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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

O TELEMÓVEL COMO UM PEQUENO ALTAR

«O modo como muitos dos humanos estão virados para o telemóvel, canalizando para o ecrã todas as suas possibilidades corporais e toda a sua actividade intelectual, é semelhante à adoração obsessiva por um deus. Como se o ecrã do telemóvel fosse um pequeno altar portátil que exige uma espécie de oração quase contínua – nunca na História existiu religião mais exigente de atenção por parte do devoto.

Talvez seja, então, o momento de mudar de Deuses, e do deus-ecrã se passar para a velha Deusa que Goethe adorava, a Deusa da Presença.»

Gonçalo M. Tavares

domingo, 7 de dezembro de 2025

POSTAIS SEM SELO

Dizem que a televisão fez diminuir a convivência. Não serão as dificuldades na convivência que introduz o poder da televisão?

Autor desconhecido.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

CONVERSAS NA ESPLANADA


Há uns bons três ou quatro anos, que não havia um café decente na rua. Surgiu então o Café Faz Falta com esplanada. A malta, que andava perdida por baiucas do bairro,  passou a assentar praça por ali.

O café fazia mesmo falta no bairro, daí o desenrascanço do nome que o dono lhe transmitiu.

As longas conversas na esplanada já têm história. Dois ou três habituais marcam os temas e a coisa arrasta-se, por vezes, com entusiasmo, por vezes, algum vernáculo.

Ontem, o Dudu não alinhou nem na política, nem no futebol, os sesu temas preferidos

È um entusiasta-mor do telemóvel mas decidiu dizer mal do dito.

«Estou lixado com o telemóvel. Dou por mim a ver coisas que não me interessam para nada, não sei estrelar um ovo mas tenho de gramar as receitas disto e daquilo, a juntar aos cães  a fazer habilidades, velhos a dançar músicas dos anos 60. Detesto o tempo que ando a perder nisto!...»

Aos lamentos, temporários do Dudu, que dependem do vento, ou do «cheirinho no café», juntou-se o Gaspar.

«Às sextas-feiras, lá em casa, acontece o jantar com os filhos e os netos. Gasto dinheiro, horas de trabalho a preparar tudo «comme il faut», para depois não ligarem puto a nada, apenas olham para os telemóveis, não há uma conversa sobre o quer que seja, na passada sexta-feira um neto passou o tempo a ver o Benfica-Gil Vicente, depois do comer, metem os telemóveis ao bolso, e arrancam porta fora, com um «até à próxima  sexta-feira!...»

Vou acabar com esta m…!...» 

domingo, 9 de março de 2025

COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...


 Sou do tempo em que os números de telefone tinham apenas cinco digitos.

O telefone de casa do meu pai começou por ser 40951, anos mais tarde passou a ser 840951 e por fim ficou 21840951.

Não havia telefones e toda essa parafernália comunicante que se passeia por aí.

Odeio telefones.

Li não sei onde:

Se o telefone não tocar sou eu!

O Pedro Alvim escreveu que

«Somente

as pessoas solitárias

é que atendem o telefone

imediatamente»

Lidia Jorge em O Vento Assobiando nas Gruas:

Do outro lado, Milene discou os velhos números do telefone que ainda erma de rodar e fazer ruído, como se lá dentro houvesse uma cremalheira.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

CONVERSANDO

Telemóveis, toda uma parafernália de tecnologias, conduz-nos para o caminho de uma outra espécie de analfabetismo.

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

CONVERSANDO

 Não tem telemóvel.

Parte da sua serenidade, ia escrever felicidade mas a palavra certa é serenidade, provém desse pormenor.

Nos transportes públicos ainda transporta, debaixo do braço, um jornal/revista, um livro, rodeado de cidadãos com telemóvel por todos os lados.

José Miguel Júdice escreve, hoje, no Diário de Notícias, como editorial, um interessante texto:

 «Há hoje quase 15 milhões de telemóveis em Portugal (14.906.434, para ser rigoroso, no ano passado). Falamos ao telefone com uma tagarelice que contraria aquela imagem do país sisudo e triste do antigamente. Se temos ou não alguma coisa interessante ou criminalmente inculpadora para dizer, fica ao critério de cada um, mas o facto é que, no ano passado, cada português falou 51 horas ao telemóvel. É uma média, claro, tem de se admitir que se há quem tenha sempre qualquer coisa para dizer, como o Prof. Marcelo, também há quem não tenha nada. E é um progresso. Em 1990 ainda os telemóveis eram poucos, cada um falava, em média, 21 horas por ano ao telefone.

