segunda-feira, 29 de junho de 2026

QUOTIDIANOS


Que bom sabermos destas notícias, que bom encontrarmos poemas nas viagens que fazemos no metropolitano de Lisboa, nós que, de segunda a sexta-feira pelas 09,00 horas, colocamos nas pedras do cais, um poema:

«A poesia no Metro lembra-nos aquilo que a leitura pode fazer: inspirar e fazer parar.

Num momento improvável, num dia como todos os outros.

Esta nova iniciativa é um projeto que leva a leitura para dentro das carruagens, transformando o quotidiano das viagens num espaço de encontro com a palavra escrita. Há momentos em que uma palavra faz a diferença no nosso dia — e os versos têm esse poder.

Mais do que uma presença decorativa, os excertos literários agora visíveis nas carruagens foram pensados para surpreender, inspirar e criar um momento de pausa no ritmo acelerado do dia-a-dia. São textos que surgem sem aviso, mas que podem marcar — pela sua simplicidade, pela sua força ou pela forma como dialogam com quem os lê.

Os poemas e excertos apresentados resultam do envolvimento dos trabalhadores do Metro, que foram convidados a selecionar textos com significado pessoal. Esta dimensão colaborativa reforça a ligação entre a organização, a cultura e a experiência dos seus clientes.

A seleção final dos conteúdos contou com a curadoria de Manuela Pargana, Diretora de Departamento da Promoção da Leitura do EduQA, I.P., do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, assegurando a qualidade literária e a diversidade dos textos apresentados.

Esta ação pretende partilhar palavras que podem inspirar os nossos clientes.»


STATUS REPOel-Mans

sou comarca onde parou de chover

e quem não se lembra da sanguechuva

que foi em tempos este coração

 

já não tenho a vida toda (faço trinta

o mês que vem) e a verdade é que nem

na morte se pôde alguma vez confiar

 

muito mal contado, isso da morte

 

Miguel-Manso em Resumo: a poesia em 2010

domingo, 28 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO

Escolha um trabalho que ame e não terá de trabalhar um único dia da sua vida.

Confúcio

SOLTAS

De blogue em blogue, encontro no Bicho Ruim a fotografia e a respectiva legenda:

«A capa de hoje d' O Diabo foi feita de propósito para os arquivos Ephemera. O José Pacheco Pereira deve andar aos pulos de contente.»

1.

Faturação dos hospitais privados cresce para valor recorde em 2025: 2 790 milhões de euros.

2.

Lido em Página Um

«Luís Delgado tentou travar um novo processo na Justiça por dívidas da Trust in News ao Fisco, mas apenas conseguiu adiar o inevitável. Os três gerentes da dona da Visão vão, de novo, sentar-se no banco dos réus e arriscam ser condenados a pena de prisão efectiva. Em causa, uma dívida de 1,2 milhões de euros em prestações de IVA não entregues às Finanças entre 2021 e 2023.»

3.

Actualmente a esperança de vida à nascença em Portugal é de 81,8 anos, um aumento de 1,28 anos na última década,

 4.

A Meo solicitou ao Governo o estatuto de empresa em reestruturação, um passo que facilita a rescisão de contratos com os trabalhadores, já que permite ir além das quotas legalmente previstas nas saídas por mútuo acordo com atribuição de subsídio de desemprego. O estatuto foi concedido até ao fim deste mês e a empresa conta fechar 1200 saídas por via de acordo até ao fim do ano.

5.

Julian Barnes olha para o fim da vida com a serenidade de quem se cumpriu – “Pisei todas as massas de terra firme, exceto as congeladas. Por isso, prefiro voltar a vaguear pelas vilas e cidades europeias, observar o mar a partir da segurança de uma esplanada e as montanhas nevadas de uma distância em que não sinta frio” – e, por isso, recusa a derrota: “o obituário “Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta contra o cancro” deveria ser substituído por “Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta que o cancro manteve com ele”.

A MERDA DO FUTEBOL, TAL COMO, UM DIA, DISSE MÁRIO DE CARVALHO



Carlos Queiroz não parece estar convencido com o actual formato do Campeonato do Mundo para 48 seleções, sublinhado sublinhou que a competição está a tornar-se "vulgar e comum".

“Quando tantas equipas se podem qualificar, o valor continua a ser raro? Isso parece-me discutível, mas é apenas a minha opinião. Quem é que não se qualificou na Europa? Os torneios de qualificação começam a perder o seu significado se quase todos se apuram. A qualificação devia ser séria, devia ser muito dura, muito competitiva. O Mundial devia ser algo com significado e relevância. Devia ser raro. Mas, como sabem, hoje em dia o dinheiro fala mais alto no futebol. Onde antes costumávamos falar de futebol, agora falamos de moneyball. 

