Luís Montenegro deixou o trabalho a marinar em Lisboa para ir, até Toronto, ver a selecção.
«É disto que o meu povo
gosta!»
«É disto que o meu povo
gosta!»
Quem vive para o amor está lixado
não tarda, que o amor é um
amplo espaço
vazio sem cor nem forma e
um silêncio
tumular por perto. Mau,
muito mau
para se levar alguém. Mas
tu vieste
e de imediato tudo fôra já
decidido
como quando alguém nasce e
olha em torno
— pouco importa se estranha
ou não a paisagem.
Tínhamos o nosso espaço e
tínhamo-nos
a nós, um ao outro por
natural companhia
era o amor, tudo indicava.
Podia-se morrer
disso. E tínhamos o tempo
todo para ver.
Rui
Caeiro
António
Maria Lisboa
Simples gota
dum suor que parece
apenas ansiedade,
mas corre pelo teu rosto
na febre das montanhas,
na loucura dos rios,
dos homens, das cidades,
vim acusar os réus da superfície
à justiça
das tuas tempestades.
Carlos
de Oliveira
De um azulejo em casa de amigos
Colaboração de Aida Santos
Vejam, revejam os filmes de François Truffaut no Nimas
Começam a amanhã e prolongam-se até ao dia 15 de Julho.
São
péssimas as condições da sala do Nimas em Lisboa: alcatifa aos bocados
espalhadas por aqui e por ali, alguma das cadeiras quando nos sentamos, rangem,
parece que se vão partir, mas eu gosto de cinema e gosto de François Truffaut.
“Todos os filmes de Truffaut contêm um ou mais momentos
(diferentes de acordo com a sensibilidade do espectador), que nos deixam uma
recordação precisa, marcante e indelével, mesmo passados 20 ou 25 anos.”
Luc Moullet
A vida era o cinema
François Truffaut (1932-1984) marcou, como cineasta e como crítico, o cinema
moderno. Fez parte do núcleo central da Nouvelle Vague, com Godard, Chabrol,
Rivette e Rhomer, uma geração cinéfila, que começou pela crítica e pelo
cineclubismo (Truffaut, ainda menor, fundou um cineclube, com o sugestivo nome
de “Cercle Cinémane / Círculo Cinemaníaco”) e passou à realização sem
frequentar a escola de cinema.
No início dos anos 80, com o grande sucesso de O Último Metro, chegou a ser
considerado um “cineasta popular”, como o foram também, aliás, muitos dos
realizadores que ele mais amava: Chaplin, Renoir, Hitchcock ou Lubitsch. Mas, e
apesar da sua importância fundamental e de ter sido também ele um dos cineastas
mais amados do seu tempo, os seus filmes, com raras excepções, têm sido, desde
a que a Cinemateca os mostrou há vinte anos, menos vistos nas salas de cinema,
eventualmente por razões de direitos. Finalmente restaurados, vamos poder
vê-los de novo agora – e para uma nova geração de espectadores esta será uma
oportunidade única – numa retrospectiva praticamente completa (só Fahrenheit
451 e A Noite Americana ficam, por enquanto, de fora).
Como epígrafe ao seu livro Os Filmes da Minha Vida, Truffaut escolheu uma
afirmação de Orson Welles: “Creio que qualquer obra será boa na medida em que
exprima o homem que a criou.” Os filmes de Truffaut, para quem a vida era o
cinema, e por amor dele se perdeu e por amor dele se salvou, exprimem as suas
complexidades e contradições, os seus entusiasmos e os seus medos. Num número
temático que lhe dedicaram recentemente os Cahiers (onde foi crítico,
apadrinhado por André Bazin, seu tutor e que exerceu junto dele – que crescera
numa família complicada e fora um jovem marginal como alguns dos protagonistas
das suas obras – o papel de figura paterna positiva), sublinha-se que “os seus
filmes continuam a tocar-nos e a estimular-nos, ainda hoje, quase quarenta anos
depois do seu desaparecimento precoce. […] Imperfeita, múltipla, lúdica e por
vezes trágica, a sua obra não tem nada de um monumento. Pelo contrário, quando
revemos os seus filmes, ficamos impressionados pela sua impureza, a sua
invenção e o seu lado paradoxal. É uma obra viva, […] única na sua
multiplicidade, cuja interpretação, aliás, tem variado ao longo das épocas.”
