Foi
diversa, difícil, dura, a luta de muitos de nós contra a ditadura de
Salazar/Caetano.
Este
recorte é da revista Seara Nova nº 1458 de Abril de 1967.
Sempre
a margem esquerda: Almada, Baixa da Banheira, Seixal, Cova da Piedade.
Por
ocasião do 74º aniversário da Cooperativa Piedense, diversas iniciativas registavam
a efeméride e sempre a cultura. «Não há machado que corte a raiz ao
pensamento», como escreveu o poeta Carlos de Oliveira e que Manuel Freire
fez música e deu canção.
Além
de um sarau consagrado à música popular portuguesa, apresentava-se o Coro da
Academia de Amadores de Música, sob a direcção de Fernando Lopes-Graçae também poesia e música com Carlos
Paredes, José Carlos de Vasconcelos, Adriano Correia de Oliveira.
Ontem
lembrámos Adriano Correia de Oliveira e voltamos às suas canções.
António
Borges Coelho, enquanto preso em Peniche, escreveu um livro de poemas
Fortaleza, e de um desses poemas Luís Cília fez música e o Adriano deu voz.
A
canção consta de alguns singles e Eps de Adriano e na sua obra completa
publicada, pela Orfeu/MoviePlay, faz parte do disco A Noite dos Poetas.
Nas
suas Crónicas e Discursos, António Borges Coelho, dedicou um capítulo do
Fernando Lopes Graça. Ambos foram militantes do Partido Comunista e viviam na
mesma rua na Parede:
Tempo exacto para
lembrarmos o Coro da Academia dos Amadores de Música do Graça, tal como lhe
chamavam os camaradas e amigos.
António Ramos Rosa,
Fernando Piteira Santos, Maria Velho da Costa, Fernando Lopes Graça, Artur
Ramos, Baptista-Bastos, José Cardoso Pires, José Manuel Mendes, Mário Dionísio,
Urbano Tavares Rodrigues
Capa: Armando Alves
Preço deste número:
500 escudos
Sonho, morte, frio, terra, pedras, árvores, nuvens, estrelas, astros –
eis algumas das palavras que se nos deparam com mais frequência nos poemas de
José Gomes ferreira. O sonho não é mais que um momento, um ímpeto que se
realiza no movimento do poema e só nele, dado que o sonho é impossível total.
Assim, o sonho ou o desejo, só na linguagem encontra a totalidade que o revela
como possibilidade poética ou seja, como palavra que, opondo-se à negação, se
afirma independentemente da lógica negativa que muitas vezes domina este
discurso poético.
Aproveitemos Reolhares para
lembrar como as Marchas, as Danças, as Canções nasceram, criadas por gente
única do nosso património, gente irremediavelmente esquecida:
MARCHAS, DANÇAS
E CANÇÕES
Em Setembro de
1945, a casa de João José Cochofel, no Senhor da Serra, em Semide, juntou
Fernando Lopes-Graça, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira e João José
Cochofel.
Na contra capa do disco, explica ao que vinham essas canções:
«O que são as “Canções Heróicas” que, pela primeira vez, se oferecem ao
público editadas em disco? Resumidamente, podemos dizer que são obrinhas de
circunstância ou, se quisermos ser mais explícitos e sem temer o uso rigoroso
das palavras, defini-las-emos como canções politicamente empenhadas.
Politicamente empenhadas no sentido, ou na medida, em que pretenderam
contribuir – e cremos que de facto contribuíram – para a luta do povo
português, a que primordialmente foram destinadas, contra o regime despótico,
anti-democrático e violentador de corpos e almas que durante cerca de cinquenta
anos lhe foi imposto.»
Um ministro de Salazar disse:
«É mais perigoso um mi bemol de Lopes Graça do que
mil panfletos subversivos.»
«Nesse Verão, como lhe contasse que eu ainda não tinha
encontrado poiso no campo para convalescer, Fernando Lopes Graça, propôs-me:
-Venha comigo para o Senhor da Serra, perto de Semide…
- Há por lá alguma pensão?
- Pensão propriamente dita não há. Mas a srª Rosinha costuma receber
hóspedes num quartito muito limpo e com uma vista extraordinária para o Vale da
Lousã… E fica a dois passos da casa do João José Cochofel, onde vou
instalar-me.
Na casa de João José Cochofel juntaram-se, então, Fernando Lopes Graça, José
Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira.»
Novamente José Gomes Ferreira:
«Por esses dias, com tantos poetas às ordens, ensejou-se a Fernando Lopes
Graça realizar um velho sonho que expôs em meia dúzia de frases sóbrias aos
circunstantes. Queria letras para canções. Marchas, danças, rondas infantis,
hinos… O que nos apetecesse. Contanto que não nos demorássemos muito, pois a
inspiração já ardia.»
