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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

DEIXAS PASSAR OS BARCOS E AS NUVENS

          Je laisse passer les bateaux les nuages.
          P.E.

Deixas passar os barcos e as nuvens
e a chuva molha-te
e o sol inunda-te
Deixas passar o tempo e o amor
deixas passar os homens e os templos
deixas passar os exércitos e as lágrimas

Dormes sobre calhaus
sobre o convés dos teatros
sobre árvores descarnadas
sobre crianças informes

O teu suor é negro
como o dum cadáver
Do teu lenço escorrem os vermes da aventura
mais triste
do naufrágio mais lento
da hora petrificada

O teu corpo é um muro
onde a urina floresce
os teus braços tocam o fundo dum pântano
o teu desespero inventa os corais da cera

O teu barco desliza agora sobre a pedra
e o tempo é como um templo onde o presente
jaz como uma longa serpente fascinada

António Ramos Rosa de Viagem por uma Nebulosa em Obra Poética Volume I

sexta-feira, 22 de maio de 2026

QUE COR Ó TELHADOS DE MISÉRIA

Que cor ó telhados de miséria 
onde nasci
de tanta pequenez de tão humildes ovos 
de nenhum querer 
a que horas nasceram as estrelas que 
um dia foram
a que horas nasci?
 

Não vim embarcado não me encontrei
na rua
não nos vimos
não nos beijamos
nunca parti
 

Não sei que idade tenho

 

António Ramos Rosa em Obra Poética, Vol. I 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

POEMA DE DUAS FACES

Quando havia antes um antigamente

havia uma esperança

agora no próprio coração da ilusão

onde a água limpa as pedras das ruínas

entre destroços límpidos

deito-me sobre a minha sombra e durmo

e durmo

 

Quando havia antes um amanhecer

à beira do abismo

agora no próprio coração do coração

durmo estrangulando um monstro inerme

um palhaço de palha seca e pálido

quando havia antes um caminho

 

Não houve nunca amigos nem, pureza

Nem carinhos de mãe salvam a noite

É preciso ir mais longe na incerteza

É preciso no silêncio não escutar

 

A manhã que eu procuro não foi sonhada

Uma árvore me ignora na raiz

Perfeitamente desesperado é o meu sonho

Os pássaros insultam-me na cama

Só com doidos com doidos amaria

perfeitamente presente na frescura

do mar

 

Uma casa para eu ter a humildade de ser espaço

a líquida frescura duma jarra

um passo leve e certo em cada sombra

um ninho em cada ouvido

de doces abelhas cegas

 

Uma casa uma caixa de música e sossego

Um violão adormecido na doçura

Um mar longínquo à volta atrás do campo

Uma inundação de verdura e espessa paz

Uma repetida e vasta constelação de grilos

e os galos álacres do silêncio

 

Um mar de espuma e alegria obscura

um mar de espuma e alegria clara

entre o verde e a brisa

 

Na brancura dos quartos

a inocência poderá sonhar desnuda

os insetos poderão entrar

juntamente com as plantas e as aves

Uma longa asa passará

O mundo e o silêncio a mesma ave

e o mar

o mudo leão longínquo e fresco

faiscará entre o ver e as lâminas solares

 

António Ramos Rosa de Viagem Através de Uma Nebulosa em Obra Poética Vol. I

segunda-feira, 20 de abril de 2026

ESTE HOMEM QUE ESPEROU

Este homem que esperou
humilde em sua casa
que o sol lavasse a cara
ao seu desgosto

Este homem que esperou
à sombra duma árvore
mudar a direcção
ao seu pobre destino

Este homem que pensou
com uma pedra na mão
transformá-la num pão
transformá-la num beijo

Este homem que parou
no meio da sua vida
e se sentiu mais leve
que a sua própria sombra

António Ramos Rosa em Obra Poética  Vol.I

sábado, 18 de abril de 2026

POEMAS AUTOGRAFADOS


 

Com António Ramos Rosa, nº 12 da Colecção Poetas de Hoje, editados pela Portugália Editora, fecha-se a apresentação

dos Poemas Autografados dos volumes existentes na Biblioteca ca Casa.

O poeta E.M. de Melo e Castro é o autor do prefácio-estudo da poesia de António Ramos Rosa, um poeta muito cá da casa.