Com o telemóvel tudo mudou. Quase triplicou. Hoje, o número de horas que os portugueses passam ao telefone por ano é de 510 milhões. 510.000.000. Para aqueles que têm alguma dificuldade com tantos milhões, incluindo ministros das Finanças e banqueiros, podem-se pôr as coisas de um modo mais simples. Há 510 milhões de horas, ainda havia mamutes a pastar no Alentejo e entre os nossos antepassados neandertais agitava-se um movimento político que urrava chega à invasão de homo sapiens, imigrantes ilegais que vinham ocupar as nossas cavernas e comer os nossos javalis.

Reduzidas assim às suas proporções, 15 mil escutados por ano num país de tagarelas nem é muito. Um pouco mais de esforço, por favor.»

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

NOTÍCIAS DO CIRCO

1.

Ele ainda não sabe concretamente qual vai ser o aumento da reforma que o governo lhe destina.

2.

Aos poucos vai sabendo que o cabaz de 46 bens isentos de IVA termina este ano.

3.

E entre outras fantasias, também ficou a saber que a acrescentar aos constantes aumentos do pão, dos vegetais, das frutas, passará a pagar 4 cêntimos pelos sacos onde acumula o pão, os vegetais, as frutas.

E a procissão ainda não saiu do adro!

4,


Público 24 de Setembro

5.

Mais de 1500 utentes internados a aguardar vaga em lares ou cuidados continuados.

6.

Setenta e quatro mil estrangeiros, descendentes de judeus sefarditas, pediram a nacionalidade portuguesa desde Setembro de 2022.

7.

De acordo com um estudo publicado pela Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC), o setor é responsável por cerca de meio milhão de empregos em Portugal e, em 2002, registou um volume de negócios de 9.770 milhões de euros.

8.


Público 1 de Outubro

9.

O ministro da Economia e do Mar disse hoje que os preços da energia "vão necessariamente refletir-se em subida", perante as tensões geopolíticas internacionais, depois do escalar do conflito entre Israel e o Hamas.

10.

Luís Montenegro,  na intervenção de abertura, na segunda-feira, do Conselho Nacional do PSD, considerou que o Orçamento do Estado para 2024  é "pipi, bem apresentadinho e muito betinho que parece que faz, mas não faz" porque tem "impostos máximos e serviços mínimos".

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

CONVERSANDO

O telemóvel deixou de ser uma necessidade. Tornou-se um vício.

Poderá uma criança criar gosto pela leitura de não vê os pais a lerem, antes os vê de telemóvel na mão?

Dizem que está em discussão o não permitirem que as crianças levem os telemóveis para a escola.

Encarregados de educação e diretores de escolas entendem que o uso dos telemóveis nas escolas não deve ser proibido. No entanto, defendem que sejam criadas regras de utilização.

Vai ser uma luta titânica.

Máximo Gorki sobre os livros:

«Lia-os no alpendre onde guardávamos a lenha ou num sótão e sem conforto. Alguma vezes se o livro me interessava ou se tinha de o devolver ao dono, levantava-me de noite e lia à luz da vela. A dona da casa desconfiando do que eu fazia todas as noites media e marcava a vela. No dia seguinte de manhã, se esta ultrapassava a medida que marcara, ia para a cozinha e gritava furiosamente. Isto amargurava-me, mas o meu desejo de ler, era mais forte do que eu próprio.»

sábado, 4 de fevereiro de 2023

CONSULTAS OBSCENAS

O pensamento e a leitura foram substituídos pela consulta obscena do telemóvel, esse objeto de nome errado (porque o que é móvel é o fone e e não o tele). Só a burocracia continua lenta em Portugal. Pior: está mais lenta e kafkiana. Herdámos da ditadura o desejo de complicar a vida a todos para que os videirinhos e donos disto tudo se possam safar.

Jorge Calado em MocidadePortuguesa, página 21

domingo, 11 de abril de 2021

QUE ACONTECEU?



