sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

À LUPA

Há um problema grave que os americanos terão de resolver que é o da sanidade mental do homem que resolveram reeleger para um segundo mandato presidencial.

Antes disso, terão que resolver a própria sanidade mental por terem oferecido à América, e ao Mundo, tão nefasto personagem.

NOTÍCIAS DO CIRCO

O nosso grande mal, de todos os tempos, são os dons sebastião que, volta e meia, enxameiam os nossos dias.

Um político que a muita boa gente não oferece credibilidade, aproveitou os nevoeiros de Matosinhos, para desancar Luís Montenegro e o seu governo.

Cito Miguel Guedes no Jornal de Notícias:  

«Com brutalidade, Passos Coelho não resiste à tentação de acreditar que, depois de Montenegro, o futuro ainda lhe deve um último acto. Acredita que a maioria de Direita é ainda matéria moldável nas suas mãos, artífice de uma revolução inacabada. Mas o tempo político é um animal caprichoso: raramente devolve intacto aquilo que um dia ofereceu.»

Estamos nisto e os papagaios-comentadores-televisivos tão cedo não vão largar o osso e, como em quase tudo, deixamos que isso nos aconteça.

EPÍGRAFE

De palavras não sei. Apenas tento

desvendar o seu lento movimento

quando passam ao longo do que invento

como pré-feitos blocos de cimento.

 

De palavras não sei. Apenas quero

retomar-lhes o peso  a consistência

e com elas erguer a fogo e ferro

um palácio de força e resistência.

 

De palavras não sei. Por isso canto

em cada uma apenas outro tanto

do que sinto por dentro  quando as digo.

 

Palavra que me lavra. Alfaia escrava.

De mim próprio matéria bruta e brava

- expressão da multidão que está comigo.

 

José Carlos Ary dos Santos em  Insofrimento in Sofrimento

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

NÃO PASSARÁ!

NOTÍCIAS DO CIRCO

Nunca estamos preparados para uma série de procedimentos, necessário e que têm a sua urgência.

Incompetência e mais qualquer coisa. 

«Depois de ter deixado passar o prazo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que permitiria ter um orçamento de 30 milhões de euros para a construção de dois novos centros de instalação temporária  de estrangeiros em processo de expulsão, a PSP criou uma “solução provisória”: a instalação de contentores com 80 camas na Unidade Habitacional de Santo António, no Porto. A notícia foi avançada pelo Diário de Notícias e confirmada pelo PÚBLICO junto de fonte oficial da PSP.

Expulsão de estrangeiros: depois de falhar PRR para centros, PSP paga 800 mil euros por contentores no Porto
Segundo a PSP afirmou ao PÚBLICO, o concurso para esta “solução provisória”, estimada em cerca de 800 mil euros, que sairão do orçamento da PSP, está a ser preparado, e prevê-se que a instalação dos contentores fique pronta até 12 de Junho, data em que os Estados-membros têm de ter implementadas as novas regras do Pacto para as Migrações e Asilo da União Europeia. Segundo a PSP, "a capacidade identificada para Portugal estima uma lotação instalada para cerca de 300 passageiros".

Para André Jorge, presidente do Plano de Recuperação e Resiliência — que tem defendido alternativas à detenção, referindo que esta deve ser a medida de último recurso — a solução dos contentores faz sentido enquanto for provisória, garante “habitabilidade básica", “mas claro que choca”. Atribuiu a situação a falta de planeamento, pouca transparência e ausência de debate público, defendendo que, sem visibilidade, nada disto “é discutido no espaço público”.

Afirma que a detenção é “suficientemente dura e penosa” para alguém “que não cometeu nenhum crime”: “Migrar não é um crime”, e as condições de habitabilidade, cuidados de saúde, apoio psicológico, informação jurídica e acompanhamento são “fundamentais”.»

Lido no Público de hoje

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Estamos perante um livro muito bonito.

Octavio Paz, numa nota, explica:

«As construções e caixas de Marie José são objectos tridimensionais transfigurados pela sua imaginação e a sua sensibilidade em conceitos visuais, enigmas mentais portadores, às vezes de imagens bizarras e inquietantes, outras de percepções irónicas.

