.

Apesar de tudo, ainda há blogues e o Largo da Memória é o mais antigo que frequento e já são muito poucos!

É este o texto do Luís Eme, a fotografia também é de sua autoria:

«A frase que escolhi para título (
"Atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir...”) deste pequeno texto faz parte de uma das canções do Fausto. Escolhi-a porque é um retrato do mundo, andamos praticamente desde a nossa existência a cometer os mesmos erros (por pior que sejam...), que acabam por voltar sempre, de tempos a tempos...

Aparece sempre alguém, capaz de inventar uma guerra qualquer, com um único objectivo, servir os seus interesses pessoais, pouco preocupado com o rasto que deixa atrás de si, tanto de gente assassinada ou mutilada como de cidades completamente destruídas...

Nem a invenção dos deuses e das religiões apaziguaram esta ambição desmedida dos humanos...

Tenho à cabeceira um livro há mais de dois meses, o "Diário" de Hélene Berr (escrito de 1942 a 1944), escrito em Paris durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, por uma jovem judia francesa, que morreu pouco tempo antes da libertação, em Auschwitz. 

Não o leio todos os dias, porque está longe de ser um testemunho agradável, por razões óbvias.

Há muitas partes do seu testemunho que podiam ser transpostas para os dias de hoje, onde a indiferença, se vai tornando reinante. Transcrevemos um exemplo sobre a actividade policial em duas frases:

«Polícias que obedecem a ordens expressas de ir prender um bebé de dois anos, a casa da ama, para a internar! Eis a prova mais pungente do estado de embrutecimento, da perda absoluta de consciência moral em que caímos. É isto que é desesperante.»

E umas linhas mais abaixo: «Que se tenha chegado a conceber o dever como uma coisa independente da consciência, independente da justiça, da bondade, da caridade, eis a prova da inanidade da nossa pretensa civilização.»

E não são precisas mais palavras...»



REGRESSO

 

Voltar ao Cais.

Voltar aos postais, aos candeeiros, às coisinhas costumeiras.

Voltar.

Colaboração de Aida Santos

SÍTIOS POR ONDE ELES ANDARAM

No passado fim-de-semana, fomos a Viseu ao aniversário de uma velha amiga e apanhámos um calorão infernal.

Foi no meio desse inferno que, entrando num quiosque para comprar o jornal, arregimentei este postal de um nevão em Aveiro. 

Dizem os visienses que a cidade é assim:  insuportavelmente, fria no Inverno e quente no Verão.

NOTÍCIAS DO CIRCO

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que o Governo voltará a tentar aprovar uma reforma laboral, apesar do chumbo da proposta no Parlamento, considerando as alterações ao Código do Trabalho “algo de inevitável”. Tão inevitável “como o nascer do sol”, afirmou Maria do Rosário Palma Ramalho, em entrevista à SIC Notícias.na quinta-feira à noite.

As declarações surgem depois de a ministra ter deixado essa intenção no último fim-de-semana, durante o 43.º Congresso do PSD, quando, dirigindo-se a Luís Montenegro, afirmou: “Se bem o conheço, lá iremos outra vez fazer esta e outras reformas por Portugal e pelos portugueses.”

Lido no Público

sexta-feira, 26 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 A minha riqueza são os livros.

Fernando Assis Pacheco


NOTÍCIAS DO CIRCO

Operadores da linha SNS24 [que prestam serviço através da Altice] perdem parte do salário quando vão à casa de banho.

Jornal de Notícias, 26 de Junho.

POEMA DITO DE AMOR

Uma corrosão de líquidos

no copo do teu riso: como se a tua boca

trouxesse as chuvas ácidas

da noite; e as tuas frases queimassem

a terra dos corpos.

 

Bebo-te, no entanto; e

ardes por dentro de mim. O teu amor

espalha-se-me pelas veias, sobe

até à cabeça, explode pelos olhos

e pelos ouvidos com que te

vejo e ouço.

 

O halo das ocasiões

envolve-nos. Até ao fim da noite,

e pelo meio da vida.

 

Nuno Júdice

quinta-feira, 25 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


O amor destrói. A amizade constrói.