Esgotada a inspiração dos poetas circundantes,
Fernando Lopes Graça implorou o auxílio a Coimbra (Joaquim Namorado,
Arquimedes, Ferreira Monte) e a Lisboa, donde acudiram ao chamamento Mário
Dionísio, Armindo Rodrigues e Edmundo Bettencourt.
(Texto publicado em 29 de Março de 2017)
Legenda:
Na primeira fotografia vêem-se João José Cochofel, Fernando Lopes Graça e José
Gomes Ferreira.
Na segunda fotografia João José Cochofel e Carlos de Oliveira.
A
especulação imobiliária que invadiu o país nas últimas décadas, vai obrigar que
a Academia dos Amadores de Música tenha que procurar um outro espaço. Centenas
de alunos irão ser prejudicados. Algumas manifestações têm ocorrido mas nada
está fácil.
A
Câmara Municipal de Lisboa, dirigida pelo Sr. Moedas, tem outras preocupações.
Essa história das Lojas com História é uma quimera, algo para adormecer
camelos.
Como
diria o Zé Gomes Ferreira:
«Os parvos
pertencem todos à mesma Pátria com nomes diferentes.»
De
novo José Gomes Ferreira:
14 de Maio de 1969
Fui esta noite à Academia dos Amadores de Música ouvir
o coro do Graça que está em boa forma…
Na assistência muitas caras conhecidas. Caras antigas.
Mas o fio encantado que nos unia a todos noutros tempos quebrou-se.
A Música desta
manhã é Acordai, poema de José Gomes Ferreira, música de Fernando Lopes Graça:
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Legenda: A 12 de
Novembro de 1966, o Diário de Lisboa-Juvenil retomava, com a
presença de Eduardo Prado Coelho, os seus Encontros.
No dia 26 de Novembro foi a vez do jornalista Manuel de Azevedo.
Fernando Lopes Graça e Dulce Cabrita, foram os convidados para o Encontro realizado
no dia 21 de Janeiro de 1967.
Será um desfilar de
histórias, de opiniões, de livros, de discos, poemas, canções, fotografias,
figuras e figurões, que irão aparecendo sem obedecer a qualquer especificação
do dia, mês, ano em que aconteceram.
Permitam que a música e as canções continuem
a ocupar estas Viagens por Abril.
Hoje, aqui se traz Fernando Lopes Graça e
Fiama Hasse Pais Brandão. Tal como o José Gomes Ferreira dizia, nos seus poemas
para as Heróicas do Graça, «até mortos vão ao nosso lado.»
Naqueles tempos
em que se abriam janelas para que as correntes de ar pudessem entrar, batessem
na cara, juntávamo-nos ao redor de discos e livros, trocávamos impressões,
experiências e admitíamos aquele saber que guardamos nas dobras improváveis do
tempo, que era possível a chegada de um dia claro. A isto se poderia chamar a
memória da esperança. Era disto que se faziam os dias daqueles tempos.
"Lisboa tem suas barcas agora lavradas de armas".
-
Quando já depois de, ouvidos os discos, muito conversados, razoavelmente
bebidos, o Zé Leal lembrava sempre que ficava na memória um som. Um som simples
das ausências, das mãos que se fizeram abertas. Ficava também o silêncio.
Depois era a debandada. A manhã a anunciar-se, era o começo de mais um dia de
trabalho.
"Para a próxima quem é que trás os discos?”
Hoje já não servem as palavras com que dantes se faziam as conversas entre nós.
Gastas as palavras, outros os olhares, diferentes os interesses.
Este EP de 33 rpm é o 4º Caderno de composições de Fernando Lopes Graça
“compostas em estilo singelo para recreação da gente nova portuguesa – Oito
Canções das Barcas Novas”.
Os poemas são de Fiama Hasse Pais Brandão, cantados por Celeste Lino, Manuel
Pico, acompanhados, ao piano, por Olga Prats.
O disco, como habitualmente, não indica a data de gravação. Talvez 1972. O
preço, esse, pode ver-se no canto superior esquerdo: 73 escudos e 50 centavos
qualquer coisa, ao cambio de hoje, como 0,3675 euros. Mas façam contas e
acreditem que aqueles 73,50 escudos obrigavam a sacrifícios.
O texto de apresentação, incluído no disco, é de Mário Vieira de Carvalho,
escrito num tempo em que era crítico musical e acreditava que existiam amanhãs
para serem cantado
Os comandos militares informam que um capitão morreu na Guiné e um alferes em
Moçambique, ambos “por acidente de viação”, e que cinco outros militares
morrerem em combate, também nestas duas províncias.
Num serviço da ANI para os jornais lia-se que “ao contrário do que tem sido
noticiado no estrangeiro, não foi expulsa de Moçambique a Irmã Maria del Cali,
apenas se verificou o facto de não haver sido renovado o visto de residência.