Quando em 1988 recebeu o Prémio Pessoa, organização do semanário Expresso, disse:

«No meu trabalho poético há duas fases. A primeira está mais ligasa a certos condicionalismos sociopolíticos, que têm a ver com o regime repressivo da ditadura fascista. Numa segunda fase, aproximei-me mais de uma atitude contemplativa, de abertura ao mundo e à natureza. Penso que a minha poesia é, de certa maneira, a identificação de um país que por natureza está sempre submerso, por um lado, e o real, por outro.»

Um país submerso, notou e também acrescentou que, em 1988, «não sei mais do que sabia quando escrevi o meu primeiro poema.

Gostava de dizer, citando Octavio Paz que «os poetas não têm biografia.»

António Ramos Rosa não escolheu um poema para o seu autógrafo, escolheu as primeiras palavras do poema Para a Linguagem Necessária:

Minhas palavras, meus saltos

bruscos, pontiagudos

para dizer o espaço

que subjaz sempre novo.

 

Para dizer o que resta

ou o que falta de súbito,

o que nos faz continuar,

água livre.

terça-feira, 14 de abril de 2026

A ORDEM DO MAR

À medida que ver se completa em arco
de uma harmonia que reúne o espaço inteiro
a flor se ergue em fantasia calma e se decanta
na brisa que a inclina e a rodeia e a aviva.

Não mais a máscara, não mais a mímica, não mais
as flautas e as palavras flutuantes. Só a canção
do mar, a sua ordem múltipla e monótona,
os seus artifícios frescos, a sua fragrância funda.

É uma voz que torna o céu mais amplo e a folha
mais azul. É o conhecimento de uma ordem
em que as sombras se combinam com o vento,
em que os corpos são formas do verdadeiro oceano.



António Ramos Rosa de No Calcanhar do Vento em Obra Poética Vol. I


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

OLHAR SEM CAMINHO EM CHEIO

Olhar sem caminho em cheio

a tranquila onda muscular

paralela à mão aberta e livre

 

Uma escrita a nascer dos alvos flancos

a paixão do ar como uma chama

 

Paixão que une a terra cheia ao mar

o olhar respira em todo o corpo igual

o corpo eleva-se sobre a montanha fácil

 

O fogo flexível.


António Ramos Rosa 

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

ÀRVORES

O que tentam dizer as árvores
no seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve integridade.
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.

António Ramos Rosa de O Calcanhar do Vento

em Obra Poética Vol. 1

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

NA TRANSPARÊNCIA DE UM OUTONO

Que na transparência de um outono
o vento avive
a voz que na sombra aceita o fogo
e ressoe na claridade das árvores e dos muros
como uma música que dilacera e que consola
a funda ferida que só ela abre e estende até à luz.
Com as veias, com os lábios, com os pulsos brancos
o corpo há-de tecer o contorno do vento
quando os vestígios das folhas vão libertando o sangue
e protegem as espáduas como num repouso vibrante.
Alguém dirá a esperança, os gomos transparentes
da vida voltada para a vida, a presença incandescente
em cada arbusto, a harmonia que reina um instante
nos seus élitros brancos, num fulgor absoluto.

António Ramos Rosa de O Calcanhar do Vento em

Obra Poética Vol. 1

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

ESCREVO PARA ABRIR UM ESPAÇO MÓVEL

Escrevo para abrir um espaço móvel

para que em obscurecidas vias o sangue corra

para que devagar a surpresa liberte a página e o rosto

para que a substância ascenda à superfície em claras sílabas

Um rodopio de aves interpõe-se em claras sílabas

Há um perfume que turba o pensamento e o transforma em mãos fluidas

Imagino as sendas silenciosas as dálias o vislumbre

das grandes folhas de cristal aceso a uma canção marinha

Páginas, páginas, a turbulência das vagas, a minúcia

das veredas os insectos e as estrelas do mesmo ombro

de um muro As colheitas do acaso, os campos do abandono

Alguém está deitado sobre o círculo branco, alguém corre

na exaltação dos poros Os candeeiros acendem-se na noite

Que ébria melancolia nos rostos que se inclinam

para o clamor dos violinos e para as grandes quilhas

azuis Nada resta senão a leve cinza dos frutos

e alguns nomes frágeis sobre a mesa alguma areia

 

