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terça-feira, 25 de março de 2025

POSTAIS SEM SELO

e

Habituei-me a calar a dor até não sentir nada. Acreditem. Nada.

Marta Cristina de Araújo em Os Meios de Transporte

Legenda: pintura de Edward Hopper

terça-feira, 18 de março de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

O Governo já se encontra em gestão mas quer passar para os privados 174 centros de saúde agregados aos cinco hospitais que virão a ser PPP.

A notícia é do Expresso:

«Relançamento das parcerias público-privadas em cinco hospitais inclui todas as estruturas de cada uma das cinco unidades local de saúde. As ULS que têm os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Garcia de Orta servem mais de um milhão e 700 mil pessoas. Privados esperam para ver se as propostas interessam.»

Esta de os privados esperarem para ver se as propostas interessam, não lembraria ao careca!...

O poeta, Nuno Júdice, que nos deixou em 17 de Março de 2024 – um ano, como o tempo voa! – deixou escrito num poema:

«A medicina é uma arte do comércio.»

Outro poeta, Marta Cristina Araújo, também disse que:

« Que importa o nome das doenças, se o dinheiro não chega para pagar a cura? Os pobres quando adoecem deitam-se e tomam chá.»

Sempre soubemos o que o governo do homem de Espinho tinha como prioridade primeira a destruição do Serviço Nacional de Saúde e entrega-lo, de mão beijada, aos privados.

Vamos deixar?

Temos a possibilidade de nas eleições de 18 de Maio evitar que isso aconteça.

sábado, 1 de junho de 2024

NOTÍCIAS DO CIRCO

Pela nossa saúde.

O governo de António Costa estatelou-se, levou um tempo enorme para colocar um competentíssimo Fernando Araújo e a sua equipa, com condições de trabalharem para o Serviço Nacional de Saúde.

Quando as coisas começavam a rolar,  a maquiavélica – é o comentarista Marcelo Rebelo de Sousa que o disse, e repetiu – procuradora geral da república – colocou a maioria absoluta de António Costa em asa delta.

Aconteceu-nos o novo governo da AD cujo chefe há dias perorou:

«Onde alguns titubearam, tergiversaram, precipitaram e revogaram, nós decidimos tranquilamente um impasse décadas.»

No que à Saúde diz respeito, encontramos os privados – muitos sem competência, sem instrumentos que o SNS possui – a esfregar as mãos, a ouvirem o tilintar das contas bancárias.

Entregues aos bichos, arrastamos os dias.

O poeta Nuno Júdice e as sua sábias palavras:

«A medicina é uma arte do comércio.»

Outro poeta, Marta Cristina Araújo:

« Que importa o nome das doenças, se o dinheiro não chega para pagar a cura? Os pobres quando adoecem deitam-se e tomam chá.»

sábado, 16 de dezembro de 2023

OLHARES


A morte construiu-se rápida e reluzente por detrás dos taipais. Nunca me disseram podia ter sabido    a casa dantes habitada fora destruída e dela só haviam aproveitado os materiais mais resistentes.    O granito Certas madeiras as mais caras.    Outras dos caixilhos queimaram-na os operários no aquecer das suas comidas.    Devem ter passado dois invernos depois do vazio e certamente se juntavam muitas vezes durante os intervalos ou pequenas fugas    Falariam de quê?   de como decorria a construção da morte   dos pormenores tanto-fecho-nas-portas   do pequeno salário   quem sabe se ainda recordavam algum dos antigos habitantes e diziam obrigara-no-a-mudar-foi-para-longe-as-rendas-têm-subido-no-centro-da-cidade.

Marta Cristina Araújo em O Tear da Casa

Legenda: fotografia de Rui Ornelas

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

OS CICLOS DA NOSSA PAIXÃO

Qual? Serão círculos concêntricos ou espirais sustidas no corte que impede a tentação do infinito? – Trabalhadas à mão reverente naquela estrada miraculosa da inteligência/sensibilidade até à execução do visível? Há sempre uma interrupção, uma paragem (aleatória) do olhar na linha subtil de um rosto perplexo, qual rosa solta de si, voltada para o nosso lado de interlocutor, inventado o mundo maravilhoso da sobrevivência ao tempo do êxtase - Pedaços de epopeias, dos cantos dos grandes livros intemporais, mas que marcam os ciclos da nossa paixão. – Singular de cada plural enganosamente referido.

Como escolher o mais, o mais inquietante, o melhor, o mais próximo, o mais doloroso? À sorte aponta-se um, vários, todos. Sem certezas nem porquês.