À LUPA

Excelente o retrato de Portugal que Bárbara Reis nos deixa, hoje no Público.

Fica aqui o link, por favor leiam, e a Lupa saca este pormenor:

«Também lhes digo que Portugal é um país normal, com coisas boas e coisas más, problemas grandes e pequenos, com tradições péssimas e tradições maravilhosas.

Mas quando vou ao Mercado da Ribeira, o senhor a quem compro ovos diz-me que “Portugal morreu”.

É assim há anos. Eu digo: “Bom dia, como está?” E ele:

— Como é que haveria de estar?! Isto acabou. Tem alguma dúvida?! Portugal morreu!»

MÚSICA PELA MANHÃ


Neste domingo, situamo-nos no cinema para vos dar música pela manhã.

O cinema deixou-nos grandes músicas e grandes canções e há larga matéria para escolhas.

Ficamo-nos com:

Amado Mio do filme Gilda de Charles Vidor  com a espantosa Rita Hayworth

Barco Negro cantada por Amália Rodrigues no filme Os Amantes do Tejo de Henri Verneuil

Mrs. Robinson dos lendários Simon and Garfunkel em  A Primeira Noite filme de  Mike Nichols.  

Moon River de A Boneca de Luxo de Blake Edwards 

Por fim As Time Goes By do lendário Casablanca, filme de  Michael Curtiz.

Não se esqueçam de passar um bom domingo.





sábado, 27 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


A saudade é uma tatuagem da alma: só nos livramos dela perdendo um pedaço de nós.

Mia Couto

Legenda: fotografia de Rui Ornelas

MÚSICA PELA MANHÃ


Fausto, o alquimista genial, deixou-nos com 75 anos e ficámos muito desemparados. Ao longo de mais de cinco décadas, firmou-se como marco fundamental da música portuguesa, mergulhando nas raízes da música tradicional, apondo-lhe uma marca autoral.

Há semanas, Luís Eme, no seu blogue o Largo da Memória, trouxe-nos a lembrança das canções de Fausto.

Apesar de tudo, ainda há blogues e o Largo da Memória é o mais antigo que frequento e já são muito poucos!

É este o texto do Luís Eme, a fotografia também é de sua autoria:

«A frase que escolhi para título (
"Atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir...”) deste pequeno texto faz parte de uma das canções do Fausto. Escolhi-a porque é um retrato do mundo, andamos praticamente desde a nossa existência a cometer os mesmos erros (por pior que sejam...), que acabam por voltar sempre, de tempos a tempos...

Aparece sempre alguém, capaz de inventar uma guerra qualquer, com um único objectivo, servir os seus interesses pessoais, pouco preocupado com o rasto que deixa atrás de si, tanto de gente assassinada ou mutilada como de cidades completamente destruídas...

Nem a invenção dos deuses e das religiões apaziguaram esta ambição desmedida dos humanos...

Tenho à cabeceira um livro há mais de dois meses, o "Diário" de Hélene Berr (escrito de 1942 a 1944), escrito em Paris durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, por uma jovem judia francesa, que morreu pouco tempo antes da libertação, em Auschwitz. 

Não o leio todos os dias, porque está longe de ser um testemunho agradável, por razões óbvias.

Há muitas partes do seu testemunho que podiam ser transpostas para os dias de hoje, onde a indiferença, se vai tornando reinante. Transcrevemos um exemplo sobre a actividade policial em duas frases:

«Polícias que obedecem a ordens expressas de ir prender um bebé de dois anos, a casa da ama, para a internar! Eis a prova mais pungente do estado de embrutecimento, da perda absoluta de consciência moral em que caímos. É isto que é desesperante.»

E umas linhas mais abaixo: «Que se tenha chegado a conceber o dever como uma coisa independente da consciência, independente da justiça, da bondade, da caridade, eis a prova da inanidade da nossa pretensa civilização.»

E não são precisas mais palavras...»



REGRESSO

Voltar ao Cais.

Voltar aos postais, aos candeeiros, às coisinhas costumeiras.

Voltar.

Colaboração de Aida Santos

SÍTIOS POR ONDE ELES ANDARAM

No passado fim-de-semana, fomos a Viseu ao aniversário de uma velha amiga e apanhámos um calorão infernal.