António Ramos Rosa de As Armas Imprecisas em Obra Poética Vol. II

terça-feira, 5 de agosto de 2025

ESCREVER

Escrever para

                         descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
                              que respira o ar

Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
                             disseminadas
respiração total
no horizonte

Escrever            E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra         um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas

 

António Ramos Rosa de Pulsações da Terra em Obra Poética Vol. I

sábado, 7 de junho de 2025

POSTAIS SEM SELO


subsiste uma palavra, uma sílaba de vento,
uma pálida lâmpada ao fundo do corredor,
uma frescura de nada, nos cabelos, nos olhos,
uma voz num portal e a manhã é de sol,
nós somos, existimos.

António Ramos Rosa

Legenda:  fotografia de Eduardo Gageiro

quarta-feira, 4 de junho de 2025

A LENTA DURAÇÃO

Vejo uma mulher

estender

largas toalhas

de diversas cores

num quintal entre arbustos

 

Ela anuncia

a lenta duração

do quotidiano

 

António Ramos Rosa de Figuras Solares em Obra Poética II volume

quarta-feira, 16 de abril de 2025

DAQUI DESTE DESERTO EM QUE PERSISTO

Nenhum ruído no branco.
Nesta mesa cavo e escavo
rodeado de sombras
sobre o branco
abismo
desta página
em busca de uma palavra

escrevo cavo e escavo na cave desta página
atiro o branco sobre o branco
em busca de um rosto
ou folha
ou de um corpo intacto
a figura de um grito
ou às vezes simplesmente
                                       uma pedra
busco no branco o nome do grito
o grito do nome
busco
com uma fúria sedenta
a palavra que seja
a água do corpo o corpo
intacto no silêncio do seu grito
ressurgindo do abismo da sede
com a boca de pedra
com os dentes das letras
com o furor dos punhos
nas pedras

Sou um trabalhador pobre
que escreve palavras pobres quase nulas
às vezes só em busca de uma pedra
uma palavra
violenta e fresca
um encontro talvez com o ínfimo
a orquestra ao rés da erva
um insecto estridente
o nome branco à beira da água
o instante da luz num espaço aberto

Pus de parte as palavras gloriosas
na esperança de encontrar um dia
o diadema no abismo
a transformação do grito
num corpo
descoberto na página do vento
que sopra deste buraco
desta cinzenta ferida
no deserto

As minhas palavras são frias
têm o frio da página
e da noite
de todas as sombras que me envolvem
são palavras frágeis como insectos
como pulsos
e acumulo pedras sobre pedras
cavo e escavo a página deserta
para encontrar um corpo
entre a vida e a morte
entre o silêncio e o grito

Que tenho eu para dizer mais do que isto
sempre isto desta maneira ou doutra
que procuro eu senão falar
desta busca vã
de um espaço em que respira
a boca de mil bocas
do corpo único do abismo branco

Sou um trabalhador pobre
nesta mina branca
onde todas as palavras estão ressequidas
pelo ardor do deserto
pelo frio do abismo total

Que tenho eu a dizer
neste país
se um homem levanta os braços
e grita com os braços
o que de mais oculto havia
na secreta ternura de uma boca
que era a única boca do seu povo
Que posso eu fazer senão
daqui
deste deserto
em que persisto
chamar-lhe camarada

António Ramos Rosa De A Nuvem Sobre a Página em Obra Poética Vol. I

segunda-feira, 17 de março de 2025

SEM CONFIDÊNCIAS SEM VISÕES REVELADORAS

Sem confidências sem visões reveladoras
entro num domínio imediato e sinuoso
Escrevo na penumbra da madeira com um ímpeto animal
Inundo-me de uma luz unânime Sou vosso
Quanto eu escrever que seja o cimo ignorante
do bem-estar Que os braços e os joelhos
digam o vagar que brilha em redondez
Que a atmosfera clara cintile e se condense
nas ondulações do repouso e no fulgor das frases
E que as palavras tenham o murmúrio de arvoredos
e de águas vivas e as sombras em sossego
E o vento fragrante que liberta e arrebata
reavive o gozo de ser um amante iluminado