Mais do que coisas para serem vistas, são asas para viajar, velas para vaguear e divagar, espelhos para atravessar.»

O texto introdutório de José Bento, acima apresentado, explica o resto. 

OLHAR AS CAPAS


Figuras e Figurações

Octavio Paz e Marie José Paz

Ilustrações: Marie José Paz

Apresentação e tradução. José Bento

Colecção Documenta Poética nº 58

Assírio & Alvim, Lisboa, Dezembro de 2000

 

Enigma

 

Nascemos de uma pergunta

cada um dos nossos actos

é uma pergunta,

nossos anos são um bosque de perguntas,

tu és uma pergunta e eu sou outra,

Deus é uma mão que desenha, incansável,

universos em forma de perguntas.

DÁ-ME A TUA MÃO

Dá-me a tua mão:

Vou agora te contar

como entrei no inexpressivo

que sempre foi a minha busca cega e secreta.

 

De como entrei

naquilo que existe entre o número um e o número dois,

de como vi a linha de mistério e fogo,

e que é linha sub-reptícia.

 

Entre duas notas de música existe uma nota,

entre dois fatos existe um fato,

entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam

existe um intervalo de espaço,

existe um sentir que é entre o sentir

- nos interstícios da matéria primordial

está a linha de mistério e fogo

que é a respiração do mundo,

e a respiração contínua do mundo

é aquilo que ouvimos

e chamamos de silêncio.

 

Clarice Lispector  

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

POSTAIS SEM SELO


Nas profundezas do desconhecido, para encontrar algo novo.

Baudelaire

O MUNDO A FUNCIONAR

«O mundo continua a funcionar, outras vidas decorrem sem eu ser chamada a encontrar objectos que não fui eu que perdi»

Margarida Ferra

RETRATOS


Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou descontrolada e, por vezes, difícil de lidar. Mas se não consegue lidar comigo nos meus piores momentos, de certeza que não me merece nos meus melhores.

Marilyn Monroe

OLHAR AS CAPAS

Sebastião Salgado

Direcão: Henrique Monteiro

Colecção Mestres da Fotografia

Edição: Expresso, Lisboa 2008

Às vezes a fotografia não é suficiente. Mas a luta que travamos dá-me ânimo para fazer do mundo um lugar melhor.

AMAR-TE É VIR DE LONGE

Amar-te é vir de longe,

descer o rio verde atrás de ti,

abrir os braços longos desde os sete

anos sob a latada ao pé do largo,

guardar o cheiro a figos vistos lá,

a olho nu, ao pé, ao pé de ti,

parar a beber água numa fonte,

um acaso perdido no caminho

onde os vimes me roçam a memória

e te anunciam mãos e te perfazem;

como se o sino à hora de tocar

já fosse o tempo todo badalado,

e a tua boca se abrisse atrás do tojo,

e abaixo dos calções as pernas nuas

se rasgassem só para o pequeno sangue,

tal o pequeno preço que me pedes.

Atrás da curva estavas, és, serias,

nos muros de granito, nas amoras.

Amar-te era lembrança e profecias,

uma porta já feita para abrir,

e encontrar o lar ou música lavada

onde, se nasces, vives, duras, moras

- meu nome exacto e pão

no chão das alegrias.

 

Pedro Tamen

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

POSTAIS SEM SELO

Seria possível a alguém que o que eu procurava era apenas ver uma coisa que já tinha visto?

Cesar Pavese

SOLTAS


Francis Ford Coppola produz vinhos para fazer os filmes que quer sem depender dos estúdios.

 «Sou apenas uma folha no vento. Fiz quase vinte filmes, muitos deles interessantes. Fala-se sempre nos altos e baixos da minha carreira, mas os meus verdadeiros “flops”, os que não fizeram dinheiro ou não tiveram aplausos ou prémios, foram apenas quatro: Do Fundo do Coração, Rumble Fish, Jardins de Pedra e Cotton Club. Acho que os meus “flops”,  são dos mais interessantes que algum realizador teve, porque eram filmes que tentavam ser diferentes. Sei que as pessoas pensam em mim primordialmente como realizador de O Padrinho, porque foi O Padrinho que o público realmente gostou. Estou a tentar fazer os filmes que quero e sempre a adiá-los para ganhar o dinheiro para pagar as dívidas dos filmes que fiz. Nestes últimos dez anos tenho estado sobretudo ocupado com a minha própria sobrevivência.»

