sexta-feira, 11 de setembro de 2026

RETRATOS


Nas suas almas abertas

traziam o sol da esperança

e nas duas mãos desertas

uma pátria ainda criança.


Gritavam Neruda   Allende

deram vivas ao Partido

que é a chama que se acende

no povo jamais vencido

- o povo nunca se rende

Mesmo quando morre unido.

 

Foram não sei quantos mil

operários trabalhadores

mulheres ardinas pedreiros

jovens poetas cantores

camponeses e mineiros

foram não sei quantos mil

que tombaram pelo Chile

morrendo de corpo inteiro.

 

Nas suas almas abertas

traziam o sol da esperança

e nas duas mãos desertas

uma pátria ainda criança.

 

Gritavam Neruda Allende

davam vivas ao Partido

que é a chama que se acende

no povo jamais vencido.

- o povo nunca se rende

mesmo quando morre unido.

 

Foram não sei quantos mil

operários trabalhadores

mulheres ardinas pedreiros

jovens poetas cantores

camponeses e mineiros

foram não sei quantos mil

que tombaram pelo Chile

morrendo de corpo inteiro.

 

Alguns traziam no rosto

um rictus de fogo e dor

fogo vivo fogo posto

pelas mãos do opressor.

Outros traziam os olhos

rasos de silêncio e água

maré-viva de quem passa

uma vida à beira-mágoa.

 

Foram não sei quantos mil

operários trabalhadores

mulheres ardinas pedreiros

jovens poetas cantores

camponeses e mineiros

foram não sei quantos mil

que tombaram pelo Chile

morrendo de corpo inteiro.

 

Mas não termina em si próprio

quem morre de pé. Vencido

é aquele que tentar

separar o povo unido.

Por isso os que ontem caíram

levantam de novo a voz.

Mortos são os que traíram

e vivos ficamos nós.

 

Foram não sei quantos mil

operários trabalhadores

mulheres ardinas pedreiros

jovens poetas cantores

camponeses e mineiros

foram não sei quantos mil

que nasceram para o Chile

morrendo de corpo inteiro.

José Carlos Ary dos Santos, poema Homenagem ao Povo do Chile  de O Sangue das Palavras em Vinte Anos de Poesia

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