Como sabemos, a história de qualquer arte, está constantemente a ser
reescrita. E se a seguir à sua morte, depois de alguns dos sucessos de
bilheteira, os Cahiers e outros vieram por sua vez reabilitar alguns dos filmes
mais secretos, passionais, atravessados por correntes subterrâneas, hoje,
quatro décadas volvidas, começa a redesenhar-se, pouco a pouco, um Truffaut
mais solar, o dos filmes Disparem sobre o Pianista, Beijos Roubados ou Na Idade
da Inocência. É tempo de redescobrir a sua obra e de lhe trazer novas
interpretações.
Truffaut e os actores
“No cinema de François Truffaut, as actrizes e os actores ocupam um lugar
absolutamente central. Eles são tanto a carne como o centro nervoso dos seus
filmes. Desde a sua primeira longa-metragem, Os Quatrocentos Golpes, impõe
um novo corpo, o de Jean-Pierre Léaud, que vai, ao longo do tempo, tornar-se o
seu duplo. Juntos, inventarão uma nova forma de representar que navega entre o
natural e a estilização. De filme em filme, Truffaut trabalha com os maiores
actores e as maiores actrizes do seu tempo, de Charles Aznavour a Fanny Ardant,
passando por Jeanne Moreau, Françoise Dorléac, Marie-France Pisier, Michael
Lonsdale, Charles Denner, Delphine Seyrig, Catherine Deneuve, , Claude Jade,
Jean-Paul Belmondo, Bernadette Lafont, Isabelle Adjani, Nathalie Baye, Gérard
Depardieu, Jean-Louis Trintignant, etc. Em cada ocasião, o seu desafio consiste
em integrar esses actores e actrizes de personalidade forte no seu mundo, sem,
no entanto, fazer com que percam a sua singularidade.”
Cahiers du Cinéma
“Muitas vezes, os actores vivem as suas emoções e deixam-se levar por elas.
O François sabia até onde nos poderia deixar ir, para depois voltar a
pegar-nos, e nos segurar. […] Por exemplo, o fim das cenas deveria ser pontuado
de modo preciso. E dizia: ‘É preciso encher o écran, ter gestos mais amplos,
não abortar os movimentos’.”
Catherine Deneuve
“Com ele, era uma linguagem de paixão. Todos os actores dos filmes de
Truffaut têm o tom Truffaut, inimitável. Basta ver o Léaud, ou o Denner: ‘Sim,
então fazemos assim, hem, estás a ver?’. Para chegar a este tom, bastava
escutá-lo, olhar para ele. […] O que ele fez com o Jean-Pierre Léaud, é
absolutamente deslumbrante. Os seus filmes são uma espécie de cursos intensivos
para jovens actores.”
Gérard Depardieu
Ver Programação aqui.
Sobre as árvores encolhidas que gastavam
a ternura de tudo; severo,
o céu desajeitado avolumou-se.
Na testa do silêncio ao pé dos montes
as pedras adoecem entre o sangue
derrota que se imprime por palavras
se imite diminuta nos alqueives.
Sob a capa da terra e no alcance
dos dedos de fora inesperados
a rotura simples dum soluço
ferindo o estrume em breves plantas novas.
Ao longe o grito do abraço em pé
com as vergonhas cobertas de papel
os prumos os cabos o pão um ovo
o vinho deitado, aqui ao pé do choro.
Armando Silva Carvalho em Lírica Consumível
«Não é no cinema que
pensamos quando se evoca o nome de Bruce Frederick Joseph Springsteen, nascido
a 23 de Setembro de 1949 na pequena cidade de Long Branch, no estado de Nova
Jérsia, bem perto de Nova Iorque mas do lado “errado”, do lado industrial e operário.
Como é evidente, porque foi na música que ele se exprimiu, e foi através da
música, dos vinte e um álbuns de estúdio que editou desde 1973 e Greetings
from Asbury Park, N.J., que Bruce Springsteen se tornou uma das grandes
figuras da cultural popular norte-americana. Hoje, quando já é septuagenário,
adquiriu mesmo um estatuto ao alcance de muito poucos, pontuado por uma
capacidade de intervenção pública e política que o tornam uma presença
relevante dentro da sociedade norte-americana muito para além do domínio
estritamente musical. Ou seja, não deve haver ninguém que tenha estado vivo nos
últimos 50 anos a precisar que lhe apresentem Bruce Springsteen.
