Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Rebelo de Sousa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Rebelo de Sousa. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de março de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO


António José Seguro, a partir de hoje, é o novo presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa que, após dois mandatos, deixa Belém.

Dois mandatos presidenciais com algumas sombras:

- o caso das gémeas luso-brasileiras que levou a um corte de relações com um dos seus filhos e transformou-se numa autêntica novela mexicana

- o caso do encobrimento dos crimes sexuais da igreja.

- o caso de, por uma birra, ter liquidado o governo de maioria absoluta de António Costa, empurrando o país para eleições que resultariam  nos governos de Luís Montenegro.

Outros casos de sombra existiram, mas estes foram marcantes.

Ficaram os afectos, as selfies, Feiras do Livro, por Setembro, nos jardins do Palácio de Belém.

Marcelo, como presidente, quis ser um anti-Cavaco Silva.

Certamente, António José Seguro não vai querer ser um anti-Marcelo. 

Tem um outro olhar, uma outra pretensão para o cargo que agora inicia.

Espera-se...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

SOLTAS


Francis Ford Coppola produz vinhos para fazer os filmes que quer sem depender dos estúdios.

 «Sou apenas uma folha no vento. Fiz quase vinte filmes, muitos deles interessantes. Fala-se sempre nos altos e baixos da minha carreira, mas os meus verdadeiros “flops”, os que não fizeram dinheiro ou não tiveram aplausos ou prémios, foram apenas quatro: Do Fundo do Coração, Rumble Fish, Jardins de Pedra e Cotton Club. Acho que os meus “flops”,  são dos mais interessantes que algum realizador teve, porque eram filmes que tentavam ser diferentes. Sei que as pessoas pensam em mim primordialmente como realizador de O Padrinho, porque foi O Padrinho que o público realmente gostou. Estou a tentar fazer os filmes que quero e sempre a adiá-los para ganhar o dinheiro para pagar as dívidas dos filmes que fiz. Nestes últimos dez anos tenho estado sobretudo ocupado com a minha própria sobrevivência.»

1.

«São breves as flores dum cacto e tardam a nascer. Quando nascem vêm embrulhadas numa penugem que faria inveja ao papel de seda e abrem-se perfeitas, como peças de porcelana fina. Como uma dedicatória num “Livro da Noite” que dizia assim:

“Para ti, a fraternidade de quem escreve livros com a noite para que outros dias sejam possíveis”.»

2. 

Epitáfio do poeta Nicolas Guillen;

«Aqui estou. Lamento tê-los feito esperar tanto tempo.»

3.

E a sua inteligência parecia ser daquelas que acendem fósforos à distância.

4.

Até amanhã é uma primavera de abraços que se adia.

5.

Viagens.

Partir é bom, mas regressar é excelente.

6.

Não necessito de resposta. A dúvida delicia-me longamente.

7.

Em 1999, Marcelo Rebelo de Sousa coordena e publica a Fotobiografia de Baltasar Rebelo de Sousa, seu pai, ministro da ditadura e governador-geral de Moçambique.

O livro foi apresentado num velho restaurante da marginal, junto a S. João do Estoril.

Ness e restaurante, nos anos 50, Baltazar Rebelo de Sousa reunia-se com o seu grupo político numa mesa redonda sempre reservada. Jantavam, cavaqueavam, com música de fundo do Conjunto Shegundo Galarza.

A lagosta àTherminor, um clássico da culinária francesa, custava 48 escudos.

8.

O julgamento de José Sócrates volta a ser adiado porque a advogada nomeada, renunciou invocando que dez dias que a juíza lhe deu para consultar o processo não é tempo suficiente.

O processo é absolutamente gigantesco: tem 300 mil páginas, 126 apensos, tem 400 horas de escutas telefónicas.

9.

Chega de mortes. Chega de destruição.

 ONU diz que guerra na Ucrânia é “uma mancha na nossa consciência coletiva”

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

AS TRAGÈDIAS QUE NOS ATINGEM


Abertura a cargo do escritor Gonçalo M. Tavares:

«Nas grandes tragédias o grande problema é sempre a solidão.»

1.

Tudo o que se vai passando com as depressões climáticas acentuam a incompetência do governo de Luís Montenegro.

Não adianta muito a substituição de alguns ministros porque todo o problema está em quem chefia o governo.

Cansados estamos daquela figura quase sinistra de sorriso cínico.

Que saída?

2.

Alguém, enfrentando as cheias em Alcácer do Sal, desabafa na reportagem do Diário de Notícias:

“Nós temos cheias, mas aqueles desgraçados de Leiria nem telhado têm para dormir”

A Avenida dos Aviadores, na baixa de Alcácer do Sal, voltou a ficar inundada, o que obrigou ao corte do trânsito na zona. A chuva continua e há estradas alagadas por este concelho no distrito de Setúbal.

3.

«Depois da destruição causada pela depressão Kristin, Portugal volta a enfrentar mau tempo com a chegada da Leonardo. Com os terrenos já encharcados, a nova sequência de chuva, vento e agitação marítima aumenta a probabilidade de cheias e inundações, sobretudo nas cidades impermeabilizadas: “Parte das nossas cidades está construída sobre leitos de cheia, que naturalmente inundam”», diz ao Diário de Notícias o especialista João Joanaz de Melo.

4.

Centro e Oeste e Vale do Tejo representam 20% da economia. Impacto devastador da Kristin e do clima adverso, que continua sem dar tréguas, vão custar, pelo menos, 2,5 mil milhões de euros. Economia ia crescer cerca de 2,3%, mas deve baixar para 1,3% ou menos.

5.

«Em vez de «aqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida», o Primeiro-Ministro devia ter dito: «aqueles que falharam em evitar a morte». Assim, percebia-se melhor por que é que devemos estar sempre do lado dos falhados e contra discursos cínicos.»

