quinta-feira, 24 de setembro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO

Uma vereadora em Lisboa diz que “dinheiro fácil” do Volta põe em causa trabalho social

O “dinheiro fácil” do sistema de embalagens Volta veio comprometer o trabalho dos técnicos sociais, afirmou  a vereadora com o pelouro das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo na Câmara de Lisboa.

«O Volta o que veio também trazer é que, muitas vezes, o trabalho que é feito pelos técnicos no terreno é posto em causa sempre que existem mecanismos de dinheiro fácil, porque não se trata da inexistência de respostas, trata-se naturalmente de um acompanhamento personalizado que tem que haver de acordo com a vulnerabilidade”, defendeu Maria Luísa Aldim (CDS-PP), na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa».

Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Lisboa, insurge-se porque os apanhadores de garrafas, quando remexem os caixotes, deixam a rua cheia de lixo. Mesmo antes do Volta, Lisboa sempre foi uma cidade suja e nunca se viram grandes preocupações por parte do autarca, mais interessado em unicórnios e outras variedades.

O governo está intransigente e diz que, com o Volta, estão a cumprir-se medidas/exigências da União Europeia.

FUZILARAM UM HOMEM NUM PAÍS DISTANTE

Hoje proíbo as rosas de nascerem diante de mim!
Proíbo as deusas de dançarem nos olhos das crianças
proíbo os corpos das mulheres de terem outro destino que a morte!

Sim, proíbo!
E (baixinho, em sonho) aos gritos no mundo
ordeno aos homens
que venham para a rua descalços
para sentirem nos pés nus
o silêncio da terra
e o terror de viverem num planeta
onde os fuzilados não ressuscitam,
nem os malmequeres protestam com flores de luto
contra este sol que continua a fabricar primaveras mecânicas
e este cheiro tão bom a mulheres novas nas árvores com cio!

José Gomes Ferreira em Poesia III

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


Estou farto de céu e quero mundo! Quero Morte! Quero dor! Quero tabernas.

José Gomes Ferreira

SOLTAS

O lavagante, dizem, é o Rei dos Crustácaeos, Homarus gammarus é uma espécie de crustáceo decápode marinho da família Nephropidae, vivendo no nordeste do Oceano Atlântico, Mar Mediterrâneo e parte do Mar Negro.

É o título de uma novela do José Cardoso Pires, escrita em 1963 e apenas publicada em Fevereiro de 2008, decorria o 10 aniversário da sua morte.

O dono do Lanterna, o melhor bar de praia, a atirar par o carote, sabia alguma coisa da vida dos lavagantes, mais saboroso que a lagosta e Cardoso Pires, deixou no livro, os conhecimentos que então ouviu sobre lavagantes:

«Contei-lhe como ele serve o safio que está nas tocas submersas levando-lhe comida a todas as horas, e como a sua existência anda presa a essa serpente estúpida de grandes sonos, vendo-a engordar, engordar, até saber que a tem bloqueada, incapaz de sair do buraco porque o corpo cresceu de mais, enovelou-se, e não cabe na abertura por onde podia libertar-se. 'Nesse momento fica sabendo, o lavagante servil aparece à boca da toca do safio mas já não traz comida. Vem de garras afiadas devorar o grande prisioneiro que alimentou durante tanto tempo.»

1.

«Os jornais noticiaram há dias, que um homem pobre e doente, falecido no hospital d S. José, deixara como última vontade, a de ser enterrado vestindo a camisola do Benfica, e se possível, debaixo da águia que identifica o Estádio da Luz. Apenas a primeira parte do desejo pôde ser satisfeita. As posturas municipais modernas são rigorosas e cada vez se percebe menos de mortos».

José Cutileiro em O Tempo e o Modo nº 25/26, Março/Abril de 1965

2.

Portugueses, calculados em 2,7 milhões, têm gatos como animais de companhia.

Há velhotas, de parcos rendimentos, que no supermercado, gastam mais em comida para animais do que na sua própria alimentação.

Não saberá nunca das razões que levam escritores, cantores, artistas vários, a gostarem de gatos, a deixarem-se fotografar junto a gatos. A Assírio & Alvim tem uma antologia de poesia de felinos a que chamou Assinar a Pele».

3.

«Que Deus dê as nozes a quem não tem dentes, ainda é o menos; o mal é que Ele as dá quase sempre em demasia, a quem os tem.»

