quarta-feira, 3 de junho de 2026

AGRICULTURA

Agrícola era o sonho dos antigos

menestréis criados lavradores

frenesi demente nos postigos

interessantes inventos pra doutores


houve ainda um fado de em criança

um boi domesticado nos seus urros

por dentro dos amanhos um choro repelente

que vinha das searas dos donos e dos burros

 

agrícola o modo por que canto

redondo poder que os meus avós legaram

com loucos sim palermas no seu sono

primos de tanta vida pelas enxadas

ancinhos arados abandono

 

agrícola é o vinho e seu prazer

o som funesto do suor pela barba

e todas as mulheres

de narinas refeitas

e seios de pinho antigo

mulheres de tanto azedo e xaile

e tanto filho

assim senhores doutores

a toda a vossa seita

esta colisão infame esta desfeita

meus pobres cochichando nos sentidos

 

de tanta solidão

meu braço desesperado

na testa já cantando

meus camponeses rindo.


Armando Silva Carvalho em Lírica Consumível

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