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quinta-feira, 19 de junho de 2025

ALENTEJO

A luz que te ilumina

Terra da cor dos olhos de quem olha

A paz que se adivinha

Na tua solidão

Que nenhuma mesquinha

Condição

Pode compreender e povoar!

O mistério da tua imensidão

Onde o tempo caminha

Sem chegar...

Miguel Torga em Diário XII

quinta-feira, 29 de maio de 2025

O OUTRO LADO DAS CAPAS


Lá para o sul, há um país que dá pelo nome de Alentejo.

Este é um livro que fala do Alentejo ou de quem gosta muito de morrer.

Tenho guardado, há longo tempo, uma história de que não lembro o autor, tão pouco o sítio de onde a tirei:

«Passou a santa vida a beber copos de cinco, no balcão de pé. Mesmo tendo todo o tempo do mundo – como gostava de arrematar – nunca o viram sentado na taberna. Dizia que gostava de estar à altura do momento. E ria-se, ria-se escancaradamente de si mesmo enquanto cismava que afinal, era um homem para consumo próprio.

Estimava igualmente sublinhar que, em coerência com o consumo, era também dono de si próprio.

E assim parecia ser. Corria à boca cheia que sempre que um patrão o tentou abeirar do vexame ou da desfeita: despediu-se. Alardeava depois que não eram só os balcões que o conheciam de pé!

Como não tinha paciência para usar a vida a meias, permaneceu solteirão. Quando a velhice tentou empurrá-lo para a dependência do lar da misericórdia, bradou: serei até ao fim eu o meu único dono. Suicidou-se, igualmente de pé!

(Desaforadamente, depois de morto, a estatística usou-o como mero número para informar que o Alentejo é região contumaz no topo de suicídios.)»

No seu Diário, Miguel Torga tem esta frase:

«Foi a terra alentejana que fez o homem alentejano, e eu quero-lhe por isso. Porque não o degradou, proibindo-o de falar com alguém de chapéu na mão.»

Na contra capa pode ler-se que os factos verdadeiros são os piores.

Mas que factos?

«Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que até o coveiro se mata… São estatísticas, tudo em números.»

Ou como disse o poeta Mário de Sá Carneiro: «um pouco mais de sol - eu era brasa.» 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

O OUTRO LADO DAS CAPAS


O correio do Natal de 1997, trouxe-lhe um livro que trazia dedicatória: “Mais uma vez o Alentejo. Já que o gosto é a síntese de todos os sentidos.” 

Ao folhear o livro, lembra-se de ter dito de si para si: também o gosto de partilhar solidões…

“Aromas e Sabores”, foi um trabalho coordenado por Nádia Torres e que contou, para o texto e ilustrações, com a participação de alunos, professores e trabalhadores da Escola C+S de Mértola. Mais não é que um passeio sobre as comidas de Mértola. Aqui apraz-lhe citar Alexandre Pinheiro Torres: “Porque o Alentejo é o único sítio de Portugal onde se sabe tudo o que importa saber.”

Profusamente ilustrado, “Aromas e Sabores” prova, se necessário fosse, que a comida alentejana não é feita apenas de pão e coentros.

Na apresentação do livro Manuela Barros Ferreira escreve:

“Palavras não matam fome, nem que digam mil comidas. No entanto, as palavras são, para os poetas, pão do espírito, sementes lançadas ao vento, fermentos de mudança. Podem ser doces como mel, amargas como fel, picantes como pimenta. A comida exposta em palavras não é, certamente, um livro de poemas. Não há qualquer prazer espiritual na leitura de um livro de receitas. No entanto, para além dos prazeres adiados (e muito concretos) que encerra, pode conter, como este, tudo aquilo que permite a sobrevivência de uma população ao longo de anos e ao longo do ano.”

