Escrevi milhares de
versos
para esquecer. Amei algumas mulheres
para lembrar. Agora já posso dizer
o som em carne viva.
A cidade assemelha-se a um acampamento
abandonado no deserto. Os nómadas
partiram nos seus camelos, com provisão
de tâmaras e água.
Há restos de detritos, sinais de trânsito,
folhas arrancadas a revistas pornográficas,
ao sabor do vento, por entre pétalas sêcas.
Há resíduos de sítios onde estive contigo,
fragmentos de versos de vidro, tudo
muito nítido, anotado, vincado a oiro.
Canção Para o Meu Amor Não se Perder no Mercado da
Concorrência
Música Adriano Correia de Oliveira, poema Manuel Alegre
Ilustração do interior do
LP da autoria de J. F. Bogalho
FACE 2
Lágrima de Preta
Música de José Niza, poema de António Gedeão
Canção Com Lágrimas
Música de Adriano Correia de Oliveira, poema de Manuel
Alegre
Cantar Para Um Pastor
Música de Adriano Correia de Oliveira, poema de Matilde
Rosa Araújo
Como Hei-de Amar Serenamente
Música de Adriano Correia de Oliveira, poema de Fernando
Assis Pacheco
Sapateia
Canção popular açoriana
A Noite dos Poetas
Música de Adriano Correia de Oliveira, poema de A.
Barahona da Fonseca
Arranjos de Rui Pato e Carlos Alberto Moniz Acompanhamentos de Rui Pato, Tiago Velez, Raul Mendes e Adriano Correia de
Oliveira.
Ilustração do interior do LP da autoria de J. F. Bogalho
Como hei-de amar serenamente
Com tanto amigo na prisão
Deixar intacta a minha voz
Nos acidentes da ternura
Como hei-de estar sentado e calmo
Sentado e calmo com a minha amada
Não posso estar
serenamente
Não posso amar serenamente
Os versos esmagam-se na boca
E fica mais amarga a minha boca
Não posso estar serenamente
Não posso amar serenamente