Mostrar mensagens com a etiqueta António Botto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Botto. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

POSTAIS SEM SELO


Afirmam que a vida é breve. Engano, - a vida é comprida. Cabe nela amor eterno e ainda sobeja vida.

António Botto

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O QUE ELE QUER É CONVERSA...


Carta de Jorge de Sena, datada de 16 de Novembro de 1969, para Eugénio de  Andrade:

Viste o artigo do Cesariny, contra o meu prefácio do Breton, fingindo até que a tradução, que é do Tamen, é minha? Aquela víbora tem sido sempre uma das minhas sombras negras – sem que eu lhe tivesse feito jamais o mal que outros lhe fizeram. Cada vez mais acho que ele é apenas uma piada, com talento às vezes, piada promovida pela necessidade que todas as gerações sentem de ter um Botto de Estação do Rossio. Nada é mais triste que um raivoso que teve a sua hora. Curioso é como, na sua maioria, com honrosas excepções, a gente surrealista portuguesa se distinguiu sempre por uma falta de dignidade e de carácter a toda a prova: e tudo fica na triste diferença entre St. Germain des Prés e a Avenida Almirante Reis. Claro que, neste caso, o que ele queria era botar sentença numa edição que sonharia lhe fosse confiada. E falar de tradução um sujeito que pôs «surrealismo criador» nas suas falhas de francês e português ao traduzir Rimbaud… Que miséria – a dele, e a dos litras portugas que o papisam. O que ele quer é conversa – mas está bem livre. Não falemos em coisas tristes.

Em Correspondência

Legenda: Mário Cesariny de Vasconcelos

domingo, 5 de abril de 2015

POSTAIS SEM SELO


A morte devia ser uma vaga fantasia.

António Botto

segunda-feira, 16 de março de 2015

ANTÓNIO BOTTO



Um dos maiores poetas da língua portuguesa.

Fernando Pessoa considerou-o o seu maior mestre na poesia.

O crítico João Gaspar Simões escreveu que a poesia de António Botto põe-nos diante de um dos mais delicados problemas do amor.

Federico Garcia Lorca: bom e amável como criança predestinada, conhecê-lo e ouvi-lo é ganhar tempo aprendendo muita coisa que só ele sabe dizer como ninguém.

Camilo Pessanha considerou Botto como um assombroso artista, um extraordinário poeta.

Para Raul Brandão, António Botto era o grande mestre da poesia moderna.

Poemas seus constam da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia:

A suprema originalidade de António Botto reside, sobretudo, no desassombro com que procura redimir o lado negro do erotismo, disputando luminosamente a homossexualidade a uma maldição que até aí a aprisionava à grilheta da sátira ou da musa obscena.

Em Novembro de 1942, foi demitido da função pública, era escriturário de primeira classe do Arquivo Geral de Identificação, por não manter na repartição a devida compostura e aprumo, dirigindo galanteios e frases de sentido equívoco a um seu colega, denunciando tendências condenadas pela moral social, por fazer versos e recitá-los durante as horas regulamentares do funcionamento da repartição, prejudicando assim não só o rendimento dos serviços mas a sua própria disciplina interna.


Cinco anos depois, foi para o Brasil, levo comigo os meus versos, a minha alma e a minha angústia, mas a sua vida não deixou de ser atribulada.

Nos últimos anos, vivia da caridade alheia, vinte cruzeiros por um poema.

Na noite de 4 de Março de 1959, ao atravessar uma rua no Rio de Janeiro, foi atropelado, vindo a morrer no dia 16.

Tinha 61 anos.

Em 29 de Outubro de 1965 os seus restos mortais foram trasladados para Lisboa, por via aérea, mas só em 11 de Novembro de 1966 foram depositados num gavetão no Cemitério do Alto de São João.

 Na cerimónia fúnebre estiveram presentes, entre outras personalidades do meio intelectual, José Régio, Ferreira de Castro, David Mourão-Ferreira, Luís Amaro, Natália Correia. Assis Esperança, Dórdio Guimarães.

António Botto é, hoje, um poeta esquecido.

Não é o único.


Legenda: retrato de António Botto da autoria de Almada Negreiros.

                 Notícia do Diário de Lisboa de 10 de Novembro de 1966.