1.

«São breves as flores dum cacto e tardam a nascer. Quando nascem vêm embrulhadas numa penugem que faria inveja ao papel de seda e abrem-se perfeitas, como peças de porcelana fina. Como uma dedicatória num “Livro da Noite” que dizia assim:

“Para ti, a fraternidade de quem escreve livros com a noite para que outros dias sejam possíveis”.»

2. 

Epitáfio do poeta Nicolas Guillen;

«Aqui estou. Lamento tê-los feito esperar tanto tempo.»

3.

E a sua inteligência parecia ser daquelas que acendem fósforos à distância.

4.

Até amanhã é uma primavera de abraços que se adia.

5.

Viagens.

Partir é bom, mas regressar é excelente.

6.

Não necessito de resposta. A dúvida delicia-me longamente.

7.

Em 1999, Marcelo Rebelo de Sousa coordena e publica a Fotobiografia de Baltasar Rebelo de Sousa, seu pai, ministro da ditadura e governador-geral de Moçambique.

O livro foi apresentado num velho restaurante da marginal, junto a S. João do Estoril.

Ness e restaurante, nos anos 50, Baltazar Rebelo de Sousa reunia-se com o seu grupo político numa mesa redonda sempre reservada. Jantavam, cavaqueavam, com música de fundo do Conjunto Shegundo Galarza.

A lagosta àTherminor, um clássico da culinária francesa, custava 48 escudos.

8.

O julgamento de José Sócrates volta a ser adiado porque a advogada nomeada, renunciou invocando que dez dias que a juíza lhe deu para consultar o processo não é tempo suficiente.

O processo é absolutamente gigantesco: tem 300 mil páginas, 126 apensos, tem 400 horas de escutas telefónicas.

9.

Chega de mortes. Chega de destruição.

 ONU diz que guerra na Ucrânia é “uma mancha na nossa consciência coletiva”

À LUPA

Hoje, no final de um fórum organizado, em Matosinhos, pela SEDES, Pedro Passos Coelho debruçou-se sobre a passagem de Luís Neves de director da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna.

Não está de acordo e entende que não é um bom sinal,  é mesmo um grave precedente.

A minha ignorância da matéria não permite qualquer comentário.

O que a Lupa consegue apanhar, é que Pedro Passos Coelho não gosta de Luís Montenegro e terá, possivelmente, começado a sua campanha para a futura presidência do PSD.

NESTE DIA


Hoje, é mesmo NESTE DIA, 24 de Fevereiro de 1991, e estamos num Conta Corrente do Virgílio Ferreira

Lá fora o dia está cinzento, depois de uns estupendos dias de sol que já anunciam a Primavera.

Uma boa parte destes Diários são ocupados por uma certa amargura de Vergílio Ferreira, não declarada, mas em que por sinais não ocultos, o autor vai dizendo que o fim se aproxima.

«Apressa-te, apressa-te, tens já poucos dias para dizeres que existes. E se tu não o disseres, quem é que vai suspeitá-lo?»

Mas vamos ao que o autor sentia neste dia de há 35 anos, um domingo:

Tenho reparado às vezes que, em ritmo acelerado, o coração me para com frequência ou se suspende um momento para depois retomar o ritmo em que bate. Arritmia? Efeito do próprio nervosismo sem razão? Não estou curiosos de o saber. Disse-me um tipo uma vez: as doenças do coração não se tratam, porque são um benefício da natureza. Admito-o para minha tranquilidade»

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Conforme escrito ali atrás, regressamos às capas dos policiais da Biblioteca da Casa que estavam em falta.