José Rodrigues Miguéis

OS PÁSSAROS VOLTARÃO EM MARÇO


Assistir à chegada do Outono e entramos por ele dentro com temperaturas de 30 graus.

Faz calor e se não fossem as noites chegarem cada vez mais cedo,  diríamos que os dias eram outros.

Nos meus tempos, as aulas começavam no dia 1 de Outubro, apresentação no ginásio do Liceu Gil Vicente: alunos, pais, o reitor, os professores, o comissário da Mocidade Portuguesa.

As aulas da Primária começavam a 7 de Outubro.

Já se andava de camisolas de gola alta, gabardines e sobretudo.

Chovia quase todos os dias.

Agora as aulas começam no meio de Setembro e chegamos a Outubro envergando as roupas de Verão.

Quando Outubro começava já a minha avó tinha feito o doce de tomate e tudo aquilo que gira em volta dos marmelos: a marmelada, a geleia, marmelos cosidos aos quartos com açúcar que se guardavam em grandes frascos de vidro.

Outubro quente traz o diabo no ventre.

Em Outubro pega tudo.

Outubro sisudo recolhe tudo.

Quem planta no Outono, leva um ano de abono.

Vindima em Outubro, que S. Martinho to dirá.

E como alguém diria: os pássaros voltarão em Março.


Legenda: fotografia de Lia Faria

HAIKAI DE OUTONO

Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?

Mário Quintana

terça-feira, 22 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


Que o 25 de Abril não se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe.

Jorge Palma

LIVROS AUTOGRAFADOS


Comprei O Secreto Adeus num qualquer alfarrabista. ou num qualquer vão de escada de bairro que já desapareceram.

Dois escritores que estimo: Baptista-Bastos e Eduardo Valente da Fonseca. 

Amiúde encontrava-os no Bar Expresso no Largo da Trindade.

A estranha sensação de como este exemplar oferecido ao Eduardo, aparece perdido por aí. 

Alguém se desfez da biblioteca do Eduardo?

 O livro foi roubado?

Ou emprestado e nunca devolvido?

Frases sublinhadas:

«A democracia é um mito inventado por políticos falhados».

«Todos sabemos o que se tem praticado em nome da ordem».

«Então, porque bebo? «É o medo de estar lúcido.»

Palavras do poeta José Gomes Ferreira na contra capa do livro:

«Testemunho ardente que veio desvendar-me as razões fundas por que certa juventude – por certo a mais consciente e digna – vive afogada, dir-se-ia que provisoriamente, numa desregra de exageros sexuais. Afinal, segundo revelação perturbadora deste depoimento em forma de romance, essa juventude sofre de «saudade de heroísmo impossível».

JORGE PALMA (1950-2026)


Morte de Jorge Palma aos 76 anos.

Que dizer?

Um tipo sem classificação, mas sujeito às tretas do costume: a música portuguesa, ou Portugal  ficam mais pobres.

Como ele dizia:

«Deixa-me rir!»

Em Setembro de 1973 recusa-se cumprir o serviço militar obrigatório e foge para a Dinamarca:

«Com licença, meus amigos, mas para a guerra não vou!» 

São assim os pássaros rebeldes!

A GENTE VAI CONTINUAR

Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há de ter mais cartas pra dar

E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar

Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem

Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar

Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Jorge Palma

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Chove no poema há alguns anos. O poeta abre, finalmente, o chapéu de chuva.

Nuno Júdice

NOTÍCIAS DO CIRCO

 Ana Sá Lopes, no Público de hoje, escreve que Montenegro será o pai, a mãe e a tia da austeridade.

«O tom soturno de Luís Montenegro na comunicação ao país de quinta-feira, aqui e ali com laivos de desespero não habituais num homem frio, foi uma metáfora acabada do momento que se vive na economia portuguesa (e mundial).
Estamos tramados. Todos os que viveram os choques petrolíferos dos anos 70 – e o racionamento da gasolina –, o programa do FMI de 1983-1985 e, finalmente, a intervenção da troika têm prática de crises. Ter prática não é grande consolo. Tudo o que se passou foi muito mau, houve muito sofrimento que, agora, está prestes a repetir-se.»

Consta por aí que os dias estão muito difíceis. Também se diz que vão piorar.

