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quarta-feira, 28 de maio de 2025

OLHAR AS CAPAS


Barbear, Pentear

(Jornal d’Um Vagabundo)

Fialho d’Almeida

Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1923

Ha muito tempo que o serviço das bibliotecas e archivos devia ter sido reformado por pessoa capaz de vêr lucidamente a questão do ensino público, e uniformizado e reduzido a um instrumento commodo e facil de cultura. Vejam a lastima das bibliotecas de Lisboa. Por exemplo, na principal, faltam os livros de quasi todos os escriptores nacionais contemporâneos; e da encyclopedia moderna de frança, Inglaterra, Alemanha, etc., tanto em jornaes como em volumes, tesouro de gerações estudiosas, e que nenhum homem modernamente educado deixa de consultar todos os dias, a biblioteca de Lisboa não possue senão meia duzia de volumes, adquiridos sem plano  nem conhecimento da classificação scientifica, ao acaso das vitrines dos livreiros – pois é tão pobre que tem de pedir um extraordinário ao ministério de cada vêz que paga ás mulheres que sacodem os livros e desempoeiram as estantes (!!).

sábado, 21 de setembro de 2024

OLHAR AS CAPAS


 

Contos

Fialho D’Almeida

Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1941

Sem querer tinha reparado numa cousa – o tio Sabino não oferecia na pronunciação o menor resaibo brasileiro. O Alfredo apontára-lh’o como homem inteligente e amigo de leituras; bem podia ser por conseguinte, que aquella correcção no dizer, um pouco lisboeta por ventura, fosse esforço de estudo e evidente resultado da resistência ao contagio.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

OLHAR AS CAPAS

Os Gatos

1º Volume

Fialho d’Almeida

Prefácio e Notas de J. da Costa Pimpão

Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945

Vem longe de-certo! Mas nada pode desviar a corrente, embora lenta, embora obscura, da conversação política de Portugal para a nação irmã, nem contrariar no futuro essa confederação ideal de toda a Ibéria, base duma era de oiro, em que os filhos dos nossos filhos, senhor, repassando em memória a fieira de reis da casa de Bragança, só encontrarão para V:M- estes dizeres:

- Sim, era um tal Carlos, sempre cercado de gastrónomos e de toureiros, e que chamava piolheira ao país de que era rei.

sábado, 14 de março de 2020

OLHAR AS CAPAS


O País das Uvas

Fialho d’Almeida
Revista e prefaciada por Álvaro Júlio da Costa Pimpão
Livraria Clássica Editora, Lisboa 1946

-Eu bem na sinto! eu bem na sinto!
E os dias lúcidos vão inundar de tonalidades esses subsolos de florestas perdidas nos fundos bucólicos da província. Uma virgindade cerra as espessuras, e imacula as sombras das árvores, cuja cúpula, por cima, estrela o azul impecabilíssimo do céu. E pelas ramas que se engalfinham, se enlaçam, procuram, frémitos d’asas, num mistério de núpcias. Nenhum canto de natureza infecundo! o mesmo amor que sobe da terra, a revigorentar os arvoredos, comunica-se aos ninhos, cinge os canais de pássaros, extravasa no ar como uma nafta de bodas bíblicas, e comunica-se aos ninhos, cinge os casais de pássaros, extravassa no ar como uma nafta de bodas bíblicas, e comunica-se, aspira-se, vai-se  infiltrando em toda a parte.
-Eu bem na sinto! eu bem na sinto!