O
Sono da Morte
Rex
Stout
Tradução:
Mascarenhas Barreto
Capa:
A. Pedro
Colecção
Vampiro nº 458
Não
seria estrictamente verdadeiro dizer que Wolfe e eu não nos falámos, nessa
manhã de Maio, depois do que acontecera na véspera à noite
Ao
chegar a casa (entenda-se por casa o prédio de pedra castanha, na West 33ty Street
que pertence a Wolfe e onde com ele coabitamos, Fritz, Theodore e eu) por volta
das duas da manhã, fiquei surpreendido por Vê-lo ainda a pé, ou melhor, sentado
à secretária, embrenhado na leitura de um livro.
Pelo
olhar com que me prendou percebi que havia qualquer coisa a roê-lo, lá por
dentro, mas atravessei o escritório, direito ao cofre, para assegurar-me que
estava fechado (o que faço todas as noites), fazendo de conta que não queria
interromper-lhe a leitura.
-Onde
tem estado? – inquiriu de chofre.
Virei-me
e arvorei uma expressão reprovativa.
-
Francamente! A que propósito?
-
Devia ter-lhe perguntado, mais precisamente «onde é que não tem estado». Miss
Rowan telefonou cinco vezes, a primeira, pouco depois das oito, e a última, há
meia hora. Se me tivesse ido deitar, não teria conseguido dormir. Como sabe,
Fritz esteve esta tarde de folga.
-
E ainda não veio?
- Veio mas como tem de levantar-se cedo para preparar o pequeno-almoço, não o quero amanhã mal disposto.

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