E este ciclo não é para isso, nem é para fazer a história de Springsteen. É
para evocar um facto muito simples e muito incontestável: se não é no cinema
que se pensa logo quando se fala de Springsteen, isso não quer dizer que
Springsteen não pense no cinema, e que o cinema não pense em Springsteen. A
cultura popular norte-americana é um sistema de vasos comunicantes, e já o
vimos bem a propósito de Bob Dylan, quando (ainda antes do Nobel), dedicámos um
vasto ciclo ao tortuoso labirinto da relação de Dylan com o cinema e do cinema
com Dylan. É um pouco o mesmo jogo que praticamos agora com Springsteen, um jogo
um pouco menos perverso, porque Springsteen, de certo modo, é uma versão
franca, quase transparente, de Dylan, e porque bem menos perversa foi a sua
relação com o cinema, mas não menos rica.
Porque sabemos a importância que o cinema teve enquanto inspiração de
Springsteen, sobretudo no caso clássico do seu disco Nebraska, que
começou a tomar uma forma no seu espírito depois de um visionamento do BADLANDS
de Terrence Malick (sendo que “Badlands” é, justamente, o título de uma canção
desse disco). Ou, no final dos anos 1990, o seu disco The Ghost of Tom
Joad, que está perto de ser um “remake” musical do filme que John Ford
extraiu ao romance de John Steinbeck.
O ciclo traz as inspirações de Springsteen, mas também traz Springsteen como
inspiração. Outro caso clássico: STREETS OF FIRE, de Walter Hill, que em
princípio seria um musical construido sobre as canções de Springsteen mas que,
depois de um desentendimento entre o artista e a produção, deixou de ser, e
ficou só o título. Ou ainda a curiosa obsessão de Peter Bogdanovich, que
pretendia que a banda sonora de MASK fosse essencialmente composta por canções
de Springsteen e, quando não o conseguiu, se “vingou” disseminando por
TEXASVILLE, poucos anos depois, uma quantidade enorme de canções dele.
Investigamos neste ciclo, portanto, o trânsito em dois sentidos da relação
Springsteen/cinema e cinema/Springsteen. A que não faltam, também, os
paralelismos e os parentescos, os filmes nascidos e criados nos ambientes de
Springsteen, que com ele podiam partilhar a sensibilidade, sobretudo os filmes
que mostram e falam de Nova Jérsia, do subúrbio, da vida dos operários, dos
“blue collars” – como quando, em COPLAND, James Mangold teve a intuição de pôr
Sylvester Stallone (o homem do ROCKY ou de PARADISE ALLEY) em escuta das
canções de Bruce.
Será um bom mês de esplanada, cinema e música. E como é Verão, nem falta uma
piscina, a piscina da PALOMBELLA ROSSA de Nanni Moretti, onde um jogo de pólo
aquático era interrompido para se ouvir, em ritual litúrgico, “I’m On Fire”.»
Programação aqui.
É tão bom ler os clássicos como Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett
«Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai
estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a
qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e
grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje
vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações
deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim
de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de
homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já
calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho
desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à
desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam
no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia
andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos
que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e
fidalgo como Sir Roberto Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o
que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.»
A afirmação de mais um papagaio-falante-descoberta-dos canais-de notícias.
Começou
na SIC. Ou na TVI?
Não
importa, é aquele mundo de inutilidades.
Chama-se
Sebastião Bugalho e o Público faz o retrato de palrador do PSD:
«Ao lado do busto de Francisco Sá Carneiro, na entrada da sede nacional do PSD,
Sebastião Bugalho começou nesta segunda-feira a sua nova tarefa de porta-voz do
partido. Com as bandeiras de Portugal, da União Europeia e do PSD atrás de si,
o vice-presidente social-democrata anunciou que o grupo parlamentar vai chamar
antigos governantes do PS ao Parlamento para explicar o aumento “sem
precedente” da população estrangeira em Portugal revelado pela actualização das
estatísticas oficiais do país. Sem detalhar a lista de personalidades que os
deputados vão querer ouvir, “é natural” que José Luís Carneiro seja um dos
nomes a ser chamado.»
