Passado o tempo que passou, sabemos, por que Primavera, homens como
Craveirinha, esperavam.
Isso não os
impedia de, sentados num parque da cidade moçambicana, discutissem história,
filosofia e também Brigitte Bardot.
Como actriz
não vale a pena gastar muitas palavras, quanto ao resto, lembre-se o que Roger
Vadim disse:
«Se D. Juan fosse uma mulher ele seria
sem dúvida Brigitte Bardot».
Em 1956,
durante o Festival de Cinema de Cannes, Brigitte Bardot visitou o estúdio de
Pablo Picasso em Vallauris.
Pablo tinha
75 anos, Brigitte estava na plenitude dos seus 22 aninhos.
Diz quem
sabe, que ambos, trouxe-mouxe, se divertiram até mais não.
Há uma canção
do Bob Dylan, I Shall Be Free, em que ele diz que o telefone não parava
de tocar.
Era o Presidente Kennedy a perguntar por
mim.
Ele disse: «Amigo Bob, do que precisamos
para fazer o país crescer?»
Eu disse: «Amigo John, Brigitte Bardot, Anita
Ekberg, Sophia Loren»
Brigitte
Bardot tem hoje 86 anos.
É defensora
dos animais, os humanos passam-lhe longe,
muito longe mesmo, vive rodeada de polémicas, algumas bem escabrosas, desde 1992 que
está casada com um conselheiro do fascista Jean-Marie Le Pen e em 2018, chamou
às pequenas do Movimento Me Too hipócritas e ridículas.
Aqui tiro-lheo meu chapéu de coco, porque se haverá pessoa que, no mundo, mais saiba de
assédios e situações similares, é Brigitte Bardot.
Estamos sentados.
E nefelibatas bebemos coca-cola
nas públicas cadeiras da praça.
Sobre as envenenadas acácias
andorinhas geometrizam o azul do céu
e despercebidos passarinhos africanos
cantam nos verdes braços vegetais.
Num parque de cidade moçambicana
jovens discutem Brigitte Bardot
e abúlicas mãos tamborilam
no tampo da mesa fúteis dedos.
Um grupo de estivadores
vem do cais vestindo
serapilheiras
e passam a três metros e meio
das cómodas cadeiras da praça
Odes cantam nos ramos os bilo-bilana
e na surdina das tímidas meias palavras
e subentendidos silêncios
ansiosos todos esperamos
indolentes as flores
da nossa comum Primavera.
Estamos
sentados.
E nefelibatas bebemos coca-cola
nas públicas cadeiras da praça.
Sobre as envenenadas acácias
andorinhas geometrizam o azul do céu
e despercebidos passarinhos africanos
cantam nos verdes braços vegetais
Num parque de cidade moçambicana
jovens discutem Brigitte Bardot
e abúlicas mãos tamborilam
no tampo da mesa fúteis dedos.
Um grupo de estivadores
vem do cais vestindo
sarapilheiras longe da Primavera
e passam a três metros e meio
das cómodas cadeiras da praça
Odes cantam nos ramos os bilo-bilana
e na surdina das tímidas meias-palavras
e subentendidos silêncios
ansiosos todos esperamos
indolentes as flores
da nossa comum Primavera.