Que me surpreendeu mais nos meus primeiros dias de deambulação pela cidade? A coisa mãos óbvia – os telemóveis. Lá no alto da minha montanha ainda não tínhamos cobertura de rede, e  cá em baixo em Athena, onde a têm, raramente via pessoas a andar na rua falando despreocupadamente para dentro dos seus telefones. Lembrei-me de uma Nova Iorque em que as únicas pessoas que subiam a Broadway parecendo que iam a falar sozinhas eram malucas. Que tinha acontecido nestes dez anos para que de repente houvesse tanto para dizer – tanto e tão urgente que não pudesse esperar para ser dito? Para onde quer que fosse, havia sempre alguém que caminhava na minha direcção a falar ao telefone e alguém atrás de mim a falar ao telefone. Dentro dos carros, os condutores iam ao telefone. Quando me metia num táxi, o taxista ia ao telefone. Para quem muitas vezes passava dias seguidos sem falar com ninguém não podia deixar de me perguntar o que seria que antes refreava as pessoas e agora tinha desaparecido a ponto de as levar a falar constantemente para dentro de um telefone em vez de passearem sem terem ninguém a vigiá-las, momentaneamente solitárias, assimilando as ruas através dos seus sentidos animais e pensando as miríades de pensamentos que as actividades de uma cidade inspiram.

Philip Roth em O Fantasma Sai de Cena.

sábado, 16 de novembro de 2019

QUOTIDIANOS


De telemóvel em punho atrapalham as entradas e saídas nos transportes públicos, atravessam as passadeiras de peões.
E pode-se morrer a falar ao telemóvel...
Segundo o Jornal de Notícias, uma mulher morreu atropelada na Linha do Norte, em Valadares, Vila Nova de Gaia, depois de ter sido colhida por uma máquina de serviço da CP. Estaria a falar ao telemóvel, enquanto atravessava a linha, não tendo ouvido os sinais sonoros de alerta emitidos pela composição de serviço interno da CP.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

POSTAIS SEM SELO


Os pais estão completamente ao telemóvel e as crianças estão a aprender com eles.

Dafna Lemish, investigadora norte-americana

quinta-feira, 23 de maio de 2019

ETECETERA


Nasce uma igreja por mês em Portugal.
Em 15 anos, foram registadas 833 confissões religiosas. 97 surgiram nos últimos cinco anos.

1.

Esquecimento fatal em Baku. O judoca Anri Egutidze, representante de Portugal e candidato à vitória na categoria de 81 quilos na prova do Grand Slam, foi eliminado ao fim de 13 segundos quando, durante um movimento mútuo para derrubar o adversário, o telemóvel esquecido no quimono do judoca português caiu.

 2.

O primeiro-ministro israelita anunciou o início do processo para criar um novo colonato judaico no território sírio ocupado dos montes Golã, com o nome do Presidente dos EUA, que em Março reconheceu a soberania de Israel naquele território.

 3.

O trafulha Berardo disse na comissão de inquérito que lhe tinham pedido para ajudar os bancos.
Quando dava, como comentador, catequese aos domingos nas televisões, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2007, elegeu Joe Berardo a figura do ano na economia portuguesa, pelo papel que tinha tido na definição do futuro do BCP.

4.

Quase cinco pessoas detidas por dia em processos de violência doméstica.
De 1 de Janeiro até 10 de Maio, a PSP deteve 247 pessoas e a GNR 382, mas o número final pode ser mais elevado.
Apesar das muitas detenções, a maioria dos inquéritos acaba arquivada. No ano passado, só 14,4% resultaram em acusação.

5.

Quase 1,8 milhões de portugueses estão em risco de pobreza e 17,3% da população, a maioria no norte e centro do país, sobrevivem com 467 euros por mês.

6.

Um homem de 32 anos morreu após ter sido esfaqueado no pescoço, na Praia da Rocha, depois de ter recusado dar um cigarro a outro homem.

7.

Tempos de crise.
Charo é uma prostituta amiga de Pepe Carvalho, detective dos romances de Manuel Vasquez Montálban.
Em Os Mares do Sul, Pepe pergunta a Charo:
- Como vai o negócio?
- Mal. Há uma concorrência tramada. Com isso da crise económica até as freiras se puseram a foder.                                   

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ETECETERA

 

Recortes do jornal Público de 27 de Abril.

