O Velho Que Lia Romances de Amor
seguido
de
Mundo do Sem Fim
Luís
Sepúlveda
Tradução:
Pedro Tamen
Círculo
de Leitores, Lisboa, Abril de 1997
Com
as primeiras sombras da tarde desatou-se o dilúvio, e poucos minutos depois era
impossível para ver para além de um braço estendido. O velho deitou-se na rede
à espera que chegasse o sono, agitado pelo violento e monocórdico murmúrio da
água omnipresente.
Antonio
José Bolívar dormia pouco. Quando muito cinco horas de noite e duas à sesta.
Bastava-lhe isso. O resto do tempo, dedicava-o aos romances, a divagar acerca dos
mistérios do amor e a imaginar os lugares onde aconteciam as histórias.

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