Um informador oficial esclarece que a freira italiana subscrevera uma carta que
criticava a acção do Bispo de Tete e certo documento capturado pelas forças
portuguesas a um terrorista, indicava-a como uma pessoa ideal para ser
contactada pela FRELIMO.”
Em informação, assinada pelo Capitão Correia de Barros, para os jornais, os
serviços de censura determinavam: “Em títulos ou subtítulos dos casos passados
em Moçambique não pôr: “padres acusados de traição” – como fez “A Capital”.
Um comunicado do Comando-Chefe das Forças Armadas informava que a Srª D.
Cecília Supico Pinto, presidente do Movimento Nacional Feminino, continuava a
sua visita a zonas no interior da Guiné.
A Fundação Calouste Gulbenkian, o ano passado, celebrou o
centenário do nascimento de Madalena Perdigão.
Esta é a biografia de Margarida Perdigão postada pelo Centro
Nacional de Cultura:
«Maria Madalena Bagão da Silva Biscaia de
Azeredo Perdigão licenciou-se em Matemática (1944), em Coimbra, e concluiu o
Curso Superior de Piano (1948) do Conservatório Nacional, seguindo depois
estudos de aperfeiçoamento em Paris. Na Emissora Nacional, foi responsável pelo
programa radiofónico A Música e os Seus Sortilégios.
Ingressou na Fundação Calouste Gulbenkian em 1958 e até 1974 dirigiu o seu
Serviço de Música, criando os Festivais de Música (1958-1970), a Orquestra
(1962), o Coro (1964) e o Ballet Gulbenkian (1965). Entre 1978 e 1984,
convidada pelo ministro Sottomayor Cardia, dirigiu o Gabinete Coordenador do
Ensino Artístico do Ministério da Educação para definir uma proposta de um
Plano Nacional de Educação Artística. Em 1983, organizou o I Festival
Internacional de Música de Lisboa. Em 1984, regressou à Gulbenkian, para criar
o ACARTE- Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte que
dirigiu até 1989, ao mesmo tempo que criou o CAI – Centro Artístico Infantil da
Fundação Gulbenkian, tendo concretizado três edições dos Encontros ACARTE –
Novo Teatro/Dança da Europa (1987, 1988 e 1989). Foi condecorada com a Ordem do
Infante D. Henrique e as insígnias da Ordem do Cavaleiro da Legião Francesa.
Casada com José de Azeredo Perdigão, presidente da Fundação Gulbenkian,
Madalena Azeredo Perdigão desenvolveu um diversificado trabalho em prol da
cultura portuguesa durante o Estado Novo e o período democrático.».
«Sabia que em 1974 quiseram sanear Madalena
Perdigão da Gulbenkian porque ela era “incompetente” e 2Fascista”? Se não
sabia, não está sozinho.»
«Outra pergunta: pensa que
os colóquios a celebrar 100 anos disto e daquilo só servem para elogiar os
mortos? Se sim, está enganado.
Um exemplo: foi preciso um colóquio sobre os 100 anos do nascimento de Madalena
de Azeredo Perdigão (1923-1989) para eu aprender que nos anos do PREC (Processo
Revolucionário em Curso), a era da pré-democracia portuguesa, ela foi insultada
e chamaram-lhe tudo e mais alguma coisa.
Desconhecia a história e só sabia sobre Madalena Perdigão aquilo que sabem
muitos dos que eram adolescentes nos anos 1980: que era culta, moderna,
vanguardista e enérgica, que trouxe o melhor do mundo para Portugal, que
acreditava na importância da educação artística e musical, que ajudou a criar a
orquestra, o coro e o ballet Gulbenkian, que inventou o Jazz em Agosto e os
Encontros Acarte.
Logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, houve uma “campanha de imprensa hostil”
contra Madalena Perdigão, com “ataques injustos, tendenciosos e assentes em
informação falsa ou parcelar”, escrevem Rui
Vieira Nery e Inês Thomas Almeida em Vamos Correr Riscos. Textos escolhidos de Madalena
de Azeredo Perdigão, acabado
de editar pela Fundação Calouste Gulbenkian e Tinta-da-china.
Um é o Manifesto
sobre a situação da música em Portugal, publicado no Diário de Lisboa a 14
de Maio de 1974 e assinado por 50 pessoas, entre as quais Fernando Lopes Graça,
António Victorino d'Almeida, Sequeira Costa, Filipe de Sousa, Jorge Peixinho,
Manuel de Lima, Mário Vieira de Carvalho, Manuel Jorge Veloso, Francisco
D’Orey, Olga Prats, João José Cochofel, Francine Benoît, António de Oliveira e
Silva, Maria Regina de Vasconcelos, Clotilde Rosa, etc. — é assim que está
assinado.