Da Colecção Alibi, editada pelas Edições 70, só existem dois volumes. O que hojese apresenta da autoria de James Hadley Chase e o Rififi de Auguste le Breton com uma excelente tradução de Mário-Henrique Leiria. 

OLHAR AS CAPAS


Não Mandem Orquídeas a Misa Blandish

James Hadley Chase

Tradução: Mariana Pardal Monteiro

Capa: Manuel Portela

Colecção Alibi nº 4

Edições 70, Lisboa, Agosto de 1983

Tudo começou numa tarde de Verão de Julho, um mês de calor intenso, céu descoberto e ventos escaldantes carregados de poeira

Na junção das estradas de Fort Scott e Nevada que atravessa a Estrada Nacional nº 54, a estrada principal de Pittsburg para Kansas City, há uma bomba de gasolina e um café: uma estrutura tosca de madeira com uma única bomba explorada por um viúvo de idade e a sua filha, uma rapariga gorda e loira.

CONVERSANDO


O meu pai passou alguma parte da vida a comprar livros de História e Filosofia, para calmamente, quando chegasse o tempo da reforma, os lesse lesse. Não aconteceu. Antes dedicou-se a livros simples em que a Colecção Vampiro são um razoável espaço na Biblioteca da Casa.

Posso dizer que quase aprendi a ler em A Bola, mas não direi que foram os livros da Vampiro que fizeram de mim um leitor, foram outros os livros e neles está Eça de Queiroz.

Borges era um leitor atento de romances policiais, mas eu também nunca fui um borgiano puro.

Por aqui, no Olhar as Capas, trouxe esses livros da Vampiro, exclusiva compra do meu pai, quase todos em 2ª mão.

Ficaram os policiais da Regra do Jogo e da Alibi por apresentar que trarei agora e estes foram compra minha, não por serem de fácil leitura, muitos não o são, mas por terem um excelente tamanho para levar no bolso quando saía de casa e os ler nos transportes a caminho do trabalho.

Reparei agora que não publiquei todas as capas de Rex Stout e o seu Nero Wolf, mais o secretário Archie Goodwin,  Fritz Brenner o cozinheiro, também Theodore Horstman, o fiel jardineiro das suas preciosas orquídeas.

Aos poucos, rectificarei a falha.

ESTA MANHÃ DE AGOSTO

Nesta manhã de Agosto
encontrei o papel onde tinha escrito
a idade em que Blaise Cendrars
perdeu a mão direita
e fiquei a sentir a dor
que me atormentava. Não tomei aspirina
nem esqueci a tua carta
de ontem, aquele momento
em que dizes eu querer
arrastar-te comigo “para esse universo
onde a vida é trocada por palavras”.

Tenho lido os poetas
da minha geração. Conheço
o primeiro poema, aquele que inaugurou
a vida, também em mim.
Cansada de ir à praia, à piscina,
procuro livros, uma emoção linguística,
o verso desconhecido.
Guardei uma frase de Musil, na caixa
onde tenho os selos, um minúsculo relógio
que decidi não usar.

Não posso viver sem a música de Schubert,
ou aquela peça de Brahms – tudo isto
são palavras, a vida passa-se lá fora,
o Inverno há-de vir e não poderei
totalmente fugir ao desconforto.

Falava-se de As Túlipas
e começo a entender. Esta música,
estas palavras, a morte na dobra do lençol,
meu frio corpo na penumbra, no paraíso inicial
da anestesia. Perdida a razão no inferno
da dor, a cabeça irreal, meu poema
esquecido na margem do sono. A morfina,
as enfermeiras, tudo o que pudesse
polir o tormento.

E hoje acabei
por tomar aspirina, gastar o rosto,
permanecer em casa.

 

Isabel de Sá


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

POSTAIS SEM SELO

Comecei a olhar para o chão em vez de olhar para o céu. Comecei a olhar para o que as pessoas deitam fora em vez de para aquilo que os arquitectos constroem.

Paulo Nozolino

Legenda: fotografia de Luís Eme

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Como fiquei um tanto ou quanto enfastiado com os 4 volumes da Conta-Corrente, nunca comprei o 5º volume tão pouco os restantes novos volumes da obra diarística de Vergílio Ferreira.

Mas na reedição que a Quetzal está a disponibilizar com a obra de Vergílio Ferreira, não resisti: comprei o volume que contém os 1989 a 1992 da Conta Corrente.

«Quando é que acaba com isso? - era a pergunta que o Lourenço me fazia. Quando ia saindo mais um volume deste diário e ele me fazia ainda perguntas. Está por pouco, meu caro Eduardo, e agora é mesmo de vez».

Tinha toda a razão o Eduardo Lourenço!

Tinha eu a razão por, em devido tempo, não ter alinhado em mais volumes da Conta-Corrente, eu que detesto ter razão.

Estes últimos diários são um desconsolo.

A mesma atitude envinagrada contra tudo e mais alguma coisa.

Invejava os seus pares por não o tratarem com a dignidade que entendia merecer. Visitava as livrarias, folheava livros, mas não os comprava por os achar caríssimos. Claro que eram caros, mas se gostamos de ler livros, teremos que fazer sacrifícios para os comprar. Sei bem do que falo.

Até os amigos não tratava bem. Um exemplo é António Ramos Rosa: vai lendo os seus poemas, já escreveu sobre eles mas supõe que António Ramos Rosa «jamais leu um romance meu».

Um dia, em Tróia, Mário Soares disse-lhe que o Nobel lhe ficaria muito bem.

No ano em que Octávio Paz venceu o Nobel, escreveu:

«Nós portugueses arrastamos connosco, desde que me conheço, a cruz deste vexame de não existirmos para a Academia Sueca.»

Vergílio Ferreira morreu em Março de 1996.

O destino, ou o que lhe quiserem chamar, poupou-lhe a atribuição (1998) do Prémio Nobel a José Saramago.

José Saramago e António Lobo Antunes têm citações pífias nas 1098 páginas do livro.

Os Diários de José Gomes Ferreira são tratados quase a pontapé e fica pela quase margem de lhe chamar xéxé.

Vergílio Ferreira tem livros interessantes, um nome na nossa literatura, mas no resto foi sempre assim, uma inveja que nunca conseguiu dominar.

Talvez a solidão de Fontanelas o atormentasse, ou os mesmos pratos do dia do Café do Zé. Talvez…

OLHAR AS CAPAS

Conta Corrente

1989-1992

Vergílio Ferreira

Capa: Rui Rodrigues

Quetzal Editores, Lisboa Novembro de 2025

Não, não tenho «a obsessão de ser o primeiro», como certa amiga desbocadamente à Regina. Tenho é a obsessão de que me não são segundos os motivos que me obcecam. E é porque não são segundos e são sem dúvida primeiros que normalmente falho em chegar até eles ou eles até mim. O resto não é para aqui, mas para as pistas de atletismo, como talvez já tenha dito.

NOTÍCIAS DO CIRCO

Copiado do Público:


«Luís Neves tomou posse como novo ministro da Administração Interna e prometeu abraçar “todas as propostas positivas” que lhe cheguem. Tendo deixado a Polícia Judiciária (PJ) a poucos meses de concluir o seu terceiro mandato como director nacional, o novo ministro afasta quaisquer “reservas” quanto a esta transição e explica ter sentido o apelo para “abraçar este novo projecto”.
No final da cerimónia, que decorreu no Palácio de Belém, Luís Neves foi questionado sobre o seu papel na PJ na investigação ao dossier Spinumviva e à construção da casa de Espinho de Luís Montenegro, apressando-se a afastar qualquer conflito relacionado com o seu passado na investigação criminal: “O director nacional não investiga ninguém. O papel de um director nacional é organizar e prover meios para a instituição.”».

Finalmente, um primeiro-ministro deste país, não recolhe à tralha partidária para colocar no cargo de primeiro-ministro um independente. Claro que esta história dos independentes tem o que se lhe diga mas é a vida, como diria o engenheiro.

Sabe-se que Luís Neves não alinha na narrativa da insegurança com os imigrantes e o presidente «daquela coisa» já declarou aos adeptos que vai estar muito a tento, podem contar com ele. Pois então!...