Cristina Fernandes no Bicho Ruim

6.

«A ministra da Administração Interna é a metáfora mais exposta, fácil e óbvia de um Governo barata tonta, que anda aos círculos neste comboio de tempestades, sem saber o que fazer e para onde vai. É quase compreensível que uma jurista qualificada, de gabinete, opte pela “reflexão” em vez da ação junto da Proteção Civil. E que diga que não saiba o que falhou, ou, ainda, opte pela misericordiosa tese da “aprendizagem coletiva”. Já todos percebemos que Lúcia Amaral é uma carta fora deste baralho. Muito mais perturbador é ver a propaganda ignóbil de Leitão Amaro, na pele de maestro da comunicação governamental, projetando uma realidade alternativa, como dizem noutros lados, quando toda a gente está a ver uma tragédia. Ou a palhaçada ofensiva de Nuno Melo, que leva os soldados para fingir que estão todos no terreno. Muito mau mesmo, também, é constatar que ainda pagamos, com mortes, a trágica decisão, tomada nos Governos de Barroso e Santana Lopes, corrigida, em parte, por António Costa, no Governo de Sócrates, de entregar o SIRESP, com um cheque de 500 milhões de euros, a um consórcio servido por alguns facilitadores desse velho mundo laranja, que vinha do cavaquismo. Essas velhas lógicas clientelares matam. E essa é a “aprendizagem coletiva” sobre como não fazer que ainda está por ser lecionada.» 

Eduardo Dâmaso no Correio da Manhã

7.

"O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian exprime a sua solidariedade com todas as pessoas afectadas pela tempestade que assolou o país. O Conselho criou um Fundo de Apoio Extraordinário, no valor de cinco milhões de euros, de apoio a essas pessoas. Este apoio de emergência e pós-emergência será articulado com a Estrutura de Missão para a Reconstrução da região Centro do País e com as entidades locais das áreas envolvidas", pode ler-se no comunicado.

8. 

A EDP anunciou um apoio de “mais de 800 mil euros” às comunidades afectadas pela tempestade Kristin, com a suspensão temporária da facturação e apoio a clientes com centrais solares danificadas.

“No total, a EDP vai assumir um custo de mais de 800 mil euros de forma a poder apoiar os seus clientes nas regiões afectadas pelo mau tempo”, anunciou a empresa em comunicado.

Na nota, a eléctrica dá também conta que “suspendeu o envio de facturação aos seus cerca de 700 mil clientes com casas ou empresas nas zonas mais afectadas pela tempestade que atingiu o país”.

“Serão ainda disponibilizados acordos de pagamento ajustados à situação de cada cliente, sem juros”, prossegue a nota.

9.

«Depois de ter apontado baterias aos problemas de comunicação do Governo com as populações, o Presidente da República atirou também responsabilidades para as operadoras de telecomunicações.

 “As comunicações portaram-se mal, portaram-se mal”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa numa visita pelas regiões afectadas pela tempestade Kristin, nesta quarta-feira. “A Vodafone aguentou um bocadinho mais, mas depois ficou tudo sem comunicações”, identificou o Chefe de Estado, em declarações transmitidas pela SIC Notícias.

As operadoras estão no terreno a tentar recuperar serviços, havendo ainda populações que não têm acesso, não só porque não há energia, mas também porque há infra-estruturas de comunicações que ficaram danificadas. Mas há um factor de culpa das empresas, segundo o Presidente da República.»

Diogo Cavaleiro no Público de hoje.

Fontes:

Público

Diário de Notícias

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Lusa

Legenda: pormenor da capa do Correio da Manhã de hoje

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

AS TRAGÉDIAS QUE NOS ATINGEM

1.

Como o governo de Luís Montenegro tem o tique de a tudo chegar com atraso, foi anunciado hoje que o governo vai isentar de portagens durante uma semana nas zonas afetadas pela depressão Kristin, no perímetro que abrangerá trechos da A8, A17, A14 e A19.

A isenção começará à meia-noite e vai estender-se até terça-feira, dia 10 de fevereiro, às 24 horas.

“Esta decisão foi tomada por forma a poder apoiar a deslocação de materiais e de voluntários para estas regiões do país, em estrita articulação com as concessionárias e subconcessionárias", diz o comunicado.

O presidente executivo da Brisa, António Pires de Lima, revelou que a concessionária irá comparticipar em 30% o custo de isenção de portagens em zonas afetadas pelo mau tempo e o governo comparticipará com 70%

Bem-vinda solidariedade capitalista!!!...

2.

O governo está debaixo de fogo pela forma como tem gerido a crise causada pelas depressões que atingiram o país.

Tivemos o ministro da presidência António Amaro da Costa a mandar editar um vídeo em que aparecia em mangas de camisa, em trabalho árduo, ao ponto de o vermos a roer as unhas.

Tivemos o ministro Nuno Melo com a tropa atrás para fotografias e um vídeo para que o povo ficasse a saber da ajuda que os militares prestam às populações das zonas destruídas pelas tempestades.  

Para além dos atrasos vários do governo há populações que continuam sem luz, água e comunicações.

Luís Montenegro assegurou que o Governo está concentrado em "resolver problemas e não em responder a críticas", admitindo que é difícil resolver "os problemas todos e ao mesmo tempo".

Para que os disparates ministeriais continuassem, o ministro da Economia e Coesão territorial, Manuel Castro Almeida, em entrevista à SIC, face ao facto de os atrasos que os apoios do governo às populações só se concretizarem no final de Fevereiro, sugeriu que as pessoas utilizem o “ordenado do mês passado” para a recuperação dos prejuízos.