No colóquio, José Sasportes disse que não queria “entrar numa zona infecta, em
parte estimulada pelo Partido Comunista e pelo controleiro do sector
intelectual — ‘controleiro do sector intelectual’, belo título de glória — que
me diziam ser Mário Vieira de Carvalho”.
Não queria, mas entrou. Disse que, na altura, “o Carvalho” escreveu no Diário de Lisboa “artigos em termos tão falsos e
imperdoáveis como os que se podem ler nos relatórios soviéticos para isolar
compositores como Shostakovich ou eliminar o encenador Meyerhold”.
E rematam dizendo que é urgente acabar com “o escândalo” de manter a Gulbenkian
“nas mãos de uma ‘clique’ fascista”.
António Pinto Ribeiro disse no colóquio que Madalena Perdigão foi “a
mais importante programadora cultural da segunda metade do século XX”. Sabendo
tudo o que sabemos dos excessos, loucuras e erros do PREC, ingenuamente pensava
que Madalena Perdigão, matemática, pianista, cosmopolita e “agitadora
cultural”, tinha sido poupada às injustiças primárias do PREC. Estava enganada.»
A releitura deste artigo de Bárbara Reis tem o intuito de marcar alguns dos episódios negros que
o PREC trouxe, vindos de pessoas que admiramos e situávamos longe de estarem de
acordo com propósitos, não só injustos, como caluniosos.
Diga-se, por fim, que
o sinistroMário Vieira de Carvalho acabou por deixar o Partido Comunista e
partiu para outros ventos, outras aventuras.
Fernando Lopes
Graça morava na Parede. Olga Prats também. Numa noite de Verão, em que o
acompanhava a casa, Olga Prats ouviu o Graça dizer:
«Eu agora não queria ficar sozinho, fosse quem fosse,
homem ou mulher, rapaz ou rapariga, nem que fosse um cão.»
Andei à procura
de uma fotografia de um Concerto na Academia dos Amadores de Música em que o
coro é acompanhado pela pianista Olga Prats e em que na pimeira fila da plateia
se vê a cabeleira branca do poeta José Gomes Ferreira. Uma fotografia lindíssima
mas estará por aí. Um dia destes caba por aparecer.
Recordo um velho
texto, datado de 23 de Junho de 2009:
GUILDA DA MÚSICA/SASSETTI - SST 3001 - s/data
Naqueles tempos em que se abriam janelas para que as correntes de ar pudessem
entrar, batessem na cara, juntávamo-nos ao redor de discos e livros, trocávamos
impressões, experiências e admitíamos aquele saber que guardamos nas dobras
improváveis do tempo, que era possível a chegada de um dia claro. A isto se
poderia chamar a memória da esperança. Era disto que se faziam os dias daqueles
tempos.
"Lisboa tem suas barcas agora lavradas de armas".
Quando já depois de, ouvidos os discos, muito conversados, razoavelmente
bebidos, o Zé Leal lembrava sempre que ficava na memória um som. Um som simples
das ausências, das mãos que se fizeram abertas. Ficava também o silêncio.
Depois era a debandada. A manhã a anunciar-se, era o começo de mais um dia de trabalho.
"Para a próxima quem é que trás os discos?”
Hoje já não servem as palavras com que dantes se faziam as conversas entre nós.
Gastas as palavras, outros os olhares, diferentes os interesses.
Este EP de 33 rpm é o 4º Caderno de composições de Fernando Lopes Graça
“compostas em estilo singelo para recreação da gente nova portuguesa – Oito
Canções das Barcas Novas”.
Os poemas são de Fiama Hasse Pais Brandão, cantados por Celeste Lino, Manuel
Pico, acompanhados, ao piano, por Olga Prats.
O disco, como habitualmente, não indica a data de gravação. Talvez 1972. O
preço, esse, pode ver-se no canto superior esquerdo: 73 escudos e 50 centavos.
O texto de apresentação, incluído no disco, é de Mário Vieira de Carvalho,
escrito num tempo em que era crítico musical e acreditava que existiam amanhãs
para serem cantados.
Mais tarde, muito depois de escritas estas palavras, seria secretário de Estado
da Cultura de um governo de José Sócrates. Dizem as más-linguas que ele e a
ministra, para além de umas guerras intestinas e perfeitamente inúteis
(Cinemateca, São Carlos etc.) não deixaram nada de registo. Também só agora é
que o Primeiro-Ministro reconhece que errou ao não apostar mais na Cultura e
que tenha sido tratada “como um parente pobre”.
No
Festival RTP da Canção de 1976, Carlos do Carmo foi escolhido para único
intérprete das oito canções selecionadas por um júri onde se encontravam Manuel
da Fonseca e Pedro Tamen.