Mais
um contra os trabalhadores migrantes!
Cartas a António de Azevedo Castelo Branco
Prefácio e notas de
Adolfo Casais Monteiro
Antero de Quental
Edições Signo,
Lisboa, Abril de 1942
A tua carta veio-me encontrar prostado sobre o leito dos
antigos abatimentos, tão desgostoso e desalentado como se fosse a primeira vez
que descobrisse no mundo misérias e tristezas e, sobre tudo, o seu grande vazio
moral. Como custam a arrancar as últimas penas das asas da loucura ideal! Sabes
como sou apreensivo, quasi até à mania. O mais pequeno sopro de desgosto
levanta-me no espírito e encastela-me na alma um mundo de nuvens, de
preocupações, de dúvidas, que n~ºao é possível mais ver um palmo de céu…
Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigámos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
Carlos
Drummond de Andrade
Este mundo não presta,
venha outro. Já por tempo de mais aqui andamos a fingir de razões suficientes.
José
Saramago em Os Poemas Possíveis
Legenda:
imagem Shorpy
Direcão: Henrique
Monteiro
Colecção Mestres da
Fotografia
Edição: Expresso,
Lisboa 2008
Não gosto que me digam que sou um fotógrafo de guerra. Sou, simplesmente, um fotógrafo.
«A poesia no Metro
lembra-nos aquilo que a leitura pode fazer: inspirar e fazer parar.
Num momento improvável, num
dia como todos os outros.
Esta nova iniciativa é um
projeto que leva a leitura para dentro das carruagens, transformando o quotidiano
das viagens num espaço de encontro com a palavra escrita. Há momentos em que
uma palavra faz a diferença no nosso dia — e os versos têm esse poder.
Mais do que uma presença
decorativa, os excertos literários agora visíveis nas carruagens foram pensados
para surpreender, inspirar e criar um momento de pausa no ritmo acelerado do
dia-a-dia. São textos que surgem sem aviso, mas que podem marcar — pela sua
simplicidade, pela sua força ou pela forma como dialogam com quem os lê.
Os poemas e excertos apresentados
resultam do envolvimento dos trabalhadores do Metro, que foram convidados a
selecionar textos com significado pessoal. Esta dimensão colaborativa reforça a
ligação entre a organização, a cultura e a experiência dos seus clientes.
A seleção final dos
conteúdos contou com a curadoria de Manuela Pargana, Diretora de Departamento
da Promoção da Leitura do EduQA, I.P., do Ministério da Educação, Ciência e
Inovação, assegurando a qualidade literária e a diversidade dos textos
apresentados.
Esta ação pretende partilhar palavras que podem inspirar os nossos clientes.»
sou comarca onde parou de chover
e quem não se lembra da
sanguechuva
que foi em tempos este
coração
já não tenho a vida toda (faço
trinta
o mês que vem) e a verdade
é que nem
na morte se pôde alguma vez
confiar
muito mal contado, isso da
morte
Miguel-Manso
em Resumo: a poesia em 2010
De
blogue em blogue, encontro no Bicho Ruim a fotografia e a respectiva legenda:
«A capa de hoje d' O
Diabo foi feita de propósito para os arquivos Ephemera. O José Pacheco
Pereira deve andar aos pulos de contente.»
1.
Faturação dos
hospitais privados cresce para valor recorde em 2025: 2 790 milhões de euros.
2.
Lido em Página Um
«Luís Delgado tentou
travar um novo processo na Justiça por dívidas da Trust in News ao Fisco, mas
apenas conseguiu adiar o inevitável. Os três gerentes da dona da Visão vão, de
novo, sentar-se no banco dos réus e arriscam ser condenados a pena de prisão
efectiva. Em causa, uma dívida de 1,2 milhões de euros em prestações de IVA não
entregues às Finanças entre 2021 e 2023.»
3.
Actualmente a esperança de vida à nascença em Portugal é de 81,8 anos, um aumento de 1,28 anos na última década,
4.
A Meo
solicitou ao Governo o estatuto de empresa em reestruturação, um passo que
facilita a rescisão de contratos com os trabalhadores, já que permite ir além
das quotas legalmente previstas nas saídas por mútuo acordo com atribuição de
subsídio de desemprego. O estatuto foi concedido até ao fim deste mês e a
empresa conta fechar 1200 saídas por via de acordo até ao fim do ano.