Já tivemos a aprendizagem colectiva da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, não saber o que falhou no atraso às populações, e ojustificar a sua ausência no terreno com o ter tem estado a trabalhar "em contexto de invisibilidade, no gabinete".

Este governo é uma verdadeira nódoa e, como dizia o Eça de Queiroz, nódoas destas só saem com benzina!

3.

Montenegro desvia-se das críticas que são feitas à actuação do governo, dos disparates dos ministros:

“Estamos concentrados em resolver problemas e E sabemos que há muita dificuldade em resolver os problemas todos e ao mesmo tempo.”

Já sobre críticas à actuacção, em particular, da ministra da Administração Interna, Montenegro desvia o assunto:

 “Estamos concentrados em olhar para cada pessoa, para cada família e poder dar a solução para o seu problema. E sabemos que há muita dificuldade em resolver os problemas todos e ao mesmo tempo.”

4.

Perto de 1200 militares do Exército e 222 viaturas estão desde esta terça-feira no terreno em operações de apoio às populações na região Centro, afectada pela passagem da depressão Kristin, segundo aquele ramo militar.

Porque demoraram tanto tempo a chegar?

4.

A depressão Leonardo já chegou.

O comandante nacional de Emergência e Protecção Civil alertou para a situação meteorológica “muito complexa” prevista para os próximos dias, que obrigou a elevar o estado de prontidão do dispositivo para o nível mais elevado.

Portugal continental irá começar a sentir os efeitos da depressão Leonardo  prevendo-se que “o período com valores acumulados de precipitação mais elevados e vento mais intenso seja na noite” de quarta para quinta-feira.

Para já chuva persistente e forte ventania.

5.

Marcelo Rebelo de Sousa, regressado hoje após uma visita ao Papa, avisou que “não serve de nada ter medidas no papel” de apoio às populações afectadas pelo mau tempo se não for possível executá-las, pedindo coordenação no terreno e acabou por concluir que explicação do Governo às populações “não correu bem”

Fontes:

Público

Diário de Notícias

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Lusa

domingo, 1 de fevereiro de 2026

AS TRAGÉDIAS QUE NOS ATINGEM


Nunca tivemos um Governo tão mau.

Cinco dias depois da passagem da tempestade Kristin, Luís Montenegro, anunciou um conjunto de medidas destinadas às populações e empresas das zonas afectadas, num pacote que ascenderá a 2,5 mil milhões de euros, respondendo de forma indirecta às críticas perante a lentidão da actuação do Estado, mas sem reconhecer falhas na resposta à crise. 

Aumentam para oito as vítimas mortais da passagem da depressão Kristin.

1.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, classificou este domingo, em Roma, como "impressionante" o conjunto de medidas aprovado pelo Governo para apoiar as famílias e empresas fustigadas pela depressão Kristin.

Em declarações aos jornalistas o Chefe de Estado sublinhou a diversidade e a rapidez das intervenções planeadas pelo Executivo de Luís Montenegro.

2.

Joaquim Leitão, que teve cargos de direcção e comando no sector da protecção e socorro, considera que, perante a dimensão das consequências da tempestad Kristin, as Forças Armadas deveriam ter sido mobilizadas mais cedo e requisitadas em bloco.

3.

O parque industrial da Marinha Grande foi severamente afectado pelo mau tempo. Muitos pavilhões ficaram sem tecto e sem paredes, o que obrigou à suspensão da actividade. Sem conseguir produzir e com a maquinaria exposta à chuva e ao vento, empresários enfrentam prejuízos de milhões de euros, mas as contas ainda estão a ser feitas.

4.

"Foi feito tudo aquilo que era possível fazer para prevenir e colocar todas as forças em prontidão", diz Montenegro

Questionado pelos jornalistas sobre as críticas de que a reacção do Governo aos efeitos da depressão Kristin foi tardia, Luís Montenegro disse que "foi feito tudo aquilo que era possível fazer para prevenir e colocar todas as forças em prontidão no terreno. Do ponto de vista daquilo que era possível fazer-se, foi feito".

5.

Situação de calamidade até 8 de fevereiro.

O Governo anunciou ainda que vai apoiar a reconstrução de habitação própria e permanente em intervenções até 10 mil euros "sem necessidade de documentação" para os casos em que não haja cobertura de seguro. As obras de reconstrução dispensarão licenciamento e controlo prévio. O mesmo montante estará disponível para situações relacionadas com agricultura e floresta exatamente no mesmo montante.

6.

Cinco dias depois da Kristin, ainda só há uma rede de telemóvel a funcionar em pleno na Vila Nova de Anços, que se prepara para ser abastecida por água, pelos Bombeiros Voluntários de Soure.

Emília Belém tem 59 anos e uma empresa familiar, com o marido e um dos três filhos, cujo armazém sofreu danos muito significativos, que justificam o fim do negócio. "Ficámos sem nada, temos um prejuízo de mais de 500 mil euros" contou à agência Lusa, adiantando que tinha já material para entregar que "ficou todo desfeito". "Fomos das empresas mais afetadas do concelho", referiu Emília Belém que disse estar "sem forças" para reerguer a empresa Vilagrês.

7.

Fernando Ramos é o proprietário da padaria que neste domingo não conseguiu entregar pão em pelo menos cinco instituições do concelho e que abastece diariamente. A luz só chegou de manhã, mas não havia água. Uma interrupção, porque no próprio dia do temporal, tiveram tudo, menos comunicações e ainda só tem uma rede móvel estável.

8.

Falta de energia agrava perdas das empresas: “Há centenas de empregos em risco”
Ainda se está longe de se poder fazer uma avaliação aproximada dos prejuízos provocados pela tempestade Kristin na região Centro onde, na manhã deste domingo, ainda existiam cerca de 180 mil clientes (empresas e particulares) sem energia eléctrica. Mas a apreensão é muito grande entre os empresários, não só pelos danos provocados pela tempestade da passada quarta-feira, mas também pelos atrasos na reposição de energia — e outras dificuldades de reparação de danos.