Eram estas as canções:
No
teu poema José
Luís Tinoco,
Novo
Fado alegre José
Carlos Ary dos Santos/Fernando Tordo,
Os
lobos e Ninguém José
Luís Tinoco,
Maria-Criada,
Maria-Senhora Tozé
Brito
Flor
de verde pinho Manuel
Alegre/José Niza
Onde é que tu moras Joaquim Pessoa/ Paulo
de Carvalho
Estrela da Tarde José Carlos Ary
dos Santos/Fernando Tordo.
Por
votação do público saiu vencedora Flor de Verde Pinho que representou
Portugal no XXI Festival Eurovisão da Canção.
As
interpretações de Carlos do Carmo estão registadas no disco Uma Canção Para a Europa.
Neste
bom naipe de canções, estão duas excelentes canções: Estrela da Tarde e No Teu
Poema e uma delas é que deveria ter sido a representação portuguesa na
Eurovisão, mas quando se coloca a escolha no público, os desarranjos
acontecem!...
No
artigo de opinião que escreveu para o Público,
Augusto M. Seabra, faz notar que No Teu
Poema era uma canção que calhava particularmente bem a Carlos do Carmo mas
que, e bastante surpreendentemente, não a
retomou e dir-se-ia que a entregou a Simone de Oliveira.
Fica
aqui a interpretação de Carlos do Carmo com o pianista Bernardo Sassetti.
Carlos
do Carmo, politicamente, sempre se situou à esquerda, foi aquilo que a gíria política
designa por compagnon de route do Partido.
Mas
por ali o fado não era muito bem visto, criava pele de galinha a muita gente, e
devemos lembrar-nos que o excelente Fernando Lopes Graça era o chefe de fila do
preconceito anti-fado.
A
participação de Carlos do Carmo, na 1ª Festa do Avante, realizada na FIL em
1976, esteve para não acontecer, pois não fazia qualquer sentido alguém do fado
subir ao palco, se bem que no Palco nr. 5, na tarde de domingo houvesse uma
«Tarde de Fado Amador», e à noite, no mesmo palco, houvesse uma «Noite do Fado»
com actuações de Adriano Correia de Oliveira, Fernando Farinha, Fernando Tordo,
José Manuel Osório, Samuel e Saudade dos Santos, já para não referir o Concerto
de Carlos Paredes, no palco nr. 2, nesse mesmo domingo.
A
birra tinha a ver com o nome de Carlos do Carmo.
Mas
foi aí que o calmeirão Adriano Correia de Oliveira, levantou a voz e disse a quem
de direito:
«Ou
o Carlos do Carmo canta, ou eu não canto».
Certas
coisas que se dizem, pagam-se.
E
Adriano Correia de Oliveira pagou.
O
Adriano não era um sectário, nem alinhava em capelinhas, pela simples razão que
entendia que o Partido não é nenhuma congregação religiosa.
Pensar pela própria cabeça tem riscos, e
o sectarismo de muitos dos seus camaradas, afectou-o profundamente.
Junto a outras pequenas-grandes-coisas
levaram o Adriano à morte.
Tinha 40 anos.
Cantou muitas vezes que a saudade é um
luto e José Carlos Ary dos Santos retratou-o assim:
«Nas tuas mãos tomaste uma guitarra
copo de vinho de alegria sã
sangria de suor e de cigarra
que à noite canta a festa de amanhã.
Foste sempre o cantor que não se agarra
o que à terra chamou amante e irmã
mas também português que investe e marra
voz de alaúde rosto de maçã.
O teu coração de ouro veio do Douro
num barco de vindimas de cantigas
tão generoso como a liberdade.
Resta de ti a ilha dum tesouro
a jóia com as pedras mais antigas.
Não é saudade, não! É amizade.»
Para assinalar os 10
anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar
alguns textos que por aqui foram sendo publicados.
AMÁLIA CANTA LUÍS DE CAMÕES Há uma Amália antes e depois de Alain
Oulman.
Não sou dado a grandes conhecimentos da
matéria, mas se assim penso assim, escrevo.
Quando, em Outubro de 1965, Alain Oulman
musicou poemas de Camões para a voz de Amália, Amália Canta Camões, os intelectuais tiveram reacções diversas.
José Gomes Ferreira não concordou e respondeu assim ao Diário Popular:
«Não estou disposto a ouvir. Não quero
ouvir. Mas acho mal. Existem obras-primas da música portuguesa, como por
exemplo, “Os Madrigais”, de Luís de Freitas Branco, inspiradas em poesias de
Camões. Claro que também existiu a Engraxadoria Camões. Para cada um - seu
paladar».
Se bem que tenha um número bem razoável de poemas seus musicados, José Gomes
Ferreira nunca simpatizou com a ideia.
A tal ponto que, em 28 de Setembro de
1970, enviou à Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais a seguinte
carta:
«De regresso de férias, encontrei a
vossa carta de 21 de Setembro de 1970 a que me apresso a responder, com os meus
melhores cumprimentos.
