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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

DIÁRIO DA GREVE GERAL


 A Greve Geral existiu.

Coloquemos de lado os números indicados pelo Governo, pelas centrais sindicais.

Mas se bem que não haja estatística, teremos que citar os trabalhadores dos privados que ouviram os patrões, os empresários, dizer-lhes: «se aderires à greve, terás problemas…»

Numa reportagem publicada pelo Público, Luca, trabalhador precário, disse: «Não tenho hipótese de fazer greve. Se pudesse fazia».

A Greve Geral cancelou 66% dos voos previstos em Lisboa, 49% no Porto e 95,4% em Faro.

Adesão muito significativa nos hospitais, nos transportes, nas escolas.

A Auto-Europa cumpriu a Greve Geral dos trabalhadores.

E agora?

O governo terá compreendido o buraco em que se enfiou, e nesse seguimento, a ministra do trabalho convocou a UGT para uma reunião, na próxima terça-feira, tendo em vista continuar as negociações sobre o anteprojecto do governo de reforma da legislação laboral.

Todo este processo correu mal para o governo porque Luís Montenegro andou afastado da discussão, deixando-a ao cuidado da ministra que é uma mera académica e não uma figura política, piorou quando o 1º ministro, o ministro da presidência, outos ministros, tiveram uma atitude arrogante, soberba aparvalhada, completamente desnecessária, desvalorizando a luta e a razão dos trabalhadores.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

DIÁRIO DA GREVE GERAL


 «A esmagadora maioria dos trabalhadores do País está a trabalhar", afirmou o ministro da Presidência em declarações aos jornalistas na manhã desta quinta-feira. Leitão Amaro afirmou ainda que "o nível de adesão do País à greve é inexpressivo, em particular no sector privado e social.»

«O país está a trabalhar e há uma parte do país que está a exercer o legítimo direito à greve. A parte que está a exercer legítimo direito à greve é a parte minoritária, a parte largamente maioritária está a trabalhar e nós estamos também a trabalhar", afirmou Luís Montenegro, numa curta declaração aos jornalistas.»

 

ALGUMA SE VEZ PODERÀ DIZER QUE, FACE A ESTAS ANÁLISES SOBRE A GREVE GREAL, ESTAMOS PERANTE UM GOVERNO CREDÍVEL, RESPONSÁEL?

 

«O fenómeno é comum a quase todos os países da OCDE e Portugal não foge à regra: nas últimas décadas a taxa de sindicalização tem vindo a ser cada vez mais baixa. Porque é que isto acontece? Mudanças no mundo e no mundo do trabalho em concreto ajudam a explicar o declínio da sindicalização. Mas os sindicatos avisam que não morreram e que, para os trabalhadores, continuam a ser o último apoio quando tudo o resto falha.»


Patrícia Carvalho no Público

«Afinal, que sentido tem exatamente a greve geral?
O propósito desta revisão da legislação laboral é desequilibrar a lei a favor dos empregadores e diminuir a natureza coletiva das relações de trabalho. Basta, aliás, recordar as palavras de alerta deixadas pela ministra do Trabalho em entrevista à RTP, quando afirmou que “a lei que está em vigor tem algum desequilíbrio em favor dos trabalhadores”. As propostas do Governo são de tal forma “avançadas” que nem nos sonhos mais ambiciosos dos empregadores e dos seus representantes se esperava um brinde destes.


Pedro Adão e Silva

«Os herdeiros do passismo regressaram ao poder e querem retomar o caminho de intimidação iniciado há 15 anos. Para eles, trabalha melhor quem tem medo, quem, por isso, obedece e se cala.

Manuel Loff

A greve geral existiu
É uma derrota, a somar a outras que o executivo tem acumulado neste dossier. Da união pouco usual das duas centrais sindicais à convocação de uma greve geral que já não acontecia há 12 anos. Da quase ausência de quem, no espaço público, defenda a bondade das mudanças à lei até ao embaraço provocado ao próprio candidato presidencial Luís Marques Mendes. O Governo começou muito mal, sem ter construído uma narrativa para as mudanças, e arrisca-se a acabar pior.
A greve geral existiu
De pouco servirá entrar na guerra de números que, como seria de esperar, estão dentro da amplitude do exagero entre aquilo que os sindicatos exibem como uma vitória e o que Governo e patrões dizem que foi uma derrota. O que é certo é que a greve geral existiu mesmo e dificilmente deixará de ser um marco negativo no percurso político deste executivo.»