Fontes:

Público

Diário de Notícias

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Lusa

sábado, 31 de janeiro de 2026

AS TRAGÉDIAS QUE NOS ATINGEM


JÁ SABÍAMOS, HÁ QUE REPETIR:

O GOVERNO DE LUÍS MONTENEGRO É DE UMA NULIDADE, DE UMA INCOMPETÊNCIA DE BRADAR AOS CÉUS!

Luís Montenegro como primeiro-ministro, tem dificuldade em encaixar a crítica, é teimoso, amiúde, por tudo e por nada, transforma-se em Kalimero.

Não tem uma pontinha que seja de sentido de humor, não é honesto. 

Subiu no PSD, até chegar a presidente, rodeado de gente sem escrúpulos, que lhe permitiram todas as habilidades, autênticos «yes men».

Nos anos que leva de governo, nunca soube rodear-se de pessoas competentes, bem pelo contrário: exemplos gritantes são as ministras da saúde, da administração interna, do trabalho.

Tem um sorriso cínico que lhe serve para todas as ocasiões.

1.

Milhares de casas e estabelecimentos continuam sem luz, sem água, sem comunicações.

2.

O governo decretou tardiamente o estado de calamidade nas áreas mais afectadas.

Nenhum governo pode ser responsável pelos ciclones que assolam o país mas pode ser criticado pelo modo como reage.

3.

O governo precisa de uma remodelação quase total.

Ou por outra: não podemos ter um primeiro-ministro como Luís Montenegro.

Não é admissível ouvir a ministra da administração interna, face à tragédia, dizer que estamos numa aprendizagem colectiva.

4.

Alguém das editorias noticiosas das televisões, TEM que dizer aos seus repórteres que NÃO podem, a alguém que ficou sem casa, ficou sem nada, perguntar: «Como se sente?» ou «qual é o valor do prejuízo», quando ainda o homem nem sequer conseguiu entrar na loja.

5.

António Leitão Amaro, ministro da presidência é um «totó» que tem a mania que é inteligente, que tem graça, e mandou montar um vídeo para as redes sociais em que aparece de mangas arregaçadas, a roer as unhas, a meditar, rodeado de walk-talkies e papelada, em plena tragédia espalhada pelo país, pretendeu mostrar serviço, mas face às amplas críticas que lhe foram dirigidas pelo oportunismo, apagou o vídeo.

“Se vivêssemos em tempos de gente com o mínimo sentido de Estado ou que a ainda restasse alguma decência e o Leitão Amaro não passava nem mais um dia como ministro", como disse Pedro Marques Lopes na SIC.

6.

Em Leiria, Marinha Grande Coimbra assiste-se à queda de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais da passagem violenta da depressão “Kristin”7

7.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 01 de Fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu em visita ao centro de Leiria, que o Estado tardou a compreender a verdadeira escala da destruição causada pela tempestade Kristin.

8.

Grande número de casas, supermercados, diversos serviços públicos ficaram sem telhados.

Dado que as previsões apontam para mais chuva e vento para domingo e dias seguintes, as pessoas desesperadamente colocam telhas, plásticos e lonas para mais água não entre nas suas casas, nas suas empresas.

Dois homens, um na Batalha, outro em Alcobaça morreram ao caírem de telhados que estavam a reparar-

9.

O dramático quotidiano da tragédia, copiado do Correio da Manhã:

10. 

Segundo a Lusa o o furto de cabos e de gasóleo de geradores tem afectado a reposição do abastecimento de água no concelho de Porto de Mós, no distrito de Leiria, disse o vereador Eduardo Amaral, que manifestou revolta.

"É mesmo revoltante. Depois de uma catástrofe natural, quando as pessoas já estão fragilizadas e a tentar sobreviver, ainda ter de lidar com esse tipo de atitude é de cortar o coração. Roubar cabos e gasóleo não é só roubo, é tirar luz, água, cuidados médicos e segurança a quem mais precisa"

11.

Crónica de Eduardo Dâmado no Correio da Manhã:

«Nas tragédias devemos sempre voltar ao básico. A democracia ergue-se com os pilares da justiça e da lei, da responsabilidade civil, penal e política. Ergue-se com os pilares do serviço e do interesse público. Ergue-se com a prestação de contas. Do Governo perante o Parlamento, dos partidos perante os portugueses, do Presidente da República perante todos. Nas tragédias devemos, por isso, voltar ao essencial da política. Ela não é um mero simbolismo. Deve procurar a sua razão de ser e materialidade no serviço às pessoas. E aí, os portugueses continuam a não ter respostas sérias dos sucessivos Governos na preparação contra os perigos previsíveis, venham eles dos incêndios ou de temporais. Os portugueses continuam a não ter respostas para os apagões, para a catástrofe das mortes na estrada, para as mortes por falta de socorro na saúde, para as vítimas de crimes ou das muitas omissões do Estado. Os portugueses não são protegidos com as frequentes mudanças de políticas, com a privatização de recursos naturais, como tem acontecido com a energia. Os portugueses não são protegidos por ministros que fazem da política exercícios de puro narcisismo, construindo vídeos de autopromoção em plena tragédia. Nem pelos que premeiam a incompetência de colegas, premiando-os para a gestão de empresas públicas. Ao não invertermos o rumo, isto vai acabar mal. A responsabilidade política não pode ser apenas uma folha seca ao sabor do vento».

12.