5.
Julian Barnes olha para o fim da vida com a serenidade de quem se cumpriu – “Pisei todas as massas de terra firme, exceto as congeladas. Por isso, prefiro voltar a vaguear pelas vilas e cidades europeias, observar o mar a partir da segurança de uma esplanada e as montanhas nevadas de uma distância em que não sinta frio” – e, por isso, recusa a derrota: “o obituário “Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta contra o cancro” deveria ser substituído por “Morreu depois de uma prolongada e corajosa luta que o cancro manteve com ele”.
Carlos Queiroz não
parece estar convencido com o actual formato do Campeonato do Mundo para 48
seleções, sublinhado sublinhou que a competição está a tornar-se "vulgar e
comum".
“Quando tantas equipas se podem qualificar, o valor continua a ser raro? Isso parece-me discutível, mas é apenas a minha opinião. Quem é que não se qualificou na Europa? Os torneios de qualificação começam a perder o seu significado se quase todos se apuram. A qualificação devia ser séria, devia ser muito dura, muito competitiva. O Mundial devia ser algo com significado e relevância. Devia ser raro. Mas, como sabem, hoje em dia o dinheiro fala mais alto no futebol. Onde antes costumávamos falar de futebol, agora falamos de moneyball.
Excelente o retrato de Portugal que Bárbara Reis nos deixa, hoje no Público.
Fica aqui o link, por favor leiam, e a Lupa saca este pormenor:
«Também lhes digo
que Portugal é um país normal, com coisas boas e coisas más, problemas grandes
e pequenos, com tradições péssimas e tradições maravilhosas.
Mas quando vou ao
Mercado da Ribeira, o senhor a quem compro ovos diz-me que “Portugal morreu”.
É assim há anos. Eu
digo: “Bom dia, como está?” E ele:
Neste domingo, situamo-nos no cinema para vos dar
música pela manhã.
O cinema deixou-nos grandes músicas e grandes canções e há larga matéria para escolhas.
Ficamo-nos com:
Amado Mio do filme Gilda de Charles Vidor com a espantosa Rita Hayworth
Barco Negro cantada por
Amália Rodrigues no filme Os Amantes do
Tejo de Henri Verneuil
Mrs. Robinson dos
lendários Simon and Garfunkel em A Primeira Noite filme de Mike Nichols.
Moon River de A Boneca de Luxo de Blake Edwards
Por fim As Time Goes By do lendário Casablanca, filme de Michael Curtiz.
Não se esqueçam de passar um bom domingo.
A saudade é uma tatuagem da alma: só nos livramos dela
perdendo um pedaço de nós.
Mia Couto
Legenda: fotografia de Rui
Ornelas
Fausto,
o alquimista genial, deixou-nos com 75 anos e ficámos muito desemparados. Ao
longo de mais de cinco décadas, firmou-se como marco fundamental da música
portuguesa, mergulhando nas raízes da música tradicional, apondo-lhe uma marca
autoral.
Há
semanas, Luís Eme, no seu blogue o Largo da Memória, trouxe-nos a lembrança
das canções de Fausto.
Apesar
de tudo, ainda há blogues e o Largo da Memória é o
mais antigo que frequento e já são muito poucos!
É
este o texto do Luís Eme, a fotografia também é de sua autoria:
«A frase que escolhi para título ("Atrás dos tempos vêm tempos e outros
tempos hão-de vir...”) deste pequeno texto faz parte de uma das canções do
Fausto. Escolhi-a porque é um retrato do mundo, andamos praticamente desde a
nossa existência a cometer os mesmos erros (por pior que sejam...), que acabam
por voltar sempre, de tempos a tempos...
Aparece sempre alguém,
capaz de inventar uma guerra qualquer, com um único objectivo, servir os seus
interesses pessoais, pouco preocupado com o rasto que deixa atrás de si, tanto
de gente assassinada ou mutilada como de cidades completamente destruídas...
Nem a invenção dos deuses e
das religiões apaziguaram esta ambição desmedida dos humanos...
Tenho à cabeceira um livro
há mais de dois meses, o "Diário" de Hélene Berr (escrito de 1942 a
1944), escrito em Paris durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial, por
uma jovem judia francesa, que morreu pouco tempo antes da libertação, em
Auschwitz.