David Pontes

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

DIÁRIO DA GREVE GERAL

 «A proposta do governo, nas suas traves mestras, também provoca mais precariedade (contratos a termo certo com duração inicial de um ano, em vez dos seis meses atuais, e com possibilidade de duas renovações, até um limite de três anos); vai facilitar o despedimento, desprotegendo o trabalhador contra despedimento injustificado; promove uma maior desregulação dos horários e a precarização das condições de trabalho, enfraquece a contratação colectiva, a acção sindical e o direito à greve.

É legitimo propor este caminho, acreditando que é o caminho certo para aumentar a produtividade nas empresas, fazer crescer a economia e criar novos empregos. Mas entra no domínio da aldrabice política querer convencer alguém que tudo isto não é feito com perda de direitos para os trabalhadores.»

Paulo Baldaia no Expresso


A CGTP e a UGT marcaram uma Greve Geral contra as medidas laborais propostas pelo governo.

Será a primeira em 12 anos. A última, realizada pelas duas principais centrais sindicais, a 27 de Junho de 2013, ocorreu durante a crise económica, quando Portugal enfrentou um resgate financeiro e as suas consequências.

Luís Montenegro, e acompanhantes, justificam a revisão da Lei Laboral com a necessidade de modernizar a economia e diz que os trabalhadores não têm razão para fazer greve.

Luís Montenegro, e acompanhantes, afirmam que as medidas propostas visam aumentar a flexibilidade do mercado de trabalho.

«Apresentámos alterações a mais de 100 artigos, mais de 100 alterações, e estamos agora disponíveis para uma consulta sobre essas alterações no âmbito da Concertação Social e também estaremos disponíveis para isso no Parlamento. O objetivo é que o resultado final possa confirmar o ajustamento da lei às exigências actuais da nossa economia, ao funcionamento da nossa economia, à robustez da nossa economia e ao funcionamento das nossas empresas»

Os serviços mínimos vão abranger, na próxima quinta-feira, dia de greve geral, a circulação de comboios, barcos e a Carris, em Lisboa, excluindo, todavia, o Metro. As decisões foram reveladas este sábado pelo Conselho Económico e Social.
O direito à greve encontra-se consagrado no artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa. É um direito fundamental dos trabalhadores. O direito à greve é irrenunciável. Todos os trabalhadores podem aderir à greve geral, independentemente do sector de atividade, público ou privado, da natureza da sua entidade patronal e da natureza do seu vínculo à entidade patronal e do facto de se encontrarem sindicalizados ou não.  O aviso prévio de greve geral apresentado pela UGT e pela CGTP cobre todos os trabalhadores por conta de outrem.

Mas há sempre que contar com velhos hábitos, como as ameaças que larga fatia do patronato exercerá sobre os trabalhadores.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

DIÁRIO DA GREVE GERAL


 Luís Montenegro, para as últimas eleições legislativas, não incluiu no programa do PSD qualquer reforma laboral.

Por motivos que só ele, ou a ministra do Trabalho, poderão clarificar, surgiu um miserável pacote reformista dos direitos de quem trabalha muito e recebe pouco.

Causou espanto e indignação.

Depois de lida e relida a proposta, tanto a CGTP e a UGT, acabaram por concluir que apenas uma Greve Geral, poderia levar o governo e os habituais acompanhantes, a repensarem o disparate em que caíram.

A Greve Geral ficou marcada para o dia 11 de Dezembro.

Entretanto, nada aconteceu, apenas acusações pífias: o governo desqualificou as motivações da greve, lançando a acusação de que as centrais sindicais estão a mando dos partidos, esquecendo (?) que o que motiva os trabalhadores é a própria reforma laboral.

Ainda reuniram com a UGT, que, entre outros, reúne trabalhadores apoiantes do PSD, mas o pacote é demasiado gravoso, para que remendos e remedinhos que apresentaram, servissem para demover a Greve Geral.