David Neves, presidente da Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores descreveu ao Diário de Notícias que em Leiria e concelhos vizinhos reina a desgraça. A situação nas explorações pecuárias é crítica. Sem eletricidade, água ou acesso a rações, os produtores enfrentam o desespero de não conseguir manter os animais vivos. Estão "com os corações devastados, completamente devastados. E isto é gravíssimo, as empresas da região ficaram "completamente devastadas", especialmente nas zonas mais florestais, onde as infraestruturas de suinicultura são predominantes e onde as consequências da tempestade foram "absolutamente catastróficas".

13.

O ministro da defesa Nuno Melo levou 30/40 militares, mais as televisões, para uma mata qualquer para fazer a limpeza. Acabadas as fotografias, o ministro,  mais a troupe acompanhante, foram-se embora e os militares arrumaram a trouxa e também saíram de cena e ficou o espanto, a revolta dos habitantes que olharam o triste e incrível espectáculo.

14.

Centenas de unidades fabris e supermercados ficaram destruídas após a passagem da tempestade. Trabalhadores vigiam instalações para evitar roubos.

 Se considerarmos que há nas empresas máquinas que custaram mais de um milhão de euros e que não trabalham... temos prejuízos de milhões de certeza.

15.

O município de Proença-a-Nova alertou para a presença de burlões no concelho que se fazem passar por prestadores de serviços de reparação ou fornecimento de matéria e alerta para a necessidade de máxima atenção na contratação de qualquer serviço.

Segundo a autarquia, estas situações ocorrem, sobretudo, em habitações desabitadas e têm resultado em furtos e aconselha a população a contactar imediatamente as autoridades perante qualquer situação suspeita.


16.

Dias de tempestade: a vida sem água nem luz e, para muitos, sem trabalho.

Há centenas de empresas destruídas, algumas não sabem se vão reabrir. Milhares de pessoas sem luz, água e comunicações.  As noites parecem intermináveis.

Mais uma vez, as populações face às catástrofes, sentem-se fragilizadas, desamparadas, as ajudas não chegam ou tardam em chegar e concluem:

NÃO SE PODE CONFIAR NOS GOVERNOS DA NAÇÃO!


Fontes:

Público

Diário de Notícias

Jornal de Notícias

Correio da Manhã

Lusa

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

NOTÍCIAS DO CIRCO


Dois dias sem percorrer as pedras do Cais.

Passei o sábado de reflexão, quando chega o dia em que as autoridades acabam com esta idiotice, esta anormalidade?... e o domingo, depois de exercer o meu direito de voto, em limpezas, na (im)possibilidade de encontrar espaço para os livros que se amontoam um pouco por cada sala da casa.

Sabemos, agora, quem irá à 2ª volta da eleição presidencial que ocorrerá a 8 de Fevereiro.

1.

«O próximo Presidente vai ter uma tarefa difícil.»

Marcelo Rebelo de Sousa, na sexta-feira antes das eleições.

2.

«O PSD foi escolhido para governar Portugal e não emitirá nenhuma indicação de voto para a segunda volta.»

Luís Montenegro

3.

Na segunda volta a esquerda apoia António José Seguro.

4.

«A direita acordou, e é hora de liderar a direita e juntar esforços para evitar um socialista em Belém. É esta a batalha da segunda volta das eleições presidenciais.»

O presidente «daquela coisa»

5.

Mantém-se os sérios riscos que pairam sobre a democracia portuguesa!

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

«Marcelo “comemora” quatro vezes o 25 de Novembro
Uma das novidades será a parada militar dos três ramos das Forças Armadas, que decorrerá na manhã do dia 25 de Novembro, no Terreiro do Paço, em Lisboa, e que foi uma das ideias que saíram da polémica comissão nomeada pelo actual Governo para pensar como fazer as comemorações do 25 de Novembro, tendo os partidos de esquerda recusado indicar representantes para este grupo de trabalho. Esta parada será presidida pelo Presidente da República, que foi esta semana convidado para isso pelo ministro da Defesa. A ideia inicial era fazer a parada em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, mas acabou por ser mudada para o Terreiro do Paço.»


Editorial de Helena Pereira no Público

terça-feira, 21 de outubro de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

António Costa, na sua vida dourada em Bruxelas, bafejado por toda aquela serenidade monetária, tem que se entreter com algo, e escreveu que os Presidentes reeleitos não têm ajudado à “estabilidade”.

Marcelo não se revê na opinião.

A jornalista Liliana Borges, no Público aborda os factos: 

«Num regime parlamentar como o português, o Presidente da República deve ser árbitro, não jogador. O recado é de António Costa que, no prefácio do livro Que Presidente da República para Portugal? – Contra a Tentação Presidencialista, do constitucionalista Vital Moreira, vinca que quem se senta em Belém deve ter uma função “essencialmente moderadora” e ser o “garante do regular funcionamento das instituições” — o que não tem acontecido, conclui. Marcelo Rebelo de Sousa anotou os recados, mas não se reviu nas críticas, e defendeu que a estabilidade “funcionou em momentos críticos”, insistindo que houve “sintonia” entre Belém e São Bento durante “oito anos e meio”.»

Leitura de um artigo de Liliana Borges no Público


domingo, 28 de setembro de 2025

CONVERSANDO


Marcelo Rebelo de Sousa terminará o seu mandato presidencial em Janeiro do próximo ano.

Este ano realizou a 8ª edição da Feira do Livro no Palácio de Belém.

Esteve para ser realizada nos dias de 4 a 7 de Setembro, mas a tragédia do Elevador da Glória, levou ao seu cancelamento e foi marcada  para esta semana  25 a 28 de Setembro.

Faltei às anteriores edições, por isto e por aquilo, o tempo decorrido não permite à metade do meu cérebro que ainda não está em branco, lembrar os porquês.

Este ano não faltaria mesmo, quem gosta de livros como eu, não deixaria de ir até Belém, inclusive, no final da visita, entrar nas longas filas, ali ao lado, para comer um Pastel de Belém.

