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terça-feira, 9 de março de 2021

NUM CARRO PARA CAMPOLIDE


Uma mulher de carne azul,

semeadora de luas e de transes,

atravessou o vidro

e veio, voadora,

sentar-se ao meu colo

na nudez reclinada

dum desdém de espelhos.

 

(Mas que bom! Ninguém suspeita 

que levo uma mulher nua nos joelhos.)


José Gomes Ferreira de Eléctrico em Poesia III

sábado, 16 de setembro de 2017

OLHARES


Não me canso de olhar a passagem do «28» na Rua da Graça.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

OLHARES


O 28 na Rua da Graça, junto a Sapadores.

sábado, 5 de agosto de 2017

domingo, 29 de janeiro de 2017

DO BAÚ DOS POSTAIS


O célebre  eléctrico 28 nas Portas do Sol.
Aproveito a boleia para o colocar na etiqueta dos candeeiros.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

DO BAÚ DOS POSTAIS


Lisboa.
O 28 nas Escolas Gerais a caminho das Portas do Sol.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

OLHARES


É sempre bonito um olhar pelo Eléctrico 28.
Passa pelas Portas do Sol a caminho da Graça.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

OLHAR AS CAPAS


28 Crónica de um Percurso

José-Augusto França
Fotografias: Pedro Soares
Capa; Carlos Nogueira
Livros Horizonte, Lisboa, Junho de 1999

De cada eléctrico ficou só o guarda-freio cobrador, de “pull-over” desportivo, a quem se deu assento e um mostrador complexo de botões e luzes, para além do manípulo simples de ligar e desligar a corrente e acelerar até aos nove pontos, quando podia “ir a nove”, e de um ou dois travões niquelados, verticais, que se rodavam nas descidas, a propósito, e agora jazem, pendurados e inúteis. Amarelos que eram, na cor movente de cidades e carros recebem hoje em dia camuflagem de reclamos para vãs cobiças. Há muito perderam os salva-vidas de baixar e levantar, e já não os há abertos, para o Lumiar, para Benfica, para o futebol ou para a praia do Dafundo, em tempo caldo. Guardam ainda as janelas de puxar para cima e fixar a várias alturas, e madeiras no interior, envernizadas, mas a palhinha dos assentos de virara (que não viram mais) nem recordação já é, e não serve mais o corrimão vertical, de pau, que se agarrava saltando para o estribo, lá ficando pendurados os cachos de gente. Como não há atrelados nem grandes articuladas, de lagarto, para abrir e fechar, à entrada, consoante o sentido da marcha. E um silvo estridente esguicha agora para abrir passagem, que outrora era o caso de pedal pisado com variada fúria. E mesmo as paragens já não são o que eram…
O trajecto faz-se, só impedido e atrasado, aqui e ali, por automóveis a mais, no seu trânsito sem lei nem roque – e o 28 leva sempre turistas para o Castelo e muitas vezes carteiristas conhecidos no ofício e impunes pelo pitoresco; e também gente normal, de ir à Baixa e voltar para casa, como existe ainda, mas cada vez menos, em Lisboa… E foi também este o eléctrico que o Tanner tomou, filmando ruas, fora e dentro da carruagem, na sua fascinada demanda “dans la ville blanche” de há quinze anos.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

sábado, 1 de novembro de 2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

QUOTIDIANOS


Uma dezena de carteiristas foi acusada pelo Ministério Público. Em alguns casos depois de tirarem o dinheiro das bolsas entregavam-nas às vítimas.
Terá sido com agrado que Don Arden Diehl, um turista que desfrutava do passeio no elétrico 28, que faz a ligação entre o Martim Moniz e Campo de Ourique, em Lisboa, viu Rúben entregar-lhe a carteira, que terá caído durante a viagem. O que o turista não percebeu é que, momentos antes, Rúben se colou à sua frente, de forma a impedi-lo de caminhar pelo corredor do elétrico, criando uma barreira para que João retirasse do bolso traseiro das calças de Don Arden a carteira e lhe retirasse 120 euros. À primeira paragem, os dois abandonaram o elétrico.
Nesta semana, juntamente com mais oito pessoas, foram acusados de furto qualificado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa.

Do Diário de Notícias

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

DO BAÚ DOS POSTAIS


Lisboa e o eléctrico 28.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

sábado, 7 de junho de 2014

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

POR COMBOIOS...


Por comboios, pelo cinema, pelas intermitências da morte: um dia, o dia, aquele que sempre chega.
Patrice Chéreau morreu, em Paris, no dia 7 de Outubro,
Antes de morrer, um artista famoso expressa dois desejos: ser enterrado num cemitério em Limoges e, para assistir ao funeral, os amigos e familiares irão de comboio.
Uma história bem contada, uma banda sonora de bom gosto.



Os que de mim gostam irão no 28.
Beberão gin-tonic.

quinta-feira, 7 de março de 2013

DO BAÚ DOS POSTAIS

Lisboa à noite.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A GRAÇA DOS PRAZERES


Prazeres que não de cemitério. Prazer, no outro lado da linha da carreira 28 – a Graça. Gozo da viagem tranquila, compassada, escolhendo horas fora de ponta. Conviver – se possível com a cordial botelha de que falava o outro. Fazer do trajecto uma festa para os olhos que miram a cidade à escala humana, também para o espírito que nela procura encontrar sentido – o lugar humanizado.

Graça do eléctrico que ainda não roubaram ao convívio. Deseje feito de paixão, destas coisas bem alfacinhas, como os corvos nas carvoarias; o balcão das tabernas; algumas mesas de mármore onde se bate com força o dominó; pátios, vilas, escadinhas.

Prazeres, pequenos que sejam, no deixar correr o sentimento no teclado, para dizer ao leitor que o eléctrico é uma das últimas aventuras permitidas no nosso dia-a-dia. A corrida e o salto para o estribo; a suavidade doce do cobre e do latão: o verniz nas madeiras; o que resta de um amarelo-limão a lembrar canários.

Graça, ali tão perto, feminina, namoradeira, deixando-se cair, redonda nos outeiros, para carris de fantasia que a levam às viagens mais loucas dos sentidos. Luzinhas que piscam nos palácios; claraboias a arder; mirantes de outros santos que não vêm no calendário.

Prazeres, leitor, no colorido das aldeias dentro do cinzento da metrópole; a sardinheira na varanda da vizinha: o rinhaunhau do gato no telhado ali defronte; o sapateiro naquele vão de escada; o amolador de tesouras e navalhas, quando chegam as primeiras chuvas.

Graça, em diminutivo, dos prazeres. Não nos tirem esta graça.

Eduardo Guerra Carneiro, crónica no Diário Popular s/d.