terça-feira, 13 de outubro de 2026

OLHAR AS CAPAS


O Sono da Morte

Rex Stout

Tradução: Mascarenhas Barreto

Capa: A. Pedro

Colecção Vampiro nº 458

Não seria estrictamente verdadeiro dizer que Wolfe e eu não nos falámos, nessa manhã de Maio, depois do que acontecera na véspera à noite

Ao chegar a casa (entenda-se por casa o prédio de pedra castanha, na West 33ty Street que pertence a Wolfe e onde com ele coabitamos, Fritz, Theodore e eu) por volta das duas da manhã, fiquei surpreendido por Vê-lo ainda a pé, ou melhor, sentado à secretária, embrenhado na leitura de um livro.

Pelo olhar com que me prendou percebi que havia qualquer coisa a roê-lo, lá por dentro, mas atravessei o escritório, direito ao cofre, para assegurar-me que estava fechado (o que faço todas as noites), fazendo de conta que não queria interromper-lhe a leitura.

-Onde tem estado? – inquiriu de chofre.

Virei-me e arvorei uma expressão reprovativa.

- Francamente! A que propósito?

- Devia ter-lhe perguntado, mais precisamente «onde é que não tem estado». Miss Rowan telefonou cinco vezes, a primeira, pouco depois das oito, e a última, há meia hora. Se me tivesse ido deitar, não teria conseguido dormir. Como sabe, Fritz esteve esta tarde de folga.

- E ainda não veio?

- Veio mas como tem de levantar-se cedo para preparar o pequeno-almoço, não o quero amanhã mal disposto. 

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