Mas os deuses não quiseram nada com a cultura, e a Gabrielle resolveu estragar tudo.

Hoje, ainda olhei  o tempo lá, li que são permitidos os guarda-chuvas, mas não vi boas possibilidades, olhar, folhear livros debaixo de chuva e vento não é nada agradável!...

Os enormes lamentos, melancólicos e tristes, ficam comigo.

Contudo, Luís Marque Mendes, candidato à presidência , com um largo sorriso, disse aos jornalistas, que se for eleito presidente, manterá a organização da Festa do Livro nos jardins do Palácio de Belém.

Marques Mendes, por motivos óbvios, não é o meu candidato, mas se ele for à 2ª volta das eleições, contará, qual novo sapo a engolir, com o meu voto…

sábado, 6 de setembro de 2025

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

O candidato a presidente da república, e ex-Almirante da Marinha portuguesa, criticou Marcelo Rebelo de Sousa pelas suas declarações na Universidade do PSD em Castelo de Vide:

«O Presidente não deve fazer comentários pessoais ou de índole pessoal, porque representa o Estado português, e nós somos um Estado aliado do Estado norte-americano».

Marcelo classificou Donald Trump como “activo soviético”, algo que se vai dizendo pelos cafés em qualquer parte do mundo.

É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS


 Esta é a parte muito positiva das presidências de Marcelo Rebelo de Sousa.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

À LUPA


Um Agosto quentérrimo.

Pouquíssimos os clientes na esplanada do Café do Bairro,

mas o Dudu nunca falha e atirou para quem o quis ouvir:

No creo en brujas, pero que las hay, las hay.

Deixem o Luís continuar a trabalhar, a trabalhar, deixem, deixem, deixem…deixem… e vão ver o descaminho que isto vai levar…o país em chamas e as excelências da presidência e do governo a jantarem em Cacela Velha… gente fina é outra loiça… pois então…

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

O norte do país está, há dias, a arder.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, reúnem-se esta tarde, na Câmara Municipal de Faro,tendo em cima da mesa uma agenda com dois pontos: a declaração de inconstitucionalidade, por parte do Tribunal Constitucional, de cinco normas do projeto-lei relativo à imigração e os incêndios que assolam o país, e nada mais.

Também não estão previstas declarações no final da reunião. 

sexta-feira, 25 de julho de 2025

À LUPA


Segundo o Expresso, Nicole Kidman fez pedido de residência em Portugal em 2023. 

A actriz australiana esteve no balcão da AIMA durante 45 minutos juntamente com os seus representantes legais em Portugal.

Todos os outros, os que esperam dias e dias para serem atendidos ao balcão da AIMA, para que alguém lhes ponha um carimbo que lhes permita trabalhar no que aparecer, sentem as diferenças de tratamento, mesmo não sabendo, sequer, quem é Nicole Kidman.

Claro que há diferenças… e que diferenças!

Na quarta-feira, O Globo do Rio de Janeiro noticiava que Nicole Kidman comprou, em Melides, no luxuoso empreendimento «Costa Golf & Ocean Club» uma casa milionária.

Mas não foi pela Kidman que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa mandou para o Tribunal Constitucional a Lei dos Estrangeiros, não poupando o Governo. Marcelo olhou a «lei» feita com os pés por Montenegro e o rapazola «daquela coisa» e reparou que aquilo estava marcado pelo risco de “potenciais tratamentos diferenciados e discriminatórios”.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO

O Presidente da República enviou, hoje, ao Tribunal Constitucional o decreto do Parlamento que altera algumas regras da lei que regula a entrada, permanência e afastamento de imigrantes do país colocando dúvidas constitucionais sobre sete normas que, na sua maioria, restringem o reagrupamento familiar de cidadãos estrangeiros. Marcelo Rebelo de Sousa pede urgência na resposta e fixa o prazo de 15 dias para a pronúncia dos juízes do Palácio Ratton.

Na mensagem enviada ao Tribunal Constitucional o presidente dá um arraso na lei que o governo e «aquela coisa» fizeram, em tempo foguete, aprovar no Parlamento salientando os abusos, as inconstitucionalidades, que tal lei, se for aprovada, poderá permitir.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


Cimeira da NATO em Haia.

Uma enorme palhaçada para adormecer camelos.

Num graxismo nunca visto em acontecimentos deste jaez, o Secretário-Geral da NATO, o incrível Mark Rutte, numa mensagem, possivelmente particular, enredou-se num bajulamento com Donald Trump, que de imediato a tornou pública.

Vergonha das vergonhas!

Mark Rute retratou Trump como o “papá”, pelo seu papel nas negociações para alcançar um cessar-fogo entre o Irão e Israel e Donald comentou que Rutte foi muito carinhoso para com ele.

«Ele gosta de mim, acho que gosta de mim. Se não gostar, eu digo-te: Volto e bato-lhe com força, está bem? Muito afetuoso", disse Trump, em resposta à pergunta de uma jornalista da Sky News, à margem da cimeira da NATO, em Haia.

"Ele fê-lo com muito carinho. Papá, tu és o meu papá", continuou.

Convém recordar que o termo surgiu  porque Trump comparou o Irão e Israel como "dois miúdos no recreio de uma escola", que tinham de ser deixados a "lutar durante dois ou três minutos" para ser "mais fácil pará-los". 

Foi nesta altura que o secretário da NATO interveio para dizer que, depois, "o papá tem de usar linguagem forte para os fazer parar".

"É preciso usar linguagem forte, de vez em quando; é preciso usar uma certa palavra", concordou Trump.

Tudo isto aconteceu mesmo?

Não será um qualquer sketch dos Monty Python?

1.