Vergílio Ferreira

A NOITE LANÇAVA-SE NA ÚLTIMA VIAGEM

A noite lançava-se na última viagem.

Já bebida, a velha profissional 

engana-se nas redondilhas 

de um mouraria antigo

e o gestor turístico 

no seu azul e brilhante 

fato alpacatado

dentro do qual rebenta

solta no ar a praga impiedosa.

 

Amores de mãe tremiam 

na garganta vagarosa 

rescaldos de uma guerra erótica 

eram os mitos forçados 

do consumo.

 

Casais obesos descansavam nas mesas 

a digestão pesada, a paz 

tão transitória dos sentidos. 

Solerte ofício este de jogar na voz 

todas as noites, a fatalidade,

sob o olhar frio dos deuses 

tão mesquinhos.

As palavras amargas poderão ter 

a força duma chaga,

a cor nocturna da faca pitoresca, 

e a velha cantadeira 

pode deixar cair da boca 

as aves mortas que esconde no seu peito.

Porque eu não esqueço.

Ali, quando a noite arregaçava 

os braços no trabalho de parto indiferente,

sob as cinzas sujas da memória,

outro fado nascia abruptamente 

oculto e humilhado à luz do dia.

 

Armando Silva Carvalho

quarta-feira, 24 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Todos podemos controlar a dor, excepto aquele que a sente.

William Shakespeare

PAI, DIZEM QUE AINDA TE CHAMO

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono – a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome – porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.

Maria do Rosário Pedreira em Poesia Reunida

terça-feira, 23 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


É necessário sair da ilha para ver a ilha, não nos vemos se não saímos de nós.

José Saramago 

DESTRUIÇÃO

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem:
Um se beija no outro, reflectido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

Carlos Drummond de Andrade em Antologia Poética

segunda-feira, 22 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO

É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar.

Jean-Jacques Rousseau

QUOTIDIANOS

Há dias em que não devia ler jornais.

Um homem de 33 anos, com antecedentes de violência doméstica, e a filha menor morreram numa destas madrugadas, após a queda do oitavo andar, em Santarém.

A Polícia Judiciária confirmou que está em causa um "suicídio acompanhado de homicídio da filha em contexto de violência doméstica com objetivo de provocar sofrimento à mulher".

NÃO SEI SE ME INTERESSEI PELO RAPAZ

Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas

Adília Lopes

domingo, 21 de junho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


O recorte é retirado de Os Beatles e a Censura em Portugal de Abel Rosa e marca oi conhecimento que muitos de nós passaram a ter deste rock and rol e de Bill Haley e os seus Cometas.


POEMAS AUTOGRAFADOS


Ontem apresentámos o poema autografado de João Cabral de Melo Neto, hoje fica o de Carlos Drummond de Andrade.

É o nº 18 de Colecção Poetas de Hoje. A selecção e o prefácio pertencem ao professor e ensaísta brasileiro Massaud Moisés que entendeu lembrar uma entrevista que o poeta deu O jornalista brasileiro Homero Senna:

«Minha vida não tem interesse algum e o que nela pode haver de importante já contei em duas autobiografias que escrevi para a Revista Acadêmica e para Leitura. Penso que a biografia do escritor deve ser dada a conhecer ao público quando é movimentada, rica de passagens curiosas e quando os vários lugares em que o mesmo esteve e as pessoas que conheceu influíram de algum mnodo na sua obra. Nasci em Itabira, no ano de 1902, de pais burgueses que me criaram no temor de Deus. Meu pai era fazendeiro e embora fosse pessoa que nem sequer o curso primário possuía completo, tomava conta muito bem dos seus negócios e escrevia suas cartas com correção. Em Itabira passei minha meninice e ali fiz meus primeiros estudos. Depois estive em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo, e em Friburgo, com os Jesuítas. Primeiro aluno da classe, é verdade que mais velho que a maioria dos colegas, comportava-se como um anjo, tinha saudades da família e todos os outros bons sentimentos, mas expulsaram-me por “insubordinação mental”. A saída brusca do colégio teve influência enorme no desenvolvimento dos meus estudos e de toda minha vida. Casado, fui lecionar geografia no interior. Depois voltei para Belo Horizonte, onde passei a fazer jornalismo, tendo sido mais tarde levado para a burocracia por Mário Casassanta. Meu lugar efetivo é, mesmo, de redator do Minas Gerais, que é o jornal oficial do Estado. Desejando diplomar-me em alguma coisa (não fosse a interrupção dos meus estudos em Friburgo, eu seria bacharel em direito, como todo brasileiro) resolvi estudar farmácia. Não por qualquer inclinação especial, mas porque era o curso mais rápido, três anos apenas. E de fato sou farmacêutico, diplomado pela Escola de Belo Horizonte. Mas por que insistir nessas coisas?»