Foi no meio desse inferno que, entrando num quiosque para comprar o jornal, arregimentei este postal de um nevão em Aveiro. 

Dizem os visienses que a cidade é assim:  insuportavelmente, fria no Inverno e quente no Verão.

NOTÍCIAS DO CIRCO

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que o Governo voltará a tentar aprovar uma reforma laboral, apesar do chumbo da proposta no Parlamento, considerando as alterações ao Código do Trabalho “algo de inevitável”. Tão inevitável “como o nascer do sol”, afirmou Maria do Rosário Palma Ramalho, em entrevista à SIC Notícias.na quinta-feira à noite.

As declarações surgem depois de a ministra ter deixado essa intenção no último fim-de-semana, durante o 43.º Congresso do PSD, quando, dirigindo-se a Luís Montenegro, afirmou: “Se bem o conheço, lá iremos outra vez fazer esta e outras reformas por Portugal e pelos portugueses.”

Lido no Público

sexta-feira, 26 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


 A minha riqueza são os livros.

Fernando Assis Pacheco

NOTÍCIAS DO CIRCO

Operadores da linha SNS24 [que prestam serviço através da Altice] perdem parte do salário quando vão à casa de banho.

Jornal de Notícias, 26 de Junho.

POEMA DITO DE AMOR

Uma corrosão de líquidos

no copo do teu riso: como se a tua boca

trouxesse as chuvas ácidas

da noite; e as tuas frases queimassem

a terra dos corpos.

 

Bebo-te, no entanto; e

ardes por dentro de mim. O teu amor

espalha-se-me pelas veias, sobe

até à cabeça, explode pelos olhos

e pelos ouvidos com que te

vejo e ouço.

 

O halo das ocasiões

envolve-nos. Até ao fim da noite,

e pelo meio da vida.

 

Nuno Júdice

quinta-feira, 25 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


O amor destrói. A amizade constrói.

Vergílio Ferreira

A NOITE LANÇAVA-SE NA ÚLTIMA VIAGEM

A noite lançava-se na última viagem.

Já bebida, a velha profissional 

engana-se nas redondilhas 

de um mouraria antigo

e o gestor turístico 

no seu azul e brilhante 

fato alpacatado

dentro do qual rebenta

solta no ar a praga impiedosa.

 

Amores de mãe tremiam 

na garganta vagarosa 

rescaldos de uma guerra erótica 

eram os mitos forçados 

do consumo.

 

Casais obesos descansavam nas mesas 

a digestão pesada, a paz 

tão transitória dos sentidos. 

Solerte ofício este de jogar na voz 

todas as noites, a fatalidade,

sob o olhar frio dos deuses 

tão mesquinhos.

As palavras amargas poderão ter 

a força duma chaga,

a cor nocturna da faca pitoresca, 

e a velha cantadeira 

pode deixar cair da boca 

as aves mortas que esconde no seu peito.

Porque eu não esqueço.

Ali, quando a noite arregaçava 

os braços no trabalho de parto indiferente,

sob as cinzas sujas da memória,

outro fado nascia abruptamente 

oculto e humilhado à luz do dia.

 

Armando Silva Carvalho

quarta-feira, 24 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


Todos podemos controlar a dor, excepto aquele que a sente.

William Shakespeare

PAI, DIZEM QUE AINDA TE CHAMO

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono – a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome – porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.

Maria do Rosário Pedreira em Poesia Reunida

terça-feira, 23 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO


É necessário sair da ilha para ver a ilha, não nos vemos se não saímos de nós.

José Saramago 

DESTRUIÇÃO

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem:
Um se beija no outro, reflectido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

Carlos Drummond de Andrade em Antologia Poética

segunda-feira, 22 de junho de 2026

POSTAIS SEM SELO

É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar.

Jean-Jacques Rousseau

QUOTIDIANOS

Há dias em que não devia ler jornais.

Um homem de 33 anos, com antecedentes de violência doméstica, e a filha menor morreram numa destas madrugadas, após a queda do oitavo andar, em Santarém.

A Polícia Judiciária confirmou que está em causa um "suicídio acompanhado de homicídio da filha em contexto de violência doméstica com objetivo de provocar sofrimento à mulher".

NÃO SEI SE ME INTERESSEI PELO RAPAZ

Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas

Adília Lopes

domingo, 21 de junho de 2026

MÚSICA PELA MANHÃ


O recorte é retirado de Os Beatles e a Censura em Portugal de Abel Rosa e marca oi conhecimento que muitos de nós passaram a ter deste rock and rol e de Bill Haley e os seus Cometas.