Tempo de Natal, este que atravessamos, no Olhar as Capas ocorreu-lhe reproduzir uma receita de filhós. Em devido tempo experimentou a receita e achou delicioso aquele toque da aguardente, coisa que a avó não punha nas filhós que fazia e que, apesar de, não deixavam de ser deliciosas.

segunda-feira, 13 de março de 2023

CONVERSANDO

A tradição popular da minha avó, de todas as avós, dizia-me que o «prometido é devido». Mais tarde aprendi no Alentejo o que eles dizem de uma forma mais bonita:

«O prometido é como jurado».

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

O ALENTEJO É ASSIM


Quem me conhece sabe de uma velha frase: «Não sou alentejano mas gostava de ser.»

No seu Diário Inédito, Vergílio Ferreira conta uma história sobre alentejanos.

Ele escreveu história e não anedota, note-se.

«Évora, 10 de Abril de 1949

O meu amigo A.M. contou-me esta história:

Um dia, num passeio pelo campo, deserto, encontrou ele um homem sozinho, sentado numa pedra, imóvel, como abandonado ao correr do tempo.

- Ora boa tarde. Então que faz vossemecê por aqui?

- Que faço… Vinha com um camarada que foi aí adiante. Disse-me que demorava pouco e já aqui estou à espera há três dias.

O Alentejo é assim.»

Este Diário Inédito corresponde a uma diarística que Vergílio Ferreira escreveu entre 1944 e 1949, e que regista a evolução do autor como futuro escritor (estes textos quase diários começam com a idade de 26 anos e terminam aos 32 anos, a 20 de Janeiro de 1949 revela que concluiu o romance Mudança «não sei bem se o tema interessará mas a mim diz-me muito, talvez por ter ainda à sua roda o calor com que o escrevi») e que se podem considerar a base dos futuros Conta-Corrente.

São os tempos em que anda à volta de filósofos como, entre outros) Hegel, Kirkegaard, Gabriel Marcel, Julien Benda mas principalmente Jean-Paul Sartre.

Entrada diarística de 21 de Março de 1944:

«Curiosa é a ignorância repousada dos nossos modernistas. Eles clamam por Sartre.Mas saberão que Sartre prega a verdade feita pelas mãos de cada um? Ou já sabem que o que vale em Sartre não e o que ele prega mas o que desgraçadamente realiza? Em todo o caso, vou rachar estes tipos qualquer dia, com um artigo.» 

domingo, 11 de outubro de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS

Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram sendo publicados.


OLHARES

 

O 1º de Dezembro de 1996 calhou a uma sexta-feira.

Pela vez primeira fomos ao Chana do Bernardino, um tasco que descansa à beira da estrada na Serra d’Ossa, a um passo de anão da vila do Redondo.

Como sei o rigor da data?

 Porque a caminho, ao comprar os matutinos, na estação de serviço do Areeiro, dei de frente com com a morte de Fernando Assis Pacheco, ocorrida na véspera.

 O Chana do Bernardino era, por esse tempo um tasco,  balcão e cozinha à direita, uma pequena sala ao fundo.

 No lado esquerdo uma pequena sala, um balcão, fazia de retrosaria, também frutaria, venda de enchidos, queijinhos, etc. & tal.

Chegar, sentar à mesa e o Bernardino, com aquele seu ar chaplinesco, a colocar-nos aos pés um borralhinho, os senhores hão-de gostar, sim que o dia estava bonito de sol mas fazia um friozinho cortante.

 Gostámos mesmo, maravilha das maravilhas.

 Depois foram as comezainas: azeitonas, queijos de ovelhas da serra, pão mesmo alentejano, pimentos assados em molho de azeite da serra e alho picadinho, fígado de porco grelhado de coentrada, tordos fritos, farinheira assada, estaladiça, bem crocante, borreguinho da serra assado em forno de lenha, laranjas da serra, sericaia, um tinto do Redondo, café e bagaço caseiro.

 Uma charutada.

 Boleros que não se ouviam apenas se imaginaram.

 Se existe paraíso, entendo-o assim.