Maria João Guimarães no Público de hoje:

«Após doze dias de guerra, Israel, EUA e Irão “não cumpriram todos os seus objectivos”
Israel conseguiu uma vitória, mas no país “começam as perguntas”, o mesmo nos EUA. O Irão sofreu uma derrota humilhante, mas o programa nuclear apenas se atrasou, e o regime não caiu.

Foram dias nada menos do que extraordinários, com os primeiros ataques israelitas, a resposta iraniana, a entrada dos EUA na guerra, e ainda um cessar-fogo, anunciado, quebrado, o que fez um Presidente ordenar uma acção a um aliado através de uma rede social. Se muito mudou nesta guerra cheia de acontecimentos “sem precedentes”, houve ainda muito que se manteve. Isso provoca preocupação quanto à longevidade desta calma após a tempestade.»

2.

Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que Portugal não teve conhecimento de ataque ao Irão.

3.

«É muito difícil escrever na manhã seguinte a uma declaração de guerra. Kafka escreveu no seu diário, no dia 2 de agosto de 1914: “Hoje a Alemanha declarou guerra à Rússia. De tarde fui nadar”. Kafka não foi indiferente aos acontecimentos e escritos posteriores seus mostram a sua angústia perante a guerra que dilacerava a Europa. Mas o que se pode dizer no início ou na viragem decisiva de uma guerra?

As declarações de guerra, apresentadas formalmente aos governos por embaixadores em trajes de cerimónia, são, porém, coisa do passado. O estado de guerra entre o Irão e Israel existia há muito tempo e o facto novo, mas tão ou mais relevante do que uma declaração de guerra à antiga maneira diplomática, foi a entrada em força dos Estados Unidos nesta guerra.

A Arábia Saudita, que se apressou a condenar o ataque dos seus amigos americanos, e os emiratos do Golfo Pérsico (insisto, Golfo Pérsico) sabem que Teerão e os seus aliados hutis no Iémen têm capacidade para bloquear as suas remessas de petróleo por algum tempo. Esta viragem fundamental (embora previsível) no curso da guerra no Médio Oriente vai obrigar os Estados árabes a mais declarações platónicas de apoio aos palestinianos, que entretanto continuarão a ser massacrados, agora com menos espetadores, porque as atenções estarão viradas para o Irão. Uma boa notícia também para Putin, que se permite declarar, contra todos os tratados que a Rússia assinou, que a Ucrânia é uma parte integrante da Rússia.

Nós não sabemos (e a declaração arrogante de Trump de que a Europa nada tinha que ver com as negociações com o Irão mostra que muitos mais não sabiam) os negócios ou, como prefere dizer Trump, as transações, que terão sido tecidas entre os poderes dominantes, de que a Europa foi excluída, isto é, entre os Estados Unidos, a Rússia e (quem sabe?) a China.

E como nem nós, leitores do Diário de Notícias, nem os dirigentes da nossa Europa (o que é mais grave) estão dentro da verdadeira negociação paralela a esta batalha, encerro esta página, não, como Kafka, declarando a minha intenção de ir nadar (ainda que o tempo hoje esteja bom para essa atividade), mas ocupando os carateres que me restam com o final da crónica que tinha escrito para hoje, sobre a perda das ilusões e a corrida, no final de Os Maias, de Carlos da Maia e João da Ega atrás de um transporte público:

Atrevo-me a pensar que alguns leitores possam sentir-se identificados, lá no fundo de si mesmos, com o estado de perda de ilusões em que este cronista se encontra (ou pretende que se encontra: como o poeta, o cronista é um fingidor). Se assim for, terá valido a pena este exercício de escrita à volta da perda das ilusões. É aliás um belo título de um excelente romance de Balzac, As Ilusões Perdidas, que em muitas ocasiões parece até passar-se nos dias de hoje. Ou o final da Educação Sentimental de Flaubert ou dos Maias do Eça, onde a perda das ilusões é sintetizada numa conversa cínica entre os principais personagens (Flaubert) ou numa cómica corrida atrás de um meio de transporte, a caminho de uma capitosa ceia (Eça). Porque, afinal, perdidas as ilusões, resta-nos só o irrisório exercício da nossa sobrevivência.

A lanterna vermelha do americano, ao longe, no escuro, parara. E foi em Carlos e João da Ega uma esperança, outro esforço:

- Ainda o apanhamos!

- Ainda o apanhamos!»

Luís Filipe Castro Mendes no Diário de Notícias

segunda-feira, 3 de março de 2025

NOTÍCIAS DO CIRCO


Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, virou Calimero.

É um primeiro-ministro precário, como se pode ler no editorial do Público.

Se o governo cair, a culpa apenas poder ser assacada a Luís Montenegro.

O Partido Comunista apresentou uma moção de censura.

O Partido Socialista vai avançar com uma comissão de inquérito obrigatória à empresa familiar de Luís Montenegro e ameaça com moção de censura e Pedro Nuno Santos vai pedir audiência ao Presidente da República para justificar a iniciativa do PS.

A Ordem dos Advogados também vai averiguar as suspeitas de violação da lei dos actos próprios da advocacia por parte da empresa propriedade da família do primeiro-ministro.

A Procuradoria Geral da República recebeu denúncia anónima e vai analisar se há alguma ilegalidade relacionada com os negócios da empresa familiar de Luís Montenegro
O constitucionalista Reis Novais defende existir, no mínimo, violação de obrigação de exclusividade pelo primeiro ministro, e que este deveria ser, em última análise, demitido pelo PR ou destituído pelos tribunais.

Depois de tudo isto, provavelmente mais algumas coisas, o gabinete do primeiro ministro revela que o primeiro-ministro vai pedir à Entidade que faça uma auditoria.