O pedido de autorização ao sr. José
António Matildes para musicar o meu poema de Poesia III, “Ó pinheiro
verdadeiro” honra-me muito, mas infelizmente não posso conceder-lha por motivo
de “princípios estéticos” pois discordo inteiramente da chamada música ligeira
quando adaptada aos meus versos, escritos sem essa intenção.
Claro que esta recusa nada tem de
pessoal. Peço-lhe até que explique ao Sr. José António Matildes que as canções
e as baladas aparecidas recentemente na rádio e em discos com versos meus são
todas clandestinas, feitas sem a minha autorização. Ao Sr. José António
Matildes devo, pelo menos, essa delicadeza que muito me sensibilizou.
Em resumo: incito-o a fazer a música que
lhe apetecer sem me pedir licença!»
Em contraste, é interessante ir buscar o
exemplo de António Gedeão que, nas suas Memórias, escreve que muito deve a Manuel Freire e às músicas que fez para poemas seus:
«Suponho
que foi pela sua actuação que a minha poesia conseguiu tão grande êxito
generalizado.» Texto publicado em 30 de Março de 2019
Para assinalar os 10
anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar
alguns textos que por aqui foram sendo publicados.
MARCHAS,DANÇAS E CANÇÕES
Em Setembro de 1945, a casa de João José
Cochofel, no Senhor da Serra, em Semide,
juntou Fernando Lopes-Graça, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira e João
José Cochofel.
Na conta capa do disco, explica ao que vinham essas canções:
«O que são as “Canções Heróicas” que, pela primeira vez, se oferecem ao
público editadas em disco? Resumidamente, podemos dizer que são obrinhas de
circunstância ou, se quisermos ser mais explícitos e sem temer o uso rigoroso
das palavras, defini-las-emos como canções politicamente empenhadas.
Politicamente empenhadas no sentido, ou na medida, em que pretenderam
contribuir – e cremos que de facto contribuíram – para a luta do povo
português, a que primordialmente foram destinadas, contra o regime despótico,
anti-democrático e violentador de corpos e almas que durante cerca de cinquenta
anos lhe foi imposto.»
Um ministro de Salazar disse:
«É mais perigoso um mi bemol de Lopes
Graça do que mil panfletos subversivos.»
«Nesse Verão, como lhe contasse que eu ainda não tinha encontrado poiso no campo
para convalescer, Fernando Lopes Graça, propôs-me:
-Venha comigo para o Senhor da Serra, perto de Semide… - Há por lá alguma pensão?
- Pensão propriamente dita não há. Mas a srª Rosinha costuma receber
hóspedes num quartito muito limpo e com uma vista extraordinária para o Vale da
Lousã… E fica a dois passos da casa do João José Cochofel, onde vou
instalar-me.
Na casa de João José Cochofel juntaram-se, então, Fernando Lopes Graça, José
Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira.»
Novamente José Gomes Ferreira:
«Por esses dias, com tantos poetas às ordens, ensejou-se a Fernando Lopes
Graça realizar um velho sonho que expôs em meia dúzia de frases sóbrias aos
circunstantes. Queria letras para canções. Marchas, danças, rondas infantis,
hinos… O que nos apetecesse. Contanto que não nos demorássemos muito, pois a
inspiração já ardia.»
Esgotada a inspiração dos poetas
circundantes, Fernando Lopes Graça implorou o auxílio a Coimbra (Joaquim
Namorado, Arquimedes, Ferreira Monte) e a Lisboa, donde acudiram ao chamamento
Mário Dionísio, Armindo Rodrigues e Edmundo Bettencourt.
Texto publicado em 29 de Março de 2017
Legenda:
Na primeira fotografia vêem-se João José Cochofel, Fernando Lopes Graça e José
Gomes Ferreira.
Na segunda fotografia João José
Cochofel e Carlos de Oliveira.
Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para
lembrar alguns textos que por aqui foram publicados.
O LUGAR DA SOLIDÃO
Era assim que Fernando Lopes Graça se passeava nas ruas da Parede quando saía
para fazer compras.
A fotografia é de
Rui Ochoa e faz parte de um trabalho de Joaquim Vieira, publicado no Expresso de
31 de Dezembro de 1981.
Não é uma
reprodução de qualidade mas não quis deixar de a publicar.
A vida é isto, os
homens são assim.
Álvaro Guerra
escreveu que nascer é inaugurar a solidão.
Nem todos os bi
menois que Fernando Lopes Graça escreveu, por vezes, lhe permitiram ultrapassar
a esquina terrível da solidão.
Escolheu-a
porque, para fazer o seu trabalho, não queria intromissões.
O preço que pagou
para deixar uma obra grandiosa.
José Gomes
Ferreira tinha razão:
Olhem-no bem,
porque nunca mais veremos um homem assim.