 Voltámos, mais algumas vezes ao Chana do Bernardino. Sempre a mesma qualidade, mas ele já se chegava às mesas e ficava, demoradamente, a recitar a ementa, a que juntava uma lenga-lenga, que falava de uma casa modesta blá-blá-blá.

 A coisa já não cheirava nada bem.

 Corria o ano de 2003, o Carlos Garrudo fazia 50 anos e caprichou para que fossemos mastigar ao Chana do Bernardino.

 Bem comidos, bem bebidos, começamos a desalinhar umas cantigas alentejanas.

 O Bernardino correu célere, a pedir silêncio, porque, dias antes, alguém morrera, já não lembro se o sogro, se a mãe.

 Espanto dos espantos.

 Caramba! se a dor era tanta que não tivesse aberto o tasco.

 Mas quis fazer mais uns trocos, só que, por causa do luto, os clientes não podiam cantar.

 Por mim declarei, com mágoa o disse, que não mais voltaria a pôr os pés no Chana do Bernardino.

 Há dois ou três anos, disseram-me que o Chana do Bernardino, fez obras, apalaçou a casa, encerrou a retrosaria, que também era frutaria, venda de enchidos, queijinhos, etc. & tal, possivelmente aconselhamento dos experts da globalização, mas liquidou por completo aquele ar típico de tasca perdida em nenhures.

 A qualidade mantém-se, os preços já têm o selo cee e, disse quem contou, que se perdeu aquele ar que fazia toda a diferença.

 Sei bem o que isso é: esperteza saloia.

 E mais não digo.


Texto publicado em 1 de Dezembro de 2011.

sábado, 4 de abril de 2020

ANTOLOGIA DO CAIS


Para assinalar os 10 anos do CAIS DO OLHAR, os fins-de-semana estão guardados para lembrar alguns textos que por aqui foram publicados.

O SENTAR À PORTA

O Dudu, alentejano de Nisa, de uma simplicidade exasperante, conferente marítimo de exemplar competência, prestava assistência às cargas e descargas da Agência.

Num Verão, o comandante da Agência, que supervisionava o trabalho da companhia de estiva, foi passar uma semana de férias para uma habitação de turismo rural, perto de Nisa.

Por um findar de tarde, encontrou o Dudu na praça de Nisa, e murmurou para dentro de si mesmo, que o Dudu se sentiria feliz e honrado, se o convidasse para umas cervejas e um pouco de conversa.

O Dudu vacilou ligeiramente, mas acabou por dizer:

Oh! Sr. Comandante! honra-me muito o convite, agradeço-lhe do fundo do coração, mas agora vou até casa, tomar um duche e depois sentar-me porta…

O alentejano define-se pela solidão, o sentar à porta é aquilo que mais preza, o parar do tempo, a contemplação, no findar de uma tarde de Verão, o calor do vento, o canto dos ralos, dos grilos, a sombra da porta, o silêncio, o voo rasante da passarada, a luz das grandes tardes de sol a cair para lá do horizonte.

Um requintado prazer, uma filosofia.

A porta é o mundo dos alentejanos, escreveu Álvaro Guerra.

Algo que o Comandante, lisboeta e médio burguês, não entendeu lá muito bem: o Dudu, alentejano, conferente marítimo, trocar umas cervejas mais a converseta, por essa coisa de se sentar à porta, no bafo tépido do cair da tarde alentejana…

Texto publicado em 23 de Agosto de 2014

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

À LUZ DE CANDEEIROS


Cuba, Alentejo.
Candeeiro na Herdade do Gizo.

sábado, 10 de setembro de 2016

OLHARES


O dia a morrer em Cuba no Alentejo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

OLHARES


O sol põe-se e nasce um vento quente que se prolonga pela noite e que faz das noites alentejanas as noites mais maravilhosas que encontrar se possa. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

POSTAIS SEM SELO


Cortaram os trigos. Agora
A minha solidão vê-se melhor

Sophia de Mello Breyner Andresen de O Nome das Coisas em Alentejo Não tem Sombra

Legenda: Campos de Évora, pintura de Armando Alves em Alentejo Não tem Sombra

domingo, 10 de janeiro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Alentejo Não tem Sombra

