Na habitual visita à Loja Frenesi encontrei as cartas de Luiz Pacheco endereçadas a Mano Forte que, na altura, dirigia uma das bibliotecas do Serviço Itinerante da Fundação Gulbenkian.
Luiz
Pacheco terá sido um dos bons clientes dos CTT.
Comprei este livro, o meu exemplar é o 366, em Dezembro de
2002.
Diz-nos
Bernardo de Sá Nogueira:
«Luiz Pacheco residia com
Maria do Carmo Matias em Almoinha (Santana-Sesimbra) desde 1960. A carta de 1
de Novembro dá-o em Cacilhas, vindo de Santarém a caminho de Almoinha».
Ainda
Bernardo Sá Nogueira:
«…Luiz Pacheco diz ter
quatro empregos: 1- revisor-chefe na Seara Nova; 2 – revisor-paginador-chefe na
Revista Portuguesa de Economia e Finanças; 3- revisor-literário-chefe na
Editorial Livros do Brasil; 4- revisor-aprendiz no jornal “O Século”. Três
deles , porém, seriam mais empregos em perspectiva que outra coisa: “de todos
este grande futuro, só comecei ainda a trabalhar na Seara”. Menos de um mês
depois, em 1 de Novembro, informa Ant´nio José Forte que perdeu em Lisboa “os
empregos todos, com certa alegria”»
Um
ligeiro chamar de atenção de Bernardo Sá-Nogueira:
«Dos textos transcritos
irrompem, singulares, Luiz Pacheco e a sua opinião. A leitura de quaisquer
cartas por si escritas, antigas ou noivas, deixa-nos sempre a mesma dúvida:
escrita premeditada, no pressuposto da publicação – como acusou Manuel de
Lima».
Jorge
Listopad numa entrevista de Luiz Pacheco:
Alguns sim. Mas eu não
podia publicar as minhas cartas e as dos outros sem pôr os nomes. Isso sempre
foi um hábito meu, dar o nome aos bois. Depois um dia apareceu o Listopad a
dizer que nunca mais me ia escrever nada, porque eu podia publicar as cartas
dele, e eu respondi-lhe que estivesse descansado, as cartas dele não tinham
nenhum interesse literário. Só me interessava quando tinham um cheque lá
dentro. Também, nunca eram mais de 100 ou 200 paus…
Finalizo
com um sublinhado meu:
Carta
– 1 de Novembro de 1961. Cacilhas. De regresso de Santarém e a caminho de
Sesimbra/Almoinha:
Caríssimo
Recebida hoje rua carta no
Gelo, quando voltava de Santarém com o Herberto Helder. O livro dele, edição
Contraponto a pagar em futuro incerto (pelo Autor, tá visto), está quase
pronto. Chama-se Poemacto e acho que é o melhor que ele fez. Uma grande saltada
para fora daquele seu estilo habitual e um pouco arrebicado dos livros
anteriores
LUIZ
PACHECO
org. e notas de Bernardo de Sá Nogueira
capa de Rui Ochôa (fotog.)
Lisboa, 2002
Livraria Alexandria
1.ª edição
186 mm x 130 mm
176 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo mas com apontamentos
manuscritos de Luiz Pacheco
PEÇA DE COLECÇÃO
VALORIZADO PELA ASSINATURA DE POSSE DO AUTOR («EXEMPLAR N.º 814 – O MEU –
19/4/2002»)
250,00 eur (IVA e portes incluídos)
Volume constituído por cartas de Luiz Pacheco (1925-2008) dirigidas ao poeta
surrealista António José Forte (1931-1988), a que se seguem incontornáveis
anotações do organizador, quer acerca dos autores, quer de livros ou textos
avulsos referidos.
pedidos para:
pcd.frenesi@gmail.com
telemóvel: 919 746 089 [chamada para rede móvel nacional]

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