Apesar das críticas dos partidos ao silêncio do Presidente da República sobre a polémica em torno do primeiro-ministro, Belém remete para depois do desfecho parlamentar comentários sobre a crise política.

Amílcar Correia no editorial do Público:

«Há duas qualidades que o primeiro-ministro não tem demonstrado: transparência e clareza. Luís Montenegro geriu este caso da sua empresa familiar com a intenção de ocultar o que deveria ter sido esclarecido e de desocultar o que não importava. A estratégia de resposta foi tardia e esquiva. O primeiro-ministro acha sempre que a gestão do silêncio é a melhor gestão possível, porque os problemas se esfumam sem precisar de responder. Mas, neste caso, não o foi.»

Chegámos a isto!

Os canais televisivos rejubilam e os comentadores amontoam-se em horas seguidas a debitar as mesmas coisas que se reduzem a nada.

É a vida, como um dia disse o engenheiro.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

DISTO, DAQUILO E DAQUELOUTRO


Fidel de Castro não estaria muito longe da verdade quando um dia disse que, democrata, ou republicano, o presidente dos Estados Unidos é apenas isso, sem qualquer tipo de diferenças.

Quase no findar do ano morreu Jimmy Carter que foi um dos piores presidentes dos Estados Unidos.

Dentro de alguns dias terminará a presidência de Joe Biden que se coloca num péssimo desempenho presidencial da dita maior democracia do mundo.

Administração Biden continua reiterar o direito de Israel de se defender “de acordo com o direito internacional e o direito internacional humanitário”.

Ainda agora, os Estados Unidos preparam a venda de mais de oito mil milhões de dólares em armas a Israel.

A guerra israelita em Gaza deslocou quase toda a população de 2,3 milhões de habitantes, provocou uma crise de fome e levou a acusações de genocídio, feitas por organizações de direitos humanos, como a Amnistia Internacional, que Israel nega.
As autoridades de saúde de Gaza dizem que já morreram mais de 45 mil pessoas e receiam que muitas outras estejam soterradas debaixo dos escombros.

Para completar a má presidência, depois de desde o início do mandato, ter ignorado Kamala Harris, Joe Biden, emitiu um decreto presidencial que dá imunidade absoluta ao seu filho, Hunter Biden, contra qualquer acusação criminal — ou condenação em tribunal — relativa a acontecimentos registados na última década. Numa primeira reacção, o Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, perguntou, de forma irónica, se o perdão em causa também abrange os seus apoiantes que foram acusados e condenados por causa da invasão do Capitólio, a quem já prometeu amnistias assim que regressar à Casa Branca.

1.

O relatório do Instituto Nacional de Estatística divulgado em Fevereiro de 2024 aponta para que 17% da população, em 2022, estavam em risco de pobreza e
mostra que uma em cada dez pessoas empregadas era pobre e que o risco de pobreza é quase o triplo entre quem tem um contrato de trabalho temporário e quem tem contrato sem termo.

2.

Um grupo de cidadãos, que tem como principais rostos os dois antigos dirigentes maçónicos José Manuel Anes e Paulo Noguês, vão constituir uma associação que pretende ajudar à eleição presidencial do almirante Henrique Gouveia e Melo.

3.

Lido na Antologia do Esquecimento:

PROGRAMÁTICO

«2014: "A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor".

2023: "Nós não somos cristãos-novos, nós somos cristãos por convicção."

2024: “Há um país que pulula todos os dias, apesar dos problemas no INEM, que são graves e que nós estamos a resolver."

2024: "Muitas vezes não é preciso que haja muitos crimes para que as pessoas se sintam inseguras."

Cada uma destas frases proferidas por Luís Montenegro dava um ensaio. A primeira revela um homem insensível, a segunda é um claro exemplo de falta de noção histórica, pura incultura, a terceira é típica de mentes irresponsáveis e levianas, a última e mais recente sugere toda uma nova lógica da acção política: actuar sobre percepções para oferecer sensações. Vocês sentem-se inseguros? A gente mete a bófia a encostar pretos e monhés à parede. Talvez assim se sintam mais seguros. Isto é um forte indício ou de racismo ou de xenofobia. Venham as percepções e escolham.»

4.

A fábrica da Tupperware instalada em Montalvo, Constância, vai encerrar a atividade no dia 8 de Janeiro e despedir os cerca de 200 trabalhadores.

Finais dos anos 50, as reuniões que a mãe fazia com algumas vizinhas, com amigas, com chá e bolos secos  sortidos, para compra de produtos Tupperware, tudo gente morta, agora também a fábrica em Constança.

5.

No ano que terminou, mais de 100 militares pagaram para sair da Força Aérea, evidenciando a dificuldade de reter militares nas Forças Armadas.

6.

Desde 2019, morreram 40 pessoas atropeladas por condutores que fugiram.

Mais de 450 pessoas foram em média vítimas de atropelamentos com fuga, em cada um dos últimos seis anos.

 7.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que não vai ter saudades de ser chefe de Estado e prometeu que jamais vai falar de política na sua nova fase de vida, em que planeia dedicar-se a actividades em escolas básicas e secundárias.

8.

Demência de idosos e realidade fechada dos lares explicam taxa elevada de inquéritos-crime arquivados
Os crimes contra idosos ocorridos em lares só muito dificilmente são provados. Isso leva a que os inquéritos por suspeitas de maus tratos ou negligência dos utentes nestas estruturas residenciais, abertos no Ministério Público, sejam quase sempre arquivados.

9.

A idade legal de acesso à reforma vai avançar para os 66 anos e nove meses em 2026, segundo uma portaria publicada esta segunda-feira, confirmando os valores estimados com base nos dados da esperança média de vida divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Estes 66 anos e nove meses correspondem a uma subida de dois meses face à idade normal de acesso à reforma a partir de Janeiro de 2025.