1.

O sucedâneo de acontecimentos que envolveram a questão dos professores, mormente a ameaça de demissão do governo se a lei fosse aprovada na Assembleia da República, forneceu a surpresa de Marcelo Rebelo de Sousa não ter proferido qualquer palavra pública.

Marcelo nunca esteve tanto tempo calado. Nem quando foi operado.

2.

Os banqueiros querem pôr-nos a pagar pela utilização do Multibanco.
Assim se pronunciaram os presidentes executivos do BPI, Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco.

3.

Um rapaz de 13 anos não tem telemóvel porque a sua mãe não quer.

A mãe do rapaz chama-se Madonna e numa entrevista à Vogue britânica explica o porquê.

João Lopes no seu blogue Sound and Vision conta a história:

«Vou manter essa decisão por tanto tempo quanto possível, porque cometi um erro quando dei telemóveis aos meus filhos mais velhos aos 13 anos de idade. Na verdade, isso pôs fim à minha relação com eles. Não completamente, mas tornou-se uma parte muito, muito importante das suas vidas. Ficaram alagados em imagens e começaram a comparar-se com outras pessoas, o que é muito mau para a descoberta da própria identidade.»

4.

Quase um terço dos deputados da Assembleia da República nasceu depois do  25 de Abril de 1974.

5.

Há 28 freguesias, a maioria no interior do país e nos Açores, onde não nascem bebés há pelo menos cinco anos. O aumento da natalidade em 2018 ficou sobretudo a dever-se ao maior número de filhos nascidos de mães estrangeiras.

6.

 Opinião de Isabel do Carmo sobre Cavaco Silva, retirada de um artigo de opinião no Público:

«Trata-se de uma pessoa rancorosa, em que o ódio é que mexe os lábios e a língua, sem estatura intelectual e pessoal. Devem ser analisadas as suas acções e desígnios e avaliar e criticar uma personalidade que se considerou sempre intocável. Muitas vezes é gozado em termos que podem ser classistas. A questão não deve ser a dos tiques de classe. É de política que se trata e é como político que deve ser analisado e julgado.»

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

QUOTIDIANOS


O pai para o filho:

- É a ler que aprendes a escrever…

- Mas quem é que lhe disse que eu queria aprender a escrever?

E voltou a dedilhar na maquineta de sms... ou lá o que isso é.

domingo, 5 de março de 2017

A BÍBLIA NO LUGAR DO TELEMÓVEL


Por favor, não esqueçam o que aconteceria se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso telemóvel. Pensem nisto: a Bíblia sempre connosco, disse o papa no final da tradicional oração do Angelus, perante os fiéis concentrados na Praça de São Pedro.          

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PREOCUPANTE


Um estudo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, concluiu que cerca de 18% das crianças entre os três e os oito anos têm um telemóvel para uso pessoal e que 63% das crianças têm um tablet pessoal. Além disso, 18% das crianças destas idades têm um telemóvel para uso pessoal. Metade destes telefones são smartphones com acesso à Internet e 38% das crianças acedem à Internet.

O estudo realça ainda que televisores, computadores, tablets e telemóveis ajudam os pais a entreter os filhos e são vistos como instrumentos apaziguadores enquanto os adultos estão ocupados com diversas tarefas.

Em 99% dos lares há pelo menos um televisor e em 92% dos casos existe um telemóvel. Os tablets já estão presentes em 68% dos lares, quase alcançando os computadores portáteis que existem em 70% das famílias.

É cada vez mais preocupante a dependência que as crianças têm em relação a todas estas aplicações. Deixaram de brincar, deixaram de conviver, deixaram de conversar uns com os outros. Tudo gira à volta de telemóveis, de tablets, seja do lá o que for.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

OLHARES


A fotografia é de 1934.
Os miúdos de hoje divertem-se com telemóveis e afins.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

POSTAIS SEM SELO


Não tenho telemóvel, nem quero ter, custa-me ver que o mundo está todo ao telemóvel. Não faço realmente parte do mundo moderno, além de existir e de ter um computador. Mas não gosto de ser um escravo. Acho que a tecnologia nos deve servir, não gosto de ser escrava dela, e quando olho à volta tudo o que vejo são escravos do telemóvel por todo o lado.

Patti Smith