O OUTRO LADO DAS CAPAS

Um dia de Julho de 1968, José Cardoso Pires numa entrevista, a Mário Ventura, disse:

«Sou um escritor que pensa muito com o aparo.»

Exactamente 18 títulos em 50 anos!

Em Lavagante, José Cardoso Pires aborda o ambiente opressivo de Portugal no início dos anos 60, marcado pela censura e a acção policial. A história, que se desenrola num contexto de perseguições e prisões políticas, acompanha o romance entre um médico oposicionista e uma jovem estudante, destacando a influência da repressão na vida privada e nos relacionamentos pessoais. O livro utiliza a imagem do lavagante — um crustáceo — para ilustrar a natureza primitiva e a falta de refinamento do país.

Uma pré-publicação começou por ser publicada na revista O Tempo e o Modo, nº 11 do ano de 1963, como excerto de um futuro livro de Cardoso Pires, o que não veio a acontecer.

Mais tarde, Nelson de Matos, em Fevereiro de 2008, nos 10 anos da morte de José Cardoso Pires publicou o livro na sua nova editora - Edições Nelson de Matos, teve sete edições.

Em Setembro de 2025 a Relógio d’Água, que está a publicar a obra completa de José Cardoso Pires, publicou Lavagante

O livro, provavelmente, estará datado, nunca teve revisão de Cardoso Pires, mas está lá  o timbre da prosa que sempre o caracterizou.

Páginas a reter, principalmente no Capítulo XI, uma Lisboa a viver na dita «primavera marcelista», após um 1º de Maio em que a polícia de choque exerceu a costumada violência, perseguindo barbaramente os manifestantes:

«No dia 2 de Maio, quarta-feira, e para ser mais exacto, num fim de tarde, Cecília saiu do metropolitano nos Restauradores e dirigiu-se a certo snack-bar da rua da Prata.

De pois meses e meses de chuva cerrada, a Primavera, com uma persistência vegetal, secreta, conseguia vencer o manto húmido que pesava sobra a cidade. Nas últimas semana, o ar estava ligeiro, aliviado, e era Primavera, finalmente a Primavera, tal como costumava chegar a Lisboa depois de muitas hesitações e de muito trabalho para vencer as nuvens da costa.

As pessoas mal dão por isso. Um belo dia sentem a necessidade de olhar o céu, vêem azul, um azul fino, alegre, e dizem: “ Já sei.”. Depois descobrem as pombas do Rossio e as colinas pousadas diante do rio, cobertas de uma luz macia, feminina; descobrem uma nova expressão no andar das mulheres e um novo perfume – nelas e na cidade. E todos regressam mais tarde aos autocarros e a casa. É isso a Primavera: um novo sentido no olhar, uma nova velocidade. “Já sei”, dizem as pessoas.»

OLHAR AS CAPAS


Lavagante

José Cardoso Pires

Fixação de texto: Ana Cardos Pires

Capa: Carlos César Vasconcelos

Relógio d’Água, Lisboa, Setembro 2025

Fresco e impecável, o barman, está do outro lado balcão com um sorriso divertido. Bebe e fuma com modos repousados, e entretanto contempla do alto da sua serenidade o jornalista atormentado. Esse homem que ali tem sacode a cabeça dianta duma taça de vinho, estrebucha e fala dos seus sonhos frustrados.

- Viciámo-nos. Agora temos a censura a escrever por nós. E amanhã? Quem sabe escrever amanhã, quando a Censura acabar?

POSSIBILIDADE

Prefiro cinema.
Prefiro os gatos.
Prefiro os carvalhos da margem do rio Warta.
Prefiro Dickens a Dostoievski.
Prefiro-me a mim, que quero bem às pessoas, a mim, que amo a humanidade.
Prefiro ter à mão agulha e linha.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não afirmar que o intelecto tem culpa de tudo.
Prefiro as excepções.
Prefiro sair antes.
Prefiro falar com os médicos de outras coisas.
Prefiro as velhas ilustrações tracejadas.
Prefiro o ridículo de escrever poesias ao ridículo de não as escrever.
Prefiro no amor os aniversários que não são redondos, para festejar todos os dias.
Prefiro os moralistas que não me prometem nada.
Prefiro uma bondade perspicaz a uma demasiado crédula.
Prefiro a terra à paisana.
Prefiro os países conquistados aos países conquistadores.
Prefiro ter reservas.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro as fábulas dos Grimm às primeiras páginas.
Prefiro folhas sem flores às flores sem folhas.
Prefiro os cães com a cauda não cortada.
Prefiro os olhos claros, porque os tenho escuros.
Prefiro as gavetas.
Prefiro muitas coisas que aqui não mencionei a muitas outras também aqui não mencionadas.
Prefiro os zeros desordenados aos alinhados numa quantia.
Prefiro o tempo dos insectos àquele sideral.
Prefiro bater na madeira.
Prefiro não perguntar por quanto ainda nem quando.
Prefiro tomar em consideração até a possibilidade de que o ser tenha uma razão.