Numa noite Olga Prats
acompanhava-o a casa, e o Graça disse-lhe:
Eu agora não
queria ficar sozinho, fosse quem fosse, homem ou mulher, rapaz ou rapariga, nem
que fosse um cão.
José Saramago:
Morreu o
Fernando Lopes-Graça. Telefonaram hoje da TSF, muito cedo, para pedir-me, como
depois verifiquei no gravador, o cumprimento desse dever mediático a que se dá
o nome de depoimento. Deixaram números de telefone, mas não liguei. Por pudor
acho eu. E agora acabo de saber, por Carmélia, que o Graça morreu sozinho.
Creio que esta última solidão me doeu mais ainda que a própria morte. Não vai
faltar quem diga que o Lopes Graça morrendo aos 88 anos, tinha vivido já a sua
vida. Como frase de consolação, talvez sirva para quem se satisfaça com o que
lhe foi dado. Por mim, penso que nunca acabamos de viver a nossa vida.
Claro que já
ninguém o lê, muito poucos saberão quem seja.
Quando havia
tertúlias nos cafés de Lisboa, lá estava ele juntamente com o Carlos de
Oliveira, o Augusto Abelaira, o José Gomes Ferreira, o Manuel Mendes.
Em Setembro de
1945, a casa de João José Cochofel no Senhor da Serra, em Semide, juntou
Fernando Lopes-Graça, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira e João José
Cochofel.
Um ministro de
Salazar disse:
«É mais perigoso um mi bemol de Lopes Graça do que mil
panfletos subversivos.»
«Nesse Verão, como lhe contasse que eu ainda não tinha
encontrado poiso no campo para convalescer, Fernando Lopes Graça, propôs-me:
-Venha comigo para o Senhor da Serra, perto de Semide…
- Há por lá alguma pensão?
- Pensão propriamente dita não há. Mas a srª Rosinha
costuma receber hóspedes num quartito muito limpo e com uma vista
extraordinária para o Vale da Lousã… E fica a dois passos da casa do João José
Cochofel, onde vou instalar-me.»
Na casa de João
José Cochofel juntaram-se, então, Fernando Lopes Graça, José Gomes Ferreira,
Carlos de Oliveira.
Tudo isto para
vos dizer que ao folhear o 46º Aniversáriode João José Cochofel, pág. 127,
encontrei o poema XI de Emigrante Clandestino, com estes versos
sublinhados:
A tal ponto que
chegou a comprar um EP do Richard Anthony em que o francês canta um excerto do
Concerto. Chegou a falar-me se quando encontrasse interpretações cantadas do
Concerto lhe dissesse. Prazeres secretos nunca revelados.
Aqui há uns largos
tempos, a Aida falou-me de que existia uma interpretação de Dulce Pontes.
O meu
já há muito que não anda por aqui, e eu não sou fã da cantora, mas o ter
encontrado o poema do Cochofel fez-me lembrar que deveria ir à procura da interpretação
da Dulce Pontes.
Estou certo que
o meu pai gostaria e, por ele, nesta tarde asfixiante de calor, deixo-vos a
Dulce Pontes com um trecho do Concerto de Aranjuez e o poema do João José Cochofel:
Tudo se complicava muito porque nós (mas quais de nós?, quantos de
nós?) sentíamos, como um espinho na carne, o dever de lutar pela felicidade
dos outros. Não o fazer era uma espécie de pecado. Não sabíamos viver com esse
peso, essa hipótese sequer, na consciência. Mas lutar seria obedecer de olhos
fechados a uma orientação que (e assim me parecia mais e mais) não levaria a
lado algum, à transformação dos homens certamente não? E o papel do intelectual
(como o de qualquer outro militante) poderia limitar-se a subir e descer
escadas com o único objectivo de subir e descer escadas? Não seria sua estrita
obrigação (não só dele, mas sobretudo dele) esclarecer, esclarecer, esclarecer
os que só o não são, à partida, por defeituosa, criminosa organização da
sociedade? Uns, como eu, pensavam (o Cochofel, o Carlos de Oliveira, o Lopes
Graça, não só estes) que a militância do artista deveria ser sobretudo
(sobretudo, não só) no campo cultural. E que ela de modo nenhum deveria
impedir o artista de dedicar-se ao conhecimento profundo da linguagem
específica da arte e seus problemas. Que não havia arte revolucionária sem
começar por ser arte. Que a desejada acção da arte junto do público, além de
arte ser, exigia um mínimo de preparação da parte deste, a incluir nas tarefas
políticas dos intelectuais. Que — princípio e fim de tudo — considerar a
chamada «forma» e o chamado «conteúdo» elementos (metafisicamente) separáveis
revelava, não um conceito marxista, mas um «mecanicismo pré-dialéctico», como
já lhe chamara, sem que qualquer de nós o pudesse então saber, o insuspeito
Mikail Bakhtine. Outros (muito mais poderosos na organização, deliberando o que
pensar, desde o vértice da pirâmide a toda a base) defendiam, e com que
intransigência!, precisamente o contrário.
