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quinta-feira, 7 de abril de 2022

UIVOS CENSURADOS


Uivo de Allen Ginsberg, foi originalmente publicado no Outono de 1956 pela editora City Lights Books. Apreendido pelos serviços alfandegários dos Estados Unidos e pela polícia de São Francisco, foi sujeito a um longo julgamento, em que poetas e professores tentaram convencer o tribunal de que não se tratava de um livro obsceno.

Mais tarde, Uivo acabou por se tornar o livro de poesia mais lido na história dos EUA, com cerca de um milhão de exemplares vendidos em relativamente pouco tempo.

Carl Solomon, a quem Uivo é dedicado, foi um dadaísta do Bronx que escreveu poesia em prosa. 

Esta é a capa do meu exemplar de Uivo publicado, em Junho de 1973, pelas Publicações Dom Quixote com selecção e tradução de José Palla e Carmo.

 No mercado existe uma edição de Uivo publicada pela Relógio d’Água com tradução de Margarida Vale Gato.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

LAWRENCE FERLINGHETTI (1919-1921)


No dia 22 de Fevereiro, vítima de doença pulmonar intersticial, morreu  Lawrence Ferlinghetti morreu anteontem em São Francisco onde vivia- à noite na sua casa em São Francisco.

Faria 102 anos no próximo dia 24 de Março que é celebrado como Dia Lawrence Ferlingheti.

Poeta, escritor, crítico de arte, tradutor, artista plástico, fundou a Livraria City Lights Pocket Book Shop. 

Preso e julgado por obscenidade por ter publicado Uivo — Howl and Other Poems, 1956 —, de Allen Ginsberg, Ferlinghetti acabou  absolvido e o poema tornou-se um bestseller internacional. O livro tinha sido impresso em Londres, enviado para os Estados Unidos e apreendido assim que chegou às livrarias. 

José Palla e Carmo que selecionou e traduziu Como Eu Costumava Dizer, escreveu uma breve nota sobre o autor para o livro que as Publicações Dom Quixote, na excelente Colecção Cadernos de Poesia, publicou em Janeiro de 1972:

«Os poemas reunidos nesta antologia foram colhidos nos volumes de poesia referidos, devendo notar-se que «Estou à Espera», «Autobiografia» e «Cão» se integram numa secção de A Coney Island of the Mind (título que pode traduzir-se por Uma Feira Popular do Espírito) intitulada «Oral Messages», que o autor faz proceder de uma advertência: «Estes poemas foram concebidos especificamente para serem acompanhados por jazz e, como tal, devem ser considerados mais como “mensagens orais” pronunciadas espontaneamente do que como poemas escritos com vista à página impressa. Da sua contínua recitação com acompanhamento de jazz resulta que eles ainda se encontram num estado de mutação.»

«Como eu costumava dizer, o amor é mais difícil de nascer nos mais idosos. Porque já percorreramos mesmos velhos trilhos muitas vezes.»

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

OLHAR AS CAPAS



Como Eu Costumava Dizer

Lawrence Ferlinghetti

Selecção e tradução: José Palla e Carmo
Capa: Fernando Felgueiras
Cadernos de Poesia nº 22
Publicações Dom Quixote, Lisboa, Janeiro de 1972

Foi na Leitaria de Bairro Antiquado

Foi na leitaria de bairro antiquado
que pela primeira vez me apaixonei pela irrealidade
Os drops brilhavam na semiobscuridade
daquela tarde de setembro
Um gato andava em cima do balcão no meio dos chupa-chupas
e dos rebuçados
e das ena pá pastilhas elásticas

Lá fora as folhas caíam ao morrerem

O vento empurrava o sol para longe

Entrou a correr uma rapariga
Trazia o cabelo molhado da chuva
Os seus seios não conseguiam respirar na loja apertada

Lá fora as folhas caíam
e gritavam
Cedo de mais! Cedo de mais!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

OLHAR AS CAPAS


Uivo (e outros poemas)

Allen Ginsberg
Selecção e tradução: José Palla e Carmo
Capa: Fernando Felgueiras
Colecção Cadernos de Poesia nº 26
Publicações  Dom Quixote, Lisboa, Junho de 1973

Obedecendo a ordens para matarmos os espiões,
                   descarreguei a pistola na sua boca.
Descaíu, com a cara para baixo, da posição de vivo,
                   e deixei-o ali morto e ajoelhado.

Não, eu não fiz isso. Imaginei a cena, na neve dum
                   aeroporto, quando o avião de Albany des-
                   carregava passageiros.

Sim, fê-lo o rapaz com cara de Mexicano, de deza-
                   nove anos, com farda de fuzileiro naval,
                   que vinha sentado ao meu lado,
e que ia sair em Salt Lake City, a acompanhar
                   o cadáver do irmão que trouxera do
                   Vietnam.
«O vietnamita estava ajoelhado à minha frente,
                    a chorar e a pedir piedade. Eram dois:
                    este trazia um cartão que havíamos lan-
                    çado sobre eles.»
O cartão prometia imunidade aos
                    vietcongues que se rendessem.
«Para justar as contas da morte do meu irmão
                    E do meu melhor amigo, abati os dois.»
Sim, isto foi verdade,

                                       Fevereiro, 1969

terça-feira, 9 de agosto de 2016

OLHAR AS CAPAS


Kaos

Ruben A.
Posfácio de José Palla e Carmo
Capa: Armando Alves
Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, Novembro de 1981

Sabes, meu amigo, somos mouros, ou saloios, ou árabes, ou lá o que é. Orgulhosos da nossa incapacidade.
Talvez.
Arrogantes do nada.
Em Portugal gastam-se energias produtivas a desfazer asneiras e muitas vezes a emendar os erros dos outros. É uma máquina, uma locomotiva que anda para trás. Um país, assim, progride como os cágados.
É tudo uma cagada. Ah! Perdão minhas senhoras.