Wislawa Szymborska

 

Este poema foi publicada pela jornalista Bárbara Reis no Público de 12 de Setembro de 2026.

domingo, 20 de setembro de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


 Domingo, e eu às voltas com as canções para a manhã de hoje.

Capa de um velho disco comprado na Grande Feira do Disco na Rua do Forno do Tijolo no dia 10 de Setembro de 1966. Olha como o tempo passa!...

Quando os Festivais de Canções eram uma outra coisa…

E o resto são outras velhinhas canções.




sábado, 19 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


As crianças nascem com uma coragem que perdem.

Jorge de Sena

Legenda: imagem Shorpy

SOLTAS


 Seis meses de guerra no Irão já custaram 43,6 mil milhões de dólares aos Estados Unidos.

1.

Voltamos ao vinho:


«Viticultores do Douro que deixem uva por vindimar receberão 1125 euros por hectare
viticultores que não encontrem comprador para as suas uvas e que, por isso, as deixem ficar nas videiras receberão um apoio máximo do Estado de 1125 euros por hectare, o que equivale a assegurarem escoamento para a produção de três pipas, pouco mais de 1500 litros de vinho, como de resto tinha antecipado o cronista Pedro Garcias, na rubrica que assina semanalmente na Fugas.

Os 12 milhões de euros do Governo para o Douro são uma ofensa e um desperdício
Chegou, finalmente, o dia da vergonha e da humilhação no Douro. Não foi nenhuma surpresa, não surgiu do nada. Estava escrito na pedra há muito tempo. Mas nem isso diminui a vergonha e a humilhação. Ficará para os anais: na vindima de 2026, no dia 4 de Setembro, o Governo de Portugal, liderado por Luís Montenegro e cujo ministro da Agricultura se chama José Manuel Fernandes, aprovou a concessão de 12 milhões de euros do Orçamento Geral do Estado para pagar aos durienses que deixem as uvas maduras na vinha.»

O curioso, assim como quem diz que é, o governo dá milhões de euros para que os viniticultores não apanhem as uvas, e nos supermercados, estamos a comprar uvas, vindas de toda a parte, menos Portugal, a preços incomportáveis e de qualidade duvidosa, enquanto as excelente uvas do Douro ficam a olhar a paisagem.

2.

Um leitor do Público, por causa do cómico Jerry Seinfeld, lamenta-se:

« Não me levam a mal, mas a conclusão de que Israel está a cometer genocídio consta dos relatórios da Comissão Independente da ONU, da Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio, ou de organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional, o Centro Europeu de Direitos Constitucionais e Humanos, o Human Rights Watch, o Médecins Sans Frontières e ainda de prestigiadas ONG's israelitas como a B'Tselem e a Physicians for Human Rights. Também são da mesma opinião dois especialistas israelitas judeus: Omer Bartov, "I’m a Genocide Scholar. I Know It When I See It", NYT, e Amos Goldberg, "Holocaust Memory in a Time of Genocide". Sem dúvida há sempre jornalistas do Público e leitores aqui que o negam. Respeito as suas opiniões. Porém, nunca nenhum apresentou um estudo a apoiá-las.»

Pedro Tadeu no Diário de Notícias:

«Recordo, para quem ande esquecido, que esta posição de Seinfeld é discutida num contexto em que o Governo israelita massacra a população de Gaza, destrói as condições da sua sobrevivência e pratica atos que a Amnistia Internacional classificou como genocídio. A desproporção em relação aos ataques terroristas do Hamas de 7 de outubro de 2023 é evidente. Esses crimes não justificam matar civis, provocar fome ou destruir um território. As vítimas palestinianas não são responsáveis coletivamente pelos crimes do Hamas.»