Coisas graves me pareciam que a crítica de baixo para cima (a
inversa nunca esteve em causa), embora muito apregoada, nunca fosse possível
exercê-la, que a repetição de palavras de ordem até ao atordoamento, mesmo no
interior, substituísse uma cultura cientificamente indagadora, que qualquer
discordância de fundo obtivesse invariavelmente como resposta: «terás razão,
mas não é este o momento de». Quando a cultura não é nunca para amanhã, é
sempre para já. O futuro o diria, o presente o está dizendo.
Por que não se esquecem certas coisas? Ao passar a simples
«simpatizante» (era tudo afinal o que então queria e, a custo, consegui), um
«amigo» — entre aspas a partir desse preciso instante — disse-me de olhinhos
fixos e brilhantes: «Nunca mais farás nada». Mau agoiro para quem queria fazer
tanto.
Em Setembro de
1945, a casa de João José Cochofel no Senhor da Serra, em Semide, juntou
Fernando Lopes-Graça, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira e João José Cochofel.
O Acordai nasceu
durante o reino do medo, quando os frutos amargavam e o luar sabia a azedo e é
uma das muitas canções a que alguns dos nossos melhores poetas emprestaram
palavras e que foram musicadas por Fernando Lopes Graça.
Na contra capa
do disco, explica ao que vinham essas canções:
O que são as “Canções Heróicas” que, pela primeira
vez, se oferecem ao público editadas em disco? Resumidamente, podemos dizer que
são obrinhas de circunstância ou, se quisermos ser mais explícitos e sem temer
o uso rigoroso das palavras, defini-las-emos como canções politicamente
empenhadas. Politicamente empenhadas no sentido, ou na medida, em que
pretenderam contribuir – e cremos que de facto contribuíram – para a luta do
povo português, a que primordialmente foram destinadas, contra o regime
despótico, anti-democrático e violentador de corpos e almas que durante cerca
de cinquenta anos lhe foi imposto.
Um ministro de
Salazar disse:
É mais perigoso um mi bemol de Lopes Graça do que mil
panfletos subversivos.
Por sua vez,
José Gomes Ferreira, em A Memória das Palavras ou o Gosto de Falar de Mim,
conta como, naquele ano de 1945, tudo começou:
Nesse Verão, como lhe contasse que eu ainda não tinha
encontrado poiso no campo para convalescer, Fernando Lopes Graça, propôs-me:
-Venha comigo para o Senhor da Serra, perto de Semide…
- Há por lá alguma pensão?
- Pensão propriamente dita não há. Mas a srª Rosinha
costuma receber hóspedes num quartito muito limpo e com uma vista
extraordinária para o Vale da Lousã… E fica a dois passos da casa do João José
Cochofel, onde vou instalar-me.
Na casa de João
José Cochofel juntaram-se, então, Fernando Lopes Graça, José Gomes Ferreira,
Carlos de Oliveira.
Novamente José
Gomes Ferreira:
Por esses dias, com tantos poetas às ordens,
ensejou-se a Fernando Lopes Graça realizar um velho sonho que expôs em meia
dúzia de frases sóbrias aos circunstantes. Queria letras para canções. Marchas,
danças, rondas infantis, hinos… O que nos apetecesse. Contanto que não nos
demorássemos muito, pois a inspiração já ardia.
Esgotada a
inspiração dos poetas circundantes, Fernando Lopes Graça implorou o auxílio a
Coimbra (Joaquim Namorado, Arquimedes, Ferreira Monte) e a Lisboa, donde
acudiram ao chamamento Mário Dionísio, Armindo Rodrigues e Edmundo Bettencourt.
As
entrevistas que Baptista- Bastos publicou no semanário O Ponto, fizeram um
tempo.
O autor
entendeu, muito bem, seleccionar algumas e reuni-las em livro, publicado em
Abril de 1984.
São notáveis
entrevistas, provavelmente datadas, mas mesmo assim importantes para se ficar a
conhecer algumas das personagens que fizeram esse tempo.
São
intérpretes: Otelo, Manuel da Fonseca, António Victorino d’Almeida, João
Camossa. Fernando Lopes-Graça, Artur Correia. Lucas Pires. António Arnaut,
Maria João Seixas, Manuel Alegre, Guilherme de Melo, Lena d’Água, Almeida
Santos Davis Mourão Ferreira, Helena Roseta, Fernando Lopes, Ary dos Santos,
Alexandre O’Neill, Lídia Jorge, José Mário Branco.
Reproduzo a
abertura da entrevista a Fernando Lopes Graça, a que Baptista-Bastos chamou As Utopias Também
se Realizam, feita na sua casa, um modesto segundo andar de uma vivenda, na Parede: