Fala de Cheyenne para
Jill McBain:
- Sabes que mais? Se eu fosse a ti, ia ali dar de beber aos rapazes. Nem podes
imaginar como um homem se alegra por ver uma mulher como tu. Só de olhar para
ela. E se um deles te der uma palmada no rabo… faz de conta que não foi nada.
Ganharam o direito a isso.
Compôs música para
mais de 500 bandas sonoras para cinema e televisão, tinha formação clássica,
ministrada pelo seu pai, nos anos 40 tocava trompete em diversas bandas de
jazz. gostava de futebol e a música que compôs para filmes deu-lhe os primeiros
recursos financeiros para sustentar a família.
Gostava de ser
tratado como Il Maestro, um imperador
como lhe chamou Hans Zimmer, também ele compositor de bandas sonoras.
Morreu aos 91 anos,
no dia 6 de Julho do passado ano, na sequência de complicações após uma queda,
na sua residência em Roma, em que fracturou o fémur.
Aos 87 anos tornou-se
o mais velho vencedor de um Óscar da Academia, com a banda sonora para o filme
The Hateful Eight de Quentin Tarantino. Antes teve seis nomeações, mas aqueles cromos
da Academia andam sempre a dormir, ou melhor: andam a tratar das suas vidinhas,
das suas vaidades, de tudo, menos de cinema.
Em 2007 recebe um
Óscar de Homenagem pelos brilhantes trabalhos que realizou e a que a Academia
não ligou puto.
Em Junho de 2020,
juntamente com o compositor, John Williams, recebeu o Prémio Princesa das
Astúrias das Artes.
A banda sonora de Aconteceu no Oeste, vendeu mais de 10
milhões de cópias em todo o mundo, e Morricone considerou-a o seu melhor
trabalho.
Guardo um velho
single da canção Here’s To You, infelizmente a capa desapareceu, ficou apenas o disco, cantada por
Joan Baez e composta por Enio Morricone para
o filme Sacco & Vanzetti, de
1971, filme de Giuliano Montaldo.
Here's to you, Nicola and Bart
Rest forever here in our hearts
The last and final moment is yours
That agony is your triumph
Em Maio de 2019, no
decorrer da digressão «60 Years of Music», que marcou a sua despedida, passou
por Portugal.
«O segredo da minha produtividade é não saber fazer mais nada na vida.»
A pandemia alastra pelo mundo, ainda há
quem efusivamente se divirta, mas a esmagadora maioria tem o seu viver feito em
estilhaços, outros enfrentam o frágil jogo de equilíbrio entre não se sabe bem o
quê, mas não está longe de se encaminhar para trágicos desfechos.
Em França, um motorista de autocarro
morreu na sexta-feira, depois de ter ficado em morte cerebral na sequência de
um violento ataque por parte de passageiros, isto depois de lhes ter
pedido que utilizassem máscara como medida de prevenção contra o novo
coronavírus.
1.
Neste domingo, Lisboa derreteu-se de
calor.
Há dias, um tipo, que cheguei a pensar
estar a fazer qualquer coisa por aí, chafurdar em dinheiro, por exemplo, menos
ter que o ouvir dizer barbaridades, Durão Barroso de seu nome, um tempão
decorrido, 100 mil mortos e tudo o resto que é muito, assumiu que a realização
da Cimeira das Lages, e o apoio à invasão do Iraque pelos Estados Unidos, foi
um erro, e ainda deu para nos dizer que não foi esse apoio que o levou a ser
presidente da Europa.
O Expresso,
numa das suas primeiras páginas, informava que a sociedade de advogados SRS,
liderada por Pedro Rebelo de Sousa, vai juntar-se à AAA Sociedade, de que Dulce
Franco, antiga secretária do governo de Durão Barroso, é socia fundadora.
Juntos serão mais fortes, pois então.
O orçamento retificativo, o último
documento preparado por Mário Centeno, indica uma previsão de recessão de 6,9%
do PIB este ano, com retoma para um crescimento de 4,3% em 2021. Das 263
propostas que a Oposição apresentou só passaram 35.
2.
Continua o calor infernal.
António Costa olha os tempos difíceis:
Tap, Efacec, Novo Banco, parte do Partido Socialista, grande parte mesmo, a não
compreender porque não apresenta um candidato do partido às presidenciais, o
que levou o ministro Pedro Nuno Santos a dizer que se isso não acontecer terá que
votar no candidato do BE ou do PCP, enquano os incêndios que começam a rebentar com meio
mundo a dizer que nada foi feito para os prevenir e combater.
3.
Sobre o que se passa no Brasil muito
pouco se sabe, mas é certo que o
COVID-19 assaltou Bolsonaro e, à data, entrou nos 1.643.539 brasileiros atacado pela tal «gripezinha».
O governo investiga agora o jornalista que desejou que Bolsonaro morresse.
4.
José António Saraiva foi condenado por
devassa da vida privada.
A jornalista Fernanda Câncio é uma das
indemnizadas. Autor do livro "Eu e os políticos", que foi retirado do
mercado por ordem judicial, foi condenado a 180 dias de multa à taxa diária de
30 euros: 5400 euros e a pagar indemnizações aos autores da queixa e
assistentes no processo, a jornalista Fernanda Câncio e um seu ex-namorado no
valor de 15 mil euros cada.
O livro "Eu eos Políticos - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje", foi publicado
pela Gradiva em Setembro de 2016.
José António Saraiva, que não se cansa
de dizer que será um dos próximos Prémio Nobel da Literatura, ainda não disse se
recorrerá da sentença.
5.
Portugal comprou pelo menos 627 mil
máscaras FFP (modelos mais avançados, para uso dos profissionais de saúde em
contacto com as pessoas infetadas) sem certificado de qualidade ou com um
certificado de qualidade duvidoso, revelou o jornal Público. O fenómeno
repetiu-se por toda a Europa, uma vez que durante a pandemia da Covid-19 a
União Europeia aliviou os critérios de certificação para permitir a rápida
aquisição do material necessário: nesta altura, não é obrigatório que o
equipamento tenha a indicação CE (que garante o cumprimento das normas
europeias), embora vendedores e compradores tenham de assegurar a qualidade das
máscaras, sujeita a fiscalização.
6.
Títulos ao acaso.
Primeira página do Público de 6 de Julho.
7.
Com 92 anos, morreu Enio Morricone, autor
de inúmeras bandas sonoras, tendo trabalhado com grandes realizadores e vendido
mais de 70 milões de discos.
Lisboa, Maio de 2019, fez
parte das cidades que assistiram à digressão mundial da sua
despedida dos palcos.
8.
No dia 5 de Julho morreu o realizador Alfredo Tropa. Um dos seus notáveis trabalhos para a televisão chama-se
Povo Que Canta.
Para o cinema realizou, em 1970,Pedro Só, uma adaptação sua da obra de Manuel Mendes Pedro – Romance Dum Vagabundo, em que contou com a colaboração de
Fernando Assis Pacheco e Afonso Praça. As canções do filme têm poemas
de Ferando Assis Pacheco, música de Manuel Jorge Velosos e são cantadas por
Manuel Freire,
Cada vez há
menos pessoas a ficarem sentadas até ao fim do genérico.
Há também uma
frase de Federico Fellini:
Sou muito
pessimista porque creio que o público já não tem simpatia pelo grande ecrã. Mas
não quero continuar a repetir as razões que seriam a causa da desafeição do
público: a televisão, o medo de sair à noite, as repugnantes condições do
cinema em Itália. O
público perdeu o hábito de ir ver um filme porque o cinema perdeu o seu
fascínio, o carisma hipnótico, a autoridade que outrora teve. A autoridade que
outrora teve para todos nós — a de um sonho que sonhámos de olhos abertos —
desapareceu. Será ainda possível que 1000 pessoas possam reunir-se às escuras e
fazer a experiência do sonho dirigido por um único indivíduo?
E há um filme – tantos
e tantos e tantos -mas a memória, no imediato, trouxe este: Era Uma vez na América.
Na vez primeira
vi o filme no Berna que não era um primor de sala de cinema, depois passos a ser
estúdio da TV da Igreja, uma benesse de Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro, que redundou na TVI de hoje
Um filme
intenso.
Ler a última
linha do crédito e, apesar da longa duração do filme, o desejo de não sair do
lugar e voltar ao princípio do filme, aquele telefone a tocar…
Um filme alucinante
desse extraordinário Sergio Leone, uma maravilhosa banda sonora assinada por Ennio Morricone que só, 500 bandas sonoras depois, a Academia se dignou celebrar.
Finalmente, o
compositor Ennio Morricone recebeu um Óscar da Academia como autor de uma banda
sonora.
Em 2007 recebeu um
Óscar honorário, mas Quentin Tarantino, cumprindo um velho sonho seu,
encarregou-o de escrever a música para o seu último filme, Os Oito Odiados.
Ennio Morricone é
autor de mais 500 bandas sonoras mas nunca merecera a atenção da Academia.
Justiça tardia,
mas, tal como diz o povo, mais vale tarde do que nunca.
Quentin
Tarantino já usara música de Morricone antes, mas foi a primeira vez que um
filme do realizador teve direito a banda sonora completa daquele que considera
o seu compositor favorito.