sábado, 20 de junho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


PHILIPS - P 632.900 L - 1966

Lisboa, por esses anos 60, era uma cidade de um torpor quase provinciano.

Lembra-se de andar pelas ruas à noite, e de Lisboa ser um sítio acolhedor, não a ditadura.

Por um Maio de 66, mais precisamente no seu 31º dia, sem se saber muito bem como, o “TUCA - Teatro da Universidade Católica de São Paulo” aparece em Lisboa, também foram ao Porto, para apresentar, em espectáculos únicos, o poema de João Cabral de Melo Neto a que, em 1965, Francisco Buarque de Hollanda emprestara música.

Em Abril tinham ganho o Grande Prémio de Teatro Universitário de Nancy.

Mantém uma ponta de espanto de como a ditadura proporcionou, a quem o pôde ver, este belíssimo espectáculo. Ainda agora um pedaço de nostalgia se eleva do teclado onde escreve. Um verdadeiro luxo para ávida sede de conhecimento de então.

Circunstâncias pontuais, que agora não vêm ao caso, permitiram-lhe arranjar um bilhete de imprensa para o espectáculo. Nunca soube se as bilheteiras chegaram a abrir ao público.

Lembra-se dos enormes magotes de gente postados em frente do teatro, à espera de um qualquer passe de mágica que lhes permitisse assistir ao espectáculo.

Uma boa parte da sala, a rebentar pelas costuras, era constituída por agentes da PIDE.

Um espectáculo memorável, uma encenação simples, uma humildade de representação que fazia realçar todo o colectivo e em que se sentia toda a força do poema, a que a música de Chico Buarque emprestava, um viver e um sentir tão expressivos, e que a leitura do poema não permitiu, sequer, imaginar.

Passaram todos estes anos e nunca mais sentiu uma embriagues cultural como a daquela.

noite.

Ainda hoje não consegue alinhar meia dúzia de linhas decentes, apenas lhe saem banalidades.

Com o espectáculo a percorrer-lhe as veias, meteu pés por Lisboa fora, madrugada dentro, a falar sozinho ou, como dizia o José Gomes Ferreira, a falar com os fantasmas e a sua sombra.

Por um Dezembro-quase-Natal, de 1967, a descer a Rua do Carmo, viu na montra da Discoteca do Carmo, o disco de “Vida e Morte Severina”. Entrou, deparou-se com um preço-de-nota-preta.

Contou os tostões, o parco subsídio de Natal já tinha viajado para paragens outras, e os que pelo bolso viajaram, ficaram como sinal. Num ápice voltaria para finalizar o pagamento e, a certeza certa, que o resto do mês passaria a pão e água, salsichas Izidoro, mas que se lixasse: aquele gozo já ninguém lhe tirava.

Porque há coisas de que não podemos deixar passar ao lado.

Soube depois que o disco na montra era exemplar único, e já há alguns dias que por ali estava, sem ninguém nele reparar.

Por uma vez, sentiu-se um tipo com sorte!


 

Espectáculo patrocinado pelo Ministério da Educação Nacional, Ministério dos Negócios Estrangeiros e com a colaboração da Embaixada do Brasil.