Antologia de Poesia Contemporânea sobre o Alentejo,
Organizada por Eugénio de Andrade,
Com uma pintura de Armando Alves e outra de Jorge Pinheiro
Colecção O Aprendiz de Feiticeiro nº 2
Editorial O Oiro do Dia, Porto, Primavera de 1982


A Cortiça

É preciso dizer-se o que acontece
            no meu país de sal
há gente que arrefece      que arrefece
                  de sol a sol
                 de mal a mal.
É preciso dizer-se o que acontece
             no meu país de sal.

Passando o Tejo       para além da ponte
              que não nos liga a nada
                   só se vê horizonte
                          horizonte
                  e tristeza queimada.

É preciso dizer-se o que se passa
           no meu país de treva:
uma fome tão grande que trespassa
         o ventre de quem a leva.
É preciso dizer-se o que se passa
           no meu país de treva:

mal finda a noite       escurece logo o dia
                e uma espessa energia
                feita de pus no sangue
                    de lama na barriga
      nasce da terra exangue e inimiga

É o vapor da sede       é o calor do medo.
                  a cama do ganhão
                 a casca do sobredo.
                  É o suor com pão
          que se come em segredo.

É preciso dizer-se o que nos dão
      no meu país de boa lavra
aonde um homem morre como um cão
                à míngua de palavra:

Por cada tronco desnudado       um lado
              do nosso orgulho ferido
         e por cada sobreiro despojado
     um homem esfomeado e mal parido.

                         Ah não, filhos da mãe!
                         Ah não, filhos da terra!
                         Os enjeitados também vão à guerra.

José Carlos Ary dos Santos em Resumo

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

POSTAIS SEM SELO


A boa cozinha é quando as coisas sabem bem.

Legenda: tordos fritos, Alter do Chão, Janeiro 2008

sábado, 23 de agosto de 2014

POSTAIS SEM SELO


Foi a terra alentejana que fez o homem alentejano, e eu quero-lhe por isso. Porque o não degradou, proibindo-o de falar com alguém de chapéu na mão.

Miguel Torga

Legenda; Gadanheiro, espólio Castro Rodrigues, Museu do Neo-Realismo

O SENTAR À PORTA


O Dudu, alentejano de Nisa, de uma simplicidade exasperante, conferente marítimo de exemplar competência, prestava assistência às cargas e descargas da Agência.

Num Verão, o comandante da Agência, que supervisionava o trabalho da companhia de estiva, foi passar uma semana de férias para uma habitação de turismo rural, perto de Nisa.

Por um findar de tarde, encontrou o Dudu na praça de Nisa, e murmurou para dentro de si mesmo que o Dudu se sentiria feliz e honrado, se o convidasse para umas cervejas e um pouco de conversa.

O Dudu vacilou ligeiramente mas acabou por dizer:

Oh! Sr, Comandante! honra-me muito o convite, agradeço-lhe do fundo do coração, mas agora vou até casa, tomar um duche e depois sentar-me porta…

O alentejano define-se pela solidão, o sentar à porta é aquilo que mais preza, o parar do tempo, a contemplação, no findar de uma tarde de Verão, o calor do vento, o canto dos ralos, dos grilos, a sombra da porta, o silêncio, o voo rasante da passarada, a luz das grandes tardes de sol a cair para lá do horizonte.

Um requintado prazer, uma filosofia.

A porta é o mundo dos alentejanos, escreveu Álvaro Guerra.