Não o leio todos os dias,
porque está longe de ser um testemunho agradável, por razões óbvias.
Há muitas partes do seu
testemunho que podiam ser transpostas para os dias de hoje, onde a indiferença,
se vai tornando reinante. Transcrevemos um exemplo sobre a actividade policial
em duas frases:
«Polícias que obedecem a
ordens expressas de ir prender um bebé de dois anos, a casa da ama, para a
internar! Eis a prova mais pungente do estado de embrutecimento, da perda
absoluta de consciência moral em que caímos. É isto que é desesperante.»
E umas linhas mais abaixo:
«Que se tenha chegado a conceber o dever como uma coisa independente da
consciência, independente da justiça, da bondade, da caridade, eis a prova da
inanidade da nossa pretensa civilização.»
E não são precisas mais
palavras...»
Voltar ao Cais.
Voltar aos postais, aos
candeeiros, às coisinhas costumeiras.
Voltar.
Colaboração de Aida Santos
No passado fim-de-semana,
fomos a Viseu ao aniversário de uma velha amiga e apanhámos um calorão
infernal.
Foi no meio desse inferno
que, entrando num quiosque para comprar o jornal, arregimentei este postal de
um nevão em Aveiro.
Dizem os visienses que a cidade é assim: insuportavelmente, fria no Inverno e quente no Verão.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social garante que o Governo voltará a tentar aprovar uma reforma laboral, apesar do chumbo da proposta no Parlamento, considerando as alterações ao Código do Trabalho “algo de inevitável”. Tão inevitável “como o nascer do sol”, afirmou Maria do Rosário Palma Ramalho, em entrevista à SIC Notícias.na quinta-feira à noite.
As declarações surgem depois de a ministra ter deixado essa intenção no último
fim-de-semana, durante o 43.º Congresso do PSD, quando, dirigindo-se a Luís
Montenegro, afirmou: “Se bem o conheço, lá iremos outra vez fazer esta e outras
reformas por Portugal e pelos portugueses.”
Lido no Público
Operadores da linha SNS24 [que prestam serviço através da Altice] perdem parte do salário quando vão à casa de banho.
Jornal de Notícias, 26 de Junho.
Uma corrosão de líquidos
no copo do teu riso: como se
a tua boca
trouxesse as chuvas ácidas
da noite; e as tuas frases
queimassem
a terra dos corpos.
Bebo-te, no entanto; e
ardes por dentro de mim. O
teu amor
espalha-se-me pelas veias,
sobe
até à cabeça, explode pelos
olhos
e pelos ouvidos com que te
vejo e ouço.
O halo das ocasiões
envolve-nos. Até ao fim da
noite,
e pelo meio da vida.
Nuno Júdice
A noite lançava-se na última viagem.
Já bebida, a velha profissional
engana-se nas redondilhas
de um mouraria antigo
e o gestor turístico
no seu azul e brilhante
fato alpacatado
dentro do qual rebenta
solta no ar a praga impiedosa.
Amores de mãe tremiam
na garganta vagarosa
rescaldos de uma guerra erótica
eram os mitos forçados
do consumo.
Casais obesos descansavam nas mesas
a digestão pesada, a paz
tão transitória dos sentidos.
Solerte ofício este de jogar na voz
todas as noites, a fatalidade,
sob o olhar frio dos deuses
tão mesquinhos.
As palavras amargas poderão ter
a força duma chaga,
a cor nocturna da faca pitoresca,
e a velha cantadeira
pode deixar cair da boca
as aves mortas que esconde no seu peito.
Porque eu não esqueço.
Ali, quando a noite arregaçava
os braços no trabalho de parto indiferente,
sob as cinzas sujas da memória,
outro fado nascia abruptamente
oculto e humilhado à luz do dia.
Armando Silva Carvalho
Pai, dizem-me que ainda te
chamo, às vezes, durante
o sono – a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí
nos encontramos, para
dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me
depois que é deste lado da
noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem
que o pesadelo é a vida
onde já não posso dizer o teu
nome – porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.
Maria do Rosário Pedreira em Poesia Reunida
Os amantes se amam
cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem:
Um se beija no outro, reflectido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.
Carlos Drummond de Andrade em Antologia Poética
É sobretudo na solidão que
se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar.