 

Maio de 1966

 

O Xico nem precisa de letristas. Faz ele próprio. Mas tem graça que a primeira vez que o vi (tão menino ainda) a “letra” era do poeta João Cabral de Melo Neto. Produzia-se “Morte e Vida Severina” no Teatro Avenida. Xico, autor da música vinha integrado no TUCA (Teatro da Universitário da Universidade Católica de S. Paulo) e também representava. João Cabral, que acorrera propositadamente de Sevilha ou de Marselha para assistir (ver e dar assistência…), estava sentado a meu lado. Creio que nunca tinha visto “Morte e Vida Severina” em cena. Creio que estava a redescobrir o seu texto (pelo qual não devia já nutrir grande admiração, perfeccionista como é…) Quando, no final, os aplausos explodiram e começaram a chamar o autor ao palco, João, sem se virar, cada vez mais enterrado na cadeira, ia-me dizendo apavorado: “Não olha para mim! Não olha para mim!” Acabou por ter de ser. João Cabral foi coxia abaixo, pôs a mão no bordo da ribalta e com agilidade saltou para o palco. Abraços, agradecimentos ao público pela sua estrondosa ovação: João Cabral ao seu lugar. Digo-lhe: “V. saltou com uma facilidade!” E ele, com orgulho de rapazinho: “V. esquece que eu joguei futebol!


Alexandre O’ Neill em “Já Cá Não está Quem Falou”, Assírio & Alvim, Abril 2008.

POEMAS AUTOGRAFDOS


 Quando por aqui fizemos o registo dos poemas autografados da Colecção Poetas de Hoje, publicados pela Portugália Editora, por motivos que não consigo encontrar (?), faltaram dois volumes: um de João Cabral de Melo Neto, outro de Carlos Drummond de Andrade.

Hoje trataremos de Melo Neto, amanhã de Drummond.

É o nº 9 da Colecção Poetas de Hoje e para apresentação do poeta («apenas alguma indicações ao leitor comum»), a editora escolheu Alexandre Pinheiro Torres.

Quando Chico Buarque de Holanda, mais um grupo de universitários brasileiros, representaram em Lisboa Vida e Morte de Severina que vi no Teatro Avenida, já conhecia a peça de Melo Neto, pois faz parte desta antologia.

Diga-se que João Cabral de Melo Neto é um dos maiores poetas brasileiros, nascido em 1920 no Recife, estado de Pernambuco, que faz parte do nordeste brasileiro, e Alexandre Pinheiro Torres não hesita em dizer que Melo Neto é poeta de «génio autêntico».

sexta-feira, 19 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Já me disseram que a gente que nasce e vive ao pé do mar é mais pura.

Herberto Helder

Legenda: pintura de Silva Porto.

OLHAR AS CAPAS


 Francis Ford Coppola

Stéphane Delorme

Consultoria: Mário Augusto

Colecção Grandes Realizadores nº 7

Edição do jornal Público s/d

 

Podemos ficar parados no tempo.

Podemos ficar além do tempo.

Podemos ficar à frente do tempo.

Mas não podemos ficar sem tempo.

(…)

O tempo não espera por ninguém.

(Poema de Francis Ford Coppola tirado do seu Diário (18.09.1991).

HOJE TENHO AS TUAS MÃOS E O TEU SILÊNCIO

Hoje tenho as tuas mãos e o teu silêncio

e a livre flor por ti colhida em pleno Abril deste ano.

Tenho as árvores onde vamos pousar os mesmos olhos

e o vento que nos viaja quando estamos

sob o rumor dos pinheiros rente ao rio.

Tenho os teus olhos e a água em que se espelham

e a terra onde tocam os teus dedos.

Tenho a voz com que me falas ao ouvido

para podermos sentir ao mesmo tempo

a brisa madura do Nordeste,

e tenho quando és longe, o teres sabido

estar comigo inteira a ver a tarde

correr tal como um rio livre das horas.

Mas que terei eu de ti quando amanhã

te fores de vez embora?


Eduardo Valente da Fonseca em 71 Poemas

quinta-feira, 18 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Todos os dias logo pela manhã

as palavras. A cansada surpresa de estar vivo

as palavras

Rui Caeiro 

OLHAR AS CAPAS


Citações para Todas as Ocasiões

Rita Matos

Prefácio: Pedro Rolo Duarte

Capa: Carmen Dias

Verso de Kapa, Lisboa, Abril de 2016

As frases estão aqui, as ocasiões nunca mais serão as mesmas.