António Ramos Rosa, de O Livro da Ignorância em Obra Poética Vol. II

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

CASA DE SOL ONDE OS ANIMAIS PENSAM

                                                           a Maria Teresa Horta


Casa de sol onde os animais pensam
erguida nos ares com raízes na terra
ampla e pequena como um pagode
com salas nuas e baixas camas
casa de andorinhas e gatos nos sótãos
grande nau navegando imóvel
num mar de ócio e de nuvens brancas
com antigos ditados e flores picantes
com frescura de passado e pó de rebanhos
ó casa de sonos e silêncios tão longos
e de alegrias ruidosas e pães cheirosos
ó casa onde se dorme para se renascer
ó casa onde a pobreza resplende de fartura
onde a liberdade ri segura

António Ramos Rosa em Obra Poética, Vol. I

terça-feira, 22 de outubro de 2024

AS PALAVRAS DESENHAM-SE NA PAREDE

As palavras desenham-se na parede.
Não há centro, tudo prolifera.
A vela entre as espinhas.
As palavras ásperas resplandecem.
São as mais nuas feridas,
as mais desertas entre pedras.

O rosto é percorrido por formigas.
Raspado, e luz uma malícia pura.
Um cigarro aqui é mais do que uma estrela.
Um risco mais rápido que um foguete.
E a seara acende-se para além do muro.

António Ramos Rosa de Esplendor Calcinado em Obra Poética Vol. I

quinta-feira, 25 de julho de 2024

TELEGRAMA SEM CLASSIFICAÇÃO ESPECIAL

                                                           Ao Egito Gonçalves

 

Estamos nus e gramamos.

 

Na grama secular um passarinho verde

canta para um poema lírico, para um poeta lírico, 

que se nasceu

é certo que não cantou.

 

As paisagens continuam a existir.

As paisagens são suaves.

Continuam também a existir

outras coisas

que dão matéria para poemas.

A vida continua.

Felizmente que há ódios, comichões, vaidades.

A estupidez, esta crassa crença intratável, esta confiança

             indestrutível em si mesmo,

é o que felizmente dá uma densidade, uma plenitude a isto.

 

Num mundo descoroçoante de puras imagens

é bom este banho de resistências, pressões, vontades, atritos,

é bom navegar.

porque este presente é logo saudoso.

 

Na grama um passarinho canta.

Evidentemente que o poeta suicidou-se.

 

A vida continua.

Certas coisas que pareciam mortas

estão agora vivas ou, pelo menos, mexem-se.

Ausentes, dominam-nos.

Não é para nós que utilizam as palavras, 

que insistem,

não é para nós!

Estes grandes ornamentos, estes sábios discursos

fluem em visões, em ondas, como se não no presente.

Ter-se-á o presente extinguido?

A vida continua tão improvávelmente.

 

Na grama um passarinho canta.

Canta por cantar, ou não, canta.

 

Eu poderia, com rigor, agora

cantar:

                      Os anjos exactos

                      que empunham tesouras

                      de encontro aos factos

                      - ó minhas senhoras!

 

Ou rigorosamente ainda,

com veemente exactidão,

inutilizar o poema,

todos os poemas

 

porque

 

Estamos nus e gramamos.


António Ramos Rosa de Viagem Através de uma Nebulosa em Obra Poética Vol. I

terça-feira, 26 de março de 2024

ALGO SEM NOME

Algo que não tem nome

e  que nunca o  terá

procura talvez mover estas palavras

para que sejam portadoras de clemência.

Se nelas florescesse a rosa do vazio

ou o incêndio que fertiliza o grito

ou a suave tempestade das artérias

ou se um relâmpago calcinado na sua trajectória

lhe desse a mais evidente claridade.

Uma ferida não cessa no silêncio branco

e não ascende à boca do poema.

Se a água aqui se fizesse arquitectura

e a sede o fogo a dança o infortúnio

se reunissem num só pulsar de sílabas

e num leve artifício se abrisse a sombra nua!

António Ramos Rosa de Facilidade do Ar em  Obra Poética Vol. II

quarta-feira, 8 de junho de 2022

ESCUTO NA PALAVRA A FESTA DO SILÊNCIO

Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.


António Ramos Rosa