Algo que o Comandante, lisboeta e médio burguês, não entendeu lá muito bem: o Dudu, conferente marítimo, trocar umas cervejas mais a converseta, por essa coisa de se sentar à porta, no bafo tépido do cair da tarde alentejana…

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

ALENTEJO SEMPRE


Urbano Tavares Rodrigues em O Diário s/d

domingo, 21 de julho de 2013

A VOZ DA TERRA ALENTEJANA


Lisboa, Novembro de 1945, João José Cochofel em Opiniões Com Data:

Uma casual deambulação lírica pela cidade, na companhia do Manuel da Fonseca, acabou por levar-nos até à beira-rio, à hora em que os barcos da outra banda entornam sobre o Terreiro do paço a mancha negra de gente que rebressa de um dia de trabalho. Um pequeno grupo de homens do povo e de soldados adiantou-se a cantar. Alentejanos, sem dúvida alguma. E mais não foi preciso para que o Manuel saltasse para o meio dos desconhecidos e, sem hesitação, juntasse a sua voz à dolorosa voz colectiva da terra alentejana, ali orgulhosamente ostentada. Vieram-me as lágrimas aos olhos, de espanto e comoção. Mas com os alentejanos é assim. Está-lhe na massa do sangue. Todos os pretextos lhe servem para o canto em comum. Uma polifonia bárbara, de raiz ancestral e apreendida por instinto de geração em geração, quando muito reditível a arquétipos, mas insubmissa a regras.

José Gomes Gomes Ferreira tem um poema que diz que nunca viu um alentejano cantar sozinho.

Nunca vi um alentejano a cantar sozinho
com egoísmo de fonte.
Quando sente voos na garganta,
desce ao caminho
da solidão do seu monte,
e canta
em coro com a família do vizinho.

Não me parece pois necessária
 outra razão
-ou desejo
de arrancar o sol do chão-
para explicar
a reforma agrária
do Alentejo.

É apenas uma certa maneira de cantar.

Legenda:

Opiniões com Data, João José Cochofel, Editorial Caminho, Lisboa Outubro de 1990.
Poeta Militante, 3º volume, José Gomes Ferreira, Moraes Editores, Lisboa Janeiro de 1978.

terça-feira, 12 de março de 2013

POSTAIS SEM SELO


Lembrei-me de ouvir o silêncio do Alentejo, tão profundo e ancestral como o cante dos homens nos jordões ou nas tabernas. Reflecti sobre a sabedoria posta em cada refeição - quase como um acto sagrado - que requer o tempo necessário, a calma que permite distinguir cada sabor, cada textura, cada aparência (o paio a deitar pingo, o queijo com olhinhos de azeite, o aveludado do vinho, a “coida” do pão).
Todas as coisas ficam sem pressa, quase paradas, entre a cultura e a alma, entre o choro e a ironia. Qualquer acto se reveste de um enorme significado.
Ser alentejano é uma Arte e uma Crença: crença no pouco que se tem e na alquimia da transformação do nada em quase tudo:
- faltam monumentos, mas há pão;
- faltam fontes, mas há vinho;
- falta o verde, mas há ouro.
Alentejo: o Património de todos os sentidos.

Maria José Bravo Balancho

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


O que me comove nas casas alentejanas é o azul-évora a quebrar a cal branca.
Como o deste pequeno restaurante na aldeia do Alqueva.
Infelizmente estava fechado pelo que não se conseguiu entrar na petisqueira.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

QUOTIDIANOS


Apenas dizem o essencial.
Nunca falam sem pensar e, sabe-se então, que poupar as palavras é sábia filosofia.
Esta poderia ser uma velha história passada com alentejanos, que as há semelhantes.
Mas não.
Esta é contada por Walter Benjamim, no preâmbulo do livro de Robert Walser , Gata Borralheira; Branca de Neve; A Bela Adormecida e que, com toda a certeza, nem sabia onde ficava o Alentejo.

Um dia Arnold Bocklin, seu filho Carlo e Gottfried Keller estavam na taberna, como habitualmente. As suas libações eram conhecidas desde longa data pelo carácter fechado e taciturno dos convivas: uma vez mais encontravam-se calados. Após um longo momento o jovem Bocklin observou: “Está calor”, e um quarto de hora depois, o velho: “Há falta de ar.” Keller, pelo seu lado, esperou um momento; a seguir levantou-se, proferindo as seguintes palavras: “Não quero beber com gente tão palradora.