3.

Um estudo da Marktest indica que três em cada quatro portugueses adultos consome bebidas alcoólicas.

4.

A electricidade fica mais cara em Outubro no mercado regulado por causa da guerra no Irão. São mais 0,005 euros por kWh, a aplicar a partir de 1 de Outubro de 2026.

5.

Portugal registou o maior aumento anual do custo da habitação entre 57 países analisados num estudo internacional, tendo-se verificado um aumento de 15,2% em apenas um ano, enquanto o preço das casas, em termos mundiais, caíu 1,2% no mesmo período.

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Volta e meia há que ir ao Outro Lado das Estantes, e nem sempre acontece.

Esta colecção do Círculo de Leitores adquiri-a, por meia dúzia de euros na Feira da Ladra. Tinham todo o ar de terem sido, por alguém, roubados e vendidos, também por tuta e meia, ao velhote que, rigorosamente não sabia o que etava a vender.

Uma colecção, ainda, não lida, apenas folheada, mas a que há que voltar.

Assim irá acontecendo.

OLHAR AS CAPAS


 Os Celtas

Juliette Wood

Tradução: Ana Maria Pinto da Silva

Capa. José Neves

Colecção: Cultura e Civilizações

Círculo de Leitores, Lisboa, Dezembro de 2005

Há mais de dois mil anos, a Europa, a norte de Mediterrâneo era dominada pelos Celtas, um conjunto de povos que partilhava tradições de língua, arte e cultura.

MÚSICA PELA MANHÃ


Segundo Luís Pinheiro de Almeida, na sua Biografia do Ié-Ié, Daniel Bacelar foi pioneiro do rock português, o primeiro a gravar um disco de rock, indefectível fã de Richy Nelson, consideravam-no o «Ricky Nelson português», nasceu a 26 de Maio de 1943 e faleceu a 29 de Setembro de 2017, com 74 anos.

Colaborou com vários conjuntos portugueses de então, e no dia 1 de Agosto de 2009, Rita Redshoes convidou Daniel Bacelar para partilhara consigo o palco do Festival dos Oceanos que se realizou nos jardins da Torre de Belém, em Lisboa. Foi um verdadeiro espectáculo de rock, estávamos lá, mas nos últimos tempos o Daniel apenas cantava para amigos mas escusava-se sempre a interpretar Marcianita, bem como os seus temas em português que são pioneiros do rock nacional.

Após a sua morte, João Rato editou, para os amigos do Ié-Ié, um disco com 18 versões de Marcianita, obviamente com a versão do Daniel Bacelar.

Daniel Bacelar deixou-nos há 9 anos.

Lembramo-lo agora.




sexta-feira, 18 de setembro de 2026

POSTAIS SEM SELO


 Eu não mudei, apenas os tempos mudaram.

Paulo Castilho em Fora de Horas

Legenda: Bob Dylan

TRUMPALHADAS

Donald Trump, disse, hoje, na Casa Branca que irá proibir os órgãos de comunicação social CNN, MS NOW e Politico de entrar na Casa Branca, queixando-se da cobertura que fazem das suas actividades numa publicação nas redes sociais, acrescentando que anunciaria os nomes de outros órgãos de comunicação social em breve.

OLHAR AS CAPAS


A Derradeira Palavra

Rex Stout

Tradução L. Almeida Campos

Capa: A. Pedro

Colecção Vampiro nº 448

Livros do Brasil, Lisboa 1984

 - Não creio que… - Deixou a frase suspensa por um momento, depois acrescentou: - Mas, o senhor é Archie Goldwin.

Acenei com a cabeça.

- E a senhora é Althea Vall. Dado que não tem encontro marcado, tenho de informar o Sr. Wolfe do assunto sobre que quer falar com ele.

-Preferia ser eu própria a dixer-lhe. É muito confodencial e muito urgente.

DE VEZ EM QUANDO

O mar, se acaso alguém

fechando a mão o faz como se às praias

assim o subtraísse, o mar ligado

por cem mil cordas ao meu leito,

 

reduz-se a poucas vagas; porque há poros

na pele por onde o espírito goteja, há também quem

da parte envidraçada do seu espírito

de vez em quando as veja rebentar.

Luís Miguel Nava em Poesia