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segunda-feira, 5 de agosto de 2024

OLHAR AS CAPAS


Dois Negros em Estherville

Erskine Caldwell

Tradução: João Palma-Ferreira

Capa: A. Pedro

Colecção Dois Mundos nº 218

Livros do Brasil, Lisboa, 1993

-Deixa-me perguntar-lhe umas coisas, Hank – disse Pete, afastando od outros. – Ouve lá, rapaz. Que pensas tu das raparigas brancas’

- Não penso nada, senhor – respondeu Ganus amedrontado.

- Ouve, Hank! Sempre pensei que os pretos querem ser educados só para saberem coisas.

- Sei muito bem como hei-de descobrir o que ele pensa – disse Pete. – Ouve, rapaz, quais são as melhores as pretas pu as brancas?

- Oh, por favor, não me pergunte essas coisas, Sr. Pete. Não há direito de me perguntar essas coisas. É assunto a que um negro não pode referir-se.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

OLHAR AS CAPAS


Conflito em Palmyra

Erskine Caldwell

Tradução : Aida Lawrence

Capa: Guilherme Casquilho

Livraria Bertrand, Lisboa s/d

- Vê lá se calas duma vez para sempre com essa conversa do teu pai! Já estou farta de ouvir falar nele!

Com os lábios trémulos e os olhos rasos de lágrimas, Maebelle ficou imóvel, sentada na cadeira, a olhar vagamente para o sol claro da manhã que se escoava através dos vidros da janela.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

OLHAR AS CAPAS


O Pregador

Erskine Caldwell

Tradução: Dulce Rebelo

Colecção: Livros de Bolso nº 29

Publicações Europa-América, Lisboa, Abril de 1972

O automóvel, uma caranguejola coberta de lama, rolava pela estrada e veio parar, junto da magnólia. O homem alto e magrizela, que parecia ter vivido no racionamento desde o dia em que deixara o peito materno, estava sentado, lúgubre e imóvel. De mãos agarradas ao volante. Os seus olhos fixavam a linha descaída dos vedados em frente.

Clay Horey inclinou-se para diante do seu cadeirão, na varanda, franzindo os olhos para atenuar a reverberação faiscante do Sol na brancura da areia, e procurou ver quem chegara. Por um momento não conseguiu convencer-se de que tinha visto alguém.

Ali sentado, na varanda, a olhar, para aquela terra seca e sem cor, habituara-se a duvidar, às vezes, dos seus próprios olhos.

- O diabo da chicória enfraquece a vista à gente no Verão – murmurou. – Um dia destes tenho de passar a tomar um prato de cereal. Parece que não há nada já que aguente um homem acordado.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

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Certas Mulheres

Erskine Caldwell

Tradução: Fernando de Morais

Colecção Livro de Bolso nº 2

Portugália Editora, Lisboa s/d

Ao olhar pela janela do comboio, que abrandava a marcha para atravessar as ruas e depois entrar na estação, Clementina Bradley via o verde tenro da Primavera que cobria as colinas íngremes, e as sombras da tarde espraiando-se pelos prados; parecia-lhe que quase conseguia ouvir o marulhar da água nos riachos que corriam céleres, pelos desfiladeiros dos planaltos. Camadas de fumo de lenha queimada, cinzentas e ténues, pairavam sobre as cabanas espalhadas na vertente da montanha, em cujo cimo, aqui e ali, ainda se viam pequenas manchas de neve. Mas o céu estava azul e brilhante, percorrido pelos tufos densos de nuvens brancas que deslizavam sobre a cumeeira em direcção ao norte.

terça-feira, 20 de abril de 2021

OLHAR AS CAPAS


Gretta

Erskine Caldwell

Tradução: João Belchior Viegas

Capa: José Antunes

Livros Unibolso nº79

Editores Associados, Lisboa s/d

A primeira neve, arauto alado do inverno, redemoinhava ao sopro agreste da nortada quando Gretta saiu do escritório e se encaminhou para casa, no negrume do fim da tarde.

O céi começara a escurecer pouco depois das quatro horas de um dia pardacento e, logo após as cinco e meia, parecia que todos os empregados dos escritórios e lojas se precipitavam através das ruas cobertas de neve para a promessa de calor e o conchego do lar. No meio de toda aquela gente viam-se mulheres que sobraçavam embrulhos e pacotes, depois de uma tarde de compras, e abriam caminho com fúria através das ruas apinhadas – como se a mudança súbita de estação não fosse desculpa suficiente para chegarem atrasadas aos maridos e filhos que as esperavam.

Como sempre fizera no ano anterior, Gretta costumava, àquela hora do dia, correr para a esquina, comprar um jornal da tarde ao ardina e tomar o autocarro repleto que descia a Chestnut Street e que, vinte minutos depois a deixaria a meio quarteirão da casa onde morava. Mas desta vez, como se fosse qualquer coisa que tivesse planeado conscientemente durante todo o dia e não uma impulsiva mudança de hábito, passou sem hesitar pelo autocarro estacionado à esquina e continuou a subir a Chestnut Street, fustigada pela neve.

terça-feira, 16 de março de 2021

OLHAR AS CAPAS


Chamem-lhe Experiência

Erskine Caldwell

Tradução: António Neves Pedro

Colecção: Os Livros das Três Abelhas nº 83

Publicações Europa- América, Lisboa, Junho de 1965

Provàvelmente, na vida de quase todos os que ganham o seu pão a contar histórias chega uma altura em que se perguntam a si mesmos porque é que se teriam tornado escritores, em vez de seguirem as carreiras de actor, ou de banqueiro, ou de vendedor de sapatos.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

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No Outro Extremo da Cidade

Erskine Caldwell

Tradução: Ricardo Fernandes

Capa: Armando Alves

Colecção Metamorfoses nº 11

Editorial Inova, Porto Julho de 1972

Quando perguntaram ao dono do café, um homem de modos grosseiros, de meia idade, que já havia sido agente da polícia, por que razão deixou de admitir os negros, ele respondeu que a maioria dos seus clientes brancos eram motoristas de camião, vindos de todas as regiões do Sul, e não queriam que os negros entrassem no café quando estivessem a comer ao balcão, E dizendo isto, alteava a voz, indignado.

Finalmente, disse que tinha um motivo melhor para proibir os negros, do que o de agradar aos brancos. Explicou que já há muito tempo pensava em os proibir, porque muitos deles, e cada vez mais, procediam como se estivessem convencidos de que tinham tanto direito de ingressar no café como os brancos, e falavam com ele como se fossem tão bons como ele. Disse que foi por isso que resolveu não dar atenção aos negros quando estes pediam os pregos bem ou mal passados, ou com mostarda, ou molho picante.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

OLHAR AS CAPAS



A Estrada do Tabaco

Erskine Calwell
Tradução: Adolfo Casais Monteiro
Capa: José Cadete
Editorial Inquérito, Lisboa, s/d

- Não me dão mais de um dólar por dia na mina. A renda da casa, a comida e o resto levam-me tudo.
- Pois sim, Lov. Não tenho cinco réis e tu tens alguma coisa.
- Não tenho culpa disso. O Senhor tem o mesmo respeito a todos, segundo dizem. Ele dá-me o que é meu, e se não de ti é com Ele que tens de te entender. Esse cuidado não é comigo. Bastam os meus, que são muitos, para me preocupar.