Marta Cristina de Araújo

Outubro de 2006

Do catálogo da exposição Vórtice de Paulo Neves

Legenda: Desenho a tinta da china de Paulo Neves

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

QUOTIDIANOS

A morte construiu-se rápida e reluzente por detrás dos taipais. Nunca me disseram podia ter sabido a casa dantes habitada for destruída e dela só haviam aproveitado os materiais mais resistentes. O granito Certas madeiras as mais caras Outras dos caixilhos queimaram-na os operários no aquecer das suas comidas.

                                Marta Cristina Araújo 

                                 em O Tear da Casa

Sou do tempo – anos 50 -  em que os trabalhadores da construção civil levavam a lancheira de casa. Em cada dia um dos trabalhadores – ou era sempre o mesmo negro? - lançava uns bocados de madeira e começava a fazer a fogueira para aquecer a comida das marmitas.

No Verão assavam uns carapaus e umas sardinhas, juntavam uma salada de tomate e pimentos.

Ganhavam miseravelmente, continuam a ganhar, juntavam gasosa para cortar o vinho – não seven up, era mesmo gasosa - o trabalho duro à procura de um futuro qualquer que nunca chega.

domingo, 29 de setembro de 2019

POSTAIS SEM SELO


Chamava-se Otto e não sabia que recusar é para alguns a única liberdade possível. E verdadeira.

Marta Cristina Araújo em Os Meios de Transporte

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

POSTAIS SEM SELO


-Gostas?
- Gosto.
Bebes muito?
- Raramente.
- Como eu. Também não gosto de esquecer.

Marta Cristina Araújo em Meios de Transporte

Legenda: pintura de Guy Pène du Bois

domingo, 27 de agosto de 2017

POSTAIS SEM SELO


Habituei-me a calar a dor até não sentir nada. Acreditem. Nada.

Marta Cristina de Araújo em Meios de Transporte

Legenda: não foi possível obter o autor/origem da fotografia.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

RECADOS


No dia da morte de Armando Silva Carvalho, deixei o registo de que O Livro do Meio, romance epistolar escrito por Armando Silva Carvalho e Maria Velho da Costa, é um livro fascinante que – tenho essa ideia… - passou um tanto ao lado de críticos – ainda há crítica literária?!... – e leitores.

Aguardava vez para entrar em «Olhar as Capas» e fiz agora a publicação, com o lamento que só agora aconteça porque o Armando nos deixou.

Obviamente, a capa leva textos de cada um dos autores.


O livro junta memórias de infância, de outros tempos, uma cumplicidade de anos e anos de vivências e que, dado o calibre dos autores, nunca poderia sair fruta bichada.

Pelas 412 páginas do livro, passeia uma série de gente, alguns vivos, outros já mortos, ódios, amores, quotidianos, tristezas, alegrias, leituras e notícias do quotidiano, histórias de escárnio e maldizer, amigos e inimigos, perdas e danos, um humor mordaz, venenoso q.b, mas inteligente.

Claro que o livro retém episódios e gentes que escapam ao leitor comum, que são vivências próprias dos autores, «afectos flutuantes», como algures deixa cair Maria Velho da Costa, a mesma Maria que deixa assinalada uma frase de Agustina Bessa Luís: «a amizade é confortável como uma almofada de penas», ou Armando Silva Carvalho que a páginas 322 cita um verso de Jorge de Sena: «sempre me soube a destino a minha vida».

Repito: um livro imperdivel, editado pela Caminho no tempo em que ainda não tinha sido devorada pela Leya.

Pode ser que ainda o encontrem na Feira do Livro, que fecha portas no domingo.

terça-feira, 7 de março de 2017

POSTAIS SEM SELO


Os limões são frutos inteligentes. Matam a sede, interrompem o calor dos dias.

Marta Cristina Araújo em Meios de Transporte

terça-feira, 13 de março de 2012

POSTAIS SEM SELO


Que importa o nome das doenças, se o dinheiro não chega para pagar a cura? Os pobres quando adoecem deitam-se e tomam chá.

Marta Cristina de Araújo

Legenda: fotogra fia tirada de Tempos Livres, revista do Inatel.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

POSTAIS SEM SELO


Habituei-me a calar a dor até não sentir nada. Acreditem. Nada.

Marta Cristina de Araújo em Os Meios de Transporte, Edições ASA, Porto, Março de 2004

Legenda: pintura de Edward Hopper

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

INVERNO


Findou o Outono
Como escreveu Marta Cristina Araújo:
…finda o Outono, a chuva é próxima. A terra só tem força quando está molhada.
A partir de hoje, lentamente, muito lentamente mesmo, os dias começam a ser maiores.