Jean-Jacques Rousseau
Há dias em que não devia ler jornais.
Um homem de 33 anos,
com antecedentes de violência doméstica, e a filha menor morreram numa destas madrugadas, após
a queda do oitavo andar, em Santarém.
A Polícia Judiciária
confirmou que está em causa um "suicídio acompanhado de homicídio da filha
em contexto de violência doméstica com objetivo de provocar sofrimento à
mulher".
Não sei se me interessei
pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas
Adília Lopes
Ontem apresentámos o poema
autografado de João Cabral de Melo Neto, hoje fica o de Carlos Drummond de
Andrade.
É o nº 18 de Colecção Poetas de Hoje. A selecção e o prefácio pertencem ao professor e ensaísta brasileiro
Massaud Moisés que entendeu lembrar uma entrevista que o poeta deu O jornalista
brasileiro Homero Senna:
«Minha vida não tem
interesse algum e o que nela pode haver de importante já contei em duas
autobiografias que escrevi para a Revista Acadêmica e para Leitura.
Penso que a biografia do escritor deve ser dada a conhecer ao público quando é
movimentada, rica de passagens curiosas e quando os vários lugares em que o
mesmo esteve e as pessoas que conheceu influíram de algum mnodo na sua obra. Nasci
em Itabira, no ano de 1902, de pais burgueses que me criaram no temor de Deus.
Meu pai era fazendeiro e embora fosse pessoa que nem sequer o curso primário
possuía completo, tomava conta muito bem dos seus negócios e escrevia suas
cartas com correção. Em Itabira passei minha meninice e ali fiz meus primeiros
estudos. Depois estive em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo, e em Friburgo,
com os Jesuítas. Primeiro aluno da classe, é verdade que mais velho que a
maioria dos colegas, comportava-se como um anjo, tinha saudades da família e
todos os outros bons sentimentos, mas expulsaram-me por “insubordinação
mental”. A saída brusca do colégio teve influência enorme no desenvolvimento
dos meus estudos e de toda minha vida. Casado, fui lecionar geografia no
interior. Depois voltei para Belo Horizonte, onde passei a fazer jornalismo,
tendo sido mais tarde levado para a burocracia por Mário Casassanta. Meu lugar
efetivo é, mesmo, de redator do Minas Gerais, que é o jornal oficial do
Estado. Desejando diplomar-me em alguma coisa (não fosse a interrupção dos meus
estudos em Friburgo, eu seria bacharel em direito, como todo brasileiro)
resolvi estudar farmácia. Não por qualquer inclinação especial, mas porque era
o curso mais rápido, três anos apenas. E de fato sou farmacêutico, diplomado
pela Escola de Belo Horizonte. Mas por que insistir nessas coisas?»
PHILIPS - P 632.900
L - 1966
Lisboa, por esses anos 60, era uma cidade de um torpor quase provinciano.
Lembra-se de andar pelas ruas à noite, e de Lisboa ser um sítio acolhedor, não a ditadura.
Por um Maio de 66, mais precisamente no seu 31º dia, sem se saber muito bem como, o “TUCA - Teatro da Universidade Católica de São Paulo” aparece em Lisboa, também foram ao Porto, para apresentar, em espectáculos únicos, o poema de João Cabral de Melo Neto a que, em 1965, Francisco Buarque de Hollanda emprestara música.
Em Abril tinham ganho o Grande Prémio de Teatro Universitário de Nancy.
Mantém uma ponta de espanto de como a ditadura proporcionou, a quem o pôde ver, este belíssimo espectáculo. Ainda agora um pedaço de nostalgia se eleva do teclado onde escreve. Um verdadeiro luxo para ávida sede de conhecimento de então.
Circunstâncias pontuais, que agora não vêm ao caso, permitiram-lhe arranjar um bilhete de imprensa para o espectáculo. Nunca soube se as bilheteiras chegaram a abrir ao público.
Lembra-se dos enormes magotes de gente postados em frente do teatro, à espera de um qualquer passe de mágica que lhes permitisse assistir ao espectáculo.
Uma boa parte da sala, a rebentar pelas costuras, era constituída por agentes da PIDE.
Um espectáculo memorável, uma encenação simples, uma humildade de representação que fazia realçar todo o colectivo e em que se sentia toda a força do poema, a que a música de Chico Buarque emprestava, um viver e um sentir tão expressivos, e que a leitura do poema não permitiu, sequer, imaginar.
Passaram todos estes
anos e nunca mais sentiu uma embriagues cultural como a daquela.
noite.
Ainda hoje não consegue alinhar meia dúzia de linhas decentes, apenas lhe saem banalidades.
Com o espectáculo a percorrer-lhe as veias, meteu pés por Lisboa fora, madrugada dentro, a falar sozinho ou, como dizia o José Gomes Ferreira, a falar com os fantasmas e a sua sombra.
Por um Dezembro-quase-Natal, de 1967, a descer a Rua do Carmo, viu na montra da Discoteca do Carmo, o disco de “Vida e Morte Severina”. Entrou, deparou-se com um preço-de-nota-preta.
Contou os tostões, o parco subsídio de Natal já tinha viajado para paragens outras, e os que pelo bolso viajaram, ficaram como sinal. Num ápice voltaria para finalizar o pagamento e, a certeza certa, que o resto do mês passaria a pão e água, salsichas Izidoro, mas que se lixasse: aquele gozo já ninguém lhe tirava.
Porque há coisas de
que não podemos deixar passar ao lado.
Soube depois que o disco na montra era exemplar único, e já há alguns dias que por ali estava, sem ninguém nele reparar.
Por uma vez,
sentiu-se um tipo com sorte!
Espectáculo
patrocinado pelo Ministério da Educação Nacional, Ministério dos Negócios
Estrangeiros e com a colaboração da Embaixada do Brasil.
Maio de 1966
O Xico nem precisa de letristas. Faz ele próprio. Mas tem
graça que a primeira vez que o vi (tão menino ainda) a “letra” era do poeta
João Cabral de Melo Neto. Produzia-se “Morte e Vida Severina” no Teatro
Avenida. Xico, autor da música vinha integrado no TUCA (Teatro da Universitário
da Universidade Católica de S. Paulo) e também representava. João Cabral, que
acorrera propositadamente de Sevilha ou de Marselha para assistir (ver e dar
assistência…), estava sentado a meu lado. Creio que nunca tinha visto “Morte e
Vida Severina” em cena. Creio que estava a redescobrir o seu texto (pelo qual
não devia já nutrir grande admiração, perfeccionista como é…) Quando, no final,
os aplausos explodiram e começaram a chamar o autor ao palco, João, sem se
virar, cada vez mais enterrado na cadeira, ia-me dizendo apavorado: “Não olha
para mim! Não olha para mim!” Acabou por ter de ser. João Cabral foi coxia
abaixo, pôs a mão no bordo da ribalta e com agilidade saltou para o palco.
Abraços, agradecimentos ao público pela sua estrondosa ovação: João Cabral ao
seu lugar. Digo-lhe: “V. saltou com uma facilidade!” E ele, com orgulho de
rapazinho: “V. esquece que eu joguei futebol!
Alexandre O’ Neill em “Já Cá Não está Quem Falou”, Assírio & Alvim, Abril
2008.
Hoje
trataremos de Melo Neto, amanhã de Drummond.
É o nº 9 da Colecção Poetas de Hoje e para
apresentação do poeta («apenas alguma indicações ao leitor comum»), a
editora escolheu Alexandre Pinheiro Torres.
Quando
Chico Buarque de Holanda, mais um grupo de universitários brasileiros,
representaram em Lisboa Vida e Morte de Severina que vi no Teatro
Avenida, já conhecia a peça de Melo Neto, pois faz parte desta antologia.
Diga-se
que João Cabral de Melo Neto é um dos maiores poetas brasileiros, nascido em
1920 no Recife, estado de Pernambuco, que faz parte do nordeste brasileiro, e
Alexandre Pinheiro Torres não hesita em dizer que Melo Neto é poeta de «génio
autêntico».
Herberto
Helder
Legenda:
pintura de Silva Porto.
Stéphane Delorme
Consultoria: Mário
Augusto
Colecção Grandes
Realizadores nº 7
Edição do jornal
Público s/d
Podemos ficar parados no tempo.
Podemos ficar além do tempo.
Podemos ficar à frente do tempo.
Mas não podemos ficar sem tempo